Por favor, preencha a atmosfera com a vibração sublime dos Santos Nomes:
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quarta-feira, 1 de agosto de 2007

O FOGO SECRETO

O Relacionamento entre Kundalini, Cabala e Alquimia*

por Mark Stavish, M.A.


Prefácio
Os exercícios apresentados a seguir são planejados para ajudar na libertação da energia mais poderosa conhecida da humanidade e que reside na criação. Eles não são propostos para alguém com pouca ou nenhuma experiência esotérica. Em geral, seria aconselhável ter ao menos um ou dois anos de experiência prática, diária com os Rituais da Coluna Central e/ou do Pentagrama, e também, um tempo equivalente com os Rituais do Hexagrama. Vários anos de operação do 32º ao 24º Caminhos na Árvore da Vida também seriam desejáveis [1], e uma prática regular de ao menos uma vez por semana do “Elevando-se pelos Planos” [2]. Bom senso, uma disposição para “Apressar-se lentamente,” e um estilo de vida equilibrado podem ser a melhor proteção contra quaisquer efeitos colaterais destas, ou de outras, práticas esotéricas [3]. É muito importante que você mantenha um diário de suas práticas e experiências com os exercícios apresentados.

O tempo que leva para se experimentar o Fogo Secreto não é conhecido, porém a preparação é a melhor garantia de sucesso. O tempo alocado para cada exercício não deve exceder mais do que 15 ou 20 minutos no começo, e uns 30 a 45 minutos depois de uns seis meses. Sugerimos com todo empenho que toda pessoa realizando estes exercícios também faça uso diário de tinturas espagíricas para cada uma das qualidades planetárias do dia que for usada. Esta limpeza adicional, lenta e metódica dos canais sutis psíquicos ajudará no alívio de alguns dos efeitos colaterais do trabalho esotérico. A aplicação, todas as noites, da “Yoga dos Sonhos”, também é sugerida, pois isto vai sintonizar o estudante com as qualidades do dia enquanto estiver dormindo, vai ajudar nos contatos interiores e pode esclarecer problemas particulares do Trabalho. [4]

Ainda que isto possa parecer como muito trabalho, não o é. As tinturas podem ser feitas facilmente. Tudo o que é preciso é seu uso regular, o que não vai levar mais tempo do que engolir uma vitamina. A Yoga dos Sonhos é feita quando estamos prestes a cair no sono, não sendo necessário nenhum tempo adicional para ela também. O que é necessário é a regularidade, compromisso e perseverança. Qualidades que asseguram e conferem o adeptado. Boa sorte em suas práticas. Nos Elos do Esoterismo.

Ora et labora.

Mark Stavish

Wilkes-Barre, Pennsylvania

Abril de 1997



INTRODUÇÃO
Nas práticas esotéricas ocidentais existe um aparente hiato de conhecimento com relação ao papel das práticas esotéricas e seus efeitos nos corpos sutis e não tão sutis dos praticantes. No oriente, todas as práticas, quer sejam designadas como tais ou não, são voltadas para despertar a energia semi-dormente que reside em toda a criação, e nos ‘seres vivos’ em particular. Esta energia é conhecida como “kundalini,” “Fogo Serpentino,” e o “Dragão” dependendo da tradição. Cuidado considerável tem sido tomado, apesar das contradições entre sistemas, para mapear os efeitos dos exercícios nesta energia latente, e saber como ela ‘flui’ pelos corpos físico, emocional e psíquico, em que estágios, e em relação com que exercícios. Uma análise detalhada equivalente está faltando no esoterismo ocidental moderno.

Para os cabalistas modernos, a introdução mais comum à magia cerimonial é por meio do Ritual Menor do Pentagrama e o Exercício da Coluna Central. Este ensaio tem dois propósitos: mostrar como este, e outros exercícios relacionados, podem estimular o Fogo Secreto, e sugerir exercícios para sua regularização por estudantes esotéricos que estão engajados no caminho Hermético, tais como estudos gerais ou alquimia, que podem ter experimentado seu despertar e estão necessitando de exercícios simples e diretos para a sua regularização.


O Fundamento Teórico

A maior parte dos estudantes esotéricos modernos está familiarizada como o exercício da Coluna Central e, como tal, ele será a base fundamental para boa parte deste artigo. Além disto, serão feitas referências limitadas ao Sepher Yetzirah, e à alquimia.

A base da cabala é que por meio de crescentes níveis de densidade, a humanidade surgiu ao seu estado presente de encarnação física e de evolução psíquica. Por meio de rituais, exercícios e meditações, a energia latente na criação, em geral, e no corpo do praticante, em particular, pode ser “despertada,” purificada e direcionada. Essa energia pode então ser usada para desenvolvimento espiritual, expansão psíquica ou para a saúde física e sua melhora.


Criação – “No Princípio ...”

É dito que a criação ocorreu, em termos cabalistas ocidentais e alquímicos, no seguinte processo.

A mente divina de Deus, o Absoluto, ou em hebraico o Ain Soph Aur (A Luz Ilimitada), por meio de uma série de expansões e contrações, estabelece os limites da Criação. O primeiro mundo é o mais sutil, e mais perto do estado original de não-existência, e chama-se Atziluth. Esse é chamado de Mundo de Fogo, por causa da natureza, vívida, indefinida e quase incontrolável do fogo. A seguir vem Briah, ou o Mundo dos Arquétipos e formas no sentido em que nossa mente humana pode apreende-los. Ele é simbolizado como o Mundo do Ar, e resulta numa barreira para o mundo formado a seguir, Yetzirah, ou Água. Este é o mundo altamente psíquico e emocionalmente carregado imediatamente atrás do véu da existência material, ou Assiah. Esse é também conhecido como o Mundo da Terra, por causa da natureza sólida e concreta da vida material.

O propósito deste esquema é mostrar que a criação ocorre em níveis cada vez mais densos de energia-matéria, do mais sutil, ou Fogo, ao mais denso, ou Terra. Dentro deste contexto de crescente densidade, surge também uma série de dez planos ou níveis de consciência que se combinam com e energia-matéria, conhecidos como Sephiroth, ou esferas de ser. Eles ocorrem num padrão de: unidade, reflexo, polaridade, reflexo, polaridade, unidade, reflexo, polaridade, unidade e finalmente materialização. Esta idéia básica de unidade-polaridade-e-reharmonização é a base das práticas cabalistas e alquímicas, e deriva-se da observação da Natureza.

Cada mundo é um reflexo num grau mais denso ou mais sutil do outro antes ou depois dele. Cada Sephiroth é um reflexo, em parte, do que o precede ou segue. No entanto, como cada reflexo é somente parcial, ou levemente distorcido, cada Esfera assume suas características próprias únicas. Somente os assim chamados “Quatro Sephiroth do Meio” têm a habilidade para harmonizar ou refletir na totalidade todas as energias da criação, em algum nível.

O ‘zigzag’ da Criação é chamado de “Clarão do Relâmpago”. O retorno da energia da matéria densa, de volta pelos vários estágios, Sephiroth e Mundos da Criação é conhecido como o “Caminho da Serpente”, por causa de sua natureza inversa, ou complementar, rumo ao alto deste diagrama chamado Árvore da Vida.

Para o alquimista, em algum lugar entre o terceiro e o quarto nível, ou esfera da criação, a energia assume a característica que permitirá a formação da matéria em algum estado futuro, ou nível dez. Essa energia é chamada Prima Matéria, Caos na Bíblia, Spiritus Mundi (Espírito da Terra), e outros. Aqui, a dualidade é tornada completa e existe a genuína polaridade, em contraste com a idéia simples do potencial de polaridade que havia existido anteriormente. A energia é dividida em modos ativo e passivo, com a energia ativa constituindo-se nas energias da vida, e a passiva na energia da matéria. Na “Cadeia Dourada de Homero”, a energia ativa é chamada de Salitre e a negativa de Sal.

A energia da vida manifesta-se de duas formas, Fogo e Ar. Ainda que ambas sejam predominantemente ativas na natureza, o Fogo é a mais ativa das duas, sendo o Ar levemente passivo por causa do Elemento parcial da Água em sua composição. A Matéria potencial manifesta sua energia como Água e Terra. Esses elementos não têm nada a ver com os corpos materiais do mesmo nome, e como tal são capitalizados e chamados de “Elementos” para distingui-los da terra em que caminhamos, da água que bebemos, do ar que respiramos e do fogo com que cozinhamos. Eles são na verdade, estados energéticos, cada qual com suas características próprias únicas, bem como cada um dos dez níveis de consciência em seu interior, mencionados anteriormente. Os Elementos também têm formas preferidas de interagir com cada um dos outros, para formar os Três Princípios da alquimia. Existem, na verdade, quarenta maneiras diferentes em que energia, matéria e consciência podem se manifestar em nosso mundo.

Os Três Essenciais são os princípios alquímicos de Enxofre, Mercúrio e Sal. Assim como os “Elementos” esses conceitos de princípios devem ser considerados como sendo “Filosóficos” e não literalmente como elementos ou compostos químicos. O Enxofre Alquímico, ou Alma, de uma coisa predomina nos princípios animadores da energia (Fogo) e da inteligência (Ar); o Sal Alquímico, ou o corpo físico de uma coisa, predomina nas forças inconscientes, psíquicas e da inteligência instintiva (Água) e da matéria sólida (Terra); o Mercúrio Alquímico, ou força da vida geral, predomina na inteligência (Ar) e nas forças instintivas e na energia psíquica (Água), e como tal é o elo, ou ponte, entre as forças superiores do Enxofre e o corpo inferior de matéria.

No reino mineral a energia dominante é a da Terra, com um pouco de Água, e muito pouco Ar ou Fogo. No reino vegetal, a energia dominante é a Água e o Ar, com pouco Fogo e Terra. No reino animal, o elemento força dominante é o Fogo, depois o Ar, mas pouca Terra. Essas qualidades precisam ser compreendidas como foram definidas para que a informação a seguir seja de alguma utilidade para o praticante hermético, ou aspirante. Por exemplo, usando as definições acima, podemos dizer que o reino das plantas tem uma abundância de energia instintiva (Água) e inteligência, i.e., uma função específica (Ar), mas pouca energia direta (Fogo), pois esta é recebida passivamente do sol; e pouca matéria física sólida (Terra).

No Oriente bem como no Ocidente, a idéia de Elementos Princípios e de Princípios Filosóficos é expressa mais ou menos da mesma maneira. Esta energia original indiferenciada da criação é geralmente chamada, na filosofia indiana, na oculta moderna e nos círculos da Nova Era, como akasha, ou Espírito. No entanto, akasha consiste de dois (2) aspectos, um ativo como já indicamos, Salitre, e outro passivo, Sal. As energias do Salitre são também referidas como as forças da Kundalini, ou forças espirituais. Na alquimia, este é o Fogo Secreto. Ao Sal pertencem as forças de Prana, ou Energia Vital.

A função da energia vital é de manter a vida das formas físicas e da existência. Ela é totalmente instintiva e inconsciente, e é muito influenciada por ciclos cósmicos, pulsações astrológicas e outros fenômenos naturais. A função do Fogo Secreto é de aumentar na humanidade, o único lugar em que ele está presente, seu senso de “eu”. No nível mais baixo de funcionamento, esse é o ego, no seu mais alto, é a Divindade encarnada, pois ambos são os dois lados da mesma moeda. Um é o ‘eu’ (self) em relação ao mundo físico e os outros, o outro é o ‘eu’ em relacionamento com toda a Criação e como um co-criador.

Na vasta maioria da humanidade, este Fogo Secreto, a energia libertadora da auto-consciência, encontra-se dormente, dormindo na base da espinha, enrolado como uma serpente. Somente uma pequena parte escapa, alcançando um nível sephirótico, também chamado chakra, criando desta forma um local de consciência para cada pessoa. Se ele alcança o topo do crânio, e mais além, pode ocorrer um despertar espiritual, possibilitando uma descida e nova ascensão da energia, durante a qual os centros psíquicos podem ser despertados permitindo a manifestação de poderes psíquicos e fenômenos correlatos.

O Fogo Secreto ascende como resultado de um enfraquecimento temporário da Energia Vital no corpo físico. É por isto que muitos despertares espirituais ocorrem sob grande estresse físico, em ocasiões de doença, ou em experiências perto-da-morte. Neste caso o Fogo Secreto ascende pelas várias correntes psico-físicas fazendo com que ele se torne envolvido numa esfera de luz luminosa.

A experiência do Fogo Secreto, em virtude da supressão da Energia Vital do corpo físico, pode criar condições que se manifestam de diferentes maneiras:

· Alguns percebem a luz brilhante como um anjo, seu Eu Superior, ou “Anjo da Guarda Sagrado”, outros como um instrutor espiritual.
· Pode resultar numa projeção Astral, juntamente com a percepção do ambiente circundante.
· Movimentos físicos não controlados podem resultar também, típicos dos assim chamados ‘fenômenos da kundalini’: tremores, respiração ofegante, oscilar do torso, tontura incontrolável, e sentar-se ereto na posição Faraônica.

Depois de um certo tempo, a energia vai descer retornando à base da espinha.

Os efeitos deste despertar demandarão algum tempo para se ajustarem à consciência do indivíduo, não sendo limitados aos campos “não-físicos”. O corpo físico, ainda que em menor grau, também é modificado e aprimorado em seu funcionamento, constituindo num genuíno “renascimento” em vários níveis. No entanto, depende da mente, ou do sentido de “eu”, do indivíduo, cooperar com este afluxo de poder para que mudanças mais permanentes na consciência sejam efetuadas.

No meu entender, o conceito da kundalini, ou o Fogo Secreto, está ligado a dois conceitos opostos: como a energia criativa indiferenciada e como a semente desta energia, que está presa em cada célula da criação material e, na humanidade, focalizada na base da espinha.

Quando esta energia sobe, em virtude de experiências psíquicas, e não por causa de fraqueza física, ela pode fazer com que a Energia Vital do corpo seja concentrada em várias áreas do corpo, criando perturbações físicas e psíquicas. Se a energia for concentrada na cabeça, ela pode criar a ilusão de um despertar espiritual, bem como os conhecidos esguichos, ou correntes, “quente e fria”, subindo e descendo a espinha. Os efeitos do Fogo Secreto, porém, e não seus efeitos redistributivos na Energia Vital, podem criar os seguintes fenômenos:

· Dores intensas, sugerindo uma doença.
· Sensações de formigamento na pele, bem como a sensação de “saltos” da energia.
· Um sentimento de calma e tranqüilidade cristalinas, subindo de centro em centro até o topo da cabeça.
· Ascendendo no famoso padrão ‘zigzag’ ou serpentino.
· A energia pode saltar um ou dois centros.
· A energia pode alcançar o topo da cabeça num lampejo de luz.
· Os atributos de caráter, tanto positivos como negativos, são exagerados e o poder sexual é aumentado.

Se a energia sobe ao topo da cabeça, torna-se então possível trabalhar diretamente na Energia Vital dentro do corpo, e usa-la como um meio para fortalecer a experiência psíquica e o despertar espiritual.

Em resumo, os centros psíquicos devem ser primeiramente despertos e purificados pelo Fogo Secreto, antes que a energia do corpo físico possa ser concentrada neles.

Portanto, nossos exercícios psíquicos e meditações esotéricas são orientados para preparar nossas mentes, corpos e consciência para a liberação do Fogo Secreto enterrado profundamente em nós. Por meio de uma limpeza progressiva do sangue, sistema nervoso e das glândulas endócrinas, as ‘cadeias’ da Energia Vital sobre o Fogo Secreto são reduzidas e eliminadas, permitindo ao poder e energia sempre presentes, uma verdadeira pressão aguardando ser liberada, para entrar em ação. Assim, a Serpente realmente não está dormindo, somos nós que estamos adormecidos para sua presença e bênçãos potenciais.


O Fogo Secreto e os Sephiroth

“Ele (o Senhor) baniu o homem e colocou, diante do jardim de Éden, os querubins e a chama da espada fulgurante para guardar o caminho da árvore da vida”(Gn 3:24).

O uso da “Árvore da Vida” tem sido tanto uma bênção como uma maldição para o esoterismo moderno. Quando compreendida, a “Árvore da Vida” oferece um modelo operacional completo da Criação nas escalas micro e macrocósmicas. No entanto, onde muitos fracassam é no nível pessoal. A habilidade para aplicar as informações gerais da Árvore, às experiências pessoais do iniciado, quando elas lidam com os fenômenos fisiológicos, está lamentavelmente faltando nos círculos esotéricos modernos. As razões para isto são muitas: primeiro, muitos esoteristas modernos simplesmente repetem o que eles aprenderam, sem experimentar se os ensinamentos são verdadeiros ou não a nível pessoal; segundo, a linguagem da cabala é de muitos níveis, com a mesma palavra tendo vários significados e, assim, muitos que estão usando as palavras não sabem o que elas realmente significam, ou em que nível devem ser interpretadas; terceiro, o diagrama da Árvore é simplesmente demasiado puro e compartimentalizado.
Muitos cabalistas são incapazes de se adaptar ao fato de que a realidade interior é muito mais flexível do que a Árvore permite quando aplicada à página ou ilustração em duas dimensões.

Estes problemas são compostos também pela idéia de “Uma Árvore” mas “Quatro Mundos”, tornando quase impossível obter suficiente informação prática e importante relacionada com as crises do despertar espiritual e dos assim chamados fenômenos da kundalini, no que diz respeito às práticas cabalistas. Quando comparadas com as informações claras e explícitas disponíveis de fontes taoístas e tântricas, não é de se estranhar que tantos americanos e europeus prefiram aqueles sistemas aos mais diretamente relacionados à nossa cultura e história.

Para ajudar a resolver estes problemas na transmissão de conhecimento, somente informação que esteja relacionada à experiência do autor, ou de outros com os quais ele tenha discutido este tópico, serão incluídas aqui. A teoria será apresentada como teoria, e experiência como experiência. O significado de palavras cabalistas comuns será definido e redefinido, para manter a comunicação clara e direta. Será evitado o uso extenso de formas divinas confusas e um tanto irrelevantes, bem como referências à mitologia e cosmologia não relacionadas com a experiência pessoal.


Despertando a Serpente Adormecida

“Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que seja levantado o Filho do Homem, a fim de que todo aquele que crer tenha nele vida eterna” (Jô 3:14-15).

O Ritual Menor do Pentagrama (RMP) é freqüentemente o primeiro ritual aprendido pelos magos aspirantes. Sua função é de ensinar os mecanismos básicos do ritual solitário e dar uma técnica básica pela qual energias destrutivas possam ser repelidas ou dispersadas da esfera de influência do operador. Os símbolos usados no ritual são fundamentais para outros rituais de uma natureza mais complexa. Portanto, é um erro desconsiderar o Ritual Menor como algo de pouca eficácia. Um ritual, não importa quão simples ou complexo, será tão eficiente quanto a habilidade do operador. O uso repetido do RMP pode ser mais efetivo do que o uso incompetente ou irregular de ritos mais sofisticados.

No total, existem aproximadamente seis rituais fundamentais no ocultismo ocidental, refletindo uma influência da Ordem Hermética da “Golden Dawn”: 1) o Ritual Menor do Pentagrama, 2) o Supremo Ritual do Pentagrama, 3) o Ritual Menor do Hexagrama, 4) o Ritual Maior do Hexagrama, 5) o Ritual da Rosa+Cruz. O uso da Espada Flamejante parece ser irregular, porém será também considerado juntamente com seu exercício acompanhante ou, A Serpente Subindo.

