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quinta-feira, 28 de junho de 2007

REGRESSÃO À VIDA INTRA-UTERINA

Postado por: Admin em Quinta, 24 de Fevereiro de 2005 às 19:06
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Como ocorre a Terapia Regressiva a Vivências Passadas? Como nossa
personalidade pode ser construída a partir da vida intra-uterina?

Juliane Prieto Peres e Maria Júlia Prieto Peres

A Terapia Regressiva Vivencial Peres, (TRVP) ou Terapia Regressiva a
Vivências Passadas - Técnica Peres foi sistematizada pela médica
Maria Júlia Pereira de Moraes Prieto Peres em mais de 15 anos de
experiência no assunto, quando além do aprendizado no trabalho
pessoal com seus clientes, contou com a colaboração de sugestões e
críticas construtivas de colegas, com leituras constantes em
bibliografia internacional e viagens para fins didáticos, mantendo-
se em constante atualização.

Essa técnica diferencia-se das demais por atender somente a
objetivos terapêuticos, não satisfazendo, portanto, curiosidades
pessoais. E, como uma psicoterapia, mantém neutralidade na área
religiosa, respeitando a interpretação que o paciente faz em relação
ao conteúdo aflorado na vivência, e trabalhando essa vivência
segundo as crença do paciente.

Na TRVP, as sessões têm sempre a duração de duas horas. Após uma
cuidadosa entrevista inicial, se for indicada a aplicação da TRVP, o
terapeuta procede às sessões de anamnese, quando há um extenso e
minucioso levantamento de toda sua história. Somente então as suas
sessões de regressão são iniciadas.

A SESSÃO

Em uma sessão de regressão, o processo se inicia pela indução a
estado modificado da consciência, através do relaxamento físico e
mental do paciente. Faz a conexão com o inconsciente, detectando
traumas do passado que constituem a etiologia de seu problema atual.

Em uma situação traumática, muitas vezes a mente faz um registro
distorcido da realidade. Ele grava um determinado padrão de
comportamento e passa a repeti-lo, numa tentativa de se defender da
possibilidade de passar novamente por aquele trauma. O indivíduo vai
se acostumando, se habituando a fazer isso, até que chega em um
ponto que não se lembra mais quando criou esse padrão, como e porque
o está repetindo. Só tem consciência de seu problema, que se
manifesta através de sintomas e características especiais.

Através das vivências da regressão de memória (TRVP), a pessoa tem a
oportunidade de se conscientizar daqueles traumas do passado que lhe
causaram o problema atual. Ela revivencia aquele fato traumático,
liberando o conteúdo emocional e organo-sensorial correspondente,
extravasando e se distanciando daquela emoção através de uma catarse
integrativa.

Por todas as vivências da regressão de uma sessão, obtém-se do
paciente o momento mais traumático, em que se estabeleceu uma
decisão de vida (padrão negativo de comportamento) que está causando
desajustes atuais. Nesse momento, o paciente tem a chance de
modificar esse registro negativo que vem repetindo, criando uma
redecisão com propostas de respostas mais adequadas para a auto-
resolução de seus conflitos.

Essa técnica introduz a desprogramação das emoções vinculadas às
lembranças traumáticas por padrões mais saudáveis, baseando-se em
sua redecisão. Segue-se ao retorno, pelo qual o paciente é
conscientizado de sua situação no tempo e no espaço, no aqui e agora
(nome, data e local da sessão) e do seu do seu estado de vigília. Em
seguida, há a finalização, quando o cliente é incentivado a
permanecer em profundo equilíbrio emocional e mental.

Em sessões subseqüentes, o terapeuta trabalha com o paciente
integrando-o e elabora o conteúdo aflorado em regressão, conduzindo-
o a refletir sobre analogias entre os traumas vivenciados e o
problema que está em pauta. Trabalha os recursos do paciente para
desenvolver os primeiros passos práticos, comportamentais, no
sentido de sua transformação, utilizando-se dos instrumentos
adquiridos na vivência regressiva. É preciso aprender a lidar com
essa ferramenta nova e isso exige um treinamento para levar à
prática, ao hábito desse novo comportamento.

Muitas vezes, o padrão negativo, que está gerando o problema, vem
sendo repetido há muito tempo, estando enraizado. Essa mudança é
árdua e exige um investimento intenso, através da vontade e do
trabalho diário do paciente consigo mesmo, no sentido da
autopercepção, exercício e utilização dos recursos adquiridos na
vivência regressiva.

Essa técnica é vivenciada e explicada nos Cursos de Formação e
Especialização em TRVP, que constam de 16 módulos teóricos e prático-
vivenciais, em que todos os participantes, somente médicos e
psicólogos, passam por experiências da terapeuta, paciente,
observador, relator, assistente e questionador dos processos
regressivos ocorridos durante o curso.

A Terapia Regressiva a Vivências Passadas ou Terapia Vivencial Peres
trabalha com lembranças traumáticas de algum período do passado, que
pode referir-se a um fato traumático ocorrido na semana passada, ano
passado, adolescência, infância, nascimento, vida intra-uterina,
concepção ou um conteúdo que, segundo o modelo reencarnatório, pode
ser focalizado como em vidas passadas. Esse conteúdo pode ser
considerado como uma manifestação do inconsciente e como tal tem um
sentido e uma relação com o problema trabalhado. Existem, também,
muitos outros modelos explicativos para a regressão de memória.

REGRESSÃO À VIDA INTRA-UTERINA

O assunto aqui tratado é especificamente a regresso à Vida Intra-
Uterina (VIU), ou seja, quando um trauma de VIU origina um problema,
uma dificuldade, um transtorno futuro, mais, ou quando esse trauma é
um evento reforçador de um problema já existente.

A criança, antes do nascimento, é um ser dotado de sentimentos, de
lembranças e de consciência, portanto, tudo o que lhe acontece nos
nove meses de gestação tem grande importância na formação e na
estruturação da personalidade.

O feto pode ver (sensibilidade à luz), ouvir, degustar, entender e
aprender num nível primitivo. Ele é capaz de manifestar sentimentos
menos elaborados que os adultos, mas bem reais. Ele pode acionar uma
ou outra tendência, conforme as mensagens que recebe no útero (que,
de alguma forma vão sendo moldadas). A principal fonte dessas
mensagens é a mãe. O feto capta os pensamentos, sentimentos e
sensações da mãe, que interferem no modo significativo em sua forma
de ser.

Pesquisadores como os médicos Thomas Verny, Dominik Purpura, David
ChamberLain Stanistaw Grof, e outros, descobriram que existe uma
ligação intra-uterina muito complexa, gradativa e sutil quanto à
estrutura racional que se estabelece após o nascimento. A ligação
entre mãe e filho, que se estabelece após o nascimento, é a
conseqüência do que a precedeu.

Existe uma comunicação fisiológica, psicológica e extra-sensorial
entre mãe e feto. As perturbações do bebê são provocadas tanto pelas
conseqüências psicológicas, quanto pelas conseqüências físicas da
ansiedade, depressão, aflições, medo, estresse etc. O que traz uma
repercussão mais profunda na criança não são as preocupações menores
da mãe, mas uma ansiedade crônica ou uma ambivalência perturbadora
dos pensamentos e dos sentimentos em relação a maternidade. Por
exemplo, um sentimento negativo, imenso e duradouro de rejeição à
criança pode deixar uma cicatriz profunda.

Perdas afetivas, mortes, separações, choques emocionais, grandes
catástrofes, acidentes, agressões etc., podem gerar desajustes
emocionais no paciente, que variam de acordo com a forma e com a
intensidade com que ele registrou aquele fato traumático. Podem
ainda esgotar as reservas emocionais da mulher grávida a ponto de
torná-la incapaz de se comunicar com o filho que carrega. E ele
percebe isso.

No ambiente familiar, o pai também tem influência muito importante
sobre o feto. O estresse do pai, por exemplo, tem uma repercussão
direta sobre o filho em formação, e também indireta através da mãe.
Uma discussão entre os pais e o desajuste familiar também podem
perturbar intensamente o ser que está no útero materno.

