Por favor, preencha a atmosfera com a vibração sublime dos Santos Nomes:
Hare Krsna Hare Krsna Krsna Krsna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Saber, Ousar, Querer, Calar.

Saber, Ousar, Querer, Calar

Ensinamentos esotéricos recolhidos para servirem tanto para iniciados como para não iniciados.


Para ousar é preciso saber, pois aquele que ousa sem saber o que faz, ou o que quer, ou ainda o que pode, acabará sendo vítima de um grande equívoco produzido pelas forças cujo alcance ignora. Isto em outras palavras significa que dar-se-á mal. A fé cega é a subjugadora dos supersticiosos. O ser humano inteligente, deve sim — ousar, até onde chegam os seus conhecimentos.

Para querer é preciso ousar. Todavia, a vontade daquele que quer, deve ser confirmada pela ação ou atos. Há que haver uma ação constante de vontade, movida por um desejo firme, mas sem atropelos. Os frutos a serem colhidos daquilo que se quer, pode ser o resultado de uma vida inteira de dedicação na busca de um objetivo.

É preciso querer para conseguir o domínio; no entanto, para querer é preciso saber querer. A vontade não deve ser precipitada, mas sim calma e tranquila. O desejo ardente poderá também ser uma força para a criação ou para a obtenção algo qualquer, mas só a vontade que é diferente do desejo impulsivo ou passageiro, pode determinar a permanente qualidade do que se quis.

E para dominar é preciso calar. A lei do silêncio sobre tudo o que pretendemos realizar, é uma das condições fundamentais para dominar a persecução dos nossos objetivos. Portanto, não devemos falar sobre os nossos projetos mais íntimos, para que não despertemos o escarnecimento ou a inveja. Muitas ideias e projetos embrionários, quando revelados a aproveitadores, não chegam a nascer ou então são explorados antes de quem os concebeu.

Estes aconselhamentos servem tanto para a nossa vida diária, como para as nossas experiências no campo espiritual, e nesta última hipótese — não devem ser propaladas, para evitar quase sempre interpretações indesejáveis, calcadas em fundamentalismos.

 
Luiz Carlos Nogueira
 
_/\_

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Gênios

Gênios


Um gênio (do latim genìus) é uma espécie de espírito que rege o destino de alguém ou de um lugar. O termo em grego para o mesmo conceito é daimon e pode ser empregado como um equivalente em português ao árabe "jinn | جن", uma vez que na mitologia árabe pré-islâmica e no Islã, um jinn (também "djinn", "djin" ou "djim") é um membro dos jinni (or "djinni"), uma raça de criaturas sobrenaturais.

O termo gênio também é usado para uma pessoa com grande capacidade mental. Ela pode se manifestar por um intelecto de primeira grandeza, ou um talento criativo fora do comum. Segundo a teoria de Lewis Madison Terman, o nível de QI pelo qual alguém pode ser chamado de gênio é geralmente definido como 140 ou superior no desvio padrão 15. O termo também se aplica a alguém que é um polímata ou alguém habilidoso em muitas áreas mentais. O termo se aplica com precisão a habilidades mentais, mais que físicas, embora seja também usado coloquialmente para indicar a posse de um talento superior em qualquer campo.


Na Roma antiga, o gênio era o espírito guia ou "tutelar" de uma pessoa, ou mesmo de uma gens inteira. Um termo relacionado é genius loci, o espírito de um local específico. Por contraste a força interior que move todas as criaturas viventes é o animus. Um espírito específico ou daimon, pode habitar uma imagem ou ícone, dando-lhe poderes sobrenaturais.

A crença nos Djinn era corrente na antiga Arábia, onde se dizia que inspiravam poetas e adivinhos. O próprio Profeta Muhammad temeu a princípio que as revelações divinas que lhe foram feitas pudessem ser obra dos Djinn. O fato de que posteriormente tenham sido reconhecidos oficialmente pelo Islamismo implica que eles, como os seres humanos, serão eventualmente obrigados a encarar a salvação ou a danação perpétua.

Segundo Mohammad cada enviado de Deus legaliza ou ab-roga crenças antigas analisando quais partes delas são verdadeiras ou não. No caso Mohammad canonizou a existência dos "gênios" Djinn, porém fez grandes modificações de como ela era anteriormente creditada. Segundo Mohammad que trazia mensagens de Deus, os Djinn nada mais são do que se chama no Brasil de "espirito desencarnado", porém eles mesmos não são desencarndados porque nunca encarnaram.

A palavra Djinn (Gênio) como ficou conhecida no ocidente vem justamente do arabe Djinn, em arabe porém quer dizer "aqueles que não se pode ver", uma referência clara ao que se chama de "espiritos desencarnados" em crenças modernas. Quando então se vai a um centro a pessoa recebe na verdade segundo Mohammad, um Djinn e o Djinn recebe a pessoa, porém tais comunicações foram vetadas por Mohammad.

Como tem livre arbitrio os Djinn são iguais a nós: serão julgados por seus atos.

Segundo Deus revelou no Alcorão o homem e todos os animais surgiram da água e o homem também de um sanguessuga (algo que se agarra) na barriga da mãe (o feto parece um sanguessuga), mas a pele do homem é de argila (barro maleável), os Djinn tem sua "pele" de fogo sem fumaça.

No Alcorão Deus informa que o próprio Alcorão é revelado para humanos e Djinn e pede que os Djinn sigam o Islam para poderem também se salvar.

Deus informa no Alcorão que alguns Djinn são bons outros são maus, igualmente os homens (alguns são bons e outros são maus), porque ambos tem livre arbítrio, esta é a explicação do Islam para por exemplo ir num centro e o "espirito desencarnado" pedir para fazer um prato de farofa com frango e vinho, isto é uma "ironia" do Djinn com a pessoa que esta em comunicação com ele achando ser uma pessoa que morreu, eles fazem tais fatos porque tem livre arbítrio.