Entre estes, o uso da Coluna Central é opcional, porém, é o exercício da Coluna Central que mais contribui para purificar as energias corpóreas, ou a Energia Vital, e abre caminho para a liberação do Fogo Secreto.


A Coluna Central

“Quanto ao vencedor, farei dele uma coluna no templo do meu Deus, e daí nunca mais sairá. Escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da Cidade do meu Deus – a nova Jerusalém, que desce do céu, de junto do meu Deus – e o meu novo nome”(Ap. 3:12)

Diversas variações da Coluna Central existem, porém seus fundamentos permanecem o mesmo. É irrelevante se a pessoa usa ou não os Elementos como sugeridos por Regardie na “Verdadeira Arte da Cura” ou as correspondências Sephiróticas/planetárias como ele sugeriu mais tarde (e são comumente usadas) em seu livro “A Coluna Central”. Os métodos usados pelo Arum Solis serão considerados também como um exercício alternativo.

A base teórica da Coluna Central é que pela imaginação, respiração e concentração, a energia psíquica da criação, aqui principalmente Yetzirah, pode ser direcionada permitindo uma purificação da Energia Vital que controla o Fogo Secreto. Na medida em que nossos centros psíquicos são purificados de resíduos morais, emocionais e materialistas, eles refletem melhor a energia cósmica que opera por meio deles. Por meio de seu padrão predeterminado de circulação de energia, a Coluna Central ajuda a suavizar as margens de nossa aura, bem como a aumentar o fluxo de energia de forma geral, para que os caminhos psíquicos, tanto maiores como menores, possam ser purificados e fortalecidos por um aumento da Energia Vital.

Os caminhos descritos na Coluna Central são de natureza circular. Eles são em geral amplos, claros e brilhantes, tendo a qualidade de refletir {a luz}*. Regardie diz que as esferas psíquicas deveriam ser imaginadas como diamantes grandes, claros e brilhantes, caso suas cores específicas não forem conhecidas. Porém, no final, toda a esfera e aura mais ampla do praticante deveria ser imaginada como um diamante brilhante irradiando calor e luz.

A beleza da Coluna Central é que ele, como muitas práticas esotéricas, é realmente um exercício em camadas. Ele apresenta uma flexibilidade e um potencial para crescimento quase infinitos. Na medida em que o praticante desenvolve em habilidade e manipulação das imagens, aumenta o número de novas possibilidades.

Um dos movimentos centrais da Coluna Central é a “Fonte de Luz”. Aqui, o praticante imagina uma força de energia brilhante {vindo de baixo e} forçando sua passagem através da planta dos pés e saindo pelo topo da cabeça, borrifando as margens de sua aura, tornando-a forte e livre de qualquer aspereza e, finalmente, reunindo-se e retornando outra vez sob seus pés. Esta imagem cíclica é repetida várias vezes. Esta parte chave do exercício, é a parte fundamental que prepara os caminhos centrais para a liberação final do Fogo Secreto. Ela é semelhante também às práticas orientais vistas no Chi Kung chinês, no Tantra indiano, na yoga tibetana Vajrayana {e na Kriya Yoga}.

Tendo dito isto, fica claro também que algumas diferenças existem entre os métodos orientais e ocidentais para liberar o Fogo Secreto. Os métodos de trabalho direto nos centros psíquicos com a subida da coluna espinhal são mais traumáticos do que o trabalho mais geral da Coluna Central. É por esta razão que as técnicas de yoga, com raras exceções, que estão voltadas para a liberação imediata do Fogo Secreto, requerem a supervisão de um guru. Como elas restringem consideravelmente as atividades do praticante e requerem supervisão direta, elas são também sistemas pouco práticos para a vida diária da cultura americana e européia.

Apesar de existirem semelhanças, que serão examinadas, as principais diferenças parecem ser:

1. A yoga indiana é principalmente voltada para a libertação do plano físico com o método mais rápido possível. As práticas esotéricas ocidentais são voltadas para o aperfeiçoamento da matéria e da psique dentro do mundo material, e não o seu abandono.
2. A yoga chinesa, ou Chi Kung, é mais parecida com as práticas ocidentais, pelo fato de ser direcionada para o aperfeiçoamento do mundo material, e até mesmo para a espiritualização do corpo num “Corpo de Luz”. No entanto, ela também se parece com a yoga indiana, pelo fato de começar ao nível do corpo etérico (nadis ou pontos de acupuntura) e seguir dali. Este enfoque “de baixo para cima, e de dentro para fora” é diferente do método da Coluna Central (“o alto para baixo, o exterior para dentro). Como o corpo etérico é diretamente afetado desde o início, os efeitos são mais dramáticos, bem como potencialmente traumáticos para os que não estão preparados. Na Coluna Central, o corpo etérico é com freqüência a última coisa a ser afetada. Isto porque o simbolismo usado, bem como a necessidade de desenvolver habilidades em concentração, visualização e meditação afetam principalmente a perspectiva mental do praticante por muito tempo. Somente depois de muita prática, de
um ano ou mais, trabalhando diariamente, é que os efeitos da Coluna Central começam a se infiltrar para o corpo astral e, finalmente, permear até os corpos etérico e físico do praticante. Uma fonte declara que leva um mínimo de três anos para, até mesmo o mais avançado praticante yogue, liberar a kundalini por exercícios especiais. A “liberação” que mencionamos, não é literalmente uma liberação, mas a remoção dos obstáculos para sua expressão natural. Este é um ponto crítico, pois é dito com freqüência que a experiência de kundalini necessita de vinte anos de prática de exercícios esotéricos, ou mesmo de Hatha Yoga, i.e., o mesmo tempo que levou para Nicholas Flamel para preparar A Pedra Filosofal. Durante um congresso recente, Jean Dubuis declarou que pode ser possível completar o método extremamente perigoso de Flamel em três anos. Pode ser que para o alquimista, a criação interior da Pedra Filosofal nada mais é do que a experiência da kundalini, enquanto a criação
exterior da Pedra é a habilidade para direcionar esta energia criativa cósmica à vontade.
3. Os sistemas tibetanos situam-se entre o chinês e o indiano. Eles estão interessados na libertação, mas também na criação de um corpo etérico feito de suas essências corporais. Este Corpo de Diamante, ou Corpo do Arco-íris, é pura luz e pode se materializar ao comando do adepto. Como os sistemas chineses e indianos, os tibetanos usam rituais para a purificação da mente e das emoções dos praticantes, bem como imagens visuais tanto de deidades antropomórficas como de formas geométricas abstratas. Os Rituais do Pentagrama e do Hexagrama cumprem com esta função na prática da Coluna Central.

Vemos, portanto, que as principais diferenças nas práticas orientais e ocidentais podem ser resumidas em função e em referência ao ponto de origem. O oriente procura a libertação por meio da progressiva retirada das amarras da ignorância que prendem a humanidade na encarnação. O ocidente procura aperfeiçoar o mundo material tornando a realidade material um reflexo da realidade espiritual. Quando isto é realizado, o adepto pode então prosseguir desencarnando-se à vontade. O enfoque ocidental procura ser mais ativo no mundo e transforma-lo, enquanto o enfoque oriental é ver o mundo como uma ilusão que é impermanente e, como tal, é mais passivo. Estas filosofias, como todas as crenças e culturas, refletem o ambiente físico de sua origem primeira. Nas zonas tropicais e sub-tropicais a preocupação com o tempo é menos importante do que no hemisfério norte, em que um inverno sem provisões de comida significa morte para a comunidade. O frio e as duras realidades das zonas árticas
produzem teorias e técnicas diferentes e, como tal, diferentes ideais (deuses) das áreas agrícolas. Quer a pessoa seja um caçador nômade ou esteja estabelecida numa sociedade agrícola, isto é um reflexo do ambiente físico em que elas vivem e, portanto, afeta os valores, necessidades, filosofias e técnicas espirituais.

Isto tem uma importância crucial quando uma pessoa está considerando adotar práticas esotéricas em outro país ou cultura. Por que ela foi criada e em que circunstâncias? Estas mesmas condições se aplicam hoje e na vida do praticante potencial? Em virtude das condições existentes, as práticas em consideração são de natureza progressiva ou regressiva? Isto é, elas estão continuando o progresso ou são simplesmente uma idealização de uma ‘idade de ouro’ do passado mítico?


Sal, Saturno, Êxtase Sexual e Bem-aventurança Espiritual

“Meu Nome é o coração envolto numa serpente!” Oráculos caldeus.

O Sal é um símbolo da sabedoria e do aprendizado. Saturno, está associado com Ouroboros, a Grande Serpente mordendo sua cauda, simbólica da limitação. Como tal ela está intimamente associada com a terra, mas também com toda a criação material e as coisas que bordam o ‘não-ser’, ou Eternidade. Num manuscrito do século XV, a serpente aparece em duas cores, vermelho e verde. Vermelho por fora e verde no interior. Verde, a cor da Natureza e de Vênus, é o começo do Trabalho. Vermelho, a cor da Pedra e de Marte, é o fim do Trabalho.

“Sapiens dominabitur astris.” Os sábios exercerão domínio sobre as estrelas. Ao corrigirmos os desequilíbrios astrológicos (i.e., os centros psíquicos ou chakras) dentro de nós mesmos, as condições astrológicas exteriores têm menos efeito negativo em nós. Ganhamos o domínio sobre as forças “estrelares” e podemos “fazer o sol brilhar em nosso oratório quando quisermos.”

Gichtel, discípulo do século dezessete de Jakob Boehme, colocou a espiral cósmica, ou a “Roda da Natureza” dentro do corpo humano. (J.G. Gichtel, Theosophica Practica, 1898). Saturno é a coroa, Júpiter as sobrancelhas, Marte a garganta, o Sol com a serpente ao seu redor o coração,Vênus o fígado, Mercúrio o baço e a Lua os órgãos sexuais, ou seja, uma descida teosófica direta ao longo da Árvore. É o Coração com a serpente que atrai nossa atenção. Ele coloca ali o Elemento do Fogo.

Os Iniciados egípcios eram chamados de escaravelhos porque eles empurravam o ovo de sua regeneração.

Mysteria Mágica, vol. 3: A Filosofia Mágica: O ponto entre as sobrancelhas, incluído na Coluna Central (chamado: Clavis Rei [1ª Fórmula] O Incitador das Cidadelas) e a escala de cores varia com o centro. Um uso adicional das serpentes gêmeas levantando-se do Caduceu foi incluído no final (do artigo). O ponto entre as sobrancelhas é atribuído a Saturno, e diz-se que equilibra o centro Yesod, bem como acrescenta poder aos centros remanescentes na Coluna Central, como Golden Dawn e Aurem Solis o apresentam.

No sentido alquímico, o Sal é derivado da união da Terra Elemental e da Água Elemental (ou Assiah e Yetzirah), o Fogo Secreto está ‘escondido’ no Sal (corpo material) e representa o inconsciente, as forças instintivas que procuram se libertar. Ele é, às vezes, chamado de “Fogo Infernal”, no sentido de que, se fora do controle, ou insuficientemente liberado, pode criar um pandemônio no corpo e na psique do estudante, por via de seus efeitos purificadores. Isto é ilustrado pelo 31º Caminho, ou Caminho do Fogo, às vezes confundido com “Purgatório” ou “Inferno” pelos não regenerados que passam por este Caminho depois da morte. Este Caminho também está sob a direção de Mercúrio e Shin, os símbolos da orientação e evolução espirituais. Para aqueles interessados em Notarikon, Shin tem o mesmo valor numérico, 300, que a frase em hebraico, “O Espírito do Deus Vivo.”

“Eu vos batizo com água para o arrependimento, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. De fato, eu não sou digno nem ao menos de tirar-lhe as sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”( Mt 3:11)

A letra Shin é usada com freqüência na meditação como símbolo da luz, vida, amor ou presença Divina. Ela é imaginada sobre a cabeça, mal tocando a coroa, então dentro da própria cabeça (pois está associada com a inteligência e a energia do sistema nervoso em Sepher Yetzirah), descendo então ao coração e, finalmente, expandindo-se dali para engolfar o meditador num mar de fogo. Por consistir de três Yods, ou línguas, flamejantes ela é, às vezes, associada com as línguas flamejantes de Pentecostes, e uma variedade de conceitos Trinitários.

Existem diversas interpretações possíveis para usar com relação a esta citação {bíblica}. Uma sugere que João, o Batista, estava iniciando o arrependimento bem como a entrada no mundo aquático de Yetzirah, mas que Jesus, estava oferecendo um caminho de iniciação para o fogo da Alma, ou o pleno adeptado. Uma segunda interpretação é de que João estava oferecendo iniciação até o Caminho 29º, ou o Caminho da Água, enquanto Jesus estava oferecendo o Caminho do Fogo, mais árduo e rigoroso, ou o 31º Caminho a seus discípulos. Nenhuma destas é uma resposta definitiva, mas somente uma tentativa cabalista moderna para compreender a Escritura no contexto de práticas iniciáticas. A menção do Espírito Santo é mais informativa porém, porque esta frase foi adotada pelos judeus durante o período do cativeiro na Babilônia e representa a origem das influências persas e caldaicas nas crenças místicas judaicas.

O termo Espírito Santo (Ruach Elohim) deriva-se do Zend Avesta, da frase, Spenta Mainyu, ou “Espírito (Criativo) Santo”. O poder criativo está implícito e não declarado no original, e parece ter sido perdido nas traduções subseqüentes nas línguas modernas, via tradições judaicas e cristãs. Spenta Mainyu são energias e inteligências purificadoras e regeneradoras com uma hoste cósmica de seis ou sete inteligências sob seu comando.

“Ela (Spenta Mainyu) é uma qualidade ou atividade auto-realizadora de Ahura Mazda (a Boa Mente); ela é a energia auto-geradora que leva à criação e evolução do universo. Spenta Mainyu é o dinamismo e a criação num processo constante. Para Zoroastro, santidade também significava abundância, crescimento e saúde. Spenta Mainyu representa o princípio de aumento e desenvolvimento no universo.” (F. Mehr, pg. 29).

Este poder e seus seres abrangem o Mathrem, ou Mathra, literalmente, ‘a palavra sagrada de poder’, que é a base para o desenvolvimento da prática de mantra na Índia e “Palavras de Poder” no Oriente Médio e no Egito. Mathrem ou Mathra é considerado por si mesmo como o mantra supremo do qual todos os outros foram derivados, da mesma forma como YHVH é a origem de todos os Nomes Divinos hebraicos. Isto é mencionado porque na Pérsia e na Babilônia, é completa a convergência do que iria se desenvolver em práticas esotéricas orientais e ocidentais semi-independentes. Num sentido, poderia ser considerada como a fonte original da yoga, cabala, alquimia e mágica, como as conhecemos. A arte e a arquitetura do período mostra criaturas aladas, familiares às tradições judaicas e egípcias, com diagramas planetários, e uma versão antiga da Árvore da Vida e diversas variações do motivo da serpente entrelaçada.


O Triângulo de Fogo Cósmico

“O adepto bem sucedido deve ter recebido o conhecimento do material da Grande Obra; assim como possuir a fé, o silêncio, a pureza de coração e a tendência para a oração. Depois de passar pelo portal com o hieróglifo do mercúrio filosofal, ele atravessa os sete ângulos da cidadela, representando as principais operações da Grande Obra – calcinação, dissolução, purificação, introdução no Vaso fechado de Hermes, transferência do Vaso para o Athanor (forno), coagulação, putrefação, cobertura com cera, multiplicação e projeção. E mesmo quando chega à Petra Philosophalis, ele descobre que está sendo retido por um dragão formidável.”

Amphitheatrum sapientiae aeternae, Heinrich Khunrath

Saturno está relacionado a Mercúrio no texto alquímico, e ele recebe a mesma sexualidade ambígua, ou androgenia, sendo chamado ‘Mercurius senex’.

Em Tiphareth, o símbolo geométrico é formado pelos triângulos entrelaçados de água e fogo, ou a Estrela de David. Quando expandido para conectar-se com os Sepheroth planetários da Árvore (com Saturno sendo atribuído a Daath), o Triângulo da Água conecta-se com as esferas de Marte, Júpiter e Lua. O Triângulo de Fogo conecta-se com Saturno, Vênus e Mercúrio.

Assim como Ourobouros é a energia cósmica (a serpente) limitando-se (Saturno), Vênus é a força criativa cósmica multiplicando-se em vida (sua natureza vegetativa), da mesma forma como um prisma fraciona a luz do sol. Mercúrio, como Saturno em certos aspectos, é andrógino, e controla o fogo da criação, direcionando-o para a criação da Pedra Filosofal. Mercúrio detém o Caduceu, ou cajado alado com duas serpentes entrelaçadas em seu redor. As asas representam sublimação, as serpentes as forças básicas da criação. Nos seus cruzamentos estão os centros psíquicos, muitas vezes apresentados como em número de sete, representando aqui as cores do espectro, mais o branco (Vênus). No centro do diagrama está o Sol, que é a força criativa cósmica que unifica, dá vida e harmoniza a criação, o qual podemos aspirar contatar. Ele tem uma posição central e dirige e controla todos os outros planetas, centros psíquicos, ou aspectos da energia cósmica.

Ao contatar o fogo do Sol, podemos abrir o fogo de outros centros psíquicos (via Vênus), e direcionar mais facilmente a energia restritiva e iluminadora de Saturno, por meio dos poderes da Mente, ou de Mercúrio.

Para compreender estes aspectos multifacetados dos planetas, principalmente de Vênus e Mercúrio, é importante ter efetuado o Trabalho dos Caminhos (Pathworkings) até Tiphareth. Apesar disto não ser exigido para realizar as técnicas a serem apresentadas nesta monografia, é de grande ajuda para uma compreensão da parte teórica.

No entanto, podemos começar a entender o relacionamento das Esferas umas com as outras realizando uma série de meditações baseadas nas seguintes idéias:

Vênus é a força viva, ativa, sensual e regeneradora em sua forma vegetativa e inconsciente. Ela responde ao calor, à luz e à emoção. No Caminho da Descida, Vênus divide os raios singulares do Sol em muitas facetas do espectro das cores e, como tal, pode nos levar a uma compreensão melhor do relacionamento entre a multiplicidade e a unidade, os centros psíquicos e os planetas, e suas naturezas singulares. No Caminho da Subida, Vênus reúne as energias divergentes, planetárias e pessoais (centros psíquicos) e as harmoniza numa força singular, apesar de ainda ser multicolorida, até seu retorno ao Sol como luz pura.

“Esta Pedra surge como coisas crescentes esverdeadas.” Portanto, quando o Verde é reduzido à sua natureza original, onde as coisas brotam e surgem no seu devido tempo, ele deve ser cozido e putrefeito na forma de nossa arte secreta.” Splendor solis, Trismosin.

A Pedra é feita por meio do verde da natureza (Netzach) e ela retorna a sua fonte (Tiphareth) pela putrefação (a carta da Morte do caminho que as une).