Traumas em Vida Intra-Uterina, dependendo das heranças que aquele
ser traz, podem gerar diferentes transtornos futuros como:
insegurança, dificuldade de relacionamento, transtornos depressivos,
transtornos ansiosos (na tentativa de satisfazer o outro para ser
amado), personalidade dependente etc.

O feto tem necessidades intelectuais e afetivas mais primitivas que
as nossas, mas que realmente existem, como as de querer se sentir
amado e desejado. Esse sentimento tem uma repercussão importante na
segurança e auto-confiança. Emoções positivas de alegria e espera
contribuem de maneira importante no desenvolvimento afetivo da
criança sadia.

Se considerarmos o modelo reencarnatório, que é apenas um dos
modelos explicativos da regressão da memória, podemos perceber que
essa criança apresenta um passado muitas vezes tumultuado com esta
família, trazendo vivências de inimizade. Esse passado pode ser mais
ou menos aflorado dependendo dos estímulos por ela vivenciados.

A criança dentro do útero pode manifestar um comportamento de
rejeição da mãe em relação a ela. Ou a criança pode manifestar um
sentimento espontâneo de rejeição àquela mãe, àquela família, àquela
condição financeira, cultural, social, racial, sentimento este que
pode levar a desânimo, tristeza, falta de motivação, revolta,
depressão, insegurança, ansiedade, dificuldade de relacionamento em
geral ou especificamente entre mãe e filho.

COMO ACONTECE ESSA COMUNICAÇÃO?

A criança percebe uma ação ou pensamento da mãe e seu cérebro
transforma isso imediatamente em uma emoção e comanda o seu corpo a
um conjunto de reações. Se a mãe sente medo, ansiedade, depressão ou
estresse, ela desencadeia uma descarga hormonal, que se de forma
intensa e contínua, pode trazer nessa criança uma predisposição a
esse sentimento. Se a atenção da mãe está completamente absorvida
pela tristeza, por uma perda e se ela se fecha em si mesma, é
provável que sua criança sofra profundamente. O feto não dispõe de
recursos suficientes para tolerar essa sobrecarga.

Um consumo excessivo de tabaco, álcool e de medicamentos, ingestão
excessiva de alimentos ou privação alimentar, insônia ou hipersônia
também são formas de comunicação materna, que prejudica fisicamente
o feto e, emocionalmente, traduzem de modo indireto a sua ansiedade.

Mesmo sem estar em perigo, no momento em que o feto percebe a
aflição materna, ele pode reagir com vigorosos pontapés. O feto
reage diante do crescimento da taxa de adrenalina produzida pela mãe
e em "solidariedade" à aflição da mãe.

Portanto, a ameaça mais grave ao feto é a reação emocional da mãe a
longo prazo e quando suas necessidades físicas ou psicológicas são
ignoradas. Ele não exige nada de extraordinário, tudo o que quer é
um pouco de amor e de atenção, e quando os obtém, tudo mais, mesmo a
formação da ligação com sua mãe, acontece automaticamente.

A formação da ligação entre a mãe e o feto exige tempo, amor e
compreensão para que ela exista e funcione de maneira satisfatória.
A criança antes do nascimento possui recursos resistentes para fazer
durar uma emoção materna. Mas ela não pode se comunicar sozinha. Se
a mãe bloqueia a comunicação afetiva, ela fica desamparada.

Segundo a medicina tradicional, a criança, antes de dois anos era
incapaz de ter lembranças porque seu sistema nervoso não está
completamente mielinizado (mielina é uma substância que envolve a
fibra nervosa) e não pode assim transmitir mensagens. Porém,
pesquisadores descobriram que a falta de mielina retarda a condução
de impulsos nervosos, mas não os impede de passar.

Também a psiquiatria tradicional afirmava que a criança antes de
dois anos era incapaz de pensar. Porém, hoje sabemos que mesmo antes
do nascimento, os esquemas de memória estão delineados e que eles
seguem modelos reconhecíveis. Nesse estágio, o cérebro da criança e
seu sistema nervoso estão suficientemente desenvolvidos para que
isto seja possível, e o fato de a lembrança desse período ter uma
forma e um contorno identificáveis, que pode ser acionada através da
regressão de memória, vem confirmar a hipótese de que antes do
nascimento o cérebro já tem um funcionamento semelhante ao adulto.

A FORMAÇÃO DA MEMÓRIA

No fim da décima segunda semana, o feto está inteiramente formado e
nesse período aparecem os primeiros sinais da atividade cerebral. A
partir do terceiro trimestre de gestação, o cérebro já tem um
funcionamento semelhante ao do adulto. A partir do sexto mês após a
concepção, o sistema nervoso central da criança é capaz de receber,
tratar e codificar as mensagens; a memória neurológica já está
funcionando.

Muitas lembranças escapam à memória voluntária, talvez pelo processo
em que intervém o neuropolipeptídio ocitocina, produzida pelas
mulheres no momento do parto, e que controlam o ritmo das contrações
do útero nessa ocasião e fluem para a circulação da criança. A
ocitocina produzida em grande quantidade provoca amnésia em animais
de laboratório. Talvez essa possa ser a explicação para as
lembranças anteriores desaparecerem durante o nascimento.

A capacidade de recuperar essas memórias de vida intra-uterina, mais
tarde, está ligada à produção de hormônio adrenocorticopina ou ACTH,
que ajuda a fixar as lembranças. Quando uma mulher grávida ou que
está dando a luz se sente tensa, sofre pressão ou medo, libera
hormônios do estresse (cortizol), e a substância que regula seu
fluxo é o ACTH, como acontece em qualquer pessoa que sinta medo ou
ansiedade. A gestante nessa situação libera muito hormônio que chega
à circulação sanguínea da criança e ajuda a conservar uma imagem
mental do sentimento de sua mãe e seus efeitos sobre si.

ELABORANDO A VIVÊNCIA

No processo de Terapia Regressiva Vivencial Peres, trabalha-se com
um tema de cada vez, com uma série de regressões focalizando esse
tema, nos diferentes períodos da vida do paciente. Entre uma
regressão e outra, trabalha-se aquele conteúdo que aflorou na
regressão, com o objetivo de conduzir o paciente e elaborá-lo. Essas
sessões de elaboração e integração têm extrema importância para o
paciente poder aproveitar da melhor forma possível aquela vivência,
e utilizá-la no seu dia-a-dia na solução de seus problemas fazendo a
relação entre os pensamentos, sentimentos, sensações e
comportamentos vivenciados na regressão suas características atuais.
Nessa série de regressões, é importante focalizar alguns períodos de
vida, significativos, como idade adulta, adolescência, infância,
nascimento, vida intra-uterina e supostas vidas passadas; momentos
importantes em que a pessoa pode ter criado um padrão de
comportamento negativo ou pode ter reforçado um padrão que já
existia. Então, a vida intra-uterina sempre será viv
enciada em regressão, em cada problema que o paciente trabalhar.

Existe algumas fases importantes no período gestacional, como:
momentos e circunstâncias que precedem a concepção; suspeita da
gravidez e confirmação da gravidez; período subseqüente da gestação
e momentos que precedem o nascimento. Vejamos agora alguns exemplos
clínicos de regressão à VIU.

DEPRESSÃO

E.F.G. mulher, 40 anos, solteira, engenheira. Queixa-se de depressão
desde a adolescência. Sua mãe havia tido um aborto espontâneo, seis
meses antes de engravidar dela. Parto difícil e demorado, quando a
mãe sente medo e desespero. O paciente com dificuldade de
relacionamento afetivo com os homens porque não aceitava-se como
mulher. Dificuldade de relacionamento com a mãe, por sentir-se
rejeitada por ela, e rejeitá-la também.

