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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Casa de Deus




Casa de Deus


O poeta estava procurando por Deus há milhares de vidas. Ele o via às vezes, lá longe, próximo a uma estrela, e ele começou a mover-se naquele caminho, mas, no momento em que chegou àquela estrela, Deus mudou-se para outro lugar.

Mas ele continuou procurando e procurando — ele estava determinado a descobrir a casa de Deus — e a surpresa das surpresas foi que, certo dia,
ele de fato chegou a uma casa onde na porta estava escrito: "Casa de Deus".

Você pode compreender o seu êxtase, pode compreender sua alegria. Ele corre escada acima e, bem na hora em que ia bater à porta,
de repente sua mão gela. Surge-lhe uma ideia: "Se por acaso esta for realmente a casa de Deus, então, estou morto, minha busca acabou. Fiquei identificado com a minha busca, com a minha procura. Eu não sei fazer mais nada... Se a porta se abrir e eu encontrar-me com Deus, estou morto... — acabou-se a busca. E depois? Depois há uma eternidade entediante — nenhum excitamento, nenhuma descoberta, nenhum desafio novo, pois não pode haver nenhum desafio maior do que Deus."

Ele começou a tremer de medo, tirou os sapatos dos pés e desceu de volta os lindos degraus de mármore. Ele tirou os sapatos, de modo que não fosse feito nenhum barulho, pois o seu medo era até de fazer barulho nos degraus... Deus podia abrir a porta, embora ele nem tivesse batido. E, então, ele
correu tão depressa quanto jamais correra antes.

Ele pensava que estava correndo atrás de Deus tão depressa quanto podia, mas nesse dia, subitamente, ele encontrou a energia que jamais tivera antes. Correu como jamais tinha corrido, sem olhar para trás.

O poema termina assim: "Eu ainda estou procurando por Deus. Conheço sua casa, assim a evito e busco em outro lugar. A excitação é grande, o desafio é grande e, na minha busca,
eu prossigo, continuo a existir. Deus é um perigo — eu seria aniquilado. Mas agora eu não tenho medo nem de Deus, porque conheço Sua casa. Sendo assim, deixando de lado a Sua casa, continuo procurando por Ele, ao redor de todo o universo. E lá no fundo eu sei que minha busca não é por Deus: minha busca é para nutrir o meu ego."

Rabindranath Tagore

 
Rabindranath Tagore, nascido 7 de maio de 1861 em Jorasanko, alcunha Gurudev, foi um polímata bengali. Como poeta, romancista, músico e dramaturgo, reformulou a literatura e a música bengali no final do século XIX e início do século XX.
 
 

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