O Mercúrio dá forma e significado a diversas energias oriundas das ações divisórias de Vênus, e as reúne como forças fundamentais, simbolizadas pelo Caduceu. Mercúrio é o Psicopompo, ou guia da Alma, e dirige as energias que Vênus representa. Como Vênus e Mercúrio estão situados na base das Colunas da cabala, eles acessam os reinos material, astral e mental, e podem influenciar todos os três de alguma forma. Na Descida, Mercúrio cria forma e estrutura para o corpo, a mente ou a alma, e na Subida, Mercúrio ajuda a nos libertarmos das limitações da forma, sem esquecer suas lições.

A serpente é a força ou energia primordial, sendo o fogo e a água os dois princípios da criação, com o ar e a terra seguindo-os. Pelo fato da serpente se livrar de sua pele, ela é vista como um símbolo da regeneração e da renovação. Ela é também perigosa, mortífera e pode ser encontrada com freqüência com o papel de ‘guardião’ perto de fontes ou de cursos dágua, bem como no deserto. Quando controlada ou domada, é vista como dominando uma força poderosa e mortífera, porém regeneradora, básica para a criação, ou possivelmente da qual a criação se originou.

O Fogo Secreto está diretamente ligado ao sexual (i.e., à principal e mais básica força criativa) na humanidade. Aqui, o relacionamento entre ‘bem-aventurança’, ‘êxtase’ e o impulso erótico pode ser claramente visto e experimentado. O desenvolvimento de uma multidão de práticas de ‘yoga sexual’ e ‘mágica sexual’ confirmam isto em certa medida. No entanto, é o desejo sexual na humanidade que age como seu impulso básico e força evolutiva. Isto sugere, também, que a habilidade e a necessidade por experiências místicas são biologicamente determinadas. Somente ao ignorar-se o mais básico dos prazeres, o sexo, podemos ignorar o impulso para a união extática em algum nível. A ‘pequena morte’, ou petite morte, é uma precursora da ‘grande morte’ quando nos desapegamos e experimentamos o oblívio divino.

O poder sexual, ligado ao nosso impulso inato para experiências místicas, também está ligado à evolução humana e a algum ponto ou estado predeterminado para o qual estamos sendo dirigidos.

Este é um ponto importante, pois quase todas as doenças das sociedades modernas ocidentais estão focalizadas em torno da repressão e da obsessão sexual.

Quando o Fogo Secreto flui livremente, ou com mais força do que anteriormente, sem a purificação apropriada da Energia Vital do corpo físico, é possível que o resultado seja o aparecimento de sérias doenças físicas ou, o que é mais comum, de doenças psíquicas na forma de esquizofrenia ou psicose, em vez de dons psíquicos, gênio, estados transpessoais ou simplesmente estados alterados de consciência.

Wilhelm Reich, o pai da Terapia Oregon declara que a base de todas as perturbações mentais e/ou emocionais está ancorada no corpo físico, e que estas âncoras podem ser soltas por técnicas de respiração, algo semelhante ao pranayama. Como o corpo é o “Sal” da alquimia, sendo parcialmente composto de elementos inconscientes acessíveis por meio de seu “Elemento Aquoso”, todas nossas experiências emocionais e físicas tornam-se indelevelmente marcadas, associadas ou armazenadas em nosso corpo físico. Se estes blocos, ou concentrações de energia de traumas emocionais ou físicos (compostos de Energia Vital), não são removidos antes do Fogo Secreto começar a fluir com mais intensidade, os assim chamados efeitos colaterais negativos do fenômeno da ‘Kundalini’ vão aparecer.

O abuso de drogas, álcool e excessos sexuais simplesmente vão piorar a condição, pelo fato de liberarem inadvertidamente o Fogo Secreto ao enfraquecer o corpo físico e seu elo com o corpo astral, causando assim dano à subestrutura etérica e criando bloqueios energéticos em vez de diminui-los, quando a mente e o corpo tentarem reparar os danos.

Um sistema nervoso prejudicado pelo abuso de substâncias torna-se um veículo traiçoeiro para a expressão clara, limpa e poderosa do Fogo Secreto. É por meio de nosso sistema nervoso (sob o domínio de Yesod-Lua) que engajamos o mundo físico e nosso mundo interior. Ele liga o corpo (Malkuth) com a Mente-Intelecto (Hod), bem como os impulsos instintivos, criativos e sensuais (Netzach). Se ele estiver prejudicado, nossa habilidade para nos relacionarmos de forma plena, criativa e produtiva com estas partes psico-físico-espirituais de nosso eu fica ameaçada. Se ele sofrer danos, então nosso elo mais direto e importante com nosso Anjo da Guarda Sagrado e os meios para liberar o Fogo Secreto com segurança (via Tiphereth) estarão comprometidos nesta encarnação.

“Ouçam, então enquanto torno conhecido o Grande Arcano desta Pedra que produz maravilhas, que ao mesmo tempo não é uma pedra, que existe em todo homem, e pode ser encontrada em seu próprio lugar em qualquer momento... Ela é chamada de pedra, não por ser como uma pedra, mas somente por causa de sua natureza fixa. Ela resiste à ação do fogo tão bem como qualquer pedra... Se dissermos que sua natureza é espiritual, isto não seria mais do que a verdade; se a descrevermos como corpórea, a expressão seria igualmente correta; pois, ele é ouro espiritual, sutil, penetrante, glorificado. É a mais nobre de todas as coisas criadas ... ela é um espírito ou quinta-essência.”

Um Guia Resumido ao Rubi Celestial, Philethes.


Libertando o Dragão

Não é claro quanto tempo leva para desbloquear nossa anatomia psíquica para o funcionamento mais completo e harmonioso do Fogo Secreto. Foi dito que mesmo os mais avançados yogues precisam de um mínimo de três anos de prática especial para que isto ocorra. Como este tipo de treinamento é efetuado sob condições especiais e supervisionadas, podemos assumir que a vida ocidental moderna precisa de mais tempo, bem como considerável auto-reflexão e referências, pois o ocultista ocidental típico, seja ele cabalista, alquimista, ou ambos, vai passar a maior parte de seu tempo trabalhando sozinho, ou na melhor das hipóteses, em pequenos grupos ocasionais.

Certas escolas de yoga, bem como as práticas de cabala e sufismo, consideram o coração como o centro do universo individual, e o mais importante de todos os centros psíquicos. Ao abrirmos o coração, ganhamos acesso ao nosso Mestre Interior, ou Anjo da Guarda Sagrado (mensageiro), o que é caracterizado por uma forte manifestação da intuição. Este é o lugar final de descanso para a Língua da Serpente, depois de sua subida sobre o crânio e, como as imagens de Boehme e do hermetismo demonstraram, o “Coração envolto por uma serpente” é o ideal a que os místicos aspiram.

Como um yogue disse, aproximamo-nos do “Grande Rei” primeiro, e deixamos que ele dirija as atividades da serpente – uma linguagem familiar dos hermetistas.





Adão Kadmon: Fogo Secreto e YHVH

“Pois o nosso Deus é um fogo abrasador!” (Hb 12:29).

Enquanto a alquimia, a cabala e a astrologia foram homogeneizadas nas práticas esotéricas modernas criando uma síntese quase uniforme, isto não ocorreu nos períodos anteriores. Tradicionalmente, a alquimia e a astrologia não tinham nenhum papel na cabala judaica [5], e ainda que tenha sido sugerido que muitos judeus eram alquimistas e alguns grandes alquimistas eram judeus [6], nenhum manuscrito de práticas alquímicas judaicas parece ter existido. Mesmo o muito afamado Esch M’saref, ou “O Refinador de Fogo”, é uma compilação de material, enfocando principalmente em gematria, e não um trabalho ‘químico’ per se.

Os antigos cabalistas imaginavam a criação ocorrendo em vários estágios, dos quais foi gerada a imagem antropomórfica do ‘homem primordial’, ou Adão Kadmon. Este ‘primeiro homem’ era imaginado como tendo sido criado das quatro letras do Nome Divino colocadas na vertical. Yod era a cabeça, Heh, os braços e ombros, Vau, a espinha e os órgãos sexuais, e o Hev final, a bacia e as pernas. Uma multidão de atributos e qualidades foram associados a cada letra e, como um todo, isto formou sua própria escola de meditação cabalista. Acrescentando outras letras, alterando combinações e substituindo letras com base em equivalentes numerológicos, foram gerados Nomes Divinos adicionais, bem como nomes de arcanjos, anjos e outros seres espirituais.

A tradição oral de Adão Kadmon é semelhante à do Deus egípcio Osíris, no sentido que Osíris foi desmembrado e reconstruído, enquanto Adão ‘caiu’ aos pedaços, e é o trabalho do cabalista reconstruir o Adão Original. Cada um de nós é considerado como uma peça desta alma original e é nosso propósito encontrar nosso lugar na Criação, via métodos cabalistas.


Saint-Germain e a Sabedoria Sagrada Tríplice

A idéia do Fogo Secreto em textos iniciáticos psico-alquímicos tais como A Sagrada Trinosofia (Sabedoria Tríplice) [7] ilustra o ponto do fogo escondido, associado com o poder vulcânico, e sob a influência de Vênus. Trabalhos como esse apresentam uma forte semelhança aos textos alquímicos-cabalistas, e usam o simbolismo místico destas escolas esotéricas, ou tais símbolos são usados para interpretar o significado dos textos.

É dito que no texto, Saint-Germain descreve os detalhes de sua iniciação pelos doze graus da Consciência Cósmica. O uso de fogo terreno na forma de erupções vulcânicas, lava e mares de chamas, simbolizam a presença de uma matriz subjacente de energia viva que permeia a criação material e não-material, unindo e constantemente renovando-a por meio do que pode ser visto como uma atividade violenta.

La Três Saint Trinosophie é composta de doze seções, cada qual com sua própria ilustração. O mais óbvio alinhamento que pode ser observado, é entre as doze seções, o zodíaco e os estágios da alquimia. Também podem ser sugeridos, para nossa consideração, os sete principais centros psíquicos e os cinco centros secundários.

A estória começa com Saint-Germain nos leitos de lava do Vesúvio, mais tarde ele passa por um altar em que se encontra um cálice, com uma serpente enroscada ao seu redor doze vezes. Saint-Germain entra então num vasto ambiente de fogo, no meio do qual se encontra uma serpente de ouro esverdeada com olhos de rubi que ele deve dominar com uma espada, o símbolo de uma vontade iluminada. Com este ato, a raiva, o ódio e o orgulho são descartados de sua consciência e os sentidos colocados sob seu comando.

Numa das cenas retratadas, Saint-Germain está em frente a um altar triangular com um candelabro elaborado. Sua base é formada de duas serpentes enroscadas e termina num lótus, com a vela colocada no centro. Dois painéis com inscrições acompanham a ilustração. O primeiro diz: “Ao forte é dada a carga” e o segundo: “Acenda um fogo sobre o lugar elevado para que o sacrifício possa ser levado ao alto para o Desejado”. A ilustração final mostra os céus fulgurantes com luz e um triângulo rodeado por um quadrado e um círculo. O iniciado, aqui Saint-Germain, é acompanhado por Isis Revelada, a deusa da vida e da Natureza.

As gravuras descritas ilustram que mesmo ao final da era Iluminista, o simbolismo clássico alquímico e cabalista eram de uso corrente por esoteristas. No entanto, sua direção foi mudada da clássica, ou alquimia de laboratório, para ‘filosófica’ ou alquimia ‘espiritual’. Assim como a cabala passou por uma transformação radical nas mãos dos alquimistas e dos místicos cristãos, a própria alquimia também havia mudado. Ainda que tais manuscritos possam ter um valor dúbio para o trabalho prático de laboratório, felizmente, eles ainda são de valor para a iniciação espiritual interior – uma iniciação que somente o Fogo Secreto pode realizar.




EXERCÍCIOS


A Coluna Central

A Coluna Central é um exercício bem conhecido de quase todos os estudantes de mágica. Os detalhes do exercício foram claramente descritos no livro de Israel Regardie, com o mesmo nome, e não será apresentado aqui. Em vez disto, será feita uma exposição dos pontos relevantes ao Fogo Secreto. Estes pontos são:

1. O estabelecimento de Malkuth
2. Circulação da Luz
3. A Fonte de Luz
4. Malkuth como Kether
5. Relacionamento de Tiphereth com Malkuth e Kether.

Serão feitas, também, considerações em segundo plano a:

· O Ritual do Pentagrama
· O Ritual do Exagrama


Estabelecendo Malkuth

Malkuth ou ‘Reino’ é uma esfera complexa, pois ela representa simultaneamente vários conceitos gerais. Ela é ao mesmo tempo, nossos pés quando a Árvore da Vida está projetada na estrutura humana (e os joelhos e a base da espinha, quando estamos sentados ou ajoelhando); toda a matéria sólida, terra, e toda a criação material. Nossos ossos e a medula que eles contêm são aspectos pessoais do Fogo Secreto. É importante que tenhamos um forte senso de fundação quando falamos sobre a Terra e Malkuth, para que na meditação possamos permanecer bem fundamentados e seguros. Quanto mais forte for nosso senso de conexão com a terra e nossos corpos, mais energia poderemos gerar e mais fácil será direciona-la. Isto é semelhante à construção de um arranha céu sobre uma base de concreto moldado, em comparação a um subsolo de quatro andares. Quanto melhor a fundação, mais forte a estrutura.

Como o Fogo Secreto está escondido na Terra, faz bem investirmos algum tempo, mesmo vários anos, trabalhando nos detalhes dos rituais do Pentagrama. {Isto deveria ser feito} purificando, projetando e retirando a energia ali representada para si e a área circundante. O Norte é uma área especialmente importante para a concentração, pois ele é a Terra da Terra, e é nosso portal escondido para o Fogo Secreto. Enterrada na natureza sólida da matéria, existe uma energia vibrante subjacente que está continuamente pulsando, dando nascimento à forma e à vida, e transformando energia em matéria e matéria em energia. Esta natureza subjacente é ilustrada no Signo de Touro, o selo zodiacal dado ao Norte. Nele vemos a Lua coroando um círculo com um ponto no centro, ou o Sol. Este signo combinado lunar-solar para a natureza terrena é indicativo da teoria de que toda a matéria é simplesmente luz do sol condensada, ou fogo escondido.

Ao associarmos o peso da Terra e o calor subjacente que ela contém (o centro vulcânico incandescente) com nossos pés, joelhos e a base da espinha (e finalmente com todo nosso sistema ósseo), podemos começar a experimentar como a teia da criação é formada. Esta imagem é reforçada pela declaração de que Malkuth e Kether são um. {Isto pode ser percebido} imaginando que uma corrente ilimitada de energia está pulsando para dentro e para fora da criação de Ain Soph
Aur em Kether, e imaginando em seguida o mesmo para a criação material como a concebemos, em Malkuth. Com muita freqüência, as esferas são imaginadas como sendo seres ou estados estáticos, quando isto está longe da verdade. Elas são vivas, dinâmicas e constantemente interagindo umas com as outras e a matriz energia-matéria. Esta interação é vista claramente na Coluna Central e nas esferas dessa coluna.


A Tríada Kether-Tiphereth-Malkuth

Nas práticas ocidentais e em algumas orientais, todos os exercícios começam com a energia sendo retirada da Coroa, ou Kether. Isto é feito porque Kether, que está no limiar da “não-existência”, retira energia para dentro e para fora do ser. Esta energia é então regulada, até tornar-se controlável por nossa consciência humana, que é dito ocorrer em torno de Chesed, na escala cósmica das coisas.

No nível pessoal, Kether, nossa Coroa pessoal, regula o fluxo de energia para dentro e para fora de nossos corpos. Dirigimos, então, esta energia por meio de nosso cérebro e sistema nervoso, até que ela torne-se controlável por nossa consciência. Assim como Kether é a ponte entre o Ser e o Não-Ser na Escala Cósmica, nosso Kether pessoal é a ponte entre a energia e a matéria. Em nosso ser pessoal, isto corresponde à glândula pineal.

Malkuth é a condensação final destas forças Cósmicas e, na Escala Cósmica, é toda a criação material. Em nosso nível pessoal, é nosso corpo físico e, como um intermediário, o ambiente em que vivemos e nos movemos com os outros. Como Malkuth é um Mundo, o de Assiah, bem como uma Esfera, ele tem seu próprio “aspecto Kether” ou habilidade para criar matéria que vai do mais denso ao mais sutil. Estas formas sutis da matéria estão no seu próprio limiar de “Não-Ser”, ou aquilo que passa do puramente material para o psíquico. Em nossos corpos isto poderia ser a próstata e as glândulas sexuais, o períneo e a base da espinha.

O lugar de encontro para estes dois aspectos polares de nosso ser e criação, é o Centro do Coração, ou Tiphereth. Neste ponto, toda a criação é harmonizada e levada a um estado de tensão dinâmica e vitalidade em torno de um centro inteligente. Essa inteligência dirige os outros aspectos da criação para que eles funcionem em harmonia mútua para o bem de todos. Ela corresponde ao nosso coração bombeando sangue para todos nossos órgãos, nossa glândula pituitária, ou “Glândula Mestra” dando ordens para todo nosso sistema endócrino, nosso Plexo Solar, regulando a energia nervosa em geral; e o núcleo de cada átomo, célula ou o Sol em nosso sistema solar.

Em sua função como principal mediador das forças, Tiphereth está constantemente enviando energia vital a todas as áreas da criação, e transmitindo energia da Coroa, ou dos níveis abstratos mais elevados, a Malkuth, ou aos níveis mais densos da matéria. De muitas formas, ele regula a energia a tal ponto, que poderia ser dito que a própria matéria é na verdade feita por Tiphereth. Em termos físicos isto quer dizer que toda matéria nada mais é do que a energia da luz condensada. Em termos pessoais, isto significa que nossos corpos e ambiente são a criação de nossos pensamentos mais recônditos.

Para ajudar a desenvolver um relacionamento mais consciente e funcional entre estes três centros de troca de energia-matéria-consciência, o seguinte exercício é sugerido:

Imagine uma esfera brilhante de Luz com um centro de união {parecendo} quase um ponto preto, logo acima ou tocando o topo de sua cabeça. Inale, sugando para baixo um raio desta esfera ao seu Coração. Exale, enviando este raio de luz por todo seu corpo e pernas, saindo pelas solas de seus pés, indo em direção ao centro incandescente da Terra. Inale outra vez, visualizando a energia ígnea deste Centro da Terra movendo-se para cima numa corrente dourada avermelhada para o seu Coração. Mantenha-a ali, energizando o coração numa luz brilhante. Exale, vendo a luz se expandir em calor, luz, energia da vida e poder.

É importante, neste particular, que a energia seja coordenada não só com a inalação, mas que seja ‘soprada para cima’ da terra e não forçada. Isto pode ser feito imaginando um tubo ou canal oco, forte e flexível vindo desde o centro da terra, passando pelos pés e indo ao coração. A energia também pode ser imaginada fluindo pelos pés, como uma pulsação, entrando pela coluna espinhal e focalizando a energia na área do coração.

Imagine, depois de algum tempo, que é no coração do universo e do adepto, que a matéria e a energia se encontram e são criadas.

Assim como nossos sentimentos “de coração” dirigem a energia ilimitada de Kether para a manifestação, da mesma forma eles dirigem a manifestação de volta para Kether, ou outro lugar, se assim o desejarmos.