Vivências regressivas: Vivencia sua mãe se contorcendo de dor,
assustada. Sente-se como em um turbilhão. Vai sentindo apertada.
Sente que algo está dando errado. Sente-se fraca e com a respiração
difícil. Tudo escuro. Mãe está com medo. A paciente diz que tem a
impressão de estar cometendo suicídio. Tem um sentimento de
fracasso. Mãe tem medo de engravidar. Sente vontade de ajudá-la a
não ter medo, mas também tem um impulso de não querer nascer como
mulher, porque acha que vai sofrer muito. Sente contra essa condição
e medo de enfrentar a vida num corpo feminino. Não quer estar ali,
sente-se contrariada. A paciente diz perceber que a mãe pressente
que ela não quer estar ali e sente medo e insegurança. Diz que acha
que transmite esses sentimentos para a mãe. Diz sentir provocar seu
próprio abortamento, por não querer nascer, pelo medo de passar por
todo sofrimento de novo; tem a sensação de fracasso e de culpa.
Sente que aproveita o medo da mãe e provoca sensações desagradáveis
no corpo dela, através de movime
ntos bruscos e desordenados, que fazem com que a mãe aumente o seu
medo. Percebe sua mãe sonhando com um parto mal sucedido e sente que
esse sonho exerce influência sobre ela.

E, ao mesmo tempo, também sente medo. A mãe vai ficando perturbada,
descontrolada emocionalmente, deixa de ter cuidados com o próprio
corpo e acaba tendo um aborto espontâneo.

Momento mais traumático: Abortamento.

Decisão: Eu me destruí. Sinto culpa por ter destruído essa chance.

Relação com o tema repressão: Não mereço viver. Sentimento de culpa
e de fracasso. Autopunição através da depressão.

Redecisão: Eu aceito, valorizo e agradeço pela minha vida.

Mais ou menos de um terço dos abortos espontâneos, são clinicamente
inexplicáveis; a mãe tem boa saúde e é fisicamente capaz de carregar
uma criança em seu útero, mas suas dificuldades são emocionais. O
pesquisador T. Verny concluiu que o temor ou o sentimento de sua
responsabilidade e o medo de pôr no mundo uma criança anormal
aumentam, organicamente, o risco de aborto espontâneo.

Através da TRVP percebemos que a mãe pode provocar um aborto
espontâneo inconscientemente, através da falta de cuidado físico e
emoções desequilibradas. Uma parte da responsabilidade pela gravidez
também é do feto, que garante o bom funcionamento endócrino da
gravidez e desencadeia uma parte das inúmeras mudanças físicas,
pelas quais passa o corpo da mãe, para assegurar seu desenvolvimento
e sua alimentação antes do nascimento. Ela produz substâncias,
contribuindo ativamente para a sua sobrevivência.

Em outra regressão, essa paciente vivenciou novamente a vida intra-
uterina, com a mesma mãe, agora na gestação da vida atual. Entrou em
contato com uma sensação de que sempre deve estar em alerta, porque
tem a impressão de que vai acontecer alguma coisa ruim. A mãe sente
medo de abortar novamente e a paciente, na vivência dentro do útero,
sente medo de morrer antes de nascer e medo de se movimentar. Fica
imóvel com medo de assustá-la. Sentimento de culpa por estar
desencadeando mal-estar em sua mãe. Sensação de angústia como se
estivesse perdendo tempo.

Nessa vivência, surgiu um aspecto de depressão, medo, revolta,
culpa. Sua depressão estava intimamente relacionada à revolta contra
a própria vida, ou contra o próprio corpo feminino, situação
financeira, cultura, raça etc., fazendo com que ela entrasse num
processo de vitimização, sentimento de injustiça, desânimo, falta de
motivação pela vida, tristeza. Essa paciente apresenta uma doença
auto-imune, que pode ser melhor compreendida num processo de
autopunição pela sua parcela de responsabilidade pelo aborto. Tinha
também pesadelos, nos quais via-se girando num meio a um turbilhão.

Depois de esgotado o tema da depressão, essa mesma paciente
trabalhou a dificuldade em aceitar-se como mulher e vivenciou em
regressão um outro aspecto da vida intra-uterina: seus pais
desejavam um filho do sexo masculino. Não queria decepcioná-los
porque sabia que ela não era quem eles gostariam que fosse. Não
queria nascer. Desenvolve então um padrão: "vou ser forte como um
homem para satisfazê-los, para conquistar o amor deles". Em algumas
regressões anteriores, a paciente vivenciou cenas em que ela própria
entendeu como, em vidas passadas, em que era homem, fez sofrer
muitas mulheres, tratando-as como um ser inferior.

INSEGURANÇA

H.I.J. mulher, 48 anos, divorciada, empresária. Queixa-se de
insegurança, manifestadas por medos, há 17 anos.

Vivências regressivas: Aos dois meses. Mãe está tomando algo ruim
para abortá-la, sente desconforto na garganta e no nariz. "É para eu
morrer, eu não quero morrer". Sente a boca amarga. Percebe-se
intoxicada fisicamente e pelo sentimento da mãe. Manifesta raiva da
mãe por ela rejeitar a sua gravidez. Depois sente alívio por não ter
morrido.

Diz que identifica pensamentos do tipo: "o mundo é ruim". Percebe
que a mãe esta passando fome porque sente uma fraqueza, uma queda da
sua vitalidade.

Aos três meses. Sente que seu pai também quer matá-la. Pai bate na
mãe e ela se percebe como se estivesse apanhando também. Apresenta
dor no corpo e fica toda encolhida. Sente-se rejeitada.

Tem medo de nascer e continua apanhando. "tenho que ser
encolhida", "tenho que ficar quieta".

Quer dizer para o pai que ela quer viver e dá um chute. Diz sentir-
se como se estivesse chorando por dentro, como se estivesse saindo a
tristeza de dentro dela, através do seu coração. A mãe sente-se
também rejeitada pelo pai.

Aos quatro meses. Chora. "Ninguém me quer". Encolhe-se toda. Mãe
está triste e quer morrer. Ouve a mãe dizer: "O que eu fiz para
merecer isso?". Mãe refere-se às dificuldades financeiras, desprezo
de sua família, mas a paciente diz que sente como se referisse a
ela. Sentimento de querer dar forças à mãe. Sente que precisa morrer.

Momento mais traumático: Tentativa da mãe em provocar abortamento.

Decisão: "Se nem meus pais me querem, ninguém mais vai me querer,
Não sou digna do amor de ninguém".

Redecisão: "Eu me valorizo e me aproximo das pessoas, com amor".

A paciente estava fixada no sentimento da vítima, acreditando que
ninguém poderia querê-la; ela também afastava-se das pessoas e foi
necessário em seu processo psicoterápico trazer a responsabilidade
para ela mesma, para se tornar mais ativa, indo em direção às
pessoas e melhorando sua auto-estima.

Seu sentimento de rejeição fazia com que nenhum afeto fosse
suficiente, e fazia com que a paciente criasse uma defesa de também
rejeitar os pais e sentir raiva deles. Ela apresentava um problema
sério de relacionamento com os pais e com as pessoas em geral, pela
insegurança, timidez e sentimento de incapacidade. Tinha uma
personalidade independente por ter auto-estima comprometida. Após as
sessões de regressão e da prática de suas redecisões, seus problemas
foram plenamente solucionados.

Uma ligação intra-uterina sólida constitui a melhor proteção da
criança contra os perigos do mundo externo. Através desses
conhecimentos, mães e pais dispõem de uma oportunidade rica de
participar da formação da personalidade de seu filho antes do
nascimento, acionando suas tendências mais positivas, registrando
nos níveis físico e espiritual, e incentivando nesse novo ser,
sentimentos éticos de interesse e compreensão pelo outro de trabalho
e doação.

Fica clara a responsabilidade dos pais de estimularem
intelectualmente e afetivamente o novo ser, desde o início de sua
vida intra-uterina, contribuindo para desenvolver suas melhores
tendências, ensinamentos positivos, inibindo e diluindo as suas
dificuldades.