Deus também informa no alcorão que satanás é um Djinn e não um anjo como se pensou anteriormente, esta crença do diabo que era anjo nasceu com o profeta persa Zoroastro criador do dualismo no mundo e foi acoplada por judeus na babilonia quando foram libertados pelo rei persa Ciro "o grande" que derrotou a babilonia, os judeus nesta época carregaram muitas crenças persas. Segundo Deus no Alcorão Satanás uma vez esteve com os anjos no céu porque era crente, igualmente a alma de qualquer Djinn ou humano também pode estar no céu por acreditar.

Hare Krsna 
_/\_

Wikipédia

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Eclipse Solar


CINCO PASSOS PARA SE PREPARAR PARA O PORTAL DE ENERGIA DO ECLIPSE
Uma mensagem de Selácia
24 de Outubro de 2013.
 
O Eclipse de 3 de Novembro, da lua nova, pode ser um dos portais de energia mais transformadores neste ano – para você e para toda a humanidade.
 
Os potenciais para grandes transtornos estão lado a lado com possibilidades de oportunidades significativas. Temos eclipses a cada ano, é claro, mas os Eclipses Solares em Escorpião, como o de 3 de Novembro não vêm todos os anos. O último assim foi em Novembro de 1994, há quase duas décadas, durante as fases anteriores do despertar espiritual global.
 
Com o processo acelerado do despertar em pleno andamento, este eclipse de Novembro promete ser um intenso catalisador para a mudança transformadora, em uma grande escala. Provavelmente, você sentiu pelo menos alguns impactos do eclipse lunar de 18 de Outubro. Em algum nível, provavelmente você está ainda processando estas energias caóticas – fazendo atualizações em sua vida pessoal e uma auto-reflexão do que precisa mudar.
 
Entre os eclipses, também, você está em um processo de adaptação a uma onda de novas energias que se revelam em todo o planeta, enquanto a humanidade se torna mais consciente dos impasses globais. Problemas e conflitos estão cada vez mais transparentes e urgentes. Esta tendência irá continuar, trazendo luz ao que não está funcionando e expondo problemas agora muito grandes.
 
Nos próximos dias que antecedem o próximo eclipse, queira prestar atenção às mudanças energéticas e as suas próprias respostas à causalidade. Na verdade, as coisas se intensificam em seu mundo externo, seus próprios desequilíbrios e negócios inacabados virão a sua atenção. Observar estas coisas agora – e trabalhar com elas antes do nosso evento do portal de energia de 3 de Novembro com o Conselho dos 12 – irá ajudá-los a maximizar as oportunidades significativas do eclipse de 3 de Novembro.
 
CINCO PASSOS PARA SE PREPARAR PARA O PORTAL DE ENERGIA DO ECLIPSE
 
Primeiro, pense no que está acontecendo em sua vida, desde a última vez que tivemos um Eclipse Solar em Escorpião, em Novembro de 1994. Que evento ou término significativo ocorreu e que nova fase começou?
 
Em segundo lugar, desde que o próximo portal deve ser focado em inícios e términos significativos, considere o que precisa começar ou terminar em sua vida. Medite em temas que envolvam coisas físicas, conceitos mentais, situações de trabalho e relacionamentos. Convide a sua sabedoria superior para começar a revelar os detalhes do que você precisa liberar ou renovar, a fim de abrir caminho para um novo começo.
 
Em terceiro lugar, use insights recebidos do processo acima, faça uma lista do que precisa deixar para trás, ou talvez, refazer inteiramente em outra coisa. Por enquanto, não fique preocupado com a ordem de sua lista ou como você realizará o desapego. O importante é que escreva estas coisas no papel para ancorá-las em sua consciência.
 
Em quarto lugar, convide o seu espírito para lhe trazer esclarecimentos em relação a estas coisas, entre agora e o portal do eclipse. Este esclarecimento pode vir através de sonhos, de acasos da vida, ou durante momentos em que você reflete em sua lista sobre o que precisa liberar.
 
Em quinto lugar, em uma base diária, antes do portal do eclipse, considere o término dos seus temas principais – concentrando-se em alguns dos passos apropriados que você precisará dar. Lembre-se de que a fim de entrar em sua nova vida, você não pode trazer com você coisas ou situações que são impraticáveis – coisas que o impedem de ser tudo o que você pode ser. Não permita que esta velha bagagem o oprima. Apenas preste atenção ao que você descobre e comece o seu processo preliminar de deixar ir agora, antes do portal.
 
Quando você faz este processo adiantado e começa a mudar as coisas em sua vida, você abre a porta para entrar em um ciclo novo e mais expansivo. Lembre-se de que você merece isto. Saiba que o seu eu capacitado e agente de mudanças divino, está preparado para entrar nos novos inícios desta próxima fase. Confie nisto.
 
Tradução: Regina Drumond – reginamadrumond@yahoo.com.br

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Um tratado sobre Iniciações



UM TRATADO SOBRE INICIAÇÕES

O ser humano, em sua evolução, ampliou sua sensibilidade em relação aos segredos da Natureza. Alguns se destacaram pelo grau de conhecimento conseguido através dessa percepção, passando a transmiti-los a todos que manifestavam interesse em adquiri-los, sem discriminação. Assim, os conhecimentos, adquiridos por alguns, foram utilizados de forma extremamente egoísta e em benefício próprio, usando a Sabedoria recebida, para tirar vantagens físicas e materiais.