É muito importante que o coração não seja demasiadamente aquecido, e que a energia, uma vez acumulada, seja circulada ou descarregada de alguma forma. Isto pode ser feito sobre um talismã, num tratamento de cura, ou num copo de água fria, que então é consumido. A energia também pode ser descarregada para fora do plexo solar sendo colocada em circulação geral para o resto da aura.

Além disso, os sons de vogais associados com o ritual da Rosa+Cruz, ou A.I.O., podem ser entoados depois de se adquirir competência nas técnicas básicas. Primeiro, pratique entoar os sons numa única respiração, ressonando do centro do seu coração. Depois de algum tempo, comece a dividir os sons para que o “A” ressoe com a cabeça; o “I” com o coração; e o “O” com o plexo solar. Depois de um período de tempo, transfira o som do “O” para o períneo, onde ele terá um efeito mais forte na esfera de Malkuth. [8].

Uma substancial ressonância dos sons no períneo vai abrir 12 diferentes canais que ligam a espinha com as pernas, joelhos e pés, unindo estes diferentes Malkuths ‘funcionais’. Isso também afeta a glândula prostática nos homens.


Yesod – Elo entre os Eus.

Yesod está situada bem no meio do portal para o invisível, e é a repositória para tudo o que sobe e desce na manifestação. A sefira Yesod representa diversos elementos chaves do nosso ser, incluindo nosso sistema nervoso e cérebro, centros psíquicos, anseios e desejos inconscientes, e o local da memória. Por meio de suas águas, às vezes escuras e preocupantes, mas sempre poderosas, podemos entrar em contato direto como nosso Anjo da Guarda Sagrado em Tiphereth. Ao imaginarmos Yesod como um portal que reflete tanto para cima como para baixo, podemos aprender a direcionar nossas energias psíquicas em ambas as direções. Dessa forma, Yesod é mais do que um mero portal no qual devemos bater e esperar que alguma coisa nos seja dada. Em vez disso, é um portal pelo qual podemos passar e existir conscientemente. Apesar de boa parte desta expansão inicial ocorrer em estados de sonhos, tais como sonhos lúcidos e projeções astrais espontâneas, chegará o momento em que um maior grau
de controle vai emergir, em que a consciência será projetada á vontade retornando com plena memória de suas experiências.

Este estado pode ser acelerado, reforçando o elo de Yesod com Malkuth (para a memória) e com Tipheret (projeção da consciência). Os seguintes exercícios foram desenvolvidos com esses dois objetivos em mente.

Depois de realizar a Coluna Central, focalize sua atenção em Yesod. Imagine-a como uma grande esfera estendendo-se até às margens de sua aura expandida. Encolha-a de volta a seu tamanho normal e então imagine que toda sua energia física, em Malkuth e por todo seu corpo, está se movendo para cima em direção de Yesod. Esta é a sua habilidade para se mover, manifestar e criar no mundo material. Imagine as esferas fundindo-se e tornando-se harmônicas. Agora, eleve a energia física mais além, até Tiphereth, e banhe a energia material e psico-sexual combinada de Yesod na luz dourada de Tiphereth, e sinta as três fundirem-se numa só. Depois de alguns minutos projete-as de volta a suas posições de origem.

Imagine a luz de Yesod como sendo simultaneamente dual em natureza, refletindo para cima em direção a Tiphereth e para baixo para Malkuth.

Coloque-se em Tiphereth, agora, e faça a mesma coisa, imaginando sua luz refletindo-se para baixo para Yesod e para cima para Kether, a fonte de toda energia.

Imagine os Elementos como idéias puras e perfeitas, emanando de Tiphereth através de um campo claro em Yesod, e condensando-se em matéria. Imagine seus pensamentos como idéias puras e perfeitas, sendo projetadas de seu coração, com a energia sexual-criativa combinada de Yesod, para se manifestarem em Malkuth.

Imagine a luz e energia pura de Kether acima de sua cabeça, tornando-se acessível em Tiphereth, seu coração, e manifestando-se como criações puras em Malkuth, debaixo de seus pés. Sinta a energia revertendo este processo, passando da matéria dura, fria, densa, para formas de energia abstratas e, finalmente, para a energia pura indiferenciada. Além disto, a Fórmula “Clavis Rea” pode ser uma ilustração efetiva deste ponto.

Circulação da Luz. Deve ser efetuada a circulação da luz depois que o estabelecimento das esferas for vívido, claro e profundo no corpo bem como estendidas, a partir dele. Isto pode ser feito em fases, com as primeiras fases atuando gentilmente por fora, formando amplas bandas de luz e aumentando em densidade e poder até começar a alcançar mais profundamente debaixo da superfície dos tecidos, até os ossos. Isto ajuda a ancorar o poder no corpo, enquanto expande e purifica a aura. Durante todo o tempo a energia deveria ser palpável.

A fonte de Luz deveria se mover pela coluna espinhal lentamente, a princípio, e com maior intensidade e velocidade com o progresso da experiência. As eclosões deveriam ser vívidas e brilhantes, com um fluido claro como chama correndo ao longo das margens da aura expandida, num raio de 90 a 120 cm em todas as direções. Deixe-se ir com o fluxo de energia, na medida em que ele passa por seu corpo, saindo pela cabeça e entrando pelos pés, subindo pelas pernas, purificando e energizando por onde passa.

Ao término do exercício, você deveria recolher a energia para a camada sub-epidérmica de seu corpo, sentido a energia fortalecer e vitalizar os tecidos, mergulhando até os ossos, purificando a medula, um elemento essencial para uma vida longa e para ossos fortes. Isto também deve ser feito ao longo da coluna espinhal, imaginando que o tecido mole entre as vértebras é compactado com energia e as conexões nervosas são fortes e vitais.

Ritual do Pentagrama e do Hexagrama

Os rituais do Pentagrama são usados para direcionar os principais Elementos do mundo material (Assiah), a matriz matéria-energia mais próxima de nossa consciência, e para a personalidade exterior desta encarnação direcionada materialmente. É pelo direcionamento e purificação destes Elementos em certa medida, que podemos começar a dirigir nossa atenção para dentro e ter a Visão de nosso Eu Superior, ou o Anjo da Guarda Sagrado, que existe em Kether, com o qual se pode comunicar em Tiphereth e que se reflete para nós no subconsciente de Yesod.

O ego, ou a imagem auto-criada do eu em relação ao mundo material é completamente dominada por esses rituais e, por meio deles, podemos ajustar nosso senso do eu, para que possamos direcionar nossas energias para o Eu. Quando isso é feito, podemos não só conversar com nosso Anjo da Guarda Sagrado, mas podemos entender que nós e ele somos um e o mesmo ser.

Os rituais do Pentagrama também podem ser usados neste particular para criar as condições materiais que nos são favoráveis, bem como o progresso espiritual. Eles podem ser usados para criar um ambiente material ao nosso redor para manter também as forças planetárias. Neste caso, os diferentes rituais são seguidamente combinados.

Os rituais planetários do Hexagrama representam a manipulação das forças planetárias externas e internas por meio de nossos próprios centros psíquicos. Eles podem resultar em manifestações físicas diretas de corpo ou ambiente, ou em experiências interiores de uma natureza iniciática. Essas iniciações significam uma expansão de consciência e maior ativação dos centros psíquicos envolvidos, com a possível generalização dos efeitos para outros centros. Por exemplo: um ritual solar causará maior atividade no centro psíquico do ‘coração’, mas também afetará a glândula pineal no cérebro pois ela tem uma natureza solar. Um ritual lunar proporcionará maior memória e clareza mental, mas ele também vai estimular o sistema nervoso e os centros psíquicos em geral, bem como impulsos sexuais cíclicos. Um ritual a Vênus vai estimular os rins, os impulsos sexuais e aumentar nosso senso de beleza, harmonia e expressão artística. Se for bem direcionado, também vai acrescentar poder a todos
os centros psíquicos em virtude do ‘efeito prismático’ de Vênus na energia psíquica e aumentar o fluxo de amor ao coração.
Assim, cada planeta tem seus efeitos gerais e específicos, bem como manifestações nos planos mental, emocional e material. Ao expandirmos nossa consciência e começarmos a contatar mais conscientemente as várias esferas planetárias dentro de nós, elas aparentarão assumir uma existência quase objetiva. Nestes estados semi-objetivos, podemos contatar outras pessoas com uma vibração semelhante, ou nos comunicarmos com os vários ‘seres’ do mundo invisível. Esses mundos também têm graus de densidade, daí o uso dos atributos dos Elementares no modo vertical de expressão. O mundo mais denso é Mulkuth/Assiah, com cada um dos planetas tendo uma ‘casa’ nos Quartos. Yetzirah é mais sutil, tendo o atributo de Água, e com seu relacionamento próprio com os Planetas. A seguir, vem Briah, com sua natureza expansiva Aérea, e relacionamentos peculiares com os Planetas. Finalmente, a natureza ígnea de Atziluth, da qual os mundos anteriores são simples expressões mais densas e estáveis. Assim
como nossa consciência muda em sua relação com as coisas quando ela passa do material para o astral, ela também muda quando passa do astral lunar para o astral solar, ou mundos mentais; a mudança ocorre mais uma vez quando ela passa do Mental para o Espiritual.

Estas mudanças podem ser melhor explicadas como passando de relacionamentos objetivos (materiais), para relacionamentos subjetivos (eu-você), para relacionamentos diretos e, finalmente, para relacionamentos de identidade. Na terra vemos as coisas como objetos separados de nós. No astral lunar temos uma experiência deles como objetos, mas com um relacionamento com eles. No astral Solar (mental), experimentamos uma coisa diretamente, isto é, nós a conhecemos. No mundo Espiritual, nós somos esta coisa.

Isto ajuda a explicar algumas afirmações feitas sobre as experiências da kundalini na yoga, bem como as experiências místicas de outros esoteristas. Na kundalini, ou experiências do Fogo Secreto, o aspirante com freqüência fala de ser “um com a criação”, ou tendo a habilidade para olhar dentro da natureza das coisas. Isto indica que os impulsos energéticos que estão sendo liberados estão expandindo a percepção ao nível de Briah. Quando o nível final é alcançado, Atziluth, tornamo-nos como o Enoch bíblico “que caminhou com Deus e não foi mais visto.”

Esta estrutura também ajuda a explicar porque muitos magos são bem sucedidos ou fracassam na magia. A identidade de “outro” realizando o trabalho para nós, é um enfoque muito materialista para a magia. Mais tarde, depois de experimentarmos a realidade e as ilusões dos mundos astrais, o relacionamento direto ou pessoal é estabelecido, em que o mago vê os poderes sendo dirigidos como aspectos de seu ser, e não como estando em seu exterior. Esta forma de expressão é mais parecida com o nível do adepto, mas também o místico, e o praticante de yoga que visualiza os chakras no interior de seu corpo e não como mundos exteriores, como no Trabalho dos Caminhos (Pathworking) ocidental. Chega um determinado momento, no entanto, em que todos os diferentes pontos de vista se fundem, e os sistemas combinam-se nas experiências e na psique em evolução do discípulo. A diferença é mais de um ponto de origem, não do destino final.

Atenção!!! É muito importante que todos os exercícios a seguir sejam precedidos por um período de prece e devoção ao Cosmo e que seus frutos sejam oferecidos como dádivas ao Criador. Os exercícios também devem ser começados com a invocação da energia do Alto, de alguma forma, seja ela a Cruz Cabalista, a Coluna Central, a Clavis Rei, ou simplesmente como um raio de luz vindo do alto, entrando pelo Coronário e terminando na base da espinha ou nos pés, dependendo da postura. Isto é de suma importância para que sejam evitados ou minimizados os efeitos colaterais negativos, pois somente a energia radiando de Kether pode ser contatada sem criar um desequilíbrio em nosso sistema. Aqui, procuramos usar esta energia para consertar os desequilíbrios, não para esquece-los e, inadvertidamente, criar novos desequilíbrios. Também, ao final de cada meditação, retorne a energia para o Cosmo, ou usando a imaginação, ou oferecendo os frutos de seu trabalho espiritual a Deus.

Triângulo de Fogo

O Triângulo de Fogo representa um aspecto específico de Tiphereth e deveria ser considerado como relacionando-se com a Coluna Central, apesar de poder ser efetuado independente deste ou, como veremos, como um exercício auxiliar para intensificar os efeitos de ambos os exercícios.

Depois de estabelecer seu espaço de trabalho, focalize a atenção em seu coração. Imagine a grande Estrela ou Escudo de David entrelaçada, associada com esta esfera. Sinta o triângulo superior irradiando um calor pulsante, e o inferior, um frescor corrente. Imagine que eles se tornam um triângulo ígneo de Fogo e um triângulo reluzente de Água. No centro existe um ponto brilhante, Yod ou Shi, como você preferir.

O triângulo de Água inferior é nosso relacionamento de consciência com os mundos psíquicos e materiais. O triângulo superior de Fogo é nosso relacionamento com as esferas do adeptado, da iluminação espiritual e da revelação interior.

Imagine-se no ponto central, entre estes dois triângulos vivos. Volte a sua atenção para o Triângulo de Fogo. Deixe o Triângulo de Água desaparecer de sua consciência. Sinta-se no centro de uma pequena pirâmide de Fogo. Se você se levantasse poderia tocar seu topo. Sentado ou ajoelhado, você sente o grande fogo ao seu redor. Ao redor da base da pirâmide se encontra uma serpente gigantesca com seu rabo na boca. Feche seus olhos e sinta com cada respiração e batida do coração, o pulsar uníssono do fogo crescendo cada vez mais intenso. O fogo irradia tanto para fora da pirâmide, bem como em direção ao centro, onde você se encontra. Entregue-se às chamas pulsantes e vivas. Entoe o Nome Divino IAO, ressonando para fora do centro de seu coração para os confins do universo. Sinta o fogo crescer mais brilhante e a serpente estremecer com cada vibração.

Num determinado momento você pode sentir, ou imaginar, a serpente se levantando e se estendendo. Siga este movimento e procure ver tudo como se através dos olhos dela. Retorne depois disto, imaginando que a serpente volta e se enroscar, colocando seu rabo de volta na boca, com o fogo se regulando e o triângulo de fogo fundindo-se com o triângulo de água, ambos tornando-se ouro e existindo para a consciência.

Saturno e o Fogo Secreto

Esta é uma série de exercícios especiais sobre Saturno, seu relacionamento com outros planetas e seu papel como manifestador da Criação. Este exercício está diretamente relacionado com o anterior, o do Triângulo de Fogo. Quando colocado na Árvore da Vida, o Hexagrama conecta as esferas de Yetzirah e de Briah, oferecendo uma saída para Atziluth, com Saturno na posição de Daath.

O Triângulo de Fogo é composto de Saturno no topo, e Mercúrio e Vênus nos cantos da base, com o Sol no centro. Pela meditação nas qualidades destes planetas, e seus relacionamentos mútuos por meio deste diagrama, podemos ver que Saturno é a esfera secreta, que nos oferece acesso ao contínuo da energia-matéria-consciência. Imagine-se outra vez no centro do Triângulo de Fogo, colocando os signos Astrológicos, ou formas divinas de Saturno acima, ou acima e diante de você, Mercúrio à sua direita e Vênus à sua esquerda. Observe-os como sendo vivos e vitalizados, com um fino fio de fogo, luz e amor unindo-os.

Lembre-se, Saturno é geralmente apresentado como o signo para a matéria e Vênus invertida como o signo para Antimônio, ou a Terra. Continue essa meditação por várias semanas, ou uma vez por semana por vários meses. Quinze a vinte minutos é tudo o que é preciso.

YHVH

O seguinte método de meditação é baseado nas associações fundamentais conhecidas de todos os estudantes de cabala. Ele pode ser realizado tanto por estudantes avançados como por noviços, ainda que os noviços deveriam dedicar mais tempo aos fundamentos, para garantirem o sucesso mais tarde, sem ter que voltar atrás para repetir os passos básicos.

Essa série de exercícios está relacionada aos estágios e Elementos da Criação e à natureza das expressões primordiais ou arquetípicas de consciência. Aqueles que têm experiência em trabalhar com o hebraico e/ou os Elementos, como indicado nas práticas mágicas básicas, serão capazes de progredir mais rapidamente neste exercício. Aqueles que têm pouca ou nenhuma experiência em magia vão descobrir neste exercício uma introdução apropriada e poderosa para esses conceitos num nível bem pessoal.

A doutrina hebraica da Criação estabelece a idéia de que o Homem Primordial, ou Adão, era composto das quatro letras do nome de Deus colocadas na forma vertical parecendo um ser em forma de bastão. Além do mais, toda a criação pode ser vista como tendo sua origem neste nome sagrado. Por isso, sua pronúncia era cuidadosamente guardada, a tal ponto, que ela foi perdida. É dito que a descoberta de sua entonação apropriada traz poder sobre todas as coisas, a ponto de existirem escolas de cabala que trabalham exclusivamente com as diferentes manipulações deste Nome como sua forma de meditação.

Para nós, o Tetragramaton será usado como um guia visual ou mnemônico para nossas meditações e exercícios voltados para a liberação do Fogo Secreto na Criação.

A aplicação Elemental padrão será usada: Yod (cabeça, sistema endócrino) é associado com o Fogo; Heh (ombros/tórax, e sistema cardio-pulmonar) com o Ar; Vau (espinha/sistema nervoso, incluindo os órgãos dos sentidos) com a Água; e o Heh final com o ponto (as cadeiras, pernas e pés, e o sistema ósseo) com a Terra.

O ponto no Heh final simboliza o ponto secreto de luz, vida e amor em toda a criação, escondido na matéria. É esta força secreta que, quando liberada, nos leva às alturas da bem-aventurança e consciência divinas no Fogo original de Yod.

Como em todos os exercícios, comece retirando energia, de alguma forma, de Kether para baixo, para a Terra. Isto pode ser feito por meio da Cruz Cabalista, do Pilar Central, ou da Bomba Psíquica como descrito anteriormente. Quando um centro calmo for estabelecido, e um espaço sagrado para conter a energia, ou por meio do Ritual do Pentagrama, ou imaginando um domo esferoidal vasto e vazio ao seu redor (de cerca de 2 a 3 metros de diâmetro), você pode prosseguir.

Imagine o Homem Primordial à sua frente, vasto e imponente. Funda-se com essa imagem, crescendo à medida em que consegue faze-lo. Veja o Yod flamejante como sendo sua cabeça, e imagine que ele, ou um raio dele, projeta-se para baixo para o mundo Aéreo, formando o primeiro Heh, e continuando até o mundo Aquoso, ganhando densidade e peso, formando o Vau e, finalmente, até o mundo da matéria sólida, formando-o juntamente com o Heh final. Neste ponto, a chama diminui, brilhando como uma pequena centelha, comparado com seu vasto e brilhante lugar de origem, e com o mundo escuro, frio e sólido de matéria em que ela agora aparece aprisionada.