Para obter maiores informações sobre a Terapia Regressiva, poderá
entrar e contato com a clinica do Dr. Júlio Peres através do
telefone: (11) 288-6523

Notas: (Extraído da revista Cristã de Espiritismo 23, páginas 28-
35)

CARMA E REENCARNAÇÃO – VIDA E REALIZAÇÃO SADIA

Enviado por: "Dalton Roque" daltonroque@yahoo.com.br daltonroque

Ter, 26 de Jun de 2007 10:29 am

CARMA E REENCARNAÇÃO – VIDA E REALIZAÇÃO SADIA
Postado por: Admin em Sábado, 09 de Junho de 2007 às 19:13
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(Alguns Toques Vitais da Sabedoria Cigana)

Todo espírito é meio-cigano!
Ao longo das muitas vidas, viaja muito.
Uma hora, é mulher; outra hora, homem... Eternamente viajando...
Quantas vezes dançou em volta de fogueiras?
Quantas vezes teve seu sono embalado pelos pais, enquanto ouvia
histórias sobre heróis e fadas?
Quantas vezes amou, brigou e entrou e saiu de corpos transitórios?
Quantos parceiros já teve?
Que riqueza é a reencarnação!
Poder ser homem ou mulher; alto ou baixo; branco ou negro; amarelo
ou vermelho; gordo ou magro. Tudo é possível!
A riqueza está na mudança, na possibilidade de ir e vir, sempre...
O espírito é o mesmo, mas a roupagem muda, como deve ser.
Os milênios passam, as vidas se sucedem, e as danças mudam!
Quem não aceita a reencarnação, é porque quer tudo igual, sempre
formatado de acordo com a própria intransigência.
No entanto, o idoso de hoje será a criança do futuro. E a criança de
agora é o velho de outrora! Atrás do véu dos sentidos e dos corpos,
o mesmo espírito.
Nos olhos - azuis, verdes, castanhos, claros ou negros -, o mesmo
brilho do eterno. Que maravilha, poder ser tudo, de todos os jeitos!
Poder aprender bastante, sendo muitos! E, ao mesmo tempo, sendo o
mesmo!
Todo espírito é meio-cigano, pois viaja muito... E dança em volta
das fogueiras do infinito.
E a Mãe Divina - ou Pai Divino, se quiserem -, dança junto, dentro
de cada ser.
A vida jamais será do jeito que os homens desejam.
Cada dança é diferente das outras; cada momento é uma dádiva; cada
vida, uma grandeza! Mudam as vestimentas e os costumes. Contudo, o
dançarino é o mesmo, pois é eterno!
Que todas as danças sejam lindas! Que os dançarinos sejam muito
felizes!
Comemorem a vida, de que jeito ela vier!

* * *

Ninguém é marionete!
Cada um é que faz a própria vida.
Cada escolha gera repercussões.
Cada ser é sagrado!
O amanhã é feito dos momentos presentes.
Cada um carrega o futuro dentro de si mesmo
Suas contradições e, também, seus acertos.
Construção ou destruição?
Bênção ou maldição?
Cada um escolhe como quer ser e viver.
Cada um leva consigo mesmo a energia do que se projeta como atitude
no mundo. Cada um é responsável pelo que pensa e sente!
Cada um faz sua música se propagar nas ondas do mundo.
Na longa fieira das vidas seriadas, quem semear, colherá!
E, neste exato momento, cada um está fazendo o seu amanhã.
Que a semeadura seja linda, para que a colheita seja feliz!
Na vida, no amor, e em qualquer coisa, cada um faz o seu próprio
caminho.
Chamam isso de causa e efeito! Mas, as ciganas chamam de liberdade
de escolha.
No baralho da vida, cada um joga com as cartas que tem na mão.
Ás ou rei? Valete ou dama? Não importa!
O que vale é saber jogar direito com a mão que se apresenta.
As cartas são da vida e mudam de mão; mas os jogadores são os mesmos;
Só mudam a mesa e as jogadas.
Quem quiser conhecer o seu amanhã, que preste atenção no seu dia de
hoje, pois um é efeito do outro.

- As Ciganas -

(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - São Paulo, 20 de
outubro de 2006.)

Nota de Wagner Borges:
Esses escritos foram recebidos espiritualmente no quadro de aula do
salão do IPPB, durante palestra pública, diante das 200 pessoas
presentes. As entidades comunicantes são duas lindas ciganas
desencarnadas e profundas conhecedoras dos meandros cármicos. São
especialistas em relações humanas e craques nas coisas do coração.
Ambas fazem parte de um grupo extrafísico ligado à atmosfera
espiritual do povo cigano. Foi a primeira vez que vi as duas, e elas
trouxeram uma energia de alegria contagiante. Por onde elas passam,
tudo fica cheio de vida. Além de lindas, ambas são muito
inteligentes e sensuais, naturalmente.
A mensagem do grupo delas é de universalismo, amor pela vida e
aproveitamento sadio das oportunidades de aprendizado na carne.
Espero que elas apareçam novamente e deixem outros toques legais
sobre essas questões humanas e espirituais.

Nota:
* Carma – do sânscrito Karma - ação; causa – é a lei universal de
causa e efeito. Tudo aquilo que pensamos, sentimos e fazemos são
movimentações vibracionais nos planos mental, astral e físico,
gerando causas que inexoravelmente apresentam seus efeitos
correspondentes no universo interdimensional. Logo, obviamente não
há efeito sem causa, e os efeitos procuram naturalmente as suas
causas correspondentes. A isso os antigos hindus chamaram de carma.

Obs.: Para enriquecer esses escritos sobre carma e reencarnação,
reproduzo na seqüência um texto sobre o tema, extraído do meu
livro "Viagem Espiritual".

CARMA E REENCARNAÇÃO

A vida apresenta experiências diferentes para cada um, de acordo com
a necessidade de aprendizado da consciência.
Nem sempre essas experiências se afiguram agradáveis no momento em
que aparecem. Na verdade, a maioria dessas experiências, devido à
imaturidade dos envolvidos no processo, provoca gemidos desesperados
e revoltas inúteis. É que a renovação espiritual geralmente é
precedida de algumas crises que pressionam a consciência em evolução
na direção de suas próprias barreiras espirituais.
Vale dizer que cada consciência é responsável, direta ou
indiretamente, pelo próprio destino.
Através de nossas ações, desencadeamos forças espirituais invisíveis
e automáticas que criam reações correspondentes às ações criadas. A
isso os orientais denominaram "CARMA", a lei da causa e efeito
espiritual, que domina e educa as consciências em evolução.
As leis de causa e efeito são universais, abrangentes e inerentes à
todas as criaturas em evolução, desde os seres altamente avançados
até os mais atrasados, cada um em seu nível de manifestação e
entendimento.
O amadurecimento da consciência só se dá mediante a vivência de
experiências variadas no colégio da vida. Por isso, somos colocados
em contextos diferentes para adquirirmos a "textura espiritual" que
nos falta. É a busca pelo "diploma consciencial".
No processo de crescimento evolutivo, constatamos alguns mecanismos
do ensino cósmico, subdivididos nas seguintes etapas:
- A reencarnação nos matricula na escola tridimensional de
manifestação evolutiva.
- A morte nos matricula na escola interdimensional de manifestação
evolutiva.
- A evolução é diretora da escola.
- A reencarnação é sua professora preferida.
- A lei do carma é sua inspetora predileta.
Certa vez, um poeta espiritualista definiu a natureza como sendo o
subconsciente de Deus e a evolução como sendo seu instrumento de
aperfeiçoamento das coisas criadas. Fazendo uma analogia com essa
idéia, nós poderíamos dizer que o carma é o subconsciente da
natureza e a reencarnação é o instrumento de aperfeiçoamento das
consciências em evolução, através das experiências manifestadas nos
diversos planos de manifestação da vida interdimensional.