"O conhecimento gera o Poder. O conhecimento absoluto, o Poder absoluto". Por essas razões, os Mestres limitaram os conhecimentos a serem proporcionados às pessoas em geral. O acesso aos Mistérios tornou-se uma prática que deu início às chamadas Iniciações. As Iniciações, como nos ensina Helena Blavatsky, são cerimônias de Mistérios, mantidas ocultas dos profanos e dos não-Iniciados. Para Platão, são a conquista progressiva dos estados de consciência. No livro de Job, lemos que há uma alquimia espiritual e uma transmutação física, e o conhecimento de ambos nos é comunicado nas Iniciações. Para os Neoplatônicos, é a união da parte com o Todo. A harmonização é uma das chaves para que ocorra o equilíbrio físico, mental e espiritual necessário ao iniciante. As energias, que se apresentam em todas as Iniciações, manifestam-se, sempre, conforme relatos dos iniciados, como chispas luminosas, luzes encantadas, símbolos dançantes multicoloridos, que são vistos, ouvidos ou sentidos.

Segundo alguns ocultistas, as primeiras iniciações começaram com Rama, há 4 ou 5 mil anos a.C., sacerdote da antiga Cítia, na Ásia. Foi um rei espiritual do planeta Terra, o inspirador da paz e o primeiro legislador a interligar a vida humana ao ciclo das estações do zodíaco. Para Edouard Schure, foi quem, primeiro, fixou os signos do Zodíaco. Dessa forma, legou-nos as Doze Primeiras Grandes Iniciações, os Doze Passos do Zodíaco, que o ser humano tem que percorrer, passo a passo, para melhor dominar seus instintos, emoções, purificar pensamentos, palavras e ações, conscientizar-se da ilusão da separatividade, para exercer a regra máxima da purificação do Iniciante, a "Primeira Pedra do Templo da Sabedoria ", o Silêncio.

Os Mistérios de Samotrácia seguem os seguintes Passos: a purificação, a recepção, a revelação, a amizade e a comunicação com Deus.

A Iniciação egípcia tem por maior Passo a pergunta, feita ao adepto antes de ser admitido nos Mistérios: "conheceis quem sois?". Em Mênfis, no Egito, os Passos do iniciante são os das 7 virtudes morais. Na Iniciação à Esfinge, um dos Sagrados Passos é o da revelação do único e verdadeiro atributo humano - Ser. A Iniciação ao Pentágono consiste na reforma ou sublimação interior do homem pelas lutas interiores. A Iniciação de Cagliostro se dirige ao espírito, à energia, à abnegação, à confiança no futuro, à glorificação de Deus em Si.

A Iniciação Maçônica (Sabedoria-ciência das coisas), em seu Rito Francês, assinala que quem deseje realizar os Mistérios terá que viajar só, sem temor, purificado pelo fogo, água e ar. "Por ter vencido o medo e a morte e preparado sua alma para receber a luz, terá direito de sair do seio da terra e ser admitido na revelação dos grandes Mistérios".

Das Iniciações realizadas no antigo Egito, Grécia, Roma, podemos lembrar algumas que, ainda hoje, são realizadas em locais sagrados: os Sete Atributos da Lira de Apolo, os Sete Oceanos, os Mistérios de Elêusis, de Samotrácia, Órficos, de Ceres, de Baco, a Sagrada Iniciação dos Trinta e Dois Caminhos do Sepher Jetzirah (O Livro Sagrado da Sabedoria Secreta), os Vinte e Dois Caminhos Secretos das Letras do Sagrado Alfabeto Hebreu, as de Ísis, Osíris, Hórus e as do Sagrado Sol Central, que, desde a época do continente Mu, são em número de quatro: a do Sol Central ou Sol Perfeito; a do Sol Poder da Suprema Inteligência; a do Sol Visível; a do Mistério do Espírito e da Palavra.

A Sagrada Iniciação Budista nos declara, em um dos seus Mistérios: "Sendo um, se torne múltiplo, sendo múltiplo, volte a ser único, pode aparecer e desaparecer sem encontrar resistência, passar através das paredes, montanhas, como se fosse ar, se fundir com a terra e emergir dela como se fosse água, caminhar sobre a água sem que ela se abra como se fosse terra, atravessar os ares, tocar com suas mãos o Sol e a Lua, astros poderosos e maravilhosos, e, com seu corpo, chegar até o mundo de Brahma".

Outras Iniciações, como a Yoga Hindu da revelação, os Mantras Védicos, os Upanishads, iluminam a mente para a Verdade Brahmânica do homem e de Deus, dos Deuses e dos Mantras. O Conhecimento Divino das forças Supremas de Luz, Agni, Indra, Soma, o Mito de Angiras, entre tantos, levam-nos a uma prosternação, e, como nos diz Sri Aurobindo, "a verdade, a retidão, a imensidade dos Vedas nos conduzem à Plenitude e à Imortalidade".

Iniciar, de acordo com E. Alfonso, fundador da Escola de Iniciação Filosófica, é realizar, no ser humano, a transmutação da consciência humana em Divina, e todas as Iniciações Indianas nos conduzem a essa transmutação. Não podemos deixar de mencionar a Sagrada Iniciação do Shri Chakra, contido no texto do Bhavana Upanishad, que nos conduz ao nosso próprio centro e a obter os dons divinos da Generosidade, da Vontade da Consciência Cósmica, entre tantos outros, fornecidos pelos Mestres Rishis, Sadus e Yogas, etc.

As Iniciações Reikianas, redescobertas pelo Dr. Mikao Usui no século passado, formas tão puras e simples de sutil canalização energética, são realizadas pelos mestres, através do dom divino da energia do Amor. Transformando, religando, purificando, transmutando, energeticamente, o ser humano, desenvolvem, em cada um, a sua própria Mestria.

Concedem uma maior consciência e capacidade para que nos possamos assumir integralmente. Alinhando mente, corpo e espírito aos princípios constitutivos do homem, nos torna uno com o Universo, e, assim, como um canal energético, auxiliamos "cada Ser a tomar para si a cura de que necessita" (Dr. Mikao Usui). A obtenção do conhecimento do "Eu Deus", do Amor ao “Eu Superior”, ao “Deus” em nós, nos torna, harmoniosamente, sintonizados com o Universo-Amor-Unicidade-Deus, graças à Iniciação em Reiki.