Identifique-se com a terra sólida. Sinta seus pés enraizados nela. Imagine que eles, suas pernas, joelhos e quadris, são todos pesados, sólidos, firmes, imóveis e densos. Sinta e imagine a grande força e estabilidade que isto lhe oferece e sinta reconhecimento por isto, por ser esta a fundação de seu ser. Continue com estas imagens, e sinta um ponto denso e brilhante de luz e calor no centro desta matéria escura e sólida. Veja-o crescer cada vez mais forte e brilhante, como se ele fosse o próprio centro da Terra. Continue concentrado neste calor e luz, e deixe um raio dele mover-se do centro da terra, através das camadas de matéria sólida e rochas até seus pés, formando uma esfera de grande luz e calor.

Depois de alguns dias, eleve a energia até seus joelhos. Depois de mais alguns dias, eleve-a até seus quadris. Depois de cerca de um mês de prática, eleve-a e focalize-a na base de sua espinha.

Estenda as imagens da terra sólida até abarcar sua estrutura óssea. Respire o fogo do centro da terra, sinta-o focalizado ao redor de sua espinha, e eleve-o até o topo de sua cabeça. Imagine sua cabeça como uma esfera vazia, esperando receber a energia de baixo. Sinta a energia fluindo pelo seu corpo, focalizando-a nos ossos. Respire-a para dentro deles, purificando-os de qualquer fraqueza ou doença. Veja a medula crescer em seu interior, preenchendo-os com seu poder brilhante. Estenda o processo até o crânio, mandíbulas e dentes. Como anteriormente, quando você tiver terminado a meditação, absorva o máximo de energia que puder, e envie o resto para o centro da terra, terminando o contato.

Depois de um mês ou dois deste exercício, prossiga até a Vau. Veja a energia mover-se através de seus pés, para a espinha, subindo por seu canal central estreito até o cérebro. Imagine que ao entrar na coluna espinhal, com cada respiração, o fluido ali contido, flui para cima e atravessa seu cérebro, nutrindo os tecidos, e descendo de volta. Imagine seus sentidos tornando-se mais fortes e mais agudos. Visualize a vasta energia ígnea vindo do centro da terra e aumentando sua sensibilidade psíquica e ativando seus centros psíquicos. Isto pode ser imaginado simplesmente como o sistema nervoso tornando-se brilhante e saudável.

Passe, então, para a etapa seguinte, ou o Primeiro Heh. Sinta aqui a energia como se elevando de seus pés, passando para a espinha. Quando ela alcança o tórax e a parte de trás da cabeça, também preenche os pulmões com mais poder e capacidade de expansão. Sinta-se como se tivesse sido elevado e expandido, com sua visão tornando-se mais clara e com um senso de propósito e de destino mais definidos. Imagine os pulmões sendo carregados com energia curadora aquecida, vitalizando a respiração e o sangue.

Depois de alguns dias imagine o poder vital movendo-se do meio dos ombros, para os braços e as mãos.

Durante este período experimente com a projeção, circulação e recepção de energia com suas mãos. Em geral, a mão direita deveria projetar a energia elétrica positiva e expansiva, e a esquerda deveria projetar a energia magnética receptiva e passiva. Ao manter as mãos juntas, na posição clássica da oração, em frente do peito, com a parte posterior de seus polegares tocando o externo, o centro do coração pode ser energizado. Além disto, a energia circulada cria um “cinturão” ou “domo” psíquico ao redor da parte superior da cabeça e dos ombros. Pratique retirar a energia do sol, da lua, dos planetas e do cosmo com a mão esquerda enviando-a para a terra ou um talismã com a direita.

Use o Sinal Clássico dos Filósofos, ou as mãos erguidas acima da cabeça com os polegares e indicadores tocando-se para formar um triângulo, para atrair a energia para as palmas das mãos deixando-a sair depois pela planta dos pés. Procure armazena-la em seu plexo solar (você pode querer usar o Sinal de Praticus para isto) projetando-a como descrito anteriormente. [9]

Prossiga, a seguir, para o Yod. Agora, depois que a energia tiver ido para o cérebro, visualize a cabeça crescendo brilhante e luminosa. Sinta-a absorvendo o fogo vindo de baixo e exultando com seu retorno. Sinta o centro de sua cabeça crescendo de forma poderosa, quente e brilhante. Focalize neste único ponto de luminosidade, e então envie-o de volta para a terra, ao mesmo tempo que alcança todo o universo com ele. Sinta-se em meio a um mundo ígneo de poder, sabedoria e amor primordial. Sinta-se como se você tivesse uma estatura enorme, estendendo-se por todo o sistema solar. Sinta como se os planetas fossem seus centros psíquicos, e o sol seu coração, a Terra seu escabelo e o ponto original da criação sua coroa. Quando tiver terminado, encolha-se para seu tamanho normal e encerre a meditação.

Esta energia, quando é experimentada, tem um tremendo potencial de cura. Ao liberarmos nossos pensamentos negativos e destrutivos no centro da terra para sua purificação e renovação, nos abrimos para uma consciência mais ampla e energética, por meio da remoção dos bloqueios psicológicos. Ao retirarmos a energia ígnea curativa da terra, acumulando-a de forma lenta, suave e metódica profundamente em nossas células, a partir dos ossos e de sua medula para cima e para fora, podemos aumentar nossa sensibilidade psíquica às correntes telúricas, aos padrões do tempo e às condições magnéticas. Além disto, aumentamos a força, a energia e a vitalidade de nossos corpos físicos. [10]

A Espada Flamejante e a Subida da Serpente

Yesod, Hod e Netzach no Fogo Secreto

Esta seção examina o relacionamento entre os Sephiroth da Árvore da Vida e o Fogo Secreto, e o impacto de duas esferas em particular que governam o sistema nervoso, o despertar psíquico prematuro e o poder sexual.

A elevação do poder psíquico de Malkuth afeta não só os pés e o períneo, mas também deslancha uma resposta das supra-renais acima dos rins. Essa resposta é acompanhada, freqüentemente, de um impulso de energia, pois estas glândulas são a sede de nossa resposta: “lutar ou fugir”. Elas são também órgãos sexuais secundários e, com a energia descendo para entrar na base da espinha (também um centro de Malkuth) antes de se elevar pela coluna espinhal e energizar todo o corpo, ela estimula também os nervos e agregados psíquicos associados a Yesod e Netzach. É a partir deste estímulo que são experimentadas imagens, fantasias, poder e agressividade sexuais, e consciência psíquica, às vezes chegando à esquizofrenia e à psicose. Um calor intenso e um senso de purgação, também podem ser experimentados em conseqüência.

Quando a energia alcança a área de Hod, ou Mercúrio, geralmente antes de Netzach, mas nem sempre, diz-se que ela está seguindo o Caminho da Serpente. Esse Caminho é ilustrado por uma Serpente subindo a Árvore da Vida, revertendo a direção da descida do Flash do Relâmpago. Quando isto ocorre, o Fogo Secreto desperta a mente para as possibilidades e estruturas mágicas, mas sem o poder. O Fogo pode estimular o cérebro e acelerar os padrões de pensamento, percepção e associação, mas com freqüência este estado é expresso por meio de um excesso de conversa e verbalização, ou é direcionado para o centro da garganta.

Se a energia não for utilizada, mas for direcionada para seu Caminho de Volta para cima, surge então um verdadeiro problema: como dirigir a vontade e a consciência de uma forma específica para criar um caminho para que a energia possa fluir. Estes caminhos são construções mentais e astrais, ou símbolos, usados nos ritos mágicos, religiosos e esotéricos.

O principal caminho, ou mapa usado, para direcionar o Fogo Secreto é o caduceu de Mercúrio. Nele, as serpentes gêmeas se entrelaçam ao redor da coluna central, enquanto elas próprias formam dois lados ou colunas de apoio, culminando num topo alado, ou coroa, com o formato de cone, ou a glândula pineal.

Quando a energia alcança este ponto da Coroa, ela confere a iluminação, a Consciência Cósmica e pode ser direcionada para uma atividade espiritual ainda maior, ou para a manifestação material ou psíquica. Esta energia, ou luz, é como os raios do sol (Tiphereth) sendo divididos em inúmeros raios do espectro (Netzach) com o uso de filtros óticos (Hod).

Em Hod não só criamos, mas também limpamos qualquer filtro mental existente, para que a energia elevando-se de volta para sua fonte possa ser apropriadamente identificada e experimentada como ela é, antes de ser harmonizada num único raio de luz em Netzach. Porém, mesmo depois da harmonização, a energia pode não ser necessariamente mandada de volta para Tiphereth. Se for deixada por sua própria conta, ela provavelmente irá para lá, pois esta é sua inclinação natural. Um súbito afluxo de poder e energia pode gerar um fortalecimento dos mundos astrais recentemente vivificados, dos quais Netzach é o cume simbólico.

A carta da Morte, que governa o Caminho entre Netzach e Tiphereth significa a tarefa do iniciado neste estágio da jornada, e do sacrifício que lhe aguarda. Somente perdendo sua individualidade, ou por meio da ‘morte’, as forças separadas sob a direção de Netzach podem se combinar para levar o iniciado para o adeptado. O reverso também é verdade, em certo sentido, pois é deixando o coletivo para trás, que o indivíduo nasce, o verdadeiro indivíduo de Tiphereth. Isto sugere que a genuína iniciação só pode ocorrer quando não formos mais dependentes do poder coletivo de uma egregora para nosso senso de proteção, propósito e iluminação. O útero astral aquoso de Yetzirah deve ser abandonado, em favor do mundo seco da vida material de Malkuth ou da renovação espiritual de Tiphereth.

Junto com as serpentes entrelaçadas do caduceu, encontramos implícito no simbolismo os chakras, ou centros psíquicos, sobre os quais o Fogo Secreto atua em sua jornada. Estes centros expressam modos de consciência, locais de poder físico e psíquico, e estão relacionados de várias formas com os sistemas nervoso e endócrino, como já vimos.

No esoterismo ocidental, existem vários métodos de expressar estes centros psíquicos. Um deles é o uso dos nomes dos planetas, ou chakras mundanos, como são chamados, em associação com os Sephiroth. Nesse caso, os planetas seguem a descida de mezla, ou Energia Divina, ao longo da Árvore da Vida, sendo colocados em lugares correspondentes no corpo humano. Kether, Hockmah e Binah estão na cabeça; Chesed, Geburah e Tiphereth estão na parte superior do tórax e nos ombros; Netzach, Hod e Yesod nos quadris e nos órgãos sexuais, com Malkuth localizado nos pés. Isto funciona bem como uma ajuda mnemônica e para os exercícios conhecidos como a Espada Flamejante e a Elevação da Serpente, mas não é muito útil quando estamos atribuindo poderes planetários a órgãos específicos, como na alquimia.

Outro conjunto de atributos é simplesmente tomar a Coluna Central e aplicar suas correspondências Elementais, como apresentadas por Regardie em A Verdadeira Arte de Curar, ou as correspondências planetárias mais conhecidas, como ele apresenta em seu livro A Coluna Central. Dentro desta mesma linha, não é raro a aplicação do conjunto ascendente dos tattwas hindus, ou signos Elementais de uma forma ascendente em cada uma das encruzilhadas e esferas na coluna central da Árvore da Vida.

Apesar de nenhum dos sistemas acima ser perfeito para designar os centros de força psíquica, cada qual funciona em sua própria área particular e, como tal, seria melhor simplesmente aceitar os símbolos dados para cada exercício sem tentar criar uma ‘grande síntese’ que vai parecer ótima, mas que será incômoda ou inútil para propósitos práticos.

Examinando a subida da energia de um ponto de vista mais ocidental, é possível visualizar os centros psíquicos não como órgãos singulares e específicos, mas em vários casos como um conjunto de órgãos atuando de forma harmônica. Os estudantes de práticas esotéricas orientais reconhecerão que o sistema da Nova Era de sete chakras ordenados com esmero numa escala cromática ascendente, não é facilmente encontrado na yoga ou no tantra.

Em vez disto, o que é encontrado, é justamente a mesma contradição e confusão existente na síntese moderna dos sistemas esotéricos ocidentais. O uso de um sistema de cinco, seis ou sete centros psíquicos depende do sistema que está sendo praticado. A adição ou subtração de um centro particular só tem importância em relação aos detalhes daquela prática particular e de seus objetivos. Portanto, quando examinamos os centros psíquicos como realidades objetivas, entramos num mundo perigoso. Em vez disto, precisamos olhar os centros em termos de função e relacionamento mútuo. Se num exercício notamos que as atividades de um centro não são limitadas aos pés, tórax, órgãos sexuais, ou cabeça, então nós realmente entramos numa compreensão mais profunda daqueles locais de energia. Se descobrirmos que outros órgãos estão sendo estimulados também, então vamos perceber que começamos a passar de um relacionamento estritamente simbólico e mental com os centros psíquicos para um
relacionamento pessoal e experimental. Essa transição para a experiência pessoal é o verdadeiro significado de desenvolvimento, e não simplesmente os pacotes arrumados e confortáveis de fatos e informações ocultas oferecidos em intermináveis tabelas de correspondências.

Numa publicação recente da Golden Dawn [11] apresenta-se um grupo de correspondências para quatro dos principais centros psíquicos usando atribuições kerubicas. O centro raiz foi atribuído ao Bezerro das Revelações; o centro sexual ao Anjo; o Plexo Solar ao Leão; e a Águia ao coração. Nenhuma correspondência foi dada para os outros centros. Usando este exemplo como uma base para discussão e experimentações, gostaria de sugerir em vez dela a seguinte lista como uma alternativa mais eficiente.

1º Touro ou Saturno [12] ou Lua [13] com Fogo no Coração.
2º Águia ou Júpiter ou Mercúrio com Água no fígado.
3º Leão ou Marte ou Vênus com Terra nos pulmões.
4º Anjo ou Vênus ou Sol com Ar na bexiga.
5º Espírito ou Mercúrio ou Marte.
6º Lua ou Júpiter.
7º Sol ou Saturno.

Isto sugere que a ordem dos planetas nas esferas é muito relativa aos estados de consciência do estudante, e que as correspondências no momento de nossa descida à consciência material pode ser diferente da ordem durante nossa re-ascensão à Eternidade.

Se levarmos em consideração o que os alquimistas dizem a respeito de Saturno, que ele é o começo e o fim do Trabalho, então este rearranjo dos centros pode ser verdadeiro.

Num artigo intitulado, “Do Novo Testamento Restaurado” [14], a idéia básica dos quatro centros (genitália, umbigo, coração e cabeça) é usada com títulos obtidos do Livro do Apocalipse de St. João.

Genitália 1º e 2º centros – O Falso Vidente
Umbigo 3º centro – O Dragão Vermelho
Coração 4º centro – A Besta
Cabeça 5º, 6º e 7º centros – A Cruz, O Cordeiro, O Espiritualmente Sábio, e Iluminação do Conquistador.

Num gráfico anexo, a ordem dos planetas é dada com Saturno na base, Lua na Coroa, da forma cabalista direta, com uma escala de cores com pequenas diferenças da usual: amarelo e pedaços de branco (Saturno), azul claro (Júpiter), vermelho (Marte), verde (Sol), azul escuro/índigo (Vênus), laranja-amarelo (Mercúrio), violeta, opalescente prateado (Lua). Cada centro também está associado com um signo do zodíaco, um selo no grande pergaminho, e um dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Os outros cinco signos do zodíaco são atribuídos aos Elementos e ao Espírito.

O problema apresentado pelo Livro do Apocalipse, é que se ele representa um padrão de iniciações interiores progressivas ligadas à experiência última do Fogo Secreto, ele está escrito numa forma altamente simbólica. Muitas das chaves para estes símbolos podem ter uma origem muito local e num período específico, demandando considerável pesquisa voltada ao 1º século da era gnóstica, relacionada com as práticas cristãs, grego-romanas e da Merkavah.

Não queremos dizer com isto que este problema seja insolúvel, mas que em sua solução devemos pesar custos e benefícios. Foi para ajudar aqueles que julgam que isto é possível, que as chaves acima foram apresentadas. Para este ensaio, porém, o problema apresenta mais perguntas do que chifres na cabeça da “Besta”, para as quais não temos respostas imediatas. As respostas podem estar em algumas das escolas mais antigas e menos acessíveis da cabala cristã encontradas na ortodoxia oriental, mais do que nos cabalistas cristãos de Roma, porque eles estão mais focalizados no Evangelho de João, e não perderam completamente sua tendência mística, nem o uso de símbolos para a Iluminação.


Exercício

Depois de preparar seu oratório, ou lugar de trabalho, imagine que sua espinha é a Coluna Central do Caduceu. Estabeleça esta imagem com firmeza, com uma base arredondada, asas no nível da garganta, disco solar, e um cone de pinheiro ou uma saliência brilhante no topo. Visualize-o na cor branca ou dourada-avermelhada, com a serpente da esquerda azul ou preta; e a serpente da direita vermelha. Suas caudas deveriam se encontrar ou cruzar na base de sua espinha e continuar cruzando-se mais cinco vezes com suas cabeças de frente uma para a outra, línguas estendidas, na altura da garganta acompanhadas de um par de asas abertas. A imagem deveria culminar com um disco solar ao nível da cabeça, com um cone de pinheiro em cima.

Depois de um período de várias semanas firmando a imagem acima, símbolos adicionais podem ser acrescentados. No centro de cada círculo formado deveria ser imaginado, em ordem progressiva, os animais kerúbicos mencionados anteriormente. Ao nível da garganta deveria vir o akasha, ou Espírito; e as qualidades Lunares deveriam dominar a parte de trás da cabeça e as Solares a parte da frente. Ambos aspectos universais devem ser imaginados como unificados no topo, e entrando e existindo por meio da esfera brilhante e saliente no topo (glândula pineal).

Se possível, a serpente da esquerda deveria ser imaginada como tendo qualidades lunares, aquosas, passivas e magnéticas. A serpente da direita, qualidades solares, elétricas, ígneas e expansivas. A Coluna Central intermédia, equilibra e contém ambas simultaneamente.

Depois que as imagens acima forem imaginadas com sucesso e mantidas, os símbolos podem ser objetos progressivos de meditação. É importante seguir uma ordem rigorosa do alto para baixo ou de baixo para cima. Se um bloqueio psíquico for encontrado não o force. Procure simplesmente remove-lo suavemente ao passar progressivamente pelo conjunto de símbolos. Não fique mais de sete a dez dias em nenhum dos símbolos. Lembres-se, que é melhor começar novos períodos esotéricos num sábado, quando o poder psíquico está em seu auge durante a semana. Isto quer dizer que vai demorar um mínimo de sete semanas para passar pelos sete símbolos principais na coluna central, e mais três semanas para o diagrama básico e as duas serpentes.

Este exercício é poderoso, portanto, não o force. Se qualquer coisa desagradável for experimentada, diminua os períodos da meditação. Inicialmente, não mais do que 15 minutos deveriam ser dedicados a este exercício.

O Fogo Serpentino e a Lança [15]

De todos os exercícios deste trabalho, o que se segue é o mais fácil de realizar não importa o nível de experiência do operador. Seus conceitos básicos devem ser familiares para muitos estudantes, e são úteis como guias para uma compreensão fundamental do Fogo Secreto que existe no ocidente.

Visualize um vasto ponto de luz brilhante acima de sua cabeça, tão intenso que ele parece preto. Faça-o descer para o topo de sua cabeça, sinta-o mergulhando em seu corpo e sua psique, permeando sua consciência. Sinta-o se expandindo, formando uma esfera de luz dourada e de fogo ao seu redor, com um diâmetro se estendendo de um a dois metros além de você em todas as direções. Deixe que esta esfera de luz cresça em intensidade e poder, e saiba que ela é um recipiente para as forças cósmicas que você está preste a invocar.