- Rama -

* * *

As tendências que assolam a consciência reencarnada nada mais são
que as reminiscências inconscientes das ações executadas no passado,
as qualidades adquiridas e os desejos manifestados de outrora.
Hoje, sob o jugo da vida atual, a consciência procura harmonizar-se,
objetivando novas realizações para o futuro.
A reencarnação é, então, o encontro com o passado, através das
tendências manifestadas.
A vida processa a renovação espiritual, ocultando a consciência
através do processo reencarnatório em um corpo físico diferente dos
anteriores, objetivando com isso dar outra chance educativa para a
consciência em evolução.
É um processo restaurador e a consciência envolvida não percebe a
extensão da imensa trama tecida para seu próprio progresso e bem
estar.
É certo que é um processo lento, se for mensurado pela medida de
tempo humana, mas, analisado de maneira atemporal, uma reencarnação
é apenas um segundo na eternidade, pois o tempo não existe.
É certo também que o processo reencarnatório exige o esquecimento
das vidas anteriores e isso tem sua razão de ser. Tal imposição do
processo é apenas uma medida de segurança e um alento para o
espírito endividado pela própria imaturidade. Não lembrando
conscientemente os atos cometidos anteriormente, a consciência pode
recomeçar limpamente uma nova etapa*.
Sendo assim, cada consciência deve ter em mente, que, para vencer os
ciclos reencarnatórios, há que desenvolver em si mesma os dois
principais recursos que tem: o amor e a criatividade.
Que cada um trilhe bem seu caminho evolutivo com a noção exata dos
códigos siderais de educação que a evolução impôs a todos.
Que ninguém se esqueça de que a trilha evolutiva nos reserva no
amanhã aquilo que plantamos hoje, pois se "a semeadura é livre, a
colheita é obrigatória".
Em qualquer lugar, em qualquer tempo, somos nós mesmos e o encontro
com as conseqüências dos nossos atos é inexorável.
Por isso, semeie agora amor e criatividade em cada ação, para colher
espiritualidade e bondade por toda a eternidade.
Nós estamos por aí com vocês!**

Paz e Luz!

- Ramatís –
- Recebido espiritualmente por Wagner Borges - Texto extraído do
livro "Viagem Espiritual" – Editora Universalista 1993.

Notas:
* "Eles passam por cada uma dessas vidas mortais sem qualquer
recordação do que houve antes. Este conhecimento permanece oculto
nos recônditos de suas memórias, no fundo da consciência...
aguardando serem despertadas por uma mente que possa transcender-se,
que ouse enxergar além de seus próprios limites para perceber sua
conexão com o infinito."
- Trecho extraído da "Graphic Novel" nº 10; p. 24 - abril de 1989;
Editora Abril.
** Ramatís – do sânscrito "Sry Rama-tys" – sábio mentor espiritual
que coordena um grande grupo de trabalhadores extrafísicos no Astral
do Brasil.
Rama, o autor da primeira parte desses escritos, é um de seus
discípulos extrafísicos. Vários textos deles estão incluídos no
primeiro volume da série de livros "Viagem Espiritual" – que se
encontra esgotado no momento.
Os volumes 2 e 3 podem ser adquiridos no IPPB – que remete pelo
correio – Fones: (11) 6163-5381 e (11) 6915-7351 (das 11h ás 17h.) .

Obs.: O quarto volume da série "Viagem Espiritual" será lançado no
segundo semestre desse ano de 2007.

A IMPORTÂNCIA DO SONHO E DOS SONHOS

Enviado por: "Dalton Roque" daltonroque@yahoo.com.br daltonroque

Qua, 27 de Jun de 2007 7:58 am

A IMPORTÂNCIA DO SONHO E DOS SONHOS
Postado por: Admin em Terça, 03 de Maio de 2005 às 16:45
www.ippb.org.br
http://www.ippb.org.br/modules.php?
op=modload&name=News&file=article&sid=3874

É importante que tenhamos um sono tranqüilo, para que possamos
transformar nossos sonhos em fonte de ensinamentos e comunicação.

Marco Túlio Michalick
marcomichalick@bol.com.br

É no momento do sono que nosso espírito se desprende do corpo
físico, permanecendo liga o por um cordão fluídico, e assume suas
capacidades espirituais.Como está descrito no Evangelho Segundo o
Espiritismo, "o sono foi dado ao homem para a reposição das forças
orgânicas e morais. Enquanto o corpo recupera as energia que perdeu
pela atividade no dia anterior, o espírito vai se fortalecer entre
outros espíritos".

Por isso a importância de termos uma conduta moral aplicada, com as
companhias, leituras e músicas. Nossas companhias do dia serão as da
noite, ou seja, o nosso pensamento vai atrair espíritos encarnados
ou desencarnados que tenham a mesma sintonia que a nossa.

Há diversos estudos sobre os sonhos na parapsicologia, tentando
desvendar esse enigma que nos afeta sempre que acordamos na intenção
de decifrarmos algo que às vezes é um sinal, outras vezes não passa
de meras imagens sem significado. Antigamente, os sonhos eram
considerados visões proféticas e reveladoras do futuro, onde homens
entravam em contato com deuses e demônios. Muitas vezes, suas
interpretações ligavam-se a superstições, numerologia, crendices,
astrologia, entre outros.

Ainda hoje, pessoas aproveitam da ignorância dos homens sobre o
assunto e ganham dinheiro fácil na interpretação dos sonhos de quem
as procura com o intuito de decifrá-los. Assim, tornam-se
vulneráveis nas mãos de gente insensata ou espíritos zombeteiros,
levianos e obsessores

É através dos sonhos que temos contato com amigos, parentes,
instrutores e desafetos. Dessa forma, precisamos aproveitar o máximo
para podermos ser esclarecidos sobre as dificuldades que estamos
passando. É através dessa conversa que teremos com esses espíritos
afins que poderemos, no dia seguinte, estarmos aptos a tomar
decisões mais precisas. Mesmo não lembrando do sonho na maioria das
vezes, através de uma visão, uma frase ou uma conversa, podemos
lembrar de algo que nos foi elucidado durante o sonho e, assim,
podermos tomar a decisão correta.

OS TIPOS DE SONHOS

Martins Peralva, em seu livro Estudando a Mediunidade, capítulo
XVII, descreve que há três tipos de sonhos: comuns, reflexivos e
espíritas. Conforme o livro citado, os sonhos comuns são "aqueles em
que nosso espírito, desligando-se parcialmente do corpo, vê-se
envolvido e dominado pela onda de imagens e pensamentos seus e do
mundo exterior, uma vez que vivemos num misterioso turbilhão das
mais desencontradas idéias". Como sonhos reflexivos "categorizamos
aqueles em que a alma, abandonando o corpo físico, registra as
impressões e imagens arquivadas no subconsciente e plasmadas na
organização perispiritual". Já nos sonhos espíritas, "a alma,
desprendida do corpo, exerce atividade real e afetiva, facultando
meios de nos encontrarmos com parentes, amigos, instrutores e,
também, com nossos inimigos, desta e de outras vidas". O autor
destaca ainda que "não podia o Espiritismo fugir a esse imperativo,
eis que as manifestações oníricas têm acentuada importância em nossa
vida de relação, uma vez que os chamados ´sonhos espíritas´
resultam, via de regra, das nossas próprias disposições, exercidas e
cultivadas no estado de vigília".

No livro Nova Ordem de Jesus, ditado pelo apóstolo Thomé e
psicografado por Diamantino Coelho Fernandes, é dito a todo instante
a importância de, ao deitarmos, orarmos e meditarmos. São citados no
livro reuniões da espiritualidade, em especial de Jesus, pelas
quais, através do sonho, Ele mantém reuniões constantes com vários
dirigentes terrenos responsáveis pelo governo de várias nações, com
a intenção deles se entenderem espiritualmente e, posteriormente,
acertarem os passos para a manutenção da paz, consolidando a
harmonia entre os povos terrenos para que o planeta ingressasse no
próximo século com suas populações em absoluto regime de paz e
tranqüilidade.