Em todos os processos iniciáticos, uma verdade é comum a todos: a religação com o Uno, com o Amor, com a conscientização de que devemos realizar em nós o Divino.

Mantermos, sempre, em permanente estado de vigília, todos os nossos centros (Gurdijeff), faz parte dos caminhos iniciáticos dos Adeptos. A reverberação contínua do Eu Sou, a Sagrada Atenção, o Silêncio, são os Mistérios Maiores da Unicidade Divina contida nas Iniciações. Todos os Passos, Mistérios, terão que ser percorridos dentro de nós, para que possamos ser iniciados: "não chegaremos ao Caminho se não nos convertermos no Caminho".

Lembrarmos, sempre, que todos os Grandes Iniciados, Jesus, Buddha, Lao-Tsé, Orfeu, Krishna, Moisés, Hermés e tantos mais, realizaram o Divino no humano. Eles são as verdadeiras encarnações do Verbo, os Mediadores da Consciência Cósmica Universal, pois transcenderam todos os estados de consciência para realizarem a Vontade Divina do Sagrado Único - O Amor.

Ausonia Klein

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Casa de Deus




Casa de Deus


O poeta estava procurando por Deus há milhares de vidas. Ele o via às vezes, lá longe, próximo a uma estrela, e ele começou a mover-se naquele caminho, mas, no momento em que chegou àquela estrela, Deus mudou-se para outro lugar.

Mas ele continuou procurando e procurando — ele estava determinado a descobrir a casa de Deus — e a surpresa das surpresas foi que, certo dia,
ele de fato chegou a uma casa onde na porta estava escrito: "Casa de Deus".

Você pode compreender o seu êxtase, pode compreender sua alegria. Ele corre escada acima e, bem na hora em que ia bater à porta,
de repente sua mão gela. Surge-lhe uma ideia: "Se por acaso esta for realmente a casa de Deus, então, estou morto, minha busca acabou. Fiquei identificado com a minha busca, com a minha procura. Eu não sei fazer mais nada... Se a porta se abrir e eu encontrar-me com Deus, estou morto... — acabou-se a busca. E depois? Depois há uma eternidade entediante — nenhum excitamento, nenhuma descoberta, nenhum desafio novo, pois não pode haver nenhum desafio maior do que Deus."

Ele começou a tremer de medo, tirou os sapatos dos pés e desceu de volta os lindos degraus de mármore. Ele tirou os sapatos, de modo que não fosse feito nenhum barulho, pois o seu medo era até de fazer barulho nos degraus... Deus podia abrir a porta, embora ele nem tivesse batido. E, então, ele
correu tão depressa quanto jamais correra antes.

Ele pensava que estava correndo atrás de Deus tão depressa quanto podia, mas nesse dia, subitamente, ele encontrou a energia que jamais tivera antes. Correu como jamais tinha corrido, sem olhar para trás.

O poema termina assim: "Eu ainda estou procurando por Deus. Conheço sua casa, assim a evito e busco em outro lugar. A excitação é grande, o desafio é grande e, na minha busca,
eu prossigo, continuo a existir. Deus é um perigo — eu seria aniquilado. Mas agora eu não tenho medo nem de Deus, porque conheço Sua casa. Sendo assim, deixando de lado a Sua casa, continuo procurando por Ele, ao redor de todo o universo. E lá no fundo eu sei que minha busca não é por Deus: minha busca é para nutrir o meu ego."

Rabindranath Tagore

 
Rabindranath Tagore, nascido 7 de maio de 1861 em Jorasanko, alcunha Gurudev, foi um polímata bengali. Como poeta, romancista, músico e dramaturgo, reformulou a literatura e a música bengali no final do século XIX e início do século XX.
 
 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Mudanças da Ascensão em 12.12.12




MUDANÇAS DA ASCENSÃO EM 12/12/12 pelo Arcanjo Metatron

Mensagem canalizada através de Natalie Glasson

11 de Dezembro de 2012

http://www.omna.org/


Meus amados, venho até vocês nesta energia e neste período sagrado na Terra, com imenso amor. O tempo que vocês estão experienciando agora será falado por um longo tempo com reverência, alegria e celebração. Eu lhes peço neste momento que se permitam verdadeiramente compreender como é maravilhoso e emocionante estar no corpo físico e experienciar uma mudança da ascensão espiritual para a verdade e o amor, no âmago do seu ser. A essência do seu ser está verdadeiramente despertando agora e florescendo interiormente. Se vocês se permitirem honrar este momento sagrado e se respeitarem por escolher estar encarnado na Terra, isto criará uma vibração que permitirá que a sua energia essencial, que é a essência do Criador, irradie um amor intenso. Todas as mudanças que vocês desejam e sonham, irão ocorrer em seu ser durante este processo sagrado do despertar. Não busquem as mudanças fora de vocês, embora as mudanças na consciência e uma elevação na vibração energética ocorram na Terra, mas é a sua transformação e a sua essência interior que são mais apropriadas e importantes neste momento.

A partir de Dezembro, e especialmente em 12/12/12, cada alma na Terra e no universo do Criador irá experienciar uma mudança em seu ser. Cada alma permitirá que uma compreensão maior do Criador ocorra, permitindo assim que os véus da ilusão se afastem e uma maior clareza seja adquirida, o que permanecerá com vocês, eternamente. Quando cada alma em todo o universo se interiorizar em seu ser, reconhecerá o Criador com tremendo amor e compreensão; será como se vocês estivessem vendo todos os aspectos do Criador ao olharem para todas as almas na Terra e nos planos internos, reconhecendo assim a sua verdade em toda e cada pessoa, e reconhecendo o Criador com maior entrega e liberdade. Esta é a experiência mais maravilhosa, que nunca foi realmente experienciada por cada alma na Terra e nos planos internos, unidas como uma, experienciando a verdade do Criador, simultaneamente. Se tivermos a coragem de olharmos no fundo dos nossos seres, os chacras cardíacos e as almas serão recompensados com a verdade, a iluminação e a sabedoria que estivemos todos esperando para receber, a fim de trazermos a verdadeira clareza do Criador em nossa consciência, percepção e padrões energéticos. Será o mesmo para cada Mestre, Arcanjo, Anjos e Seres de Luz nos planos internos. Estamos todos alcançando a mudança da ascensão, juntos. É a nossa unidade que está permitindo que a verdade do Criador se revele com grande liberdade e autonomia em nossos seres e realidades para compreensão. A união de nossa energia e intenção permite que todos nós avancemos com a presença divina e sagrada do Criador. Imaginem olhar em seu chacra cardíaco e ver o universo do Criador com todas as almas sorrindo amorosamente para vocês.

Isto é a unidade e a compreensão do Criador. Estamos elevando os véus da ilusão neste momento, de modo que esta conexão possa ser feita e mantida eternamente, fortalecida e desenvolvida amorosamente ao longo do tempo. A consciência e a sabedoria reunidas e ativadas através desta experiência serão mantidas ou compreendidas, consciente ou inconscientemente, dependendo do seu nível de despertar e guiadas pela vontade do Criador.

Este processo de conexão pode ser alcançado com um foco maior na expansão e desenvolvimento do chacra cardíaco, sentindo o tremendo amor que vocês mantêm em seu chacra cardíaco e alma. Permitam-se concentrar em seu chacra cardíaco e construir e irradiar conscientemente o seu amor com a ferramenta de sua respiração. Deixem o seu amor resplandecer em todos os momentos durante este tempo sagrado, mas permitam o espaço e o tempo para estarem em unidade e união com o seu chacra cardíaco, permitindo que o seu terceiro olho penetre em seu chacra cardíaco. Vocês podem pedir para ver e se conectar com todas as almas que estão experienciando a ativação amorosa neste momento. Se vocês perceberem, sentirem ou reconhecerem a sua presença amorosa, a sua energia fluirá em seu ser e preencherá o seu chacra cardíaco com tremenda confiança, amor, paz, segurança e unidade. Sinto que este processo permitirá que a sua mais profunda divindade interior e as energias sagradas serão ampliadas e expressas no mundo exterior, preparando-os assim para o tempo à frente.

Gostaria de lhes pedir que desfrutem deste momento de experienciar as mudanças em seu ser, cultivando e nutrindo as suas energias, o seu amor e a sua alma e se conectando a um nível mais profundo com o Criador, porque é o seu alicerce para o próximo estágio do seu crescimento espiritual. Este é um momento para uma intensa estimulação, compreensão e liberdade. Depois deste período de transformação vocês embarcarão em novas lições e iniciações de crescimento, assim é apropriado que descansem e apreciem as energias que lhes estão sendo proporcionadas para despertar ainda mais a sua ascensão. Sua missão será manifestar toda a beleza e o universo do Criador que é ilimitado na manifestação física na terra, para que todos experienciem. Por muito tempo, vocês estiveram se concentrando em seu interior, cultivando uma conexão mais profunda com o Criador. Vocês serão solicitados a cultivar a mesma com maior intensidade do seu interior para a sua realidade física como um indivíduo e também como uma união de consciências, compartilhando e experienciando com as conexões da alma, com a família espiritual e os amigos espirituais. Vocês podem imaginar criando e experienciando a sua realidade, sabendo e compreendendo plenamente que a manifestação está fluindo do aspecto verdadeiro do Criador dentro de vocês? Vocês podem imaginar se conectando com as almas e as pessoas na Terra tão profundamente que são capazes de criar um volume intenso de luz que nutre o seu próprio ser e cria uma maior beleza na Terra para vocês e para todos experienciarem? Estas são algumas das lições e iniciações que podem ser solicitados para explorar e realizar na Terra em seus corpos físicos além de 2012. O que desejo expressar neste momento de nutrição e de transição, é que vocês estão evoluindo a um ritmo acelerado, de modo que possam começar a atingir novas lições e iniciações de crescimento que permitam uma maior experiência amorosa do Criador. Estamos deixando para trás as lições do passado, embora elas ainda possam aparecer de vez em quando, mas estamos embarcando em novas lições de crescimento e de unidade. Agora é o momento para que vocês descansem, estimulem o seu ser, aceitem a luz que lhes está sendo proporcionada e apreciem as mudanças que naturalmente irão ocorrer em seu ser, com ou sem a sua dedicação. Suas experiências serão, naturalmente, intensificadas se a dedicação, o foco e as intenções forem aplicados neste momento, mas a mudança que precisa ocorrer, irá ocorrer, porque o seu ser e sistemas energéticos estão preparados para passar para o próximo estágio de ascensão, como uma união de consciência e na unidade.

Com os véus da ilusão se tornando mais finos neste momento, e especialmente a partir de 12/12/12, é apropriado que tenham muito tempo para ficar em paz e estar com as suas próprias energias, observando as mudanças sutis em seu ser. É um momento em que maior sabedoria e compreensão podem ser reunidas do Criador e em seu ser, com a sua simples observação.

É também apropriado que mantenham a intenção de receber e de aceitar tudo o que é o Criador e tudo o que o Criador proporciona neste momento da ascensão. Na verdade estamos lhes pedindo que se permitam existir no fluxo das energias do Criador, recebendo e irradiando tudo que o lhes é proporcionado. Permitam que as energias fluam através do seu ser em todos os momentos. Vocês podem pedir que os guias angélicos ou os Mestres os ajudem neste processo, imaginando que vocês são o centro das atenções do Criador, com a Luz fluindo sobre e através do seu ser, enquanto irradiam tudo o que recebem com tremendo amor e generosidade.