Imagine um raio de fogo, como uma lança, descendo como uma labareda do ponto de luz acima de você, penetrando seu crânio e movendo-se por seu corpo indo até o centro da terra. Sinta a terra reverberando com seu impacto, e imagine uma corrente de fogo vivo, como uma serpente vermelha-dourada, movendo-se na direção oposta do raio, subindo por sua espinha e entrando na parte oca de seu crânio. É importante que você imagine seu crânio como estando vazio e sendo um vasto receptáculo desta energia criativa e transformadora. Depois de várias repetições deste ciclo, focalize sua atenção em seu coração, e imagine ali, um cálice, uma pedra ou outro símbolo receptivo para seu Eu mais elevado. Espere por uma resposta, e então deixe tudo fundir-se num vasto mar vivo de luz dourada, fogo e amor. Ao terminar o exercício, retire a energia para dentro de si e ofereça-a como um presente ao Cosmo.


Exercícios básicos para regular a energia

O Plexo Solar como o principal regulador de energia no corpo

Se depois de um exercício houver demasiada energia nas áreas da cabeça ou do coração, leve-a para baixo para o plexo solar e imagine que ela está sendo circulada para fora e ao redor de seu corpo por meio daquele centro. Isto surtirá efeito depois de alguns minutos e é especialmente apropriado para circular a energia que surge com o estímulo sexual depois destes exercícios.

Promovendo o aterramento

É importante estabelecer com firmeza Kether e Malkuth nestes exercícios. Se Malkuth não estiver suficientemente estabelecido, pode haver risco da pessoa se tornar aérea e desconectada com a vida diária. Mais importante, se um forte senso de conexão não for estabelecido em Malkuth, boa parte da energia não terá para onde ir, e será desperdiçada. Se você sentir que demasiada energia foi gerada e está causando problemas que a simples circulação para fora do Plexo Solar não é capaz de resolver, considere então o seguinte:

1. Imagine a energia fluindo para fora de suas mãos e de seus pés para dentro da terra.
2. Coloque suas mãos numa bacia de água fria e imagine a energia sendo vertida ali.
3. Caminhe com seus pés diretamente em contacto com a grama ou a terra.
4. Beba um copo de água fria.

Estas sugestões são para descarregar os acúmulos de energia que podem ser desagradáveis. Considere-os como uma espécie de primeiro socorro psíquico. A natureza destes exercícios geralmente tende a aumentar a quantidade de energia que podemos manipular, e direciona-la de forma sábia e lenta para a purificação de nossa psique e corpo. Descarrega-la repetidamente vai desacelerar este processo, mantendo, no entanto, um estado de irritação, frustração e de perturbação como resultado das práticas esotéricas.

Circulando a Luz

É fundamental circular sempre a energia após o término de um exercício. As sugestões de faze-lo por meio da Coluna Central, ou do Plexo Solar e ao redor das bordas da aura ampla funcionam bem.


Notas adicionais a serem consideradas

Crowley indica que o 24º Caminho é atribuído à Deusa Kundalini em 777. Knight apresenta o Caduceu com o signo de Escorpião na parte inferior. Escorpião é o signo do 24º Caminho.

Uma respiração regular deve ser feita com os exercícios sempre que possível. Quando inalar, puxe a energia da coroa para baixo; mantenha-a nos pés, na terra e/ou na base da espinha; exale para a cabeça; segure a respiração após a exalação. Repita. Isto acrescenta muita energia aos exercícios e limita a duração do tempo que pode ser dedicado a eles em cada prática.

Cada esfera tem sua própria Tiphereth, isto é, a Grande Estrela, unindo as “esferas menores dentro de uma esfera” na Árvore daquele nível particular. Portanto, quando dirigimos nossa atenção para a influência harmonizadora de Tiphereth, afetamos todos os planetas que ela toca. Quando dirigimos nossa atenção para o Triângulo de Fogo de Tiphereth, afetamos o aspecto Fogo de todas as Esferas ligadas a Tiphereth. No entanto, Saturno, Mercúrio e Vênus, podem ter uma resposta mais forte. Isto se refere, logicamente, ao carma (Saturno), à energia criativa (Vênus) e ao transmissor de intelecto/energia (Mercúrio).

Portanto, é mais fácil regular a energia planetária com o hexagrama do que com o septagrama. O hexagrama regula a energia via Tiphereth, e o septagrama via Netzach.

Na alquimia, Fogo e Ar são as matrizes da Energia; Água e Terra são as matrizes da Matéria. A ‘energia’ da Terra é essencial para a manutenção da saúde; a da Água, para manter a iniciação; a do Fogo para a própria iniciação; o Ar torna acessível o Fogo.

O Sal representa yetzirah e assiah inferiores; Mercúrio o Yetzirah Superior e Briah Inferior; Enxofre o Briah Superior e Atziluth Inferior.

O Sal é susceptível aos impulsos lunares. O Mercúrio aos impulsos solares. O Enxofre aos impulsos zodiacais e cósmicos.



* * *



References

Kundalini, Evolution and Enlightenment, Edited by John White, Anchor Books/Doubleday, Garden City, New York. 1979.
Serpent of Fire: A Modern View of Kundalini by Darrel Irving. Samuel Weiser, Inc., York Beach, Maine. 1995.
Energies of Transformation, A Guide to the Kundalini Process by Bonnie Greenwell, Ph.D. Shakti River Press, Saratoga, Ca. 1990.
The Doctrine of the Subtle Body in the Western Tradition by GRS Mead. Solos Press, Shaftesbury, Dorset. No date. First published, 1919.
The Middle Pillar by Israel Regardie. Llewellyn Publications, St. Paul, MN. 1991.
Kabbalah of the Golden Dawn by Pat Zalewski. Llewellyn Publications, St. Paul, MN. 1993.
Experience of the Inner Worlds by Gareth Knight. Samuel Weiser, Inc., York Beach, Maine. 1993.
The Most Holy Trinosophia of the Comte de St. Germain, Introduction and Commentary by Manly P. Hall. The Philosophical Research Society, Inc., Los Angeles. 1983.
The Philosophers of Nature, 125 West Front Street, Suite 263, Wheaton, Ill. 60187.



Alchemy Lessons:

Psychic Energy, It’s Source and It’s Transformation by M. Esther Harding, Princeton University Press, Princeton, N.J. 1963.
The Gathas of Zarathustra from the Zend-Avesta, ed. by Raghavan Iyer.
Zarathustra, The Transcendental Vision by P.D. Mehta
The Zoroastrian Tradition by Farhang Mehr
Oriental Magic by Idries Shah


Notes:

[1] See: Magical States of Consciousness by Dennings and Philips; Inner Landscapes by Dolores Ashcroft-Nowicki; or The Philosophers of Nature, Qabalah Lessons 35 through 44.

[2] Mysteria Magica, vol. 3 of The Magical Philosophy by Melita Denning and Osborne Phillips. Llewellyn Pub., St. Paul, MN. P. 57-59, 69-73; or, The Philosophers of Nature, Qabalah Lesson 62.

[3] See: Problems on the Path of Return: Pathology in Kabbalistic and Alchemical Practices by Mark Stavish, M.A. The Stone -The Journal of The Philosophers of Nature. Issue 19, March-April 1997. Included as an appendix to this article.

[4] See: A Kabbalistic Approach to Lucid Dreaming and Astral Projection by Mark Stavish, M.A. The Stone - The Journal of the Philosophers of Nature. Issue 20, May-June 1997. Included as an appendix to this article.

[5] Kabbalah by Gershom Scholem. New York. Meridian. 1974. P. 186.

[6] The Jewish Alchemists by Raphael Patai. Princeton, N.J., University Press.1994.

[7] Saint-Germain is also said to be the author of La magie sainte revelee a Moyse (The Holy Magic of Moses Revealed). No date is given.

[8] PON Qabala Lesson 63, suggests that the sounds be resonated in the heart, solar plexus, and perineum. Regardie make no attribution of the IAO sounds in The Golden Dawn (5th ed.), and omits them in The One Year Manual.

[9] For the Elemental Grade Signs of the Golden Dawn, see: Regardie, p.134-135.

[10] This will be explored further in an upcoming essay on “The Diamond Body in Western Esoteric Practices”.

[11] The Kabbalah of the Golden Dawn by Pat Zalewski. Llewellyn Publications, St. Paul, MN. 1993. P. 89-125.

[12] This list of planetary correspondences is taken from The Philosophers of Nature, Spagyric Course Year Two, Lessons 32 and 45.

[13] Taken from a painting by Johann Georg Gichtel, a student of Boehme, of “man in his corrupt state” after the Fall from Grace, prior to any spiritual initiation.

[14] Kundalini, Evolution, and Enlightenment, ed. by John White. Anchor Press. Garden City, New York. 1979. Article by James Morgan Pryse, pgs. 418-440. See: The Apocalypse Unsealed.

[15] See: Experience of the Inner Worlds by Gareth Knight. Samuel Weiser, Inc., York Beach, Maine. 1993. Pages 1-119. Or see, PON Qabala Lessons 12 through 16.




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* Este artigo foi obtido do “site”: www.alchemywebsite.com/secret-fire.html

* Em alguns casos, quando havia um conceito subentendido mas não explicitado, o tradutor tomou a liberdade de acrescentar uma ou outra palavra entre ‘chaves’, para facilitar o entendimento do texto

Hierarquia angelical de Moisés Maimónides

Esta versão baseia—se na tradição cabalística e nas dez esferas da Árvore da Vida, que é o esquema central da Cabala hebraica. Segundo teólogos e escolásticos judeus, especialmente Maimónides, a Hierarquia Angelical compõe—se de dez coros celestes. É difícil proceder à identificação dos nomes hebraicos dos coros com os nomes cristãos, principalmente porque aparecem ordenados de outra forma.

Cabala hebraica: Cristianismo

1. Chaioth ha Quaddosh: Potestades
2. Ofanim (Auphanim): Tronos
3. Arelim (Erelim): Principados
4. Chasmalim (Hasmalim):Dominações
5. Seraphim: Serafins
6. Malachim: Virtudes
7. Elohim: Arcanjos
8. Bene Elohim: Anjos
9. Cherubim: Querubins
10. Ashim (Ishim): Almas dos santos

Cada um dos coros que constam desta lista faz parte dos atributos das esferas da Árvore da Vida, conhecidos como Sefirote ou Zéfiros. Como se pode ver na lista, a ordem dos vários coros da Cabala é completamente diferente da sugerida por Pseudo—Dionísio. Apresenta-se aqui esta lista porque é importante na prática da magia angelical. As diferentes ordens e coros angelicais são de grande importância para o ser humano, uma vez que tudo o que existe é regido por um anjo, incluindo a vida e a morte de uma pessoa. De acordo com o "Livro dos Jubileus", quando Deus criou o Universo, no primeiro dia da Criação, também criou os espíritos que são seus servidores. Entre estes estão os anjos da Divina Presença, os anjos da Santificação, os anjos do elemento fogo, os anjos do vento, das nuvens, da escuridão, da neve, do granizo, do trovão e do relâmpago, do frio, do calor, das quatro estações e de todas as criaturas da Terra e do Céu. Por outro lado, segundo Enoch, os anjos
não foram criados no primeiro dia da Criação, mas sim no segundo.
Através de cada coro angelical, o ser humano recebe um dom celestial:

1. Dos Serafins recebe o fervor da fé e o amor a Deus.
2. Dos Querubins recebe iluminação mental, poder e sabedoria
3. Dos Tronos recebe o conhecimento de como foi criado e como dirigir os seus pensamentos para coisas divinas
4. Dos Dominações recebe a assistência necessária para subjugar os seus inimigos e perseguidores e alcançar a salvação
5. Dos Potestades também recebe ajuda para dominar os inimigos materiais
6. Dos Virtudes recebe o poder de Deus para triunfar na vida.
7. Dos Principados recebe o poder de controlar tudo o que o rodeia e adquirir conhecimentos secretos ou sobrenaturais.
8. Dos Arcanjos recebe o poder de dominar todas as criaturas da terra ou do mar.
9. Dos Anjos recebe o poder de ser mensageiro da vontade divina.

Devido a estas múltiplas razões, os livros sagrados ensinam a importância de conhecer os anjos

Retiro Espiritual dos Arcanjos no Nosso Planeta Arcanjo Miguel
Retiro: Banff, Canadá (perto do Lago Louise)
Raio: Raio azul da protecção (Terça-feira) chacra da garganta
Propósito: Prende o mal e as entidades do mal. Protege contra ataques ou contra o mal. Dá força e coragem. Fortalece a Vontade Divina e a fé.

Arcanjo Jophiel
Retiro: Sul da Grande Muralha da China
Raio: Raio amarelo da sabedoria (Domingo) chacra da coroa
Propósito: Ajuda as pessoas a serem fiéis a uma crença ou a uma causa, para superar a ignorância, o orgulho e a tacanhez. Evoque para ter educação e aprendizagem.

Arcanjo Chamuel
Retiro: St. Louis, Missouri, E.U.A.
Raio: Raio cor-de-rosa do amor (Segunda-feira) chacra do coração
Propósito:Aumenta a chama do amor. Trabalha com o amor, com a compaixão e com o perdão.
Evoque para a ajudar a libertar-se e a transformar crenças antigas.

Arcanjo Gabriel
Retiro: Monte Shasta, Califórnia, E.U.A
Raio: Raio branco da pureza (Sexta-feira) chacra base
Propósito: Para claridade, pureza, ordem e disciplina. Ele trás alegria e graça. Retiro em Findhorn para o despertar de purificação.

Arcanjo Rafael
Retiro: Fátima, Portugal
Raio: Raio verde do equilíbrio (Quarta-feira) terceiro olho
Propósito: Ajuda quem viaja e quem cura. Trás abundância, saúde e cura.
Representa a visão e a verdade.

Arcanjo Uriel
Retiro: Montanhas Tatra, Polónia
Raio: Raio púrpura e dourado da sabedoria (Quinta-feira) plexos solar
Propósito: Está ao serviço da paz e trás serenidade, fraternidade. Ajuda as pessoas a libertarem medos e desejos.

Arcanjo Zacariel
Retiro: Cuba
Raio: Raio violeta da transformação (Sábado) lugar da alma
Propósito: Transforma as energias inferiores e ajuda com o perdão, a diplomacia e a tolerância.
A Chama Violeta foi ganha para nós por São Germano para que possamos deixar a Terra e ascender. Zacariel trabalha com a Chama Violeta

Arcanjo Metatrão
Retiro: Entra através de Findhorn
Propósito: Verdade. Honestidade com nós próprios e com os outros.

O anjo que protege o seu signo Carneiro
As pessoas nascidas sob o signo de Carneiro são regidas pelo planeta Marte e marcadas pelo dinamismo, a impulsividade, a coragem e muitas vezes, pela agressividade. Mas também sabem ser generosas, simples, alegres e solidárias. Seu anjo da guarda é Samuel, que junto com o regente é responsável pelo aspecto de coragem e garra que tanto marcam a personalidade das arianas, ajudando-as a superar os mais diversos obstáculos que aparecem pela frente. Este anjo faz com que as arianas tenham um espírito aventureiro, desbravador e de liderança. O anjo Samuel propicia aos nascidos de Carneiro uma maior preocupação com a própria espiritualidade, além de forte vibração positiva para resolverem os problemas de maneira prática e organizada.

Touro
As taurinas são regidas por Vénus, o planeta do amor. São pessoas serenas, admiram o belo e amam de maneira natural os filhos e a pessoa com quem estão. São ciumentas e bravas quando feridas em seus sentimentos. Têm o dom de acumular posses e bens materiais, pois são determinadas, fortes e persistentes com as coisas que amam e desejam. Seu anjo guardião é Anael, que junto com o regente é responsável pela paz que proporciona as taurinas nos momentos de ciúme e brigas durante os relacionamentos amorosos. Também auxilia nas amizades, além de fazer com que as nativas de Touro lutem pela estabilidade e conforto familiar.

Gémeos
As pessoas nascidas sob este signo têm em comum a contradição em seu próprio comportamento, gerando conflitos e ansiedades. Regidas pelo planeta Mercúrio, possuem grande agilidade mental e ideias mirabolantes. Seu anjo guardião é Rafael, que junto com o regente é responsável pela inteligência e raciocínio privilegiado, que na maioria das vezes, é rápido e ágil. Também proporciona o equilíbrio entre razão/inteligência e sentimento/emoção. Além de influenciar a comunicação.

Câncer

As cancerianas são as mais românticas, doces e suaves de todo o Zodíaco. Regidas pela Lua, trazem dentro de si toda ternura e compaixão dignas das pessoas de bom coração. Apaixonadas pela vida, amam incondicionalmente e se machucam de maneira fácil, pois têm a mania de criar problemas e fazer tempestades em copos d'água. Seu anjo guardião é Gabriel, que junto com o regente, está directamente relacionado ao lado emotivo e sensível das cancerianas, que gostam do aconchego do lar e da companhia das pessoas queridas. O anjo guardião auxilia as pessoas de Câncer a esquecerem um pouco o passado e aprenderem a pensar intensamente o futuro, além de se sensibilizar com o sofrimento dos outros.

Leão
As pessoas deste signo são bastante ágeis e lutadoras, em todos os sentidos da vida. São alegres e vivem numa boa, contagiando a todos com sua generosidade. Regidas pelo Sol, gostam de ser úteis e ajudar quem precisa, além de serem criativas e inteligentes. Precisam somente ter mais tacto e delicadeza para não assustar quem está ao redor. Miguel é o guardião, que junto com o regente, é responsável pela protecção e sucesso que envolve as transações financeiras das leoninas. Também emana boas vibrações para a carreira profissional, estimula a autoconfiança e a inteligência para dominar todas as facetas do conhecimento.

Virgem
As virginianas são regidas pela Terra. Preocupadas em nunca cometer erros, procuram fazer de tudo para que nada saia dos eixos. Para conseguirem manter as coisas sempre em perfeita sintonia são críticas e até exageram na hora das broncas, mas sabem elogiar e admirar os outros. Tímidas, muitas vezes, passam desapercebidas, mas possuem grande brilho. O anjo guardião é Rafael, que junto com o regente, é responsável pela inteligência das virginianas, fazendo com que tenham raciocínio rápido e lógico. Auxilia também nos problemas relacionados à saúde, além de trazer humildade e auto-crítica.

Balança
As pessoas deste signo têm o poder de chamar a atenção do sexo oposto aonde quer que passem. Tudo isso por causa da necessidade que têm de amar, fazendo disso sua fonte de vida. Sociáveis, procuram fazer de tudo para agradar e não desequilibrarem o que já está lindo e perfeito. O anjo guardião é Anael, que junto com o regente Vénus, é responsável pela tranquilidade, calma, perseverança e prudência que marcam a personalidade de balança, na hora de resolver os problemas. Traz protecção contra os inimigos e as armas de fogo, além de auxiliá-las quando o assunto é o coração.