O sono deve ser tranqüilo e, por isso, devemos fazer a oração com o
coração e não aquela mecânica. A meditação serve para fazermos uma
auto-análise do nosso dia-a-dia, mas sem nos punirmos de algo que
efetuamos erroneamente, pois, dessa forma, estaremos nos
martirizando e essa não é a intenção.

VIAGEM FORA DO CORPO

Se soubermos aproveitar nosso sono, podemos fazer coisas incríveis,
como trabalhar e estudar. Na edição n° 11 da Revista Cristã de
Espiritismo, Reynaldo Leite disse em sua entrevista: "nas poucas
horas que durmo, meu corpo fica repousando e vou para o mundo
espiritual, estou fazendo cursos". Quando foi indagado se recordava
nitidamente das passagens desses cursos, ele respondeu: "Muita coisa
sim, outras ficam em meu subconsciente para que oportunamente,
falando ao público, o meu espírito possa buscar melhores
explicações".

É claro que o aproveitamento desses momentos depende da evolução e
interesse de cada um. Em Missionários da Luz, André Luiz narra o
exemplo de uma escola no plano espiritual onde havia cerca de 300
alunos encarnados matriculados, mas com um comparecimento constante
de apenas 32 deles. Informa que a lembrança do aprendizado variava
de alma para alma e de acordo com o estado evolutivo que lhe é
próprio.

Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec destaca o seguinte sobre os
sonhos: "As mais comuns manifestações aparentes ocorrem no sono,
pelos sonhos: são as visões. Não pode entrar em nosso plano examinar
todas as particularidades que os sonhos podem apresentar. Resumimo-
nos dizendo que eles podem ser: uma visão atual de coisas presentes
ou ausentes; uma visão retrospectiva do passado e, em alguns casos
excepcionais, um pressentimento do futuro".

Até mesmo para evitar o aborto o sono tem um papel importante, pois
é através dele que os futuros pais são levados ao Departamento da
Reencarnação, onde é elucidado que o compromisso reencarnatório deve
ser cumprido. Nesses encontros, o espírito reencarnante é
apresentado e, muitas vezes, é conhecido de outras vidas. Luiz
Sérgio descreve muito bem esse assunto no livro Deixe-me Viver. Como
temos o livre arbítrio, cabe a nós a decisão final de praticarmos ou
não o aborto.

Como sabemos, o homem dorme aproximadamente um terço de sua vida
terrena. Por isto, devemos nos esforçar para dormir bem,
aproveitando esses momentos sublimes para termos contato com
espíritos afins, podermos trocar idéias, visitar-s mos outras
esferas, estudarmos e trabalharmos. Não devemos esquecer jamais da
importância da oração e meditação ao deitarmos, para termos um sono
tranqüilo.

Gostaria de terminar com uma oração do Evangelho Segundo o
Espiritismo: "Minha alma vai se encontrar por instantes com outros
espíritos. Que aqueles que são bons venham me ajudar com seus
conselhos. Meu anjo guardião, fazei com que, ao despertar, eu
conserve uma durável e salutar impressão desse convívio".

Para saber mais sobre o sono e os sonhos, leia O Livro dos
Espíritos, questões 403 a 405.

Ciganos: O Povo da Estrelas

Texto: Cigana Sttrada (do Clã Calon)

(H.R. - Astróloga - Numeróloga - Taróloga da Tradição)

Os Ciganos são chamados de "povos das estrelas" e apareceram há mais de 3.000 anos, ao Norte da Índia, na região de Gujaratna localizada margem direita do Rio Send. No primeiro milênio d.C., deixaram o país e se dividiram em dois ramos: o Pechen que atingiu a Europa através da Grécia; e o Beni que chegou até a Síria, o Egito e a Palestina. Existem vários clãs ciganos: o Kalom (da Península Ibérica); o Hoharano (da Turquia); o Matchuaiya (da Iugoslávia); o Moldovan (da Rússia) e o Kalderash (da Romênia).

Mas essa é mais uma das hipotéses sobre a origem do Povo Cigano. Segundo a nossa Tradição os ciganos vieram do interior da Terra e esperam que um dia possam regressar ao seu lugar de origem. Nada mais podemos revelar sobre isto, pois trata-se de um dos nossos "segredos" mais bem preservados. Fiquem portanto com a imaginação !

O grande lema do Povo Cigano é: "O Céu é meu teto; a Terra é minha pátria e a Liberdade é minha religião", traduzindo um espírito essencialmente nômade e livre dos condicionamentos das pessoas normais geralmente cerceadas pelos sistemas aos quais estão subjugadas. Em sua maioria, os ciganos são artistas (de muitas artes, inclusive a circense); e exímios ferreiros, fabricando seus próprios utensílios domésticos, suas jóias e suas selas. Levam uma vida muito simples: consertando panelas, vendendo cavalos, fazendo artesanato (principalmente em cobre - o metal nobre desse povo), lendo as cartas do Tarot e a "buenadicha" (a boa sorte). Na verdade cigano que se preza, lê os olhos das pessoas (os espelhos da alma) e tocam seus pulsos (para sentirem o nível de vibração energética) e só então é que interpretam as linhas das mãos.

A prática da Quiromancia para o Povo Cigano não é um mero sistema de adivinhação, mas, acima de tudo um inteligente esquema de orientação sobre o corpo, a mente e o espírito; sobre a saúde e o destino. O mais importante para o Povo Cigano é interagir com a Mãe Natureza respeitando seus ciclos naturais e sua força geradora e provedora.

Mitologicamente o Povo Cigano está ligado à Kalí - a deusa negra da mitologia hindu, associada a figura de Santa Sara, cujo mistério envolve o das "virgens negras", que na iconografia cristã representa a figura de Sara, a serva (de origem núbia) que teria acompanhado as três Marias: Jacobina, Salomé e Madalena, e, junto com José de Arimatéia fugido da Palestina numa pequena barca, transportando o Santo Graal (o cálice sagrado), que seria levado por elas para um mosteiro da antiga Bretanha. Diz o mito que a barca teria perdido o rumo durante o trajeto e atracado no porto de Camargue, às margens do Mediterrâneo, que por sua vez ficou conhecido como "Saintes Maries de La Mer", transformando-se desde então num local de grande concentração do Povo Cigano. Santa Sara é comemorada e reverenciada todos os anos, nos dias 24 e 25 de maio, através de uma longa noite de vigília e oração, pelos ciganos espalhados no mundo inteiro, com candeias de velas azuis, flores e vestes coloridas; muita música e muita dança, cujo simbolismo religioso representa o processo de purificação e renovação da natureza e o eterno "retorno dos tempos".

O líder de cada grupo cigano, chama-se Barô e é quem preside a Kris Romaris (Conselho de Sentença ou grande tribunal com suas próprias leis e códigos de justiça, onde são resolvidas todas as contendas e esclarecidas todas as dúvidas entre os ciganos liderados pelos mais velhos). O mestre de cura (ou xamã) é um Kaku (homem ou mulher) que possui dons de grande para-normalidade. Eles usam ervas, chás e toques curativos. Os Ciganos geralmente se reúnem em tribos para festejar os ritos de passagem: o Nascimento, a Morte, o Casamento e os Aniversários; e acreditam na Reencarnação. Estão sempre reunidos nos campos, nas praias, nas feiras e nas praças.

Esse povo canta e dança tanto na alegria como na tristeza pois para o Cigano a vida é uma festa e a natureza que o rodeia a mais bela e generosa anfitriã. Onde quer que estejam, os Ciganos são logo reconhecidos por suas roupas e ornamentos, e, principalmente por seus hábitos ruidosos. São um povo cheio de energia e grande dose de passionalidade. São tão peculiares dentro do seu próprio código de ética; honra e justiça; senso, sentido e sentimento de liberdade que contagiam e incomodam qualquer sistema. Mas, a comunidade cigana ama e respeita a natureza, os idosos e todos os membros do grupo educam as crianças de todos, dentro dos princípios e normas próprios de uma tradição puramente oral, cujos ensinamentos são passados de pai prá filho ou de mestre para discípulo, através das estórias contadas e das músicas tocadas em torno das fogueiras acesas e das barracas coloridas sempre montadas ao ar livre (mesmo no fundo do quintal das ricas mansões dos ciganos mais abastados), como em Taquaral, perto de Campinas - São Paulo.