A ancoragem das suas energias na Terra é particularmente importante neste momento, pois a ancoragem não apenas permite que a Terra receba as energias de transformação que vocês experienciam, mas permite a sua maior incorporação de tudo o que recebem e experienciam. Permitam-se a se abrir para a perspectiva de que agora é o momento para que recebam o Criador e tudo o que o Criador deseja lhes proporcionar, sem limitações. Com a sua simples existência de aceitação, vocês estão permitindo que tudo o que aprenderam, compreenderam, descobriram e previamente aceitaram espiritualmente se reúna naturalmente em seu ser, permitindo assim que se revele uma maior experiência de sua verdade.

Poderíamos compartilhar com vocês que em 12/12/12 haverá portais, alinhamentos e ativações abrindo tudo o que vocês devem acessar, enquanto todo o universo se alinha ou muda, mas sentimos que isto é somente uma distração. É o ego querendo compreender o que está ocorrendo e para colocar maior importância do que é necessário neste momento da ascensão. Naturalmente, há uma necessidade de que vocês realizem e se conectem com o que é apropriado para a sua alma, mas lhes pedimos que adotem a essência da simplicidade, reservando um tempo para se conectarem e observarem todo o seu ser, cultivando a essência do Criador que naturalmente existe em seu ser.

Sinto muitas pessoas me perguntando o que elas podem fazer para intensificar a sua experiência da ascensão. Alguma vez já experienciaram o seu ser e as suas energias quando vocês permitem que todas as limitações, limites, percepções e compreensões se desintegrem, como se estivessem se descobrindo e ao Criador, com a intenção da aceitação verdadeira e absoluta? Isto é o que estamos lhes pedindo que realizem neste momento: que deixem de lado tudo o que vocês são e tudo o que sabem, a fim de se entregarem plenamente ao Criador. Isto requer apenas a intenção e o espaço para experienciar, permitindo que o Criador os envolva e surja do seu interior.

Estamos embarcando na mais bela experiência e jornada da ascensão, juntos, e permitam que assim seja.
Com bênçãos divinas neste momento sagrado e para a sua aceitação da vibração de 12/12/12, sua experiência é única, assim permitam-se apreciar verdadeiramente cada momento.

No amor divino,

Arcanjo Metatron

www.omna.org

Tradução: Regina Drumond – reginamadrumond@yahoo.com .br

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

As Fábulas de Esopo



As Fábulas de Esopo

Há milhares de anos, em um dia de outono, dois amigos viajavam a pé por um caminho que atravessava um belo bosque. De repente surgiu diante deles um urso faminto, ameaçador, pronto para atacar.

Sem pensar por um só instante, um dos viajantes subiu rapidamente a um dos galhos mais elevados de uma árvore próxima. O outro, sozinho diante da fera e ameaçado pelo sentimento de pânico, lembrou-se de algo decisivo. Tempos atrás, tinha ouvido que um urso não se alimenta de cadáveres.

Atirou-se então imediatamente ao solo e fingiu-se de morto. O urso chegou até ele e colou o focinho ao corpo aparentemente sem vida. Durante alguns segundos, cheirou o rosto e as orelhas, enquanto o homem continha a respiração. Sacudindo a cabeça, aparentemente decepcionado, o urso desistiu e afastou-se. O perigo havia passado. O homem ergueu-se lentamente do chão, sentindo uma perfeita calma. Seu colega desceu da árvore, aproximou-se com ar curioso e perguntou:

Quando você estava deitado, o que foi que o urso disse ao seu ouvido?”

Na verdade, ele me deu um conselho”, foi a resposta. “Na linguagem dos ursos, ele me disse com jeito amável: ‘jamais deves viajar em companhia de amigos como esse aí da árvore, que te abandonam a toda velocidade quando estás em perigo’.”

A fábula acima é de Esopo. Ela ilustra o fato de que as adversidades são úteis para testar a sinceridade dos nossos amigos. As derrotas e situações de perigo podem ser muito desagradáveis, mas, pelo menos, elas nos permitem conhecer a verdadeira solidez dos nossos laços de afeto. “Amigos na dificuldade, amigos de verdade”, diz um antigo ditado inglês.

Encantando velhos e crianças há 25 séculos, as fábulas de Esopo têm uma mensagem radical e poderosa. Elas refletem a vida como ela é. Revelam com lucidez implacável os jogos de dissimulação, e colocam em cima da mesa, para que todos vejam, a ambição, o medo e a inveja que ameaçam cada alma em sua jornada pela vida. Mas também revelam as qualidades positivas que permitem a libertação espiritual.

Uma fábula é uma história carregada com simbolismo, que traz em si uma lição de vida e na qual os animais possuem o dom da fala. Esopo é o fundador do gênero, e suas fábulas reúnem três atributos principais: são curtas, belas e úteis. Elas nos ensinam, entre outras coisas, que a vida é um dom de supremo valor; mas que viver é perigoso, e que, por esse motivo, cada alma deve desenvolver ao máximo virtudes como atenção, vigilância, coragem, prudência e equilíbrio.

A vida de Esopo não é uma mera suposição. Ele existiu de fato, e é citado por Platão, Aristófanes, Xenofonte e Aristóteles. Mas os detalhes da sua vida, esses, sim, são mais lendários que literais. Os diferentes relatos são contraditórios. A biografia mais detalhada dele, escrita por Planudes, é considerada fantasiosa. É verdade que La Fontaine adotou como válida a narrativa de Planudes, mas parece ter feito isso por seu valor como lenda.