Escorpião
As pessoas de Escorpião vieram ao mundo para ajudar, amar e aprender, contudo são desconfiadas e colocam um “escudo” para não se machucarem. São regidas por Plutão e se entregam de corpo e alma quando encontram a pessoa certa. O anjo protector é Azrael, que junto com o regente, é responsável pela personalidade das escorpianas, iluminando e alimentando o caminho espiritual e a alma. Auxilia-as também a realizarem os sonhos e projectos, encarando os próprios limites como verdadeiros desafios. O guardião faz com que valorizem mais as pessoas à sua volta.

Sagitário

As sagitarianas tentam dominar o seu lado mais instintivo, através do bom senso. Regidas por Júpiter, gostam da liberdade e não se intimidam em assumir atitudes duras quando sufocadas. Apegadas as coisas espirituais. Quando necessário, têm paciência para recomeçar os projectos que não deram certo no maior pique. Seu anjo guardião é Saquiel, que junto com o regente, é responsável pela sorte nos negócios e lucros nas transações financeiras. Ajuda também as pessoas de Sagitário a terem uma vida social intensa, tomando-as agradáveis e conquistadoras. Saquiel traz inteligência e facilidade para aprenderem, principalmente línguas estrangeiras.

Capricórnio

As pessoas deste signo possuem grande disciplina e estabilidade. Amam o trabalho, os negócios e não têm medo de assumir responsabilidades. São bastante zelosas com a família e fazem de tudo para agradá-la. Regidas por Saturno, são um pouco contidas no amor, mas agem dessa maneira por medo de sofrer. Contudo, quando descobrem a pessoa certa, entregam-se por inteiro e demonstram toda capacidade que têm para as coisas do coração. O anjo guardião é Cassiel, que junto ao regente, é responsável pela protecção nos assuntos financeiros e profissionais, fazendo com que as capricornianas tenham muita vontade de vencer. O anjo auxilia também na hora das decisões, fazendo com que as nativas de Capricórnio evitem erros e suposições.

Aquário

As aquarianas são criativas e ousadas. Regidas por Urano, adoram fazer amigos e contagiar a todos que conhecem. Têm grande apego as coisas espirituais. Também não gostam de injustiças e falta de liberdade. O anjo guardião é Uriel, que junto com o regente, é responsável pelo misticismo, a inspiração e a originalidade de Aquário. O guardião faz com que tenham um bom relacionamento com os outros. Ajudam também nas questões profissionais. trazendo ousadia para as ideias. As pessoas de Aquário sentem-se ameaçadas quando são privadas do direito de ir e vir sem dar satisfações.
Peixes
A personalidade das pessoas deste signo é cheia de mistério. Sensíveis, ficam com medo das maldades e procuram se esconder dos problemas do mundo quando sentem algum perigo. Regidas por Neptuno, quando precisam porém, sabem lutar com todas as forças e enfrentar qualquer situação. De imaginação fértil, muitas vezes confundem criatividade com ficção. acabando por sofrer, principalmente. nas coisas ligadas ao amor. O anjo guardião é Asariel, que junto ao regente, traz protecção e sensibilidade a este signo. O anjo também está relacionado aos assuntos ocultos e misteriosos, fazendo com que o lado místico dessas pessoas seja bastante desenvolvido.

Yajña, o ritual do fogo por Pedro Kupfer

O yajña, o ritual do fogo, também chamado agnihotra, homa ou havana, é uma prática muito mais antiga que o puja. Faz parte do hinduísmo mas nasceu nos tempos vêdicos, entre 6.500 e 4.000 anos atrás, quando o uso do fogo era essencial na vida dos homens. Temos evidências de que é algo muito antigo, mas não sabemos ao certo quanto. Também, não interessa, pois o fato de ser antigo não o torna melhor. As guerras e a escravidão são muito antigas, mas isso não as torna boas.

O altar vêdico era originalmente o mesmo lugar que se usava para cozinhar. O resto da casa se construía em torno desse fogo central. Tais fogos permaneciam acesos durante gerações e gerações. Aliás, isso acontece até hoje. Na Índia, tivemos a oportunidade de participar numerosas vezes dessa prática num altar cujo fogo não se apagava há sessenta anos. Ao mesmo tempo, as sociedades de antigamente mantinham acesos fogos comunitários, que serviam para unir as pessoas, pois estabeleciam uma ligação com os ancestrais.

O fogo é um símbolo muito poderoso, porque desvela a Consciência que subjaz em todas as coisas do mundo material, como a chama que se esconde na lenha. Por exemplo, o samagri, a mistura de ervas medicinais, doces e cereais que se oferece ao fogo, não tem unicamente o objetivo de purificar o ambiente. Junto com o samagri, a pessoa precisa queimar também seu ego; junto com o ghee, precisa oferecer ao fogo seus sentidos, suas emoções, seus pensamentos, não para destruí-los, pois o fogo não destrói, senão para purificá-los, para sutilizá-los, e torná-los mais leves. E é aí que a prática toma outra dimensão. Então, o que torna o fogo sagrado não é o ritual exterior, mas a atitude com que o fazemos. O fogo é símbolo da consciência universal. Seu culto é puro Yoga.

Após estudar e praticar intensamente o yajña, concluo que os vêdicos não eram politeístas. Eram panteístas ou, em todo caso, e embora a palavra possa incomodar alguns, monoteístas. Agni, Indra, Vayu e Rudra não são deuses separados, senão nomes ou formas de uma mesma e única entidade. Da mesma forma que os pranas do corpo, que têm cinco configurações e cinco nomes diferentes, mas são um só. Pessoalmente, prefiro ver os deuses vêdicos como formas de energia, representações simbólicas intuitivas das camadas da existência que transcendem o intelecto.

É impressionante a quantidade de significados que as palavras têm em sânscrito. Você pode fazê-las dizer praticamente o que quiser. Mas está valendo a citação abaixo. Não é possível fazer uma única tradução dos mantras vêdicos. O melhor é lê-los no original. Melhor ainda, é sentir a vibração e o efeito que eles têm sobre o corpo sutil e a consciência. Além do mais, está escrito nos shastras: quem é você para interpretar o Veda? Você sabe em que sílaba começar? E ainda: o Veda tem medo de pessoas com pouco conhecimento, pois elas podem feri-lo. Ou seja, que a tarefa é realmente difícil.

Tão difícil, que Swami Dayananda (1824-1883), um dos maiores estudiosos dos Vedas de todos os tempos e um dos arquitetos do movimento de independência da Índia moderna, descobriu até nove camadas diferentes de significados em cada hino. O princípio básico de interpretação dos Vedas, segundo Dayananda, é que as palavras dos hinos estão em estado fluido (yangika = derivativas). Ou seja, não têm apenas um significado único e estático (rudha). Donde podem interpretar-se de formas muito variadas. Ele foi enfático ao afirmar que todos os nomes dos deuses vêdicos se referiam ao mesmo princípio. Sri Aurobindo disse que, no campo da interpretação dos Vedas, Dayananda deve ser reconhecido como a aquele que descobriu as primeiras chaves de decifração. Ou seja, ele foi quem vislumbrou que, por trás do monte de entulho que eram as interpretações e traduções do século passado, havia algo mais. Removeu o entulho e encontrou uma porta. Arrombou a porta e morreu. Morreu
envenenado por seus inimigos, antes de poder concluir a decifração.

Os mantras são de uma beleza arrebatadora. São tão profundos quanto belos, e não é raro chorar de emoção e felicidade ao fazê-los. Se fazem com uma cadência e uma forma de respirar específica. Precisa igualmente conhecer algumas regras básicas de sânscrito e ter a técnica de vocalizar os mantras inteiros sem respirar.

As traduções feitas pelos sanscritistas ingleses e alemães da época da colônia podiam fazer sentido para eles, mas não fazem para nós. Eles queriam achar nos textos mitologia, politeísmo e história e tentaram dar-lhes esse sentido. No Veda não há história nem politeísmo. Aliás, no Veda inteiro não aparece nem sequer um nome próprio. O exemplo mais claro disto é Vishnumitra. Vishnumitra é um grande rishi, mas o nome não se refere a um sábio de carne e osso. Não é um autor de hinos. Nunca um rishi compôs um hino! Rishis são videntes. Rishi significa aquele que vê. Sabe quem é o rishi Vishnumitra? Seus próprios ouvidos! Vishnu significa "aquele que está em todas partes". Mitra quer dizer amigo. Se refere aos ouvidos, pois o som vem de todas partes. Na física, a gravidade é Vishnumitra, porque a gravidade é o que nos sustenta aqui na Terra. Os hinos são desvelação. Os rishis não são escritores nem poetas. São yogis que viram os mantras durante suas práticas.

Agni (fogo) é a primeira palavra que aparece nos Vedas. Os rishis cultuavam o fogo porque sabiam que amplifica e purifica qualquer coisa que se jogar nele. Agni representa o Sol na Terra. O yajña é um ritual simbólico: alimenta-se o Sol para alimentar a vida, pois a vida não existiria se não houvesse Sol. Entretanto, Agni é mais do que o fogo: é a inteligência viva. Assim como quando você olha para uma pessoa na verdade não está vendo o indivíduo, mas seu corpo, aparência, expressão etc, da mesma forma, quando seus sentidos captam o fogo, podem perceber Agni detrás dele. O fogo é símbolo da vida e da inteligência. Agni é a vida e a inteligência. A aparência não é a pessoa, embora faça parte dela. A expressão desvela a pessoa; o gesto desvela o pensamento. Agni não é o fogo apenas. Lembre disso ao sentar frente a ele.

Por que fazer yajña? O sadhana externo serve e funciona como um guia para o iniciante. No início, as regras são úteis para nos dar orientação. Depois de algum tempo, se tornam desnecessárias. Porém, é preciso ficar muito atento a algo que pode acontecer: fazer os mantras automaticamente. É como diz o provérbio: "quando o sábio aponta para a lua, o tolo olha para o dedo". Não olhe para o dedo! Se você se flagrar fazendo os mantras automaticamente, sem ter presente o significado nem prestar atenção aos efeitos vibratórios, cuidado! Não esqueça que para que a prática seja mesmo Yoga, você precisa estar consciente e presente o tempo todo na experiência, da mesma forma que você está (ou deveria estar) atento quando lê isso. Não perca a consciência. Desligue o automático! Observe-se: você está atento? Está lembrando neste momento da sua própria existência? Está consciente da sua respiração enquanto lê?

Enquanto o sadhana de Yoga se faz individualmente, e funciona da pele para dentro, o yajña é uma prática coletiva. Quanto mais gente, melhor. É uma prática familiar em que a presença da mulher é imprescindível. Rama, o herói do Ramayana, não pôde fazer yajña durante o tempo em que sua esposa Sita esteve seqüestrada nas mãos do demônio Ravana. Os sannyasins, yogis que renunciaram à vida em sociedade, não podem fazer yajña, pois não têm casa. Não tendo casa, não podem ter cozinha. Sem cozinha, não há fogo. Nem yajña.

A rigor, se faz yajña duas vezes por dia, ao amanhecer e ao entardecer. O yajña deve começar entre 25 minutos antes e 25 minutos depois da hora do nascer ou do pôr do Sol. Isso porque, para os hindus, o dia não começa à meia noite, senão no horário sandhya, quando o sol nasce. A prática completa leva uns 40 minutos. Recomenda-se tomar banho antes de começar. Para fazer yajña se precisa um agnikunda ou havankunda, um recipiente onde você fará o fogo sem correr o risco de incendiar a sua casa. O agnikunda pode fazer-se com cinco camadas de tijolos empilhados, caso você tenha bastante espaço. Deve estar sempre orientado para leste, ser quadrado, e medir internamente um cúbito de lado e meio cúbito de profundidade (37 x 37 x 18,5 centímetros). Se você não tiver espaço para construir um yajñashala, o local onde se faz o ritual, pode usar uma bandeja de cobre. Na Índia se acham recipientes de cobre, construídos seguindo medidas específicas. Mas como a Índia não é
logo ali na esquina, e talvez você não planeje ir para lá tão cedo, faça o fogo do jeito que o seu bom senso indicar.

A madeira que se queima deve ser aromática e estar bem seca. Não use madeira pintada, ou de caixas ou móveis desmontados. Na Índia se usam madeiras como tulsi, rudráksha, banyam ou pippal, mas, sendo impossível achá-las aqui, pode usar sem problemas galhos de pinheiro, mangueira ou eucalipto. Prepare a lenha cuidadosamente antes de acender o fogo. Entretanto, se você não tiver agnikunda, nem lenha, nem ghee, nem samagri, nem companhia para praticá-lo, poderá mesmo assim fazer yajña. Só basta ter vontade de fazer os mantras e praticá-los com o coração aberto. Pessoalmente, já fiz yajña mentalmente sobre aviões, barcos, trens e carros. Obviamente não se compara à sensação de estar presente frente ao fogo, sentindo aquele calor e aquela vibração, mas mesmo assim é uma experiência muito forte. O que realmente interessa é a atitude como que se faz:

"Quando, no fogo da Suprema Realidade, no qual até o mais absoluto vazio se dissolve, os cinco elementos, os objetos dos sentidos e a mente são vertidos, usando a consciência como colher, isso é o homa (yajña) verdadeiro."
Vijñanabhairava Tantra, verso 149, p. 137.


O fogo simboliza a presença da luz e do sagrado. É um verdadeiro ser vivente que você alimenta com três tipos de oferenda: gravetos, ghee e samagri. O samagri é uma mistura cuja composição varia, mas que contém cereais, ervas medicinais, flores, frutos, resina de incenso, perfume, açúcar e ghee, ou pelo menos alguns desses ingredientes. Mas não esqueça que, junto com as oferendas, e ainda muito mais importante que elas, é oferecer, como já dissemos, os sentimentos, os órgãos dos sentidos e da ação, o pensamento e a consciência, não para queimá-los no fogo, senão para purificá-los, para torná-los mais sutis. Ao mesmo tempo, visualize que na presença do fogo você desintegra tudo o que não quiser guardar dentro: emoções, pensamentos ou lembranças de experiências que não forem totalmente positivos. Uma pequena lista de sugestões das coisas que você pode purificar no fogo do yajña: o ambiente em que você vive; os relacionamentos com os seus pais, amigos, filhos,
cônjuge e com você mesmo; os elementos do seu próprio corpo; a sua prática e a sua meditação; as suas emoções e sentimentos; o pensamento; a intuição; o corpo sutil, as nadis e os chakras; a sua alma.

Como funciona psicologicamente o yajña? Igual ao antar mouna: você substitui os samskaras ruins por outros bons. Repetimos o sutra de Patañjali:

"Quando surgirem pensamentos indesejáveis, estes podem ser vencidos convivendo-se com seus opostos."


Precisamos conhecer a tradução, ou pelo menos ter presente o significado dos mantras, pois eles têm esse objetivo: limpar, purificar e fazer uma resignificação dos conteúdos da consciência. Pois a cada vez que você diz svaha, que significa, entre outras coisas, "tudo está perfeitamente bem", você se reprograma para que, de fato, tudo fique perfeitamente bem. Svaha também significa "ofereço a oblação".

Os mantras devem pronunciar-se lenta e claramente: uma só exalação para cada mantra, respeitando as vogais curtas e longas, estas últimas representadas pelo acento. As oferendas se vertem no fogo a cada vez que se diz svaha. Quando se faz mantra mentalmente durante o pranayama, a prática recebe o nome de prana yajña, sacrifício (sacralização, aliás) do prana. Esses mantras são expressão da lei e da verdade universal (dharma e rta) e servem para harmonizar-nos com elas. Formam parte da essência do ser humano e todos podem fazê-los, pois não estão limitados por fronteiras temporais ou culturais. Valem para todos os homens em todos os tempos, e nos revelam a nossa mais profunda natureza.

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Extraído do livro Yoga Prático, de Pedro Kupfer


Os mantras I - Achamana sutra
Antes de começar, sentado em posição de meditação frente ao agnikunda, se fazem três libações junto com estes mantras. Pegue um pouco de água na palma da mão direita. Faça o primeiro mantra e beba essa água. Proceda da mesma forma com os outros dois mantras. Depois, lave a mão.

1. Om amritopastaranamasi svaha.
2. Om amritapidhanamasi svaha.
3. Om satyam yashah sri mayi sri srayatam svaha.

Tradução

1. O Om imortal é o meu sustentador (minha cama). Svaha.
2. O Om imortal é o meu cobertor. Svaha.
3. Que estejamos sempre repletos de verdade, glória e prosperidade. Svaha.
Taittiriya Áranyaka, X:32-35

Significado

Om, protetor de todo o existente, que estejamos protegidos da dor exterior e da dor interior. Que alcancemos o conhecimento verdadeiro, a prosperidade e o crescimento interior.

II - Anga sparsha sutra
Em seguida, fazem-se as sete abluções. Coloque um pouco de água na palma da mão esquerda. Molhando os dedos médio e anular da mão direita a cada mantra, toque as diferentes partes do corpo sucessivamente, começando sempre pelo lado direito. Ao concluir, lave as mãos com um pouco de água. Estes mantras equivalem à circunvalação do corpo que se faz durante o kaya sthairyam. Concentre-se no sentido do mantra e em cada parte do corpo ao vocalizar.

1. Om vang ma asye astu (boca).
2. Om nasor me prano astu (narinas).
3. Om akshnor me chakshur astu (olhos).
4. Om karnayor me shrotram astu (orelhas).
5. Om bhavor me balam astu (braços).
6. Om urvor me ojo astu (pernas).
7. Om aristani me angani tanustanva me saha santu (o corpo inteiro).

Tradução

1. Om. Que eu tenha sempre palavras claras na minha boca.
2. Om. Que tenha sempre energia nas minhas narinas.
3. Om. Que tenha sempre visão penetrante nos olhos.
4. Om. Que tenha sempre audição apurada nos ouvidos.
5. Om. Que tenha sempre força nos braços.
6. Om. Que tenha sempre vigor e resistência nas pernas.
7. Om. Que todo o meu corpo esteja sempre saudável e livre de doenças.
Paraskara Grihasta Sutra, II:3-25

III - Agni adhana
Havendo colocado a madeira no agnikunda, acende-se o fogo recitando este mantra:

Om bhur bhuvah svah
Om bhur bhuvah svardyauriva
bhumna prithiviva varimna tasyaste
prithivi devayajani prishthe
agnimanna adamanna dyaya adadhe.

Tradução

O Om é Ser, Transformação e Bem-aventurança.
O Om é vasto como o céu e amplo como a terra.
Ó terra, altar do sacrifício da Natureza, sobre ti coloco a lenha,
para que possamos ganhar boas colheitas (boa alimentação).
Yajur Veda, III:63.11

Significado

O fogo representa a energia que anima os três planos da existência (bhur, bhuva, svaha): terra, atmosfera e céu. O Om é vida e bem-aventurança, é aquele que elimina a dor. O agnikunda, lugar onde arde o fogo, representa o próprio universo. O fogo consume as oferendas e purifica o ambiente e as pessoas.

IV - Agni pradipana
Coloque mais alguns gravetos finos na fogueira para alimentá-la. Enquanto o fogo começa a arder, se faz este mantra:

Om udbudhya svagne pratijagrhi
tvamishtapurte samsrije-tham ayam cha
asmin tasadhasthe adhyttar asmin
vishvedeva yaja manashcha sidata.