CIGANOS NÃO ROUBAM CRIANCINHAS

As crianças normalmente só freqüentam até o 1o. Grau nas escolas dos gadjés (não-ciganos), para aprenderem apenas a escrever o nome e fazer as quatro operações aritméticas. Claro que com o acelerado processo de aculturação, um bom número de ciganos (bem disfarçados) vão às universidades e ocupam cargos de importância na vida de um país. Alguns são médicos, engenheiros, advogados; alguns tornam-se ministros e outros até presidentes. Porém os de maior expressão na sociedade são artistas plásticos, comerciantes, joalheiros e músicos famosos. Tivemos dois Presidentes brasileiro de origem cigana: Washington Luiz e Jucelino Kubitshek

Para o Povo Cigano, a Lua Cheia é o maior elo de ligação com o "sagrado" quando são realizados mensalmente os grandes festivais de consagração, imantação e reverenciação. A celebrações da Lua Cheia, acontecem todos os meses em torno das fogueiras acesas, do vinho e das comidas, com danças e orações.Também para os ciganos tudo na vida é maktub (está escrito nas estrelas), por isso são atentos observadores do Céu e verdadeiros adoradores dos astros e dos sidéreos. Os ciganos praticam a astrologia da Mãe Terra respeitando e festejando seus ciclos naturais, através dos quais desenvolvem poderes verdadeiramente mágicos.

Na culinária cigana são indispensáveis: o cravo, a canela, o louro, o manjericão, o gengibre, os frutos do mar, as frutas cítricas e as frutas secas, o vinho, o mel, as maçãs, as pêras, os damascos, as ameixas e as uvas que fazem parte inclusive dos segredos de uma cozinha deveras afrodisíaca. O punhal, o violino, o pandeiro, o leque, o xale, as medalhas e as fitas coloridas; o coral, o âmbar, o ônix, o abalone, a concha marinha (vieira), o hipocampo (cavalo-marinho), a coruja (mocho), o cavalo, o cachorro e o lobo são símbolos sagrados para o Povo Cigano. A verbena, a salvia, o ópio, o sândalo e algumas resinas extraídas das cascas das árvores sagradas, são ingredientes indispensáveis na manufatura caseira de incensos, velas e sais de banho, mesclados com essências de aromas inebriantes e simplesmente usados nas abluções do dia-a-dia, nos contatos sociais e comerciais, nos encontros amorosos e principalmente nos ritos iniciáticos, de uma forma sensível e absolutamente mágica, conferindo grandes poderes.

O grande símbolo geométrico do Povo Cigano é o Círculo Raiado (representando a roda da carroça que gira pelas estradas da vida) provando a não linearidade do tempo e do espaço; e o Pentagrama (estrela de 5 pontas) simbolizando o Homem Integral (de braços e pernas abetos) interagindo em perfeita harmonia com a plenitude da existência. O maior axioma do Povo Cigano diz simplesmente: "A sabedoria é como uma flor, de onde a abelha faz o mel e a aranha faz o veneno, cada uma de acordo com a sua própria natureza".

Para não enveredarmos num velho, carcomido e obsoleto discurso sociológico-político, e para não desgastarmos mais ainda a nossa salubridade cerebral, afirmamos que tudo o que acontece no Planeta, em termos de crise e transformação, afeta de perto o Povo Cigano (tão engajado com a natureza) e faz parte do cotidiano dessa minoria social que apesar do seu pouco grau de autonomia, tenta à duras penas preservar sua valiosa identidade e salvaguardar as peculiaridades de seus próprios conceitos de cidadania, em que pese os avanços tecnológicos, científicos e culturais; as mudanças de paradigmas e o glamouroso processo de globalização.

O Povo Cigano é também uma raça sofrida, discriminada, excluída do contexto sócio-político-econômico (mas nem por isso alienada). Essa raça perseguida por muitas "inquisições", levada aos campos de concentração e aos fornos crematórios da Alemanha Nazista (tanto quanto o povo judeu) continua existindo apesar de todas as expoliações e distorções. Desprovida de meios adequados de sobrevivência, descaracterizada pela modernidade de um falso intelectualismo proletário/urbano essa raça também está à caminho da própria extinção, mas estamos aqui exatamente para resgatar o que restam de sua memória cultural e artística, usos e costumes, simbolismo e tradição.

Para mim, cigana Kalom, descendente desse povo, essa é uma hora em que precisamos estar atentos e vigilantes para ouvirmos uma espécie de "chamado mítico" que a dura realidade planetária está nos fazendo, e nos unirmos em corpo e espírito com as forças maiores que regem esse universo, deixando para os espertos, que se dizem "donos da terra", o alto preço de seus desmandos, desvarios e abuso de poder, nos concentrando, onde quer que estejamos no verdadeiro sentido da valorização humana que perpassa por insondáveis mistérios divinos e praticando com honestidade de propósito os exercícios de espiritualidade e religiosidade que subjaz em cada um de nós, na busca de uma solução para um mundo melhor, sem esquecermos as práticas ecológicas para salvaguardar essa "nau de insensatos" chamada Terra, de seu próprio desastre (palavra que significa: desarmonia entre os astros).

Eu aprendi com meu Patriarca que os ciganos são "povos das estrelas" e para lá voltamos quando morremos ou quando houver necessidade de uma grande evacuação. Há milênios vimos cumprindo nossa missão neste Planeta, respeitando e reverenciando a Mãe Natureza, trocando e repassando conhecimento. No mais, deixaremos à critério da consciência de cada um o "por que" das abomináveis catástrofes (em sua maioria provocadas pela absoluta falta de respeito e conhecimento sobre a biodiversidade do planeta); e de comportamentos sociais e governamentais tão incongruentes com a própria inteligência humana, reduzindo a sensibilidade dos homens a um mero exercício da bio-pirataria para não perder o monopólio de um recurso genético, disfarçado na necessidade técnica e científica da bioprospecção (que é a procura de moléculas úteis à medicina), mesmo que no contexto histórico essa atitude implique na extinção de toda a raça humana.

Deixaremos à critério de qualquer "gadjo" que se preze, o "complexo de culpa ancestral" pela destruição do solo, do ar, da água e das florestas, pois em vez de "progredir com a plena cooperação científica e tecnológica" (como diria o biólogo americano Tomas Lovejoy - especialista em florestas tropicais) o homem moderno destroi seu próprio habitat, em vez de seguir a coerência do argumento socioantropológico que diz que "na sociedade de massas, o raciocínio individual precisa ganhar tons mais coletivos para exercer seu poder e provar sua competência, pressupondo uma melhor qualidade de vida e uma maior tranqüilidade planetária".

Sem precisarmos percorrer outra vez o raciocínio utópico do socialismo científico de Marx-Engels-Lênin-Stálin, necessitamos urgentemente pisar na superfície desse lindo "planeta água" (símbolo da emoção e da sensibilidade que preenche nossos corações) observando não só a violência praticada contra as minorias, como também os incríveis gestos de solidariedade humana mostrados via satélite ou pela Internet, na mesma velocidade da luz ou do pensamento humano, nessa era de virtualidade nem um pouco caracterizada pelas mais elementares virtudes.

Como não sou também nem um pouco virtuosa e acho que o limiar entre o sagrado e o profano é muito próximo, coloco em mim mesma a carapuça de parte dessa imensa culpa pela minha própria acomodação e omissão em alguns setores da vida, e, divido com todos os devedores planetários como eu, o ônus que pago por viver na Terra nos dias de hoje, embora continue achando que é um privilégio karmico poder ser descendente do Povo Cigano.