Calcula-se que Esopo tenha nascido em torno de 620 antes da era cristã. Escravo, gago, com o rosto deformado por uma extrema feiúra, Esopo era dotado de uma extraordinária sabedoria prática. Os deuses curaram sua gagueira. Por causa do seu talento, acabou sendo libertado por seu dono. Então o ex-escravo foi para Atenas, e ali dedicou-se a defender as pessoas pobres e humildes. Usava suas fábulas para denunciar a hipocrisia dos poderosos e para desmoralizar os procedimentos injustos das elites. Há uma fábula que ilustra bem esse ponto:

Um dia, o leão, o asno e o lobo decidiram sair juntos para caçar. Ficou combinado que qualquer coisa que eles obtivessem seria dividida entre os três. Depois de matar um cervo de bom tamanho, eles resolveram fazer uma grande refeição. O leão pediu ao asno que repartisse a carne. O asno dividiu a comida em três partes iguais e convidou os amigos a servirem-se. Mas o leão, indignado, atacou o asno e o reduziu a pedaços. Em seguida, voltando-se para o lobo, o rei dos animais pediu gentilmente que ele fizesse a divisão em duas partes. O lobo juntou todo o alimento em uma única grande pilha, deixando de lado apenas uma minúscula parcela para si mesmo.

Ah, meu amigo”, disse o leão, “como você aprendeu a dividir as coisas de maneira tão justa?”

Foi fácil! Bastou que eu visse o destino do nosso amigo asno” – explicou o lobo.

Uma lição da fábula acima é que “não se deve confiar demasiado no sentido de justiça dos poderosos”. No Brasil, essa história de Esopo deu origem e inspiração à imagem do Leão como símbolo da Receita Federal, que cobra impostos da população brasileira. Vem dela a expressão “a parte do leão”.

Outra conclusão da história é que “é melhor aprender com os erros dos outros (como fez o lobo) do que com os nossos próprios erros”.

De fato, o sábio procura tirar lições dos fracassos alheios. Quem tem alguma sabedoria aprende com os seus próprios erros (quando eles não são fatais), mas o tolo completo não é capaz de aprender nem sequer com as suas próprias derrotas.

Devido ao seu discurso irreverente em defesa dos mais fracos e da verdade, Esopo não demorou muito a chamar atenção de Perístrato, dirigente de Atenas que era inimigo da liberdade de pensamento.

Em 564 a. C., o contador de histórias foi acusado de sacrilégio pelo oráculo de Delfos. Em sua defesa, Esopo contou a fábula da águia e do besouro, afirmando que os privilegiados devem respeitar os direitos dos mais fracos, porque os abusos de poder são sempre punidos pelos deuses.

Diz a fábula:

Uma lebre, perseguida pela águia, pediu refúgio na casa de um besouro. O besouro, valente e generoso, decidiu defender a lebre e disse à águia: ‘Em nome de Júpiter, você deve respeitar o direito de exílio. A lebre agora é minha hóspede.’ Ignorando a argumentação, a águia jogou o besouro a um lado e devorou a lebre de imediato. Magoado, o besouro decidiu não dar trégua à opressão da águia. Ele foi até o ninho da águia e jogou os ovos dela no chão, um a um. Não havia nisso uma vingança pessoal, mas uma luta em favor dos mais fracos. A águia construiu um segundo ninho, bem mais alto, mas o besouro foi até lá e repetiu a operação. Diante disso, a águia procurou Júpiter para buscar um acordo com o besouro. O chefe dos deuses tentou acalmar o besouro, mas foi inútil. Pediu a ele que pensasse em uma conciliação, e a idéia foi rejeitada. O último recurso encontrado por Júpiter para evitar a extinção da águia foi mudar a época da sua reprodução para uma estação do ano em que os besouros não estão em atividade.”

Moral da história: “o carma do abuso de poder é pesado, e os opressores cedo ou tarde devem reencontrar-se com a justiça e o equilíbrio.”

Mesmo contando esta profunda fábula em sua defesa, Esopo foi condenado à morte e lançado do alto de um penhasco. Depois de morto, porém, passou a ser reconhecido como um dos grandes sábios da Grécia.

Não só a fábula da águia e do besouro, mas muitas outras narrativas de Esopo tratam da lei do Carma, segundo a qual nós colhemos tudo o que plantamos, em pensamentos, sentimentos e ações. Uma das fábulas sobre o carma está ambientada em um tempo mítico em que as abelhas não possuíam ferrões:

Certo dia, quando o mundo ainda era jovem, uma abelha voou até o céu para levar a Júpiter, o rei dos deuses, uma generosa oferta de mel. Júpiter ficou deliciado com o doce presente e prometeu à abelha realizar um desejo seu, fosse qual fosse. Emocionada, ela afirmou:

Ah, poderoso Júpiter, meu criador e meu mestre, desejo ganhar um ferrão, e um ferrão tão poderoso que possa matar qualquer um que chegue perto da colméia para levar o mel.”

Ora, a lei da natureza é a doação e o serviço altruísta. É pela generosidade que a vida evolui. Irritado com o egoísmo da abelha, Júpiter disse:

Seu pedido será atendido, porém não do modo como você deseja. Ganhará um ferrão, mas sempre que alguém vier buscar seu mel e você o atacar, o ferimento será fatal para você e não para o outro. Você perderá sua vida junto com o ferrão que será sua arma. ”

Moral da história:

Aquele que alimenta desejos de vingança atrai sofrimento para si mesmo”.

Em outra fábula sobre a lei do carma, o asno e o lobo reaparecem como personagens:

Certo dia, os dois amigos decidiram tornar-se sócios e saíram ao campo para buscar alimentos. No caminho, encontraram um leão com jeito faminto e feroz. Compreendendo perfeitamente a situação de perigo iminente, o lobo sorriu, avançou com rapidez até o leão e murmurou:

Se você prometer não me atacar, eu posso trair o asno, e desse modo você o prenderá facilmente.”

O leão concordou, e o lobo atraiu o asno para uma armadilha. Porém, logo depois que o asno foi capturado, o leão atacou furiosamente o lobo e fez dele o seu almoço, preferindo guardar o asno para a refeição seguinte.

A conclusão da história é que “os traidores devem esperar por traição”. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. Outra conclusão da fábula é que “os mais fracos fazem bem em unir-se diante dos mais poderosos, sempre que esses abusam do seu poder”. Uma terceira idéia: “devemos ser leais a nossos amigos”.

O carma é um mecanismo complexo. Às vezes ele amadurece imediatamente. Outras vezes é necessário muito tempo. Em todos os casos, o que acontece fica registrado no Akasha ou luz astral e – no momento certo – a justiça cármica retribui a cada um conforme os seus méritos. O carma tem seu próprio ritmo e ele deve ser respeitado. Assim, a busca de vingança pessoal produz maus resultados, conforme conta outra fábula de Esopo:

Muitos anos atrás, um cavalo selvagem possuía um vasto campo de pasto à sua disposição. Certo dia, um cervo invadiu o território e comeu grande parte do alimento. Cego de raiva, o cavalo procurou o homem e pediu sua ajuda para punir o cervo. “Sim, claro”, disse o homem. “Mas, para isso, eu preciso colocar um freio em sua boca e montar sobre suas costas. Assim poderei punir o cervo.” O cavalo concordou, e o homem montou nele. Desde aquele dia, ao invés de obter sua vingança, o cavalo ficou escravo do homem.

A moral da história é que, “buscando vingança, você perde sua liberdade”.

De fato, o rancor pode ser uma grande prisão psicológica – e para alguns, inclusive, uma prisão perpétua. Mas o otimismo, o desapego e o sentimento solidário libertam a alma de sofrimentos.

A lei do carma rege a todos os seres, tanto física quanto mental e espiritualmente. Cada pessoa tem um Carma Mental que produz resultados em seu próprio nível. Nossos hábitos de pensamento são nosso carma, porque criam nossa maneira de ver o mundo – e de viver. O pensamento influencia decisivamente cada aspecto da vida. Aquele que busca enganar outras pessoas pode obter vantagens externas de curto prazo, porém adquire inevitavelmente um mau carma correspondente no plano mental, onde tudo é mais durável que nos planos inferiores da realidade. As vantagens pessoais obtidas por meios injustos são colocadas dentro de uma atitude mental negativa. Na verdade, elas surgem de uma atitude mental negativa e a reforçam. O mentiroso perde o sentido da realidade, e assim atrai sofrimento para si mesmo. Em compensação, a opção pela sinceridade é uma fonte de bênção, a médio e longo prazo, embora a curto prazo possa trazer conseqüências incômodas. A história de um lenhador que jamais mentia demonstra essa verdade.

Conta Esopo:

Cortando uma árvore na beira de um rio, um lenhador deixou seu machado cair na água. Desesperado ao ver que perdera seu instrumento de trabalho, ele sentou à margem do rio e começou a chorar. Mas o rio pertencia ao deus Mercúrio, que teve compaixão do lenhador. Mercúrio voou até o local e mergulhou no rio. Pouco depois, emergiu da água com um machado de ouro e perguntou ao lenhador:

Esse é o seu machado?”

O homem disse que não. Mercúrio mergulhou pela segunda vez e voltou com um machado de prata:

É seu?”

E o lenhador disse que não.

Então Mercúrio mergulhou pela terceira vez, trouxe o machado do lenhador, entregou-o e, como presentes, deixou com ele também os machados de ouro e de prata.

No dia seguinte, o homem contou aos seus amigos o que acontecera. Um deles decidiu fazer uma experiência: foi ao mesmo lugar do rio, deixou seu machado cair na água intencionalmente, e então começou a chorar. Mercúrio não tardou a aparecer. O deus de pés alados mergulhou nas águas e, ao voltar, apresentou-lhe um machado de ouro, perguntando se era dele.

Sim, esse mesmo”, mentiu de imediato o lenhador, estendendo o braço para agarrar o objeto precioso.

Indignado com a insinceridade, Mercúrio não lhe entregou o machado de ouro, e tampouco lhe devolveu o seu machado comum de ferro e madeira.

Moral da história: “em todas as situações, a melhor estratégia é a honestidade”.

De fato, a vida testa a cada momento a nossa decisão de agir corretamente. O uso da atenção e da perseverança permite identificar as sutis relações de causa e efeito que ligam a ignorância espiritual ao sofrimento físico e emocional.

Assim podemos perceber que cada um é senhor de seu destino – que cada ser provoca a sua própria felicidade ou seu sofrimento – e fica um pouco mais fácil percorrer o caminho ao autoconhecimento.


FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

“Aesop’s Fables”. Penguin Popular Classics, selected and adapted by Jack Zipes, Penguin Books, U.K. , 1996, 212 pp.
Aesop’s Fables”, Illustrated by Arthur Rackham, Wordworth Classics, Wordworth Editions, UK, 1994, 200 pp. Introduction G.K. Chesterton. Translation by V.S. Vernon Jones.
Fábulas de La Fontaine”, Jean de La Fontaine, Ed. Itatiaia, Belo Horizonte, edição em dois volumes.
Fábulas”, Esopo, Planeta DeAgostini/Editorial Gredos, Madrid, España, 1993, 156 pp., traducción y notas de Pedro Bádenas de la Peña.
The Fables of Phaedrus”, translated by P.F. Widdows, University of Texas Press, Austin, USA, 170 pp.
Fábulas”, Esopo, L&PM Pocket, Porto Alegre, 2003, 184 pp.
Fábulas de Fedro”, em latim e português, tradução linha por linha, com comentários, Maximiano Augusto Gonçalves, Livraria H. Antunes Ltda, Editora, Rio de Janeiro, quinta edição, 1957, 352 pp.