Tradução

Om. Que o fogo desperte e se eleve.
Que o Ser, junto com o purohit e estas pessoas,
realizem trabalhos pelo bem-estar individual e pelo de todos.
Que as pessoas que estão aqui sentem junto com o purohit.
Yajur Veda, XV:54

Significado

Om. Que o fogo, símbolo da inteligência e a realização, cresça no interior das pessoas. Que os nossos amigos trabalhem junto conosco pelo interesse social e pessoal. Que nos apoiemos incondicionalmente no caminho do crescimento. O purohit é o oficiante da cerimônia.

V - Tri samidadhana
Oferecem-se ao fogo três gravetos finos molhados em ghee. O primeiro, com este mantra:

Om ayam ta idhma atma
jata veda stene dhyasva
vardhasva cheddha vardhaya
chasman prajaya pashubhir
brahma varcha senan na dyena
samedhaya svaha
idam agnaye jata vedase idam na mama.

Tradução

Om. Fogo, iluminador e senhor de todo o existente,
este graveto é teu corpo.
Que possas crescer e alimentar tua luz com ele.
Ilumine-nos e enriqueça-nos com uma boa prole,
gado, glória e alimento saudável.
Mentalizamos por todos (svaha).
Esta oblação é para o fogo. Não para mim
Ashvalayana Grihasta Sutra, I:10.12

Significado

Om, fonte da energia simbolizada pelo fogo, expressamos aqui o nosso desejo de abandonar nossos objetivos egoístas oferecendo combustível ao fogo e negando nossa possessividade. Trabalhemos pelo bem de todos os seres vivos. Que nunca falte o necessário para vivermos uma vida feliz.

O segundo graveto, com estes dois mantras, no segundo svaha:

Om samidhagnim duvasyat ghritair-bodhayat
atithim asmin havya juhotana svaha
idam agnaye idam na mama.

Om susamiddhvaya shochishe ghritam
tibram juhotana agnaye jata vedase svaha
idam agnaye jata vedase idam na mama.

Tradução

Om. Alimente o fogo com madeira seca.
Receba o convidado (Agni) com manteiga clarificada.
Coloque depois as oferendas.
Tudo está perfeitamente bem.
Isto é para o fogo. Não para mim.

Om. Ofereça manteiga clarificada
e quente ao fogo onipresente.
Tudo está perfeitamente bem.
Isto é para o fogo. Não para mim.
Yajur Veda, III:1-2

Significado

Alimentamos o fogo resplandescente, não para atingir os nossos fins egoístas, senão para beneficiar todos os seres vivos. Que tenhamos sucesso nessa tarefa. As oferendas são um símbolo dessa nossa disposição. Elas queimam e se dispersam no ambiente para purificar a atmosfera e concretizar as nossas intenções. Que possamos dedicar o melhor de nós para o bem-estar coletivo.

O fogo envolve as partículas sutis das substâncias oferecidas e as desintegra. Essas partículas se misturam à energia vital do ambiente, para purificá-lo. Que este ato possa trazer saúde, prosperidade e felicidade para todos.

O terceiro, com este mantra:

Om tantva samidbhir agniro
ghritena varddhaya amasi
brihachocha yavishthya svaha
idam agnaye agnirase idam na mama.

Tradução

Om. Ó fogo vivificante, te alimentamos
com madeira seca e ghee para que possas brilhar.
Tudo está perfeitamente bem.
Esta oferenda é para o fogo. Não para mim.
Yajur Veda, III:3

Significado

O fogo envolve as partículas sutis das substâncias oferecidas e as desintegra. Essas partículas se misturam à energia vital do ambiente, para purificá-lo. Que este ato possa trazer saúde, prosperidade e felicidade para todos.

VI - Pañcha ajyahuti
Depois fazem-se cinco oferendas de ghee, repetindo cinco vezes este mantra:

Om ayam ta idhma atma
jata veda stene dhyasva
vardhasva cheddha vardhaya
chasman prajaya pashubhir
brahma varcha senan na
adyena samedhaya svaha
idam agnaye jata vedase idam na mama.

Tradução

Om. Fogo, iluminador e senhor de todo o existente,
esta manteiga é teu sangue.
Que possas crescer e alimentar tua luz com ela.
Ilumine-nos e enriqueça-nos com uma boa prole,
gado, glória e alimento saudável.
Mentalizamos por todos (svaha).
Esta oblação é para o fogo. Não para mim.
Ashvalayana Grihasta Sutra, I:10.12

Significado

Este mantra se repete, com a diferença que antes idhma significava graveto, e neste contexto significa ghee. Essa palavra encaixa nos dois contextos, pois idhma significa etimologicamente inflamar, e ambos os elementos, madeira e manteiga, servem para esse propósito.

VII - Jala-prasechana
Se fazem estes quatro mantras aspergindo água em torno do altar.

No lado leste:

1. Om adite anumanyasva.

No lado oeste:

2. Om anumate anumanyasva.

No norte:

3. Om sarasvati anumanyasva.

Em todos os lados:

4. Om deva savitah pra suva yajñam
pra suva yajñapatim bhagaya
divyo gandharvah ketapuh ketannaha
punatu vachaspatir vacham nah svadatu.

Tradução

1. Om. Ó Mãe infinita, favoreça-nos.
2. Om. Ó Mãe reconciliação, favoreça-nos.
3. Om. Ó Mãe iluminadora, favoreça-nos.
Gobhila Grihasta Sutra, I:31-33 4.

4. Om. Aceite o nosso sacrifício
e leve o sacrificador para a prosperidade.
Que o resplandecente sustentador da terra,
o purificador dos pensamentos, purifique os nossos.
Que o Senhor da Palavra torne doces (eloqüentes)
as nossas línguas (os nossos discursos).
Yajur Veda, XXX:1

Significado

Que a água, que tem o poder da coesão, guarde o nosso fogo sacrifical no leste.
Que a água, que beneficia a todos, proteja o nosso fogo no oeste.
Que a água que flui conserve o fogo no norte.
Que as águas nos motivem a agir corretamente.
Que purifiquem os nossos corpos e os nossos pensamentos.

VIII - Aghara vahuti
Duas oferendas de ghee para o fogo, junto com estes mantras. A primeira no norte (lado esquerdo do agnikunda), a segunda no sul (lado direito):

1. Om agnaye svaha idam agnaye idam na mama.
2. Om somaya svaha idam somaya idam na mama.

Duas oferendas de ghee no centro do fogo:

3. Om prajapataye svaha idam prajapataye idam na mama.
4. Om indraya svaha idam indraya idam na mama.

Tradução

1. Om. Para Agni. Svaha. Isto é para o fogo. Não para mim.
2. Om. Para o Abençoado. Svaha. Isto é para Soma. Não para mim.
3. Om. Para o Senhor das Criaturas. Svaha. Isto é para Prajapati. Não para mim.
4. Om. Para o Senhor Resplandescente. Svaha. Isto é para Indra. Não para mim.
Gobhila Grihasta Sutra, I:8,24; I:8,4-5

Significado

Que todas as criaturas alcancem a felicidade através deste ato. Oferecemos estas oblações às forças da natureza como um símbolo da nossa intenção de aniquilar o egoísmo.

IX - Homa-karana mantras
Quatro oblações de ghee, doces e samagri (mistura de ervas medicinais), oferecidas com os dedos polegar, médio e anular da mão direita, junto com os quatro seguintes mantras. Para o agnihotra matinal:

1. Om suryo-jyotir jyotih-surya svaha.
2. Om suryo-varcho jyotir-varchah svaha.
3. Om jyotih-suryah suryo-jyotih svaha.
4. Om sajurdevena savitra sajur ushasendra vatya jushanah suryovetu svaha.

Tradução

1. Om. Sol, a Luz. Luz, o Sol. Svaha.
2. Om. Sol, o Brilho. Luz, o Brilho. Svaha.
3. Om. Luz, o Sol. Sol, a Luz. Svaha.
4. Que o Sol que ilumina, junto com a Força criadora
e a aurora, se sintam felizes de vir aqui e desfrutar. Svaha.
Yajur Veda, III:7-8

Significado

O Sol representa a luz e o resplandor da Consciência. Ele é a fonte da luz e da vida que anima o mundo. O mundo do que se move e o do que permanece imóvel dependem dele. Ele é a fonte da ação e do movimento. Que através destas oferendas nunca nos faltem ação e movimento. Que o Sol e a aurora resplandescente aceitem essas oferendas. Que este seja um ótimo dia para todos.

Para o agnihotra vespertino:

1. Om agnir-jyotir jyotih-agnir svaha.
2. Om agnir-varcho jyotir-varchah svaha.
3. Om agnir-jyotir jyotir-agnir svaha.
4. Om sajurdevena savitra saju ratryendra vatya jushano agnirvetu svaha.

Tradução

1. Om. Fogo, a Luz. Luz, o Fogo. Svaha.
2. Om. Fogo, o Brilho. Luz, o Brilho. Svaha.
3. Om. Fogo, a Luz. Luz, o Fogo. Svaha.
4. Om. Que o fogo, junto com a Força criadora
e a noite, se sintam felizes de vir aqui e desfrutar. Svaha.
Yajur Veda, III:9-10

Significado

O fogo representa a luz da Inteligência. O resplandor do fogo representa o brilho da Consciência. As três fontes de luz e energia são o Sol no céu, a energia dos trovões na atmosfera e o fogo sobre a terra. À noite, dependemos do fogo e do calor. Que este fogo sagrado aceite as nossas oferendas e as esparja na atmosfera. Que esta seja uma ótima noite para todos. O terceiro mantra se faz mentalmente. Só se pronuncia o Om e o svaha.

X - Ubhaykalik mantrah
Estes são os oito mantras finais, que se fazem em ambos os agnihotras, matutino e vespertino, oferecendo samagri e ghee ao fogo a cada vez que se repete a interjeição svaha (tudo está bem).

1. Om bhur agnaye pranaya svaha
idam agnaye pranaya idam na mama.

2. Om bhuvar vayave apanaya svaha
idam vayave apanaya idam na mama.

3. Om svaradityaya vyanaya svaha
idam svaradityaya vyanaya idam na mama.

4. Om bhur bhuvah svar agni vay vaditye
bhyah prana apana vyane bhyah svaha
idam agnaye vay vaditye bhyah
prana apana vyane bhyah idam na mama.

5. Om apo jyoti raso amritam
brahma bhur bhuvah svar Om svaha.

6. Om yam medham devaganah pitarash
chopasate taya mamadya medhaya
agne medhavinam kuru svaha.

7. Om vishvani deva davitar duritani para
suva yad bhadram tanna a suva svaha.

8. Om agne naya supatha raye asman
vishvani deva vayunani vidvan yuyo
dhyas majjuhura anameno bhuyishtham
te nama uktim vidhema svaha.

Tradução

1. Om. Para a causa da existência (bhur),
para Agni. Para o prana. Svaha.
Isto é para Agni e o prana. Não para mim.

2. Om. Para a causa do devir (bhuva),
para Vayu. Para apana. Svaha.
Isto é para Vayu e apana. Não para mim.

3. Om. Para a causa produtora de bem-aventurança (svah),
para Aditya (o Sol). E para vyana (o ar vital). Svaha.
É para o Sol e para vyana. Não para mim.

4. Om. Para bhur, bhuva e svah;
para Agni, Vayu e Aditya; portadores da natureza
do prana, do apana e do vyana. Svaha.
Isto é para Agni, Vayu e Aditya.
E para prana, apana e vyana. Não para mim.

5. Om. Para as águas, a luz e a doçura (o amor).
Para a imortalidade, para Brahma.
Para bhur, bhuva e svah. Om. Svaha.

6. Om. Dê-nos sabedoria hoje.
Dê-nos o conhecimento que os sábios e ancestrais
tanto valoram e desejam.
Yajur Veda, XXXII:14

7. Om. Que possamos ver-nos livres de doenças e maldade.
Que tenhamos tudo o que for bom e benéfico. Svaha.
Yajur Veda, XXX:3

8. Om, que possas nos conduzir no caminho da prosperidade.
Que possamos nos manter afastados do mal.
Com humildade, te oferecemos esta respeitosa homenagem. Svaha.
Yajur Veda, XL:16

Significado

1. Que estas oblações, dirigidas ao fogo terrestre, possam dar vitalidade para todos os seres. Que todas as criaturas do universo se beneficiem com este ato.

2. Que estas oferendas alcancem o ar vital, que elimina o sofrimento dos seres vivos. Que o vento carregue as substâncias purificadoras para levar saúde e prazer a todos os organismos vivos. Este ato é para o benefício de todos, não apenas o nosso.

3. Que estas oblações oferecidas por nós alcancem o Sol que nos dá vida, calor e felicidade. Que as substâncias purificadoras cheguem até ele e se combinem com a energia solar para purificar o espaço inteiro. Este ato é para o benefício de todo o universo.

4. Estas oferendas são para o fogo terrestre, o ar da atmosfera e o Sol celestial, para que todos respirem com vitalidade, para que todos eliminem as aflições e sejam felizes. Que os agentes naturais levem a minha oferenda para os quatro cantos do universo. Que todos e cada um se beneficiem dela. Humildemente ofereço esta oblação (svaha) para o benefício da humanidade. Isto é para a humanidade, não para mim. O poder da vida onipresente, o prana, se manifesta em todos os planos da criação (bhur, bhuva, svaha): na terra, ele aparece como o fogo que aquece, nutre e anima. Na região atmosférica se manifesta como o ar que sustenta a vida. No céu, é visível na forma do Sol, fonte de calor e energia.

5. O Om é onipresente, é a causa de todas as formas de vida, o aniquilador da dor e a fonte de toda felicidade. Oferecemos esta oblação ao Om eterno, como retribuição pela vida que temos.

6. Assim como os rishis e os protetores da sociedade da antigüidade obtiveram iluminação e sabedoria eternas através da prática, que nós possamos igualmente tê-las e afastar as trevas da ignorância.

7. O Om é a força geratriz do universo. Através dessa concientização dissipam-se a miséria existencial e o mal. Que obtenhamos todas as virtudes e que possamos continuar no caminho do crescimento.

8. Que através desta prática agucemos as nossas faculdades intelectuais para que elas possam nos ajudar a continuar no caminho da verdade e afastados da maldade. Que fiquemos a cada dia mais próximos da emancipação.

Aqui se fazem um (ou vários) japa mala(s) de 11, 54 ou 108 repetições de Gayatri e/ou Triyambaka mantra:

Om bhur bhuva svaha
tat savitur varenyam
bhargo devasya dhimahi
dhyo yo nah prachodayat
svaha.

Tradução

Om. Contemplemos o excelente esplendor
de Savitri, o divino Sol vivificante
presente na terra, na atmosfera e no céu.
Que ele inspire a nossa visão (conhecimento intuicional).
Svaha.
Rig Veda, III:62

Significado

Bhur, bhuva e svaha são os três planos da existência. Na teoria vêdica das equivalências (bandhu), essa divisão tripartida do universo tem muitos níveis de significados. Refere-se aos três mundos: o do infinitamente grande, o humano, e o do infinitamente pequeno; aos três gunas, as três qualidades da natureza: inércia, ação e equilíbrio (tamas, rajas e sattwa); ou, ainda, ao paralelo que existe entre as estruturas da consciência e da Natureza. Ou seja, assim como é acima, assim é embaixo; o macrocosmos reflete o microcosmos, etc. Savitri, o Sol, é símbolo da consciência e ao mesmo tempo da kundalini. O Gayatri mantra se faz para celebrar a existência e harmonizar-nos com o poder de transformação presente na natureza. Este mantra é um convite à contemplação da força que move o macrocosmos, o microcosmos e o homem.

Om triyambakam yajamahe
sugandhim pushtivardhanam
urva rukam iva bandhanan
mrityor mukshiya mamritat
svaha.

Tradução

Om. Peço àquele que tem três olhos (Shiva),
o mestre dos sentidos e sustentador de tudo o que cresce,
que me liberte do ciclo de condicionamentos e mortes.
Assim como a fruta cai quando está madura,
me leve da morte à imortalidade.
Svaha.
Rig Veda, VII:59-12

As oblações finais
Ao fazer estes três últimos mantras, verta o resto do samagri e o ghee no fogo:

9. Om sarvam vai purnam svaha
Om sarvam vai purnam svaha
Om sarvam vai purnam svaha.

10. Om shantih shantih shantihi. Hari Om.

Tradução

9. Tudo está perfeitamente bem no mundo.

10. Om paz, paz, paz. Hari Om.

Com essas últimas três oblações conclui o yajña. Entretanto, após o final, se faz ainda o shantipath, invocação de paz. Path significa repetição em voz alta, invocação ou recitação. Existem vários shantipaths nos Vedas e nas Upanishads. Apresentamos aqui os mais conhecidos e largamente usados. Como os outros mantras, o shantipath deve fazer-se com os olhos fechados, concentrando-se na vibração do som no interior da cabeça, no significado do mantra e, principalmente, na intenção e no que você quer obter dele. No caso, paz. Muita paz para todos.

Asato ma sadgamaya
tamaso ma jyotirgamaya
mrityor ma amritam gamaya
sarvesham svasti bhavatu
sarvesham shantir bhavatu
sarvesham purnam bhavatu
sarvesham mangalam bhavatu
loka samasta sukhino bhavantu.

Tradução

Conduza-me da falsidade à verdade.
Da escuridão (ignorância) à luz.
Da morte à imortalidade.
Que todos tenham saúde.
Que todos vivam em paz.
Que todos vivam em plenitude.
Que todos tenham uma vida auspiciosa.
Que o universo viva em estado de felicidade.
Brihad Aranyaka Upanishad, I:3, 28

Om dyauh shantir antariksham
shantih prithivi shantir apah
shantir aushadhayah shantih
vanaspatayah shantir vishvedeva
shantir brahma shantir sarvam
shantih shantir eva shantih sa ma
shantir edhi.

Tradução

Om. Que haja paz no céu.
Que haja paz na atmosfera.
Que haja paz na terra.
Que as águas tragam paz para todos.
Que as ervas medicinais tragam paz para todos.
Que as plantas tragam paz para todos.
Que as forças da natureza e os sábios dêem paz para todos.
Que a paz e a harmonia reinem no universo inteiro.
Que a paz, somente a paz, prevaleça em todos os lugares.
Que eu também tenha essa paz.
Yajur Veda, XXXVI:17

Ou ainda pode fazer-se o Shanti mantra:

Om sahanavavatu
sahanaubhunaktu
sahavíryam karva vahai
tejasvinavadhitamastu
ma vidvishavahai
Om shanti shanti shantihi.

Tradução

Que todos estejamos protegidos e unidos.
Que todos estejamos nutridos e unidos.
Que possamos trabalhar juntos,
unindo nossas forças pelo bem da humanidade.
Que nosso saber seja luminoso e realizador.
Que não exista inimizade entre nós.
Om. Que haja paz, paz, paz.
Taittiriya Upanishad, Brahmavalli

No final da prática, com as palmas das mãos voltadas para as chamas, mentalize que você recolhe de volta tudo o que foi purificado no fogo. Lembre que yajña é o mesmo que Yoga. Yajña significa sacralização, consagração. O trabalho do Yoga passa por sacrificar tudo o que for exterior e inferior, facilitando o caminho para que se manifeste a nossa verdadeira natureza profunda.

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Extraído do livro Yoga Prático, de Pedro K