Sara Kali e os Simbolos Ciganos

A Cigana Escrava que Venceu os Mares com sua Fé e Virou Santa Conta a lenda que Maria Madalena, Maria Jacobé, Maria Salomé, José de Arimatéia e Trofino, junto com Sara, uma cigana escrava, foram atirados ao mar, numa barca sem remos e sem provisões. Desesperadas, as três Marias puseram-se a orar e a chorar. Aí então Sara retira o diklô (lenço) da cabeça, chama por Kristesko (Jesus Cristo) e promete que se todos se salvassem ela seria escrava de Jesus, e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito. Milagrosamente, a barca sem rumo e à mercê de todas as intempéries, atravessou o oceano e aportou com todos salvos em Petit-Rhône, hoje a tão querida Saintes-Maries-de-La-Mer. Sara cumpriu a promessa até o final dos seus dias. Sua história e milagres a fez Padroeira Universal do Povo Cigano, sendo festejada todos os anos nos dias 24 e 25 de maio.

Segundo o livro oráculo (único escrito por uma verdadeira cigana) "Lilá Romai: Cartas Ciganas", escrito por Mirian Stanescon - Rorarni, princesa do clã Kalderash, deve ter nascido deste gesto de Sara Kali a tradição de toda mulher cigana casada usar um lenço que é a peça mais importante do seu vestuário: a prova disto é que quando se quer oferecer o mais belo presente a uma cigana se diz: "Dalto chucar diklô" (Te darei um bonito lenço). Além de trazer saúde e prosperidade, Sara Kali é cultuada também pelas ciganas por ajudá-las diante da dificuldade de engravidar. Muitas que não conseguiam ter filhos faziam promessas a ela, no sentido de que, se concebessem, iriam à cripta da Santa, em Saintes-Maries-de-La-Mer no Sul da França, fariam uma noite de vigília e depositariam em seus pés como oferenda um Diklô, o mais bonito que encontrassem. E lá existem centenas de lenços, como prova que muitas ciganas receberam esta graça.

Para as mulheres ciganas, o milagre mais importante da vida é o da fertilidade porque não concebem suas vidas sem filhos. Quanto mais filhos a mulher cigana tiver, mais dotada de sorte ela é considerada pelo seu povo. A pior praga para uma cigana é desejar que ela não tenha filhos e a maior ofensa é chamá-la de DY CHUCÔ (ventre seco). Talvez seja este o motivo das mulheres ciganas terem desenvolvido a arte de simpatias e garrafadas milagrosas para fertilidade.

Autor: Nelson Pires Filho, Livro: Rituais e Mistérios do Povo Cigano Site: Magia Cigana

Outras versões são contadas, mas essa é a mais popular entre todas.

Considerada pela Igreja Católica como Santa de culto local , pois nunca passou pelos processo de canonização, Sara esta liga da a história das tradições cristãs da Idade Média e o assim chamado culto às virgens negras. Não se conhece a razão exata que levou os ciganos a eleger Santa Sara como sua padroeira.

Certo é que ela é a mais venera da Santa para os ciganos e todo acampamento cigano conduz uma estátua da virgem negra depositada num altar de uma das tendas cercadas por velas, incenso, flores, frutas e alimentos. Contam as lendas que os restos mortais de Sara foi encontrados por um rei em 1448 e depositados na cripta da pequena Igreja de Saint-Michel em Saint Maries de La Mer.

Assim, todos os anos na madrugada de 24 de maio milhares de ciganos de quase todas as regiões da Europa, África, Oriente e dos quatro cantos do mundo, reunem-se na pequena igreja de Saint-Michel em louvor e homenagem a sua padroeira.

Simbolos Ciganos

CORUJA

Simboliza "o ver, na sua totalidade".

É usado para ampliar a percepção com a sabedoria possibilitando ver a totalidade: o consciente e o inconsciente.

ÂNCORA


Simboliza segurança.

É usada para trazer segurança e equilíbrio no plano físico, financeiro, e para se livrar de perdas materiais.

CHAVE

Simboliza as soluções.

É usado para atrair boas soluções de problemas. O símbolo da chave quando trabalhado no fogo costuma atrair sucesso e riquezas.

ESTRELA DE 5 PONTAS

Simboliza evolução.

É usado para proteção, além de estar associada à intuição, sorte e êxito. A estrela representa o domínio dos cincos sentidos. Também conhecida como o Pentagrama.

ESTRELA DE 6 PONTAS

Simboliza proteção.

É usada como talismã de proteção contra inimigos visíveis e invisíveis. Também conhecida como Estrela Cigana e Estrela de David. A Estrela Cigana é o símbolo dos grandes chefes ciganos. Possui seis pontas, formando dois triângulos iguais, que indicam a igualdade entre o que está a cima e o que está a baixo. Representa sucesso e evolução interior.

FERRADURA


Simboliza energia e sorte.

É usada para atrair energia positiva e boa sorte. A ferradura representa o esforço e o trabalho. Os ciganos têm a ferradura como um poderoso talismã, que atrai a boa sorte, a fortuna e afasta a má sorte.

LUA

Simboliza a magia e os mistérios.

Usada geralmente pelas ciganas, para atrair percepção, o poder feminino, a cura e o exorcismo atentando sempre as fases: nova, crescente, cheia e minguante. A lua cheia é o maior elo de ligação com o sagrado, sendo chamada de madrinha. As grandes festas sempre acontecem nas noites de lua cheia.

MOEDA

Simboliza proteção e prosperidade.

Usada contra energias negativas e para atrair dinheiro. A moeda é associada ao equilíbrio e à justiça e relacionada à riqueza material e espiritual, que é representada pela cara e coroa. Para os ciganos, cara é o ouro físico, e coroa, o espiritual.

PUNHAL

Simboliza a força,o poder, vitória e

superação.

É muito usado nos rituais de magia, tem o poder de transmutar energias. Os ciganos também usavam o punhal para abrir matas, sendo então, um dos grande símbolo de superação e pioneirismo, além da roda. O punhal também é usado na cerimônia cigana de noivado e casamento, onde é feito um corte nos pulsos dos noivos, em seguida o pulsos são amarrados em um lenço vermelho, representando a união de duas vidas em uma só.x

RODA

Simboliza a Samsara, representando o ir e vir, o circular, o passar por diversos estados, o ciclo da vida, morte e renascimento, e é usada para atrair a grande consciência, a evolução, o equilíbrio. A roda é o grande símbolo cigano, que é representado pela roda dos vurdón que gira.

TAÇA

Simboliza união e receptividade, pois qualquer líquido cabe nela e adquire sua forma. Tanto que, no casamento cigano, os noivos tomam vinho em uma única taça, que representa valor e comunhão eterna.

TREVO

É o símbolo mais tradicional de boa sorte.

Trevo de quatro folhas: traz felicidade e fortuna. Quando se encontra um trevo de quatro folhas na natureza, pode-se esperar sempre boas notícias.

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Zé Pelintra - Rei da noite e da malandragem

Autor desconhecido

Falemos dessa entidade que tem um dos comportamentos mais interessantes que já conheci .

Antes de começar a discorrer sobre esse malandro incorrigível, mulheren go, birrento, arruaceiro, mas de um coração enorme, é preciso entender, toda entidade, tem uma história, uma cultura, pois foi tão humano quanto nos quando encarnada, após o desencarne e a conseqüente espiritualização, poderá ocorrer que sua manifestação venha a se dar em outros centros regionais, diferentes do que consta em sua biografia humana e assim quando manifestada, poderá ressaltar outras culturas, não as de sua procedência humana .

Isso quer dizer que a mesma entidade poderá manifestar-se em lugares diferentes, sem que isso implique em mistificação . Tal fato acontece porque, pela necessidade do ingresso nas falanges espirituais, a fim de prestar seu trabalho nesta nova roupagem, os espíritos, a gora desencarnados, aproximam-se desta ou daquela falange, por simpatia ou determinação superior, mas guardam características bastante marcantes de suas existências materiais .

Zé Pelintra, tem como característica principal, a malandragem, o amor pela noite . Tem uma grande atração pelas mulheