Por favor, preencha a atmosfera com a vibração sublime dos Santos Nomes:
Hare Krsna Hare Krsna Krsna Krsna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A Testemunha Infalível e os Verdadeiros Problemas da Vida


A Testemunha Infalível e os Verdadeiros Problemas da Vida

O tema que vamos tratar agora é o mais sublime: a glorificação do santo nome de Deus. Isto foi discutido por Maharaja Pariksit e Sukadeva Gosvami, em relação a um brahmana que estava muito caído e viciado em todo tipo de atividades pecaminosas, mas que foi salvo simplesmente por cantar o santo nome de Krishna. Este episódio se encontra no Sexto Canto do Srimad-Bhagavatam.

Os sistemas planetários do Universo são muito bem descritos no Quinto Canto do Srimad-Bhagavatam. Dentro do Universo, existem certos planetas que são infernais. Na verdade, não só no Bhagavatam, mas em todas as escrituras religiosas há descrições do céu e do inferno. No Srimad-Bhagavatam, indica-se onde estão esses planetas infernais e a que distância estão deste planeta, da mesma maneira que uma pessoa pode receber informações da astronomia moderna. Os astrônomos calcularam a distância que há entre aqui e a Lua, e a distância entre a Terra e o Sol; de forma semelhante, no Bhagavatam há descrições dos planetas infernais.

Mesmo neste planeta experimentamos diferentes condições atmosféricas. Nos países ocidentais próximos ao Polo Norte, o clima é diferente do clima da Índia, que se encontra perto do equador. Assim como há diferenças na atmosfera e nas condições de vida neste planeta, existem muitos planetas que possuem diferentes atmosferas e condições de vida.

Após ouvir a descrição dos planetas infernais dada por Sukadeva Gosvami, Pariksit Maharaja disse:

adhuneha maha-bhaga

yathaiva narakan narah

nanogra-yatanan neyat

tan me vyakhyatum arhasi

“Senhor, ouvi-Vos falar sobre os planetas infernais. Os homens muito pecaminosos são enviados a tais planetas”. (Srimad-Bhagavatam 6.1.6) Pariksit Maharaja é um vaisnava (devoto), e o vaisnava sempre sente compaixão pela aflição e sofrimento de seus semelhantes. Ele fica muito aflito com o sofrimento dos outros. Quando o Senhor Jesus Cristo apareceu, por exemplo, estava sumamente entristecido pelas condições de sofrimento em que as pessoas se encontravam. Todos os vaisnavas, ou devotos — qualquer pessoa consciente de Deus, ou consciente de Krishna — são assim compassivos, seja qual for o país ou religião a que pertençam. Portanto, blasfemar um vaisnava, um pregador das glórias de Deus, é uma grande ofensa.

Krishna, Deus, nunca tolera as ofensas cometidas aos pés de lótus de um vaisnava puro. Contudo, o vaisnava está sempre pronto a perdoar tais ofensas. Krpambudhi: o vaisnava é um oceano de misericórdia. Vancha-kalpa-taru: todo mundo tem desejos, mas o vaisnava pode satisfazer todos os desejos. Kalpa-taru significa “árvore-dos-desejos”. Existe uma árvore no mundo espiritual que se chama “árvore-dos-desejos”. Neste mundo material, da mangueira só se pode obter manga, mas, em Krishnaloka, assim como em todos os planetas espirituais ou Vaikunthas, todas as árvores são espirituais e satisfazem todos os nossos desejos. Isso é descrito no Brahma-samhita: cintamani prakara-sadmasu kalpa-vrksa.

O vaisnava recebe o nome maha-bhaga, que significa “afortunado”. Aquele que se torna um vaisnava e que é consciente de Deus é sumamente afortunado.

Chaitanya Mahaprabhu explicou que as entidades vivas vagueiam em diferentes espécies de vida, em diferentes sistemas planetários por todas as partes do Universo. A entidade viva pode ir a qualquer parte — ao inferno e ao céu — como queira e como se prepare. Existem muitos planetas celestiais, muitos planetas infernais e muitas espécies de vida. Existem 8.400.000 espécies de vida. A entidade viva vaga, errando através dessas espécies e criando corpos conforme a mentalidade que possui na vida presente. “Cada um colhe aquilo que semeia” — essa é a lei que rege esta situação.

Chaitanya Mahaprabhu diz que dentre todas essas inúmeras entidades vivas que viajam pelo mundo material, uma é afortunada, não todas. Se todas fossem afortunadas, todas teriam iniciado o cultivo da consciência de Krishna. O conhecimento sobre Krishna está sendo distribuído livremente em todas as partes. Mas por que as pessoas não o aceitam? Porque são desafortunadas. Por isso, Chaitanya Mahaprabhu diz que só aqueles que são afortunados se ocupam neste processo da consciência de Krishna e atingem uma vida agradável, feliz e plena de conhecimento.

É dever do vaisnava ir de porta em porta para tentar fazer com que as pessoas desafortunadas se tornem afortunadas. O vaisnava pensa: “Como essas pessoas podem ser salvas de sua vida infernal?” Esta foi a pergunta de Parksit Maharaja. “Senhor”, disse ele, “Disseste-me que, devido às atividades pecaminosas de uma pessoa, ela é colocada numa condição de vida infernal ou em um sistema planetário infernal. Pois bem, quais são os métodos purificatórios pelos quais tais pessoas podem se salvar?” Esta é uma pergunta muito importante. Quando um vaisnava vem, quando o próprio Deus vem, quando o filho de Deus vem ou Seus devotos muito íntimos vêm, sua única missão consiste em salvar os pecadores que estão sofrendo. Eles sabem como fazê-lo.

Ao se encontrar com o Senhor Nrsimhadeva, Prahlada Maharaja disse: “Meu querido Senhor, não estou muito ansioso acerca de minha própria liberação”. (Srimad-Bhagavatam 7.9.43) Os filósofos mayavadis preocupam-se muito em que sua própria salvação não seja interrompida. Eles pensam: “Se eu for pregar terei de me associar com outras pessoas e pode ser que eu caia, e então toda a minha iluminação desaparecerá”. Por isso, eles não vão pregar. Só os vaisnavas vão, com o risco de cair — mas não caem. Eles podem até mesmo ir ao inferno para libertar as almas condicionadas. Esta é a missão de Prahlada Maharaja. Ele diz: “Não me preocupo muito em ter de viver neste mundo material”.

Prahlada Maharaja também disse: “Eu não me preocupo comigo mesmo, pois de alguma maneira fui preparado para sempre estar consciente de Krishna”. Como ele está consciente de Krishna, tem certeza de que em sua vida seguinte irá para Krishna. O Bhagavad-gita afirma que se a pessoa executar cuidadosamente os princípios reguladores do cultivo da consciência de Krishna com toda a certeza alcançará o destino supremo em sua vida seguinte.

Prahlada Maharaja continua dizendo: “Para mim, só há uma fonte de ansiedade”. Note bem que, apesar de não ter nenhuma ansiedade em relação a si próprio, ainda assim ele tinha ansiedades. Ele disse: “Fico angustiado por aquelas pessoas que não são conscientes de Krishna. Essa é a minha ansiedade. No que diz respeito a mim, não tenho ansiedades, mas estou pensando naqueles que não são conscientes de Krishna”. Por que não são conscientes de Krishna? Maya-sukhaya bharam udvahato vimudhan. Estes patifes criaram uma vida falsa em prol de uma felicidade temporária.

Maya-sukhaya. Na verdade, isto é um fato. Temos uma civilização falsa. Todos os anos fabricam-se muitos automóveis e com este propósito tem-se que construir muitas estradas. Isso cria problemas e mais problemas. Por isso, maya-sukhaya, felicidade ilusória; e, não obstante, estamos tentando ser felizes desta maneira. Estamos tentando criar alguma maneira de sermos felizes, mas isto só traz outros problemas adicionais.

Atualmente, existem muitos e muitos automóveis, mas isto não resolve nenhum problema. Automóveis foram fabricados para ajudar a resolver os problemas da vida, mas eu experimentei que isto tem criado mais problemas. Quando meu discípulo Dayananda quis levar-me a um médico em Los Angeles, tive de sofrer o incômodo de viajar cinquenta quilômetros para que pudesse ser atendido.

Pode-se voar de Nova Iorque a Boston em uma hora, mas leva-se mais que isso apenas para chegar ao aeroporto. Esta situação chama-se maya-sukhaya. Maya significa “falso”, “ilusório”. Estamos tentando criar uma situação muito cômoda, mas acabamos criando outra situação incômoda. Assim funciona o mundo material. Se não nos sentirmos satisfeitos com as comodidades naturais oferecidas por Deus e pela natureza e desejarmos criar comodidades artificiais, então também teremos de criar algum incômodo. A maioria das pessoas não sabe disso. A maioria das pessoas pensa que está numa situação muito boa, mas na verdade está viajando oitenta quilômetros para ir ao trabalho ganhar a vida e mais oitenta para voltar. Devido a estas condições, Prahlada Maharaja diz que esses vimudhas — essas pessoas materialistas, esses patifes — criaram um fardo desnecessário para si próprios, somente para conseguir felicidade temporária. Vimudhan, maya-sukhaya bharam udvahato. Portanto, na civilização védica se recomenda que a pessoa se liberte da vida material, adote sannyasa, a ordem de vida renunciada, e prossiga na vida espiritual sem absolutamente nenhuma angústia.

Se a pessoa pode cultivar a consciência de Krishna na vida familiar isto é muito bom. Bhaktivinoda Thakura era um chefe de família, um magistrado, e ainda assim executou serviço devocional muito bem. Dhruva Maharaja e Prahlada Maharaja eram grhasthas, casados, mas foram treinados de tal maneira que mesmo casados não tiveram nenhuma interrupção no seu serviço. Portanto, Prahlada Maharaja disse: “Eu aprendi a arte de permanecer sempre consciente de Krishna”. Qual é esta arte? Tvad-virya-gayana-mahamrta-magna-cittah: simplesmente glorificar as atividades e os passatempos gloriosos do Senhor. Virya significa “muito heroico”.

As atividades de Krishna são heroicas. Vocês podem ler sobre elas no livro Krishna, a Suprema Personalidade de Deus. O nome de Krishna, Sua forma, Suas atividades, Seus associados e todas as outras coisas relacionadas a Ele, são heroicas. Prahlada Maharaja disse em relação a isto: “Eu estou certo de que, aonde quer que eu vá, poderei sempre glorificar Suas atividades heroicas e assim estar a salvo. Não há nenhuma possibilidade de que eu caia. Contudo, estou angustiado por essas pessoas que criaram um tipo de civilização em que estão sempre trabalhando tão arduamente. Estou pensando nelas”.

Prahlada disse também:

prayena deva munayah sva-vimukti-kama

maunam caranti vijane na parartha-nisthah

naitam vihaya krpanan vimumuksa eko

nanyam tvadasya çaranam bhramato 'nupasye

“Meu querido Senhor, existem muitos sábios e pessoas santas que estão muito interessados em sua própria liberação”. (Srimad-Bhagavatam 7.9.44) Munayah significa “pessoas santas” ou “filósofos”. Prayena deva munayah sva-vimukti-kamah: eles estão muito preocupados com sua própria liberação. Eles procuram viver em lugares solitários, como os Himalaias, não falam com ninguém e sempre têm medo de se misturar com as pessoas comuns da cidade, achando que ficarão perturbados, ou que talvez caiam. Eles pensam: “Melhor que eu me salve”.

Prahlada Maharaja lamenta o fato de estes grandes santos não irem à cidade, onde as pessoas criaram uma civilização em que há trabalho muito árduo dia e noite. Esses santos não são muito compassivos, mas Prahlada Maharaja ficava muito preocupado com essas pessoas que estão trabalhando árdua porém desnecessariamente, só para o gozo dos sentidos.

Mesmo que haja alguma razão para trabalhar tão arduamente, ainda assim as pessoas não sabem qual é. Tudo o que conhecem é a vida sexual. Ou vão a um espetáculo de strip-tease, ou a um clube de nudistas ou a algum lugar semelhante. Prahlada Maharaja disse: naitan vihaya krpanan vimumuksa eko, “Meu Senhor, não desejo salvação apenas para mim. A menos que eu leve todos estes patifes comigo, não irei”. Ele se recusa a ir ao reino de Deus sem levar consigo todas essas almas caídas. Assim é o vaisnava. Nanyam tvadasya saranam bhramato 'nupasye: “Meu único desejo é ensiná-los a como renderem-se a Vós. Isso é tudo. Este é o meu objetivo”.

O vaisnava sabe que tão logo uma pessoa se rende, seu caminho se abre. Naivodvije para duratyaya-vaitaranyas tvad-virya-gayana-mahamr ta-magna-cittah: “De uma maneira ou outra, que eles se prostrem ante Krishna”. Este é um método muito simples. Tudo o que temos de fazer é prostrar-nos ante Krishna com fé, e dizer: “Meu Senhor Krishna, por muito tempo, por vidas a fio, estive esquecido de Vós. Agora tomei consciência de Vós. Por favor, aceitai-me”.

Isso é tudo. Se alguém simplesmente aprende esta técnica e se rende sinceramente ao Senhor, seu caminho se abre imediatamente. Estes são os pensamentos filosóficos de um vaisnava. O vaisnava está sempre pensando de que maneira as almas condicionadas podem ser liberadas. Ele está sempre ocupado, elaborando planos deste tipo. Tome por exemplo os Gosvamis. Qual era a missão dos seis Gosvamis de Vrndavana, os discípulos diretos do Senhor Chaitanya? Srinivasacarya nos dá a resposta: “Os seis Gosvamis, a saber, Sri Rupa Gosvami, Sri Sanatana Gosvami, Sri Raghunatha Bhatta Gosvami, Sri Raghunatha Dasa Gosvami, Sri Jiva Gosvami e Sri Gopala Bhatta Gosvami, são muito peritos em estudar minuciosamente as escrituras reveladas, com o propósito de estabelecer princípios religiosos eternos para o benefício de todos os seres humanos. Eles estão sempre absortos no humor das gopis, e se dedicam ao transcendental serviço amoroso a Radha e Krishna”. (Sad-Gosvami-astaka 2)

Com compaixão vaisnava semelhante a esta, Pariksit Maharaja disse a Sukadeva Gosvami: “Você descreveu os diferentes tipos de condições de vida infernal. Agora, diga-me como podem ser libertados aqueles que estão sofrendo. Por favor, explica-me este assunto”.

adhuneha maha-bhaga

yathaiva narakan narah

nanogra-yatanan neyat

tan me vyakhyatum arhasi

(Srimad-Bhagavatam 6.1.6)

Nara significa seres humanos, ou aqueles que estão caídos. Narakan narah/ nanogra-yatanan neyat tan me: “Como podem ser libertados de sofrimentos tão atrozes e dores tão terríveis?” Assim é o coração do vaisnava.

Maharaja Pariksit disse: “De uma maneira ou outra, eles caíram nesta vida infernal. Mas isto não significa que devam permanecer nesta condição. Deve haver algum meio pelo qual possam ser salvos. Assim sendo, por favor, explica-me como isto é possível”.

Sukadeva Gosvami respondeu (Srimad-Bhagavatam 6.1.7): “Sim, já descrevi os diferentes tipos de condições infernais típicos de uma vida muito dolorosa e severa, mas é preciso aprender como neutralizar isso”.

Como isto pode ser feito? As atividades pecaminosas são cometidas de diferentes formas. Podemos cometer uma atividade pecaminosa, ou planejar cometê-la ao pensar: “Matarei este homem”. De qualquer maneira, é pecaminoso. Depois que a mente pensa, sente e deseja, surge a ação.

O código penal americano diz que se o cachorro de alguém late para outra pessoa na rua, isto é uma ofensa por parte do dono do cachorro. Ninguém deve ser assustado pelo latido de um cachorro e por isso cada um tem de cuidar muito bem do seu. O cachorro não é responsável, porque é um animal, mas devido a que o dono tomou o cão por seu melhor amigo, ele é responsável perante a lei. Se um cão estranho entra em sua casa, ele não pode ser morto, mas os donos podem ser denunciados e condenados.

Assim como o latido do cão é ilegal, semelhantemente, quando se diz algo ofensivo a outras pessoas, isso também é pecaminoso. É como latir. Portanto, as atividades pecaminosas são cometidas de muitíssimas maneiras. Pode ser que pensemos em atividades pecaminosas, ou que falemos algo pecaminoso ou que de fato realizemos algo pecaminoso; tudo isto é considerado atividade pecaminosa. Por conseguinte, tem-se que sofrer um castigo por essas atividades pecaminosas.

As pessoas não creem na vida após a morte, porque querem evitar este problema. Mas não podemos evitá-lo. Devemos agir conforme a lei ou seremos punidos. Da mesma forma, não posso fugir da lei de Deus. Isto não é possível. Posso enganar os outros, roubar e me esconder, salvando-me assim do castigo da lei do Estado, mas não posso escapar de uma lei superior: a lei da natureza. É muito difícil. Existem muitas testemunhas. A luz do dia é testemunha, a luz da Lua é testemunha e Krishna é a testemunha suprema. Não se pode dizer: “Estou cometendo este pecado, mas ninguém está me vendo”.

Krishna é a testemunha suprema, e Se encontra situado dentro do coração de cada um. Ele sabe o que cada um pensa ou faz. Ele também dá a facilidade para que as coisas possam ser feitas. Se alguém quer fazer algo para satisfazer seus sentidos, Krishna dá a facilidade para esta atividade. Isto está declarado na Bhagavad-gita. Sarvasya caham hrdi sannivistah: “Eu estou situado no coração de todos”. Mattah smrtir jnanam apohanam ca: “De Mim vêm a lembrança, o conhecimento e o esquecimento”.

Desta forma, Krishna nos dá uma oportunidade. Se alguém deseja Krishna, então Ele lhe dará a oportunidade de conhecê-lO, e se alguém não deseja Krishna, então Ele lhe dará a oportunidade de esquecer-Lhe. Se alguém deseja desfrutar a vida esquecendo-se de Krishna, esquecendo-se de Deus, então Krishna lhe dará toda a facilidade necessária para que a pessoa O esqueça, e se alguém deseja desfrutar a vida com consciência de Krishna, então Krishna lhe oferecerá a oportunidade de progredir no cultivo da consciência de Krishna. Isto está nas mãos de cada um.

Se pensarmos que podemos ser felizes sem consciência de Krishna, Krishna não Se opõe a nós. Após aconselhar Arjuna, Ele disse simplesmente: “Agora já lhe expliquei tudo. Você pode fazer o que desejar”. Arjuna respondeu imediatamente: “Agora cumprirei Vossa ordem”. Isto é consciência de Krishna.

Deus não interfere em nossa pequena independência. Se alguém quiser agir de acordo com a ordem de Deus, Deus o ajudará a fazê-lo. Mesmo que às vezes caia, ainda assim, caso se torne sincero — “Deste momento em diante, hei de permanecer consciente de Krishna e cumprir Suas ordens” — então Krishna certamente o ajudará. Sob todos os aspectos, mesmo que a pessoa caia, Ele a perdoará e dará mais inteligência. Esta inteligência dirá: “Não faça isto. Agora siga com seu dever”. Entretanto, se alguém desejar esquecer Krishna, se desejar ser feliz sem Krishna, Ele proporcionará tantas oportunidades que essa pessoa se esquecerá de Krishna vida após vida.

Pariksit Maharaja diz aqui: “Não é por eu dizer que Deus não existe que então Deus não existirá e que eu não serei responsável pelo que faço”. Esta é a teoria dos ateus. Os ateus não querem Deus porque estão sempre pecando; se eles aceitassem a existência de Deus, então se veriam forçados a estremecer ante a ideia do castigo. Em consequência disso, eles negam a existência de Deus. Este é o processo deles. Eles acham que, se não aceitarem Deus, não haverá castigo e eles poderão fazer tudo que desejarem.

Quando os coelhos são atacados por animais maiores, eles fecham os olhos, pensando: “Não vou ser morto”. Mas são mortos de qualquer maneira. De forma semelhante, pode ser que neguemos a existência de Deus e a lei de Deus, mas, ainda assim, Deus e Sua lei existem. Talvez alguém diga no Supremo Tribunal: “Não me preocupo com a lei do governo”, mas ele será forçado a aceitá-la.

Quem negar a lei estatal será preso e terá de sofrer. Da mesma maneira, pode ser que uma pessoa, por ignorância, censure a existência de Deus — “Deus não existe”, “Eu sou Deus” — mas, apesar disso, ela será responsável por todas as suas ações, tanto boas quanto más.

Há dois tipos de atividades: as boas e as más. Se alguém age bem e executa atividades piedosas, recebe boa fortuna, e se age pecaminosamente, tem de sofrer.

Há diferentes tipos de expiação. Se alguém comete algum pecado e o anula com outra coisa, isto constitui expiação. Há exemplos disto na Bíblia. Sukadeva Gosvami diz: “Você deve entender que é responsável pelo que faz, e, segundo a gravidade da vida pecaminosa, deve aceitar algum tipo de expiação, como está descrito nos sastras, as escrituras”.

Na realidade, assim como o doente deve ir ao médico e pagar os honorários como uma forma de expiação; segundo o modo de vida védica, há uma classe de brahmanas, à qual devemos recorrer para buscar a expiação prescrita, de acordo com os pecados que tenhamos cometido.

Sukadeva Gosvami diz que temos de executar a penitência prescrita de acordo com a gravidade de nossa vida pecaminosa. Ele continua o exemplo, dizendo: dosasya drstva guru-laghavam yatha bhisak cikitseta rujam nidana-vit. Quando a pessoa vai ao médico, este lhe prescreve um remédio caro ou barato, dependendo da gravidade da doença. Se ela só tem uma dor de cabeça, talvez o médico lhe prescreva uma aspirina, mas se tem algo grave, ele pode lhe indicar uma intervenção cirúrgica que custará milhares de dólares. Analogamente, a vida pecaminosa é uma condição doentia, e, portanto, deve-se seguir o tratamento prescrito para se recuperar a saúde.

A aceitação da cadeia de nascimentos e mortes é uma condição enferma da alma. A alma não nasce, nem fica doente, porque é espírito. Krishna diz no Bhagavad-gita (2.20): na jayate, a alma não nasce, e mriyate, não morre. Nityah sasvato 'yam purano/ na hanyate hanyamane sarire. A alma é eterna; não se perde com a dissolução deste corpo. Na hanyate significa que não é morta nem destruída, sequer após a destruição do corpo.

O que está faltando na civilização moderna é um sistema educacional que oriente as pessoas no que se refere ao que ocorre após a morte. Atualmente, temos a educação mais defeituosa de todas, porque, sem este conhecimento do que ocorre após a morte, morre-se como um animal. O animal não sabe que vai ter outro corpo. Ele não tem este conhecimento.

O objetivo da vida humana não é que o homem se torne um animal. Não devemos estar interessados somente em comer, dormir, ter vida sexual e nos defender. Pode ser que alguém tenha ótimas facilidades para comer, ou ótimos apartamentos para dormir, ou ótimas oportunidades para a vida sexual, ou muita força defensiva para sua proteção, mas isto não significa que este alguém seja um ser humano. Este tipo de civilização constitui vida animal. Os animais também estão interessados em comer, dormir e fazer sexo, e também se defendem à sua própria maneira. Então, qual é a diferença entre a vida humana e a vida animal, se a pessoa só se dedica a estes quatro princípios de natureza corpórea?

A diferença surge quando um ser humano se torna inquisitivo: “Por que fui colocado nesta condição desoladora? Existe algum remédio? Existe uma vida eterna? Eu não quero morrer. Quero viver feliz e pacificamente. Há alguma oportunidade para isto? Qual é este método? Qual é esta ciência?”. Quando estas perguntas se apresentam e se tomam medidas para respondê-las, isto é civilização humana; de outra forma, é civilização canina, civilização animal.

Os animais se satisfazem se podem comer, dormir, ter um pouco de sexo e defender-se. Na realidade, não existe defesa, pois ninguém pode proteger-se das mãos da morte cruel. Hiranyakasipu, por exemplo, quis viver para sempre e por isso se submeteu a austeridades severas. Hoje em dia, pretensos cientistas estão dizendo que, no futuro, deteremos a morte mediante meios científicos. Esta é uma declaração demente. Isto não é possível. Pode ser que alguém progrida bastante em relação ao conhecimento científico, mas não existe nenhuma solução científica para estes quatro problemas: nascimento, morte, velhice e doença.

Alguém que seja inteligente anseia por resolver estes quatro problemas fundamentais. Ninguém quer morrer, mas não há remédio. Tem-se que morrer. Todos estão muito ansiosos por deter o crescimento populacional, mediante muitos métodos anticoncepcionais, mas, ainda assim, o nascimento continua. Assim é que não há como deter o nascimento. Pode ser que alguém invente remédios modernos mediante seus métodos científicos, mas ninguém pode deter as doenças. Não é possível tomar um comprimido que elimine todas as doenças.

No Bhagavad-gita, afirma-se: janma-mrtyu-vyadhi-duhkha-dosanu-darsanam, alguém pode pensar que resolveu todos os problemas de sua vida, mas qual é a solução para estes quatro problemas: nascimento, morte, velhice e doença? A solução é o cultivo da consciência de Krishna.

No mesmo livro (Bhagavad-gita 4.9), Krishna diz também:

janma karma ca me divyam

evam yo vetti tattvatah

tyaktva deham punar janma

naiti mam eti so 'rjuna

Cada um de nós está abandonando seu corpo gradualmente. A última fase deste abandono denomina-se morte. Krishna, no entanto, diz: “Se alguém compreender Meu aparecimento, desaparecimento e atividades — não superficialmente, mas de fato —, após abandonar este corpo, nunca mais voltará a aceitar um corpo material”.

Que acontece com essa pessoa? Mam eti: regressa a Krishna. Se alguém quer ir até Krishna, então tem de preparar seu corpo espiritual. Isto é consciência de Krishna. Se nos mantivermos conscientes de Krishna, gradualmente estaremos preparando nosso corpo seguinte, um corpo espiritual, o qual nos levará de imediato a Krishnaloka, a morada de Krishna, e assim nos tornaremos felizes. Viveremos lá perpétua e alegremente.

Srimad-Bhagavatam Ki Jay


terça-feira, 3 de julho de 2012

Jesus Cristo Era Guru




O líder espiritual do movimento Hare Krsna reconhece aqui o Senhor Jesus Cristo como “o filho de Deus, o representante de Deus... nosso guru... nosso mestre espiritual”. Não obstante, tem algumas palavras duras para aqueles que atualmente se declaram seguidores de Cristo.

O Srimad-Bhagavatam afirma que qualquer pregador autêntico da consciência de Deus deve ter as qualidades de titikshava-karunika (tolerância e compaixão). No caráter do Senhor Jesus Cristo encontra­mos ambas essas qualidades. Ele era tão tolerante que mesmo enquanto estava sendo crucificado, não condenou ninguém. E era tão compassivo que orou ao Senhor para perdoar as muitas pessoas que estavam tentando matá-lo. (Evidentemente, elas não poderiam matá-lo realmente. Mas, por pensarem que ele poderia ser humano, estavam cometendo uma grande ofensa.) Enquanto Cristo estava sendo crucificado ele orava: “Pai, perdoai-os. Eles não sabem o que estão fazendo.”

Um pregador da consciência de Deus é um amigo para todos os seres vivos. O Senhor Jesus Cristo exemplificou isto ensinando: “Não matarás”. Mas os cristãos gostam de interpretar mal esta instrução. Eles acham que os animais não têm alma, e por isso acham que podem livremente matar bilhões de animais inocentes nos matadouros. Então, embora haja muitas pessoas que professem ser cristãs, seria muito difícil encontrar uma que siga estritamente as instruções do Senhor Jesus Cristo.

Um Vaishnavafica infeliz de ver o sofrimento dos outros. Por isso, o Senhor Jesus Cristo concordou em ser crucificado — para livrar os outros do sofrimento deles. Mas seus seguidores são tão infiéis que tomaram a seguinte decisão: “Que Cristo sofra por nós, e nós continuaremos pecando.” Eles amam tanto a Cristo que pensam: “Meu caro Cristo, somos muito fracos. Não podemos abandonar nossas atividades pecaminosas. Então, por favor, sofre por nós.”

Jesus Cristo ensinou: “Não matarás.” Mas agora seus seguidores decidiram: “Vamos matar mesmo assim,” e abrem grandes matadouros modernos e científicos. “Se houver algum pecado nisso, Cristo sofrerá por nós.” Esta uma conclusão muito abominável.

Cristo pode aceitar os sofrimentos pelos pecados anteriores de seus devotos. Mas primeiramente eles têm de ser sensatos: “Por que deveria eu fazer Jesus Cristo sofrer por meus pecados? Vou parar com minhas atividades pecaminosas.”

Suponhamos que um homem — o filho favorito de seu pai — cometa um assassinato. E suportamos que ele pense: “Se eu tiver que ser castigado, meu pai poderá sofrer por mim.” Acaso a lei permitirá isso? Quando o assassino for preso e disser: “Não, não. Soltem-me e prendam meu pai; eu sou seu filho predileto.” acaso os policiais acederão ao pedido desse tolo? Ele cometeu o assassinato, mas pensa que seu pai deve sofrer o castigo! Acaso esta é uma proposta sensata? Não. “Você cometeu o assassinato; você tem de ser enforcado.” De modo semelhante, quando você co­mete atividades pecaminosas, você tem de sofrer — e não Jesus Cristo. Esta é a lei de Deus.

Jesus Cristo era uma personalidade tão grandiosa — o filho de Deus, o representante de Deus. Ela não tinha defeitos. Mesmo assim, foi crucificado. Ele quis transmitir a consciência de Deus, mas, como retribuição, eles o crucificaram — como foram ingratos! Não souberam dar valor a sua pregação. Mas nós o sabemos e damos-lhe toda a honra devida ao representante de Deus.

Evidentemente, a mensagem que Cristo pregou estava em con­formidade com sua época, local e país particulares, e era adequada para um grupo particular de pessoas. Mas não resta dúvida de que ele é o representante de Deus. Por isso, adoramos o Senhor Jesus Cristo e oferecemos-lhe reverências.

Certa vez, em Melbourne, um grupo de ministros cristãos veio visitar-me. Eles perguntaram: “Que ideia tem o senhor de Jesus Cristo?” Eu lhe respondi: “Ele é nosso guru. Como ele está pregando a consciência de Deus, ele é nosso mestre espiritual.” Os ministros apreciaram muito isto.

Na verdade, qualquer pessoa que esteja pregando as glórias de Deus deve ser aceita como guru. Jesus Cristo é uma grande personalidade assim. Não devemos considerá-lo um ser humano comum. As escrituras dizem que qualquer um que considere o mestre espiritual um homem comum tem a mentalidade diabólica. Se Jesus Cristo fosse um homem comum, ele não poderia ter transmitido a consciência de Deus.

Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

Gurudeva Ki Jay



domingo, 1 de julho de 2012

Ratha-Yatra






O que é o Ratha-Yatra?


“Quando Krishna deixou Vrindavana, o vilarejo onde viveu até a adolescência, as gopis, jovens locais apaixonadas por Ele, sentiram demais a separação. Ao saber que Krishna, também conhecido como Jagannatha, o Senhor do Universo, estava na região de Kuruksetra com Seu irmão Baladeva e Sua Irmã Subhadra, as gopis foram ao seu encontro e tentaram levá-lo de volta a Vrindavana à força, puxando Sua quadriga com as próprias mãos.”

Ratha-Yatra é o famoso Festival de Carros que reproduz alegoricamente esta história. Ele acontece anualmente em Jagannatha Puri, Índia, no segundo dia de lua cheia do mês de Ashada (junho-julho), e é reproduzido em diferentes datas nas principais capitais do mundo.

O Senhor Jagannatha, Baladeva e Subhadra são reconhecidos como manifestações divinas do Senhor Krishna em forma de Deidades (estátuas). Eles são adorados em muitos templos Hare Krishna em todo o mundo e, durante este desfile, estas Deidades são levadas para um passeio nos carros.

No dia do festival, as Deidades são transportadas de uma maneira tradicional e cerimonial, retiradas do templo e colocadas em um carro estilizado. O carro assemelha-se a uma grande carruagem, e é construído pelos devotos do Senhor Krishna especialmente para esta ocasião.

Uma vez acomodadas as Deidades e iniciado o Festival, o carro é puxado com muita festa até o destino da procissão pelos devotos de Krishna, que consideram muito auspicioso puxar a corda que conduz as Deidades, e termina com uma grande distribuição de alimentos lacto-vegetarianos.



Quem é o Senhor Jagannatha?


O Senhor Jagannatha é uma deidade abstrata do Senhor Krishna, a Suprema Verdade Absoluta. Jagat significa "universo" e natha significa "Senhor". Assim, Jagannatha é conhecido como o Senhor do Universo, e desta maneira é adorado ao redor do mundo por seguidores das mais diversas religiões. Diz-se que Ele não tem pálpebras para poder estar sempre olhando pelo bem estar do mundo, que tem olhos tão grandes para poder melhor apreciar e captar a linda forma de Srimati Radharani, sua eterna consorte, e que Seus braços se projetam para frente porque Ele deseja sempre abraçar os Seus devotos.


As formas de Jagannatha, Baladeva e Subhadra estão incompletas porque o Senhor Jagannatha escolheu aparecer desta maneira, de modo a demonstrar que, mesmo quando Ele parece incompleto, Ele ainda assim é a toda, completa e adorável Suprema Verdade Absoluta.

Jay Jagannatha Haribol


terça-feira, 12 de junho de 2012

O Lápis



O Lápis

O menino viu a avó a escrever uma carta. A certa altura, perguntou:
- Avó, estás a escrever uma história que aconteceu conosco? E por acaso, é uma história sobre mim?

A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
- Estou a escrever sobre ti, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou a usar. Gostaria que fosses como ele, quando crescesses.

O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi na minha vida!

- Tudo depende do modo como olhas as coisas. Há cinco qualidades nele que, se as conseguires manter, serás sempre uma pessoa em paz com  o mundo.

Primeira qualidade: podes fazer grandes coisas, mas não deves esquecer nunca que existe uma Mão que guia os teus passos. Esta mão a que alguns chamam Consciência, sempre te conduz em direção ao que é correto.

Segunda qualidade: de vez em quando eu preciso parar o que estou a escrever e afiar o lápis. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas  no final, ele escreve melhor. É preciso saber suportar algumas dores, porque elas te farão ser uma pessoa melhor.

Terceira qualidade: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entende que corrigir uma coisa que fizemos, não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça.

Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou a forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, cuida sempre daquilo que acontece dentro de ti.

Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, tudo o que fizeres na vida irá deixar traços, e procura ser consciente de cada ação.



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Cuidado com a memória de sua casa!



CUIDADO COM A MEMÓRIA DE SUA CASA !
Franco Guizzetti


O padrão vibratório de uma casa tem relação direta com a energia e o estado de espírito de seus moradores. Tudo o que pensamos e fazemos, as escolhas, os sentimentos, sejam bons ou ruins, são energias. O resultado reflete nos ambientes, pessoas e situações.

O corpo é nossa primeira morada e nossa casa, sua extensão. É ela que nos acolhe, protege e guarda nossa história. Da mesma forma que limpamos, nutrimos e cuidamos da vibração de nosso corpo, devemos estender esses cuidados e carinhos ao lar. Mais que escolher o imóvel e enfeitá-lo com móveis e objetos - muitas vezes guiados apenas por modismos ou pura praticidade -, a elaboração da atmosfera de um ambiente é importante porque reflete a personalidade de seu dono, dando pistas sobre seus gostos, estilo de vida, história e sonhos.

Há quem acredite que, colocando cristais, sinos de vento, fontes, espelhos, instrumentos do feng shui, é possível atrair bons fluídos e equilíbrio para dentro de casa. Mas, é muito pouco, pois a personalidade de um ambiente vai além. Ela é conseguida dia após dia, não apenas com técnicas, mas com pequenos atos de carinho e com muita energia boa.

Além de atrair bons fluídos para nosso lar, temos todas as condições de criá-los no interior do próprio ambiente. O conjunto de pensamentos, sentimentos, estado de espírito, condições físicas, anseios e intenções dos moradores fica impregnado no ambiente, criando o que se chama de egrégora.

Você, com certeza, já esteve em uma residência ou ambiente onde sentiu um profundo bem-estar e sensação de acolhimento, independe da beleza, luxo ou qualquer outro fator externo. Essa atmosfera gostosa, sem dúvida, era dada principalmente pelo estado de espírito positivo de seus moradores. Infelizmente, hoje em dia, é muito mais corriqueiro entrarmos em ambientes que nos oprimem ou nos dão a sensação de falta de paz e, às vezes, até de sujeira, mesmo que a casa esteja limpa. A vontade é ir embora rapidamente, ainda que sejamos bem tratados.

O que poucos sabem é que as paredes, objetos e a atmosfera da casa têm memória e registram as energias de todos os acontecimentos e do estado de espírito de seus moradores. Por isso, quando pensar na saúde energética de sua casa, tome a iniciativa básica e vital de impregnar sua atmosfera apenas com bons pensamentos e muita fé. Evite brigas e discussões desnecessárias. Observe seu tom de voz: nada de gritos e formas agressivas de expressão. Não bata portas e tente assumir gestos harmoniosos, cuidando de seus objetos e entes queridos com carinho.

Não pense mal dos outros. Pragas, nem pensar! Selecione muito bem as pessoas que vão freqüentar sua casa. Festas, brindes e comemorações alegres são bem-vindas porque trazem alegria e muita energia, mas cuidado com os excessos. Nada de bebedeiras e muito menos uso de drogas, que atraem más energias.
Se você nutre uma mágoa profunda ou mesmo um ódio forte por alguém, procure ajuda para limpar essas energias densas de seu coração. Lembre-se que sua casa também pode estar contaminada.

Aprenda a fazer escolhas e determine o que quer para sua vida e ambiente onde mora. Alegria, amor, paz, prosperidade, saúde, amizades, beleza já estão bons para começar, não é mesmo?

Reflita sobre como você vive em sua casa, no que pensa, como anda seu humor e reclamações do seu dia-a-dia. Tudo isto interfere no seu astral.



quarta-feira, 11 de abril de 2012

Estágios da Compreensão



Estágios da Compreensão


"Pergunta: Existe uma progressão que é comum a todos os aspirantes? Quero dizer, todos passam pelos mesmos estágios?
Ramesh: Os Budistas têm um excelente sumário não apenas de como o iluminado vê o mundo, mas também de como o iluminado veio a ver da maneira como vê.

O sumário constitui-se de três estágios de compreensão. O primeiro grau de compreensão é a visão através de um individuo identificado. O segundo grau é quando há uma certa quantidade de compreensão. E finalmente, há a compreensão total.
 
Primeiro, as montanhas e os rios são vistos como montanhas e rios. O sujeito individual identificado está vendo um objeto. Esse é o envolvimento total. Isso é o que a pessoa ordinária faz.
 
Segundo, as montanhas e os rios não são mais vistos como montanhas e rios. Os objetos são vistos como sendo a objetivação refletida do sujeito. Eles são percebidos como objetos ilusórios na consciência e, portanto, irreais.
Finalmente, as montanhas e os rios são mais uma vez vistos como montanhas e rios. Isto é, ao ser despertado, eles são conhecidos como sendo a própria consciência manifestando-se como montanhas e como rios. O sujeito e os objetos não são vistos como separados.

Nesse sumário, as montanhas e os rios referem-se ao mundo em geral, incluindo-se a totalidade da população humana. O indivíduo identificado verá os objetos como um sujeito individual vendo objetos. Ele se considera uma entidade separada vendo outros objetos.
 
Ver outros objetos ou eventos cria reações nele, como um individuo. Assim, o organismo individual reage ao que é visto.
 
No segundo estágio, quando há o entendimento de que tudo isso é um sonho e irreal, a visão muda e ele começa a ver que nenhum evento realmente importa, ele os vê como irreais, pois como o sujeito, ele transcende a aparência. Uma aparência é algo que aparece na consciência.

Quando a compreensão surge nesse nível, há tanta apreciação dessa compreensão que o individuo frequentemente tem grande dificuldade em guardá-la para si. Ele sai por aí falando para o mundo: “tudo isso é irreal!”. Ao tentar falar para os outros que o mundo é irreal, ele quer mudar o mundo, ele vai por aí criando problemas para si mesmo. Esses problemas que esse segundo estágio traz só se resolvem no terceiro estágio.
No terceiro estágio, os objetos são vistos não por um indivíduo, nem por um objeto vendo um objeto, nem um sujeito vendo um objeto. E o percebedor real é realizado como aquilo que criou a aparência e como aquilo que reconhece a aparência. Eles são ambos o mesmo.
 
Nesse estágio, a realização última não é apenas que o mundo é irreal, mas que ao mesmo tempo o mundo é real! O mundo é irreal no sentido de que ele é dependente da Consciência para poder existir. Ele não tem existência dele próprio. O mundo deve sua existência ao fato de ser reconhecido na Consciência. Se todos os seres humanos e todos os animais de repente se tornassem inconscientes, quem diria que existe um mundo? O mundo não só não apareceria como também não existiria.

Pergunta: Você poderia explicar melhor essa idéia de realidade e irrealidade?
Ramesh: A analogia da sombra é frequentemente usada para explicar o “real” e o “irreal”. Uma sombra é irreal no sentido de que ela é dependente do sol para existir. Não obstante, como uma sombra, ela é real o bastante. Então é tanto real quanto irreal ao mesmo tempo. Toda a manifestação é dependente da Consciência para sua existência. A Consciência é inerente em todos os objetos, em toda a manifestação. A Consciência transcende a manifestação e ainda assim é imanente nela. A manifestação está contida dentro da Consciência.
No segundo estágio, antes que a compreensão final surja, todos os tipos de conceitos vêm a tona. É assumido que cabe ao indivíduo fazer esforços para unir-se com Deus. Naquele estágio do sujeito e do objeto, nirvana e samsara são tratados como sendo dois.

Portanto, eles falam em termos do oceano de samsara, miséria, que tem que ser atravessado. O jiva tem que cruzar aquele oceano e isso só pode ser feito ao fazer sadhana de um tipo ou de outro. Então, o buscador segue através do sadhana, toda uma série. Por anos ele pratica, por anos ele observa o que está acontecendo e encontra-se num estado de orgulho e auto-engano. Finalmente, quando ele se estabelece em contemplação, ele abandona tudo. Como os Sufis dizem, há uma espécie de cerimonia, uma queima de tudo o que ele aprendeu e tudo o que ele pensa que atingiu.

Então no terceiro estágio, é percebido que o mundo é tanto real quanto irreal. Quando essa compreensão chega, o conhecimento se estabelece e naquele organismo no qual a iluminação aconteceu não há mais nenhum desejo ativo de contar para o mundo sobre isso, de mudar o mundo. No terceiro estágio há uma aceitação do que É, tanto a imanência quanto a transcendência. Nirvana e Samsara não são dois. Samsara é a expressão objetiva do Nirvana.

Na compreensão final, o estado do 'sentido de existência' (beingness) acontece. Não é questão de ver algo. Tudo é aparência e essa aparência está sendo vista através do instrumento do organismo, através dos sentidos. Mas nenhum individuo jamais vê. Embora o individuo diga: 'eu posso ver as montanhas' é apenas porque a consciência está presente que isso pode ser dito. As montanhas realmente estão sendo vistas pela consciência, a qual também é a aparência! A totalidade da manifestação é meramente uma aparência criada na Consciência pela Consciência. A consciência atua e dirige todos os papéis dos bilhões de seres humanos. Cada personagem é atuado pela Consciência.
 
A questão: 'Por que este lila (jogo de Deus) existe?” é compreendida no estágio final. Portanto, naquele estágio, nenhum problema surge. O buscador não tem um desejo ardente de ensinar o mundo sobre aquilo que ele aprendeu porque a compreensão básica é que ele não aprendeu nada. A compreensão veio por si mesma como um presente de Deus, um presente da Totalidade, da Graça. Todas as palavras vêm depois. Quando a iluminação é aceita, não há a questão de uma “pessoa” considerando a si mesma sortuda. O indivíduo considera-se sortudo por ser iluminado apenas quando a iluminação não aconteceu realmente."
 
Ramesh Balsekar em Counsciousness Speaks
 
 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Já estamos no Cinturão de Fótons




Muito se fala de 2012, mas pouco efetivamente se conhece. Segue um texto rápido e esclarecedor, para desmistificar um pouco a profecia e trazer uma linguagem simples, ofertando ânimo extra para nossas ações como sincronizadores biosféricos.

O sistema solar gira em torno de Alcione, estrela central da Constelação de Plêiades. Esta foi a conclusão dos astrônomos Freidrich Wilhelm Bessel, Paul Otto Hesse, José Comas Solá e Edmund Halley, depois de estudos e cálculos minuciosos.


Nosso Sol é, portanto, a oitava estrela da constelação – localizada a aproximadamente 28 graus de Touro – e leva 26 mil anos para completar uma órbita ao redor de Alcione, movimento terrestre também conhecido como Precessão dos Equinócios.

A divisão desta órbita por doze resulta em 2.160, tempo de duração de cada era “astrológica” (Era de Peixes, Aquário, etc).

Descobriu-se também que Alcione tem à sua volta um gigantesco anel, ou disco de radiação, em posição transversal ao plano das órbitas de seus sistemas (incluindo o nosso), que foi chamado de Cinturão de Fótons.

Um fóton consiste na decomposição ou divisão do elétron, sendo a mais ínfima partícula de energia eletromagnética, algo que ainda se desconhece na Terra. Detectado pela primeira vez em 1961, através de satélites, a descoberta do cinturão de fótons marca o início de uma expansão de consciência além da terceira dimensão. A ida do homem à Lua nos anos 60 simbolizou esta expansão, já que antes das viagens interplanetárias era impossível perceber o cinturão.

A cada dez mil anos o Sistema Solar penetra por dois mil anos no anel de fótons, ficando mais próximo de Alcione. A última vez que a Terra passou por ele foi durante a “Era de Leão”, há cerca de doze mil anos.Na Era de Aquário, que está se iniciando, ficaremos outros dois mil anos dentro deste disco de radiação. Todas as moléculas e átomos de nosso planeta passam por uma transformação sob a influência dos fótons, precisando se readaptar a novos parâmetros.

A excitação molecular cria um tipo de luz constante, permanente, que não é quente, uma luz sem temperatura, que não produz sombra ou escuridão. Talvez por isso os hinduístas chamem de “Era da Luz” os tempos que estão por vir.

Desde 1972, o Sistema Solar vem entrando no cinturão de fótons e em 1998 a sua metade já estará dentro dele. A Terra começou a penetrá-lo em 1987 e está gradativamente avançando, até 2.012, quando estará totalmente imersa em sua luz. De acordo com as cosmologias maia e asteca, 2.012 é o final de um ciclo de 104 mil anos, composto de quatro grandes ciclos maias e de quatro grandes eras astecas.

Humbatz Men, autor de origem maia, fala em “Los Calendários” sobre a vindoura “Idade Luz”. Bárbara Marciniak, autora de “Mensageiros do Amanhecer”, da Ground e “Earth”, da The Bear and Company e a astróloga Bárbara Hand Clow, que escreveu “A Agenda Pleiadiana”, da editora Madras, receberam várias canalizações de seres pleiadianos.

Essas revelações falam sobre as transformações que estão ocorrendo em nosso planeta e nas preparações tanto físicas quanto psíquicas a que precisamos nos submeter para realizarmos uma mudança dimensional.

Segundo as canalizações, as respostas sobre a vida e a morte não estão mais sendo encontradas na terceira dimensão. Um novo campo de percepção está disponível para aqueles que aprenderem a ver as coisas de uma outra forma.

Desde a década de oitenta, quando a Terra começou a entrar no Cinturão de Fótons, estamos nos sintonizando com a quarta dimensão e nos preparando para receber a radiação de Alcione, estrela de quinta dimensão. Zona arquetípica de sentimentos e sonhos, onde é possível o contato com planos mais elevados, a quarta dimensão é emocional e não física. As idéias nela geradas influenciam e detonam os acontecimentos na terceira dimensão, plano da materialização.

Segundo as canalizações, a esfera quadri-dimensional é regida pelas energias planetárias de nosso sistema solar, daí um trânsito de Marte, por exemplo, causar sentimentos de poder e ira. Para realizar esta expansão de consciência é preciso fazer uma limpeza, tanto no corpo físico como no emocional, e transmutar os elementais da segunda dimensão a nós agregados, chamados de miasmas. Responsáveis pelas doenças em nosso organismo, os miasmas são compostos de massas etéricas que carregam memórias genéticas ou de vidas passadas, memórias de doenças que ficaram encruadas e impregnadas devido a antibióticos, poluição, química ou radioatividade.

Segundo as canalizações, esses miasmas estão sendo intensamente ativados pelo Cinturão de Fótons. Os pensamentos negativos e os estados de turbulência, como o da raiva, também geram miasmas, que provocam bloqueios energéticos em nosso organismo. Trabalhar o corpo emocional através de diversos métodos terapêuticos – psicológicos, astrológicos ou corporais – ajuda a liberar as energias bloqueadas. A massagem, acupuntura, homeopatia, florais, meditação, yoga, o tai-chi, algumas danças, etc., são também técnicas de grande efetividade, pois mexem com o corpo sutil e abrem os canais de comunicação com outros planos universais.

As conexões interdimensionais são feitas através de ressonância e para sobrevivermos na radiação fotônica temos que nos afinar a um novo campo vibratório. Ter uma alimentação natural isenta de elementos químicos,viver junto à natureza, longe da poluição e da radiatividade, liberar as emoções bloqueadas e reprimidas, contribuem para a transição.

Ter boas intenções é essencial, assim como estar em estado de alerta, para perceber as sincronicidades e captar os sinais vindos de outras esferas. Segundo a Agenda Pleiadiana, de Bárbara Hand Clow, o Cinturão de Fótons emana do Centro Galáctico. Alcione, o Sol Central das Plêiades, localiza-se eternamente dentro do Cinturão de Fótons, ativando sua luz espiralada por todo o Universo.

Mas afinal… e nós nisso tudo?

Nós somos os mais beneficiados com tudo isso. Todos nós, os seres encarnados na Terra, estamos passando por um processo de iniciação coletiva e escolhemos estar aqui nesta difícil época de transição de nosso planeta, que atingirá todo o Universo.

Os fótons funcionam como purificadores da raça humana e através de suas partículas de luz, às quais estamos expostos nos raios solares, dentro em breve estaremos imersos nesta “Era de Luz”, depois de 11 mil anos dentro da Noite Galáctica ou Idade das Trevas, como os hindus se referiam a Kali Yuga. Como um sistema de reciclagem do Universo, o Cinturão de Fótons inicia a Era da Luz. Existem diversas formas da humanidade intensificar sua evolução, desenvolvendo um trabalho de limpeza dos corpos emocionais, com o uso de terapias alternativas, como florais, Yoga, Sahaja Maithuna, musicoterapia, cromoterapia entre muitos outros.

São terapias e práticas que trabalham com a cura dos corpos sutis, além de curar outras já instaladas, evitando que muitas doenças sejam desenvolvidas, antes mesmo de alcançar o corpo físico.

Cada partícula vai se alojando em todos os cantinhos de nosso planeta trazendo a consciência (Luz), a Verdade, a Integridade e o Amor Mútuo.

Cada um de nós tem um trabalho individual para desenvolver aliado ao trabalho de conscientizaçã o da humanidade. Os corpos que não refinarem suas energias não conseguirão ficar encarnados dentro da terceira dimensão, pois a quarta dimensão estará instalada. E todos nós redescobriremos a nossa multidimensionalidade e ativaremos nossas capacidades adormecidas dentro da Noite Galáctica. A inteligência da Terra será catalizada para toda a Via Láctea.

Todos estes acontecimentos foram registrados no Grande Calendário Maia, que tem 26 mil anos de duração e termina no solstício de inverno, no dia 21 de dezembro de 2012 dC, que marca a entrada definitiva da Terra dentro do Cinturão de Fótons por 2000 anos ininterruptos. Consciência é Luz. Luz é Informação. Informação é Amor. Amor é Criatividade.

TENHAMOS A CONSCIÊNCIA DE QUE, EM ENTREGANDO AS NOSSAS VIDAS AO PAI ETERNO, DE NADA DEVEMOS TEMER!

UM GRANDE ABRAÇO…
Domingos Yezzi

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A Arte de Viver: Meditação Vipassana


Todos buscam paz e harmonia, porque isto é o que falta em nossas vidas. De quando em quando todos nós experimentamos agitação, irritação, desarmonia. E, quando somos atormentados por esses sofrimentos, não os restringimos a nós mesmos; freqüentemente os distribuímos aos outros também. A infelicidade permeia a atmosfera que circunda a pessoa que sofre e todos que entram em contato com ela também são afetados. Certamente, esse não é um modo apropriado de viver.

Devemos viver em paz com nós mesmos e em paz com os outros. Afinal, seres humanos são seres sociais, têm de viver em sociedade e lidar uns com os outros. Mas como podemos viver pacificamente? Como mantermo-nos em harmonia interior e mantermos a paz e a harmonia ao nosso redor, de forma que também os outros possam viver pacífica e harmoniosamente?

Para livrarmo-nos de nosso sofrimento, temos de saber a razão básica para sua existência, a causa do sofrimento. Se investigarmos o problema, torna-se claro que sempre que começamos a gerar qualquer negatividade ou impureza na mente, certamente nos tornaremos infelizes. Uma negatividade na mente, uma impureza mental não pode coexistir com a paz e a harmonia.

Como geramos negatividades? De novo, através da investigação, torna-se claro. Ficamos infelizes quando achamos que alguém age de uma maneira que não gostamos ou quando não gostamos de alguma coisa que acontece. Coisas que não desejamos acontecem e criamos tensão interior. Coisas que queremos não acontecem, alguns obstáculos aparecem no caminho, e novamente criamos tensão interior; começamos a atar "nós" internos. E, pela vida afora, coisas indesejadas continuam a acontecer e as desejadas podem ou não acontecer, e este processo de reação, de atar nós — nós górdios — faz toda a estrutura física e mental tão tensas, tão cheias de negatividade, que a vida torna-se um sofrimento.

Uma forma de resolver este problema é dar um jeito para que nada de desagradável aconteça na vida e que tudo aconteça exatamente como queremos. Temos de desenvolver o poder de fazer com que tudo que desejamos aconteça e o que não desejamos não aconteça, ou ter alguém com tal poder que nos ajude sempre que solicitarmos. Mas isso é impossível. Não há ninguém no mundo cujos desejos sejam sempre satisfeitos, em cuja vida tudo ocorre de acordo com sua vontade, sem nada indesejável acontecer. Fatos contrários à nossa vontade e ao nosso desejo constantemente ocorrem. Portanto, surge uma pergunta: como podemos parar de reagir cegamente às coisas de que não gostamos? Como podemos parar de gerar tensões e permanecer pacíficos e harmônicos?

Na Índia, assim como em outros países, pessoas sábias e santas estudaram esse problema — o problema do sofrimento humano — e encontraram uma solução: se algo indesejável ocorre e você começa a reagir gerando raiva, medo ou qualquer outra negatividade, então, você deve desviar sua atenção o mais rapidamente possível para uma outra coisa qualquer. Por exemplo, levante-se, pegue um copo d'água, comece a bebê-la e sua raiva não se multiplicará; pelo contrário, começará a diminuir. Ou comece a contar: um, dois, três, quatro. Ou comece a repetir uma palavra, ou uma frase, ou algum mantra: talvez o nome de um santo ou divindade na qual você tenha devoção. A mente se distrairá e, até certo ponto, você estará livre da negatividade, livre da raiva.

Essa solução foi útil, deu certo. Ainda dá. Praticando isso, a mente sente-se livre da agitação. Entretanto, essa solução atua apenas no nível consciente. Na verdade, ao desviar a atenção, você empurra a negatividade profundamente para o inconsciente e, nesse nível, continua a gerar e multiplicar a mesma impureza. Na superfície há uma camada de paz e harmonia, mas nas profundezas da mente jaz um vulcão adormecido de negatividade reprimida que, mais cedo ou mais tarde, explodirá em violenta erupção.

Outros exploradores da verdade interior foram ainda mais longe em sua busca e, experimentando a realidade da mente e da matéria neles mesmos, concluíram que desviar a atenção é apenas fugir do problema. Fugir não é a solução; você tem de enfrentar o problema. Toda vez que a negatividade surgir na mente, simplesmente observe-a, enfrente-a. Assim que começar a observar uma impureza mental, ela começará a perder sua força e lentamente ela murcha e desaparece.

Uma boa solução: evitar os dois extremos da repressão e da livre manifestação. Enterrar a negatividade no inconsciente não a erradicará; e permitir sua manifestação com ações verbais ou físicas prejudiciais apenas criará mais problemas. Mas se você apenas observar, então, a impureza desaparecerá e você estará livre dela.

Isso parece maravilhoso, mas será realmente praticável? Não é fácil encarar suas próprias impurezas. Quando a raiva surge, apodera-se de nós tão rapidamente que nem mesmo percebemos. Então, dominados por ela, falamos ou fazemos coisas que prejudicam aos outros e a nós mesmos. Mais tarde, quando ela passa, começamos a chorar e nos arrependemos, pedindo perdão aos outros e a Deus: "Oh, cometi um erro, por favor, me desculpe!". Mas da próxima vez em que nos encontrarmos numa situação semelhante, reagimos da mesma forma. Esse tipo de arrependimento não ajuda em nada.

A dificuldade é que não temos consciência quando uma impureza surge. Ela surge profundamente na mente inconsciente e, quando chega ao nível consciente, já ganhou tanta força que toma conta de nós sem que possamos observá-la.

Vamos supor que eu contrate um secretário particular e toda vez que a raiva surja ele diga: "olhe, a raiva está começando!". Como não sei a que horas ela começa, terei de contratar três secretários para os três turnos: manhã, tarde e noite! Suponhamos que possa arcar com isso e que a raiva comece. Assim que meu secretário me avise, "oh, veja — a raiva começou!" a primeira coisa que farei é repreendê-lo: "Seu tolo, acha que é pago para me ensinar?" Estou tão dominado pela raiva que bom conselho não adianta

Suponhamos que o discernimento prevaleça e eu não o repreenda. Em vez disso, digo: "Muito obrigado. Agora preciso me sentar e observar minha raiva." Será que é possível? Ao fechar os olhos e tentar observar a raiva, o objeto da minha raiva imediatamente surge em minha mente — a pessoa ou o fato que a iniciou. Logo, não estarei observando a raiva pura, mas meramente o estímulo externo dessa emoção. Isso servirá apenas para multiplicar a raiva; e, portanto, não é a solução. É muito difícil observar qualquer negatividade abstrata ou emoção abstrata divorciada do objeto externo que originariamente foi responsável pelo seu surgimento.

Entretanto, alguém que atingiu a verdade última encontrou uma solução real. Descobriu que sempre que uma impureza surge na mente, duas coisas começam a acontecer simultaneamente no nível físico. Uma é que a respiração perde o seu ritmo normal. Começamos a respirar mais forte, sempre que a negatividade surge na mente. Isso é fácil de se observar. Num nível mais sutil, uma reação bioquímica começa no corpo, resultando numa sensação. Toda impureza irá gerar alguma sensação no corpo.

Isso oferece uma solução prática. Uma pessoa comum não pode observar impurezas abstratas da mente — medo, raiva ou paixão abstratos. Mas, com a prática e treinamento adequados, é muito fácil observar a respiração e as sensações corporais, ambas diretamente relacionadas às impurezas mentais.

A respiração e as sensações vão ajudar de duas formas. Primeiramente serão como que secretários particulares. Assim que uma negatividade surgir na mente, a respiração perderá sua normalidade; começará a gritar: "olhe, alguma coisa deu errado!". Eu não posso repreender minha respiração; tenho que aceitar esse aviso. Da mesma forma, as sensações vão dizer que algo vai mal. Então, sendo avisados, podemos começar a observar a respiração e as sensações e, muito rapidamente, veremos que a negatividade cessa.

Esse fenômeno físico-mental é como duas faces de uma moeda. Em uma das faces, estão os pensamentos e as emoções surgindo na mente; na outra, estão a respiração e as sensações corporais. Quaisquer pensamentos ou emoções, quaisquer impurezas mentais que surjam, manifestam-se na respiração e nas sensações daquele momento. Logo, observando a respiração ou as sensações, estamos, de fato, observando as impurezas mentais. Em vez de fugirmos do problema, estamos encarando a realidade como ela é. Como resultado, veremos que essas impurezas perdem sua força; não mais nos dominam como no passado. Se persistirmos, elas finalmente desaparecerão completamente e começaremos a viver uma vida pacífica e feliz, uma vida cada vez mais livre das negatividades.

Dessa forma, essa técnica de auto-observação mostra-nos a realidade em seus dois aspectos: interior e exterior. Previamente olhávamos apenas para fora, perdendo a verdade interior. Procurávamos sempre fora de nós a causa de nossa infelicidade; sempre culpávamos e tentávamos modificar a realidade externa. Ignorantes da realidade interior, nunca entendemos que a causa do sofrimento está dentro de nós, em nossas reações cegas às sensações boas e ruins.

Agora, com o treinamento, podemos ver o outro lado da moeda. Podemos tomar consciência da respiração e também do que acontece dentro de nós. O quer que seja, respiração ou sensação, aprendemos a simplesmente observá-la sem perder o equilíbrio mental. Paramos de reagir e de multiplicar nosso sofrimento. Ao contrário, deixamos as impurezas se manifestarem e desaparecerem.

Quanto mais praticamos essa técnica, mais rapidamente as negatividades desaparecerão. Pouco a pouco, a mente tornar-se-á livre de impurezas, tornar-se-á pura. Uma mente pura é sempre cheia de amor — amor desinteressado por todos os outros; cheia de compaixão pelas falhas e sofrimentos dos outros; cheia de alegria pelo seu sucesso e felicidade; cheia de equanimidade diante de qualquer situação.

Quando alguém atinge esse estágio, todo o seu padrão de vida muda. Não é mais possível fazer ou falar qualquer coisa que perturbe a paz e a alegria dos outros. Em vez disso, uma mente equilibrada não apenas torna-se pacífica, mas a atmosfera que cerca uma tal pessoa também se tornará permeada de paz e harmonia, e isso influenciará e ajudará a outros também.

Aprendendo a permanecer equilibrado diante de todas as coisas que se experimentam dentro de si, desenvolve-se o desapego também a tudo o que se encontra nas situações exteriores. No entanto, esse desapego não é escapismo ou indiferença aos problemas do mundo. Aqueles que praticam Vipassana regularmente tornam-se mais sensíveis ao sofrimento dos outros e fazem seu máximo para aliviar tal sofrimento em tudo que podem — não com agitação, mas com a mente cheia de amor, compaixão e equanimidade. Aprendem a "santa indiferença" — como estar totalmente compromissados, totalmente envolvidos em ajudar os outros, enquanto, ao mesmo tempo, mantêm o equilíbrio mental. Dessa forma, permanecem pacíficos e felizes enquanto trabalham para a paz e a felicidade de outros.

Esse foi o ensinamento do Buda: uma arte de viver. Ele nunca estabeleceu ou ensinou nenhuma religião, nenhum "ismo". Nunca instruiu aqueles que o procuravam a praticar qualquer rito, ou ritual, ou alguma formalidade vazia. Ao contrário, ensinava-os a observar a natureza tal como ela é, observando a realidade interior. Na ignorância continuamos a reagir de maneiras que prejudicam a nós e aos outros. Porém, quando a sabedoria surge — a sabedoria de observar a realidade como ela é — esse hábito de reagir vai embora, desaparece. Quando paramos de reagir cegamente, então, somos capazes da ação verdadeira — ação proveniente de uma mente equilibrada e equânime, uma mente que vê e compreende a verdade. Tal ação poderá ser tão somente positiva, criativa e benéfica para nós e para os outros.

Logo, o que é necessário é “conhecer-se a si mesmo” — conselho dado por todo sábio. Precisamos conhecer a nós mesmos, não apenas intelectualmente, no nível teórico e das idéias; e não apenas emocional ou devocionalmente, simplesmente aceitando cegamente o que ouvimos ou lemos. Tal conhecimento não é suficiente. Mais do que isso, precisamos conhecer a realidade experimentalmente. Precisamos experimentar diretamente a realidade desse fenômeno físico-mental. Só isso nos ajudará a libertar-nos de nosso sofrimento.

Essa experiência direta de nossa realidade interior, essa técnica de auto-observação é chamada de meditação "Vipassana". Na língua da Índia, nos tempos do Buda, passana significava ver no sentido comum, com os olhos abertos; mas Vipassana é observar as coisas como realmente são, não como parecem ser. A realidade aparente tem de ser penetrada, até alcançarmos a verdade última de toda a estrutura física e mental. Quando experimentamos essa verdade, então, aprendemos a parar de reagir cegamente, de criar impurezas — e, naturalmente, as antigas impurezas serão gradualmente erradicadas. Tornamo-nos libertados de todo o sofrimento e experimentamos a verdadeira felicidade.

Existem três passos para o treinamento dado em um curso de meditação. Primeiramente, deve-se se abster de toda ação, física ou verbal, que perturbe a paz e a harmonia dos outros. Não se pode trabalhar para se liberar das impurezas da mente e ao mesmo tempo cometer atos físicos ou verbais que somente as multipliquem. Portanto, um código de moralidade é o primeiro passo essencial da prática. Compromete-se a não matar, não roubar, não ter má conduta sexual, não mentir e não usar intoxicantes. Abstendo-se de tais ações, permite-se que a mente se acalme o suficiente para avançar no trabalho.

O próximo passo é desenvolver alguma maestria sobre essa mente selvagem por intermédio do treinamento em mantê-la fixa em um único objeto, a respiração. Tenta-se manter a atenção na respiração o maior tempo possível. Esse não é um exercício respiratório; não se controla a respiração. Em vez disso, observa-se o fluxo respiratório como ele é; como entra e sai. Dessa maneira, acalma-se a mente mais e mais, e ela não será dominada por negatividades intensas. Ao mesmo tempo concentra-se a mente, tornando-a aguçada e penetrante, capaz de realizar o trabalho de visão clara ("insight").

Esses dois primeiros passos, viver uma vida moral e controlar a mente, são muito benéficos e necessários por si só, mas levarão à repressão das negatividades, a não ser que se tome o terceiro passo: purificar a mente das impurezas, desenvolvendo a visão clara de sua própria natureza. Isso é Vipassana: experimentar a própria realidade pela observação sistemática e imparcial, dentro de si mesmo, de todo o fenômeno físico-mental sempre em mutação e que se manifesta como sensações. Essa é a essência dos ensinamentos do Buda: autopurificação através da auto-observação.

Isso pode ser praticado por um e por todos. Todas as pessoas enfrentam o problema do sofrimento. Essa é uma doença universal que requer um remédio universal, não-sectário. Quando alguém sofre com raiva, não é raiva budista, hindu ou cristã. Raiva é raiva. Quando alguém fica agitado em decorrência dessa raiva, essa agitação não é cristã ou judia ou muçulmana. A doença é universal. O remédio também tem de ser universal.

Vipassana é o remédio. Ninguém se oporá a um código de vida que respeita a paz e a harmonia dos outros. Ninguém pode se opor a desenvolver o controle da mente. Ninguém se oporá ao desenvolvimento da visão clara de sua própria natureza, por intermédio da qual é possível libertar a mente das negatividades. Vipassana é um caminho universal.

Observar a realidade como ela é por intermédio da observação interior — isso é conhecer-se a si mesmo direta e experimentalmente. Conforme pratica, a pessoa continua a se libertar do sofrimento das impurezas mentais. A partir da verdade aparente, grosseira, externa, pode-se penetrar a verdade última da mente e da matéria. Então, se transcende isso e experimenta-se uma verdade que está além da mente e da matéria, além do campo condicionado da relatividade: a verdade da libertação total de todas as impurezas, de todo o sofrimento. Não importa o nome que se dê à verdade última, isso é irrelevante; esse é o objetivo final de todos.

Que todos experimentem essa verdade fundamental! Que todos se libertem do sofrimento. Que todos desfrutem a verdadeira paz, a verdadeira harmonia, a verdadeira felicidade.

QUE TODOS OS SERES SEJAM FELIZES

O artigo acima é baseado em uma palestra proferida pelo Sr. S.N Goenka em Berna, Suíça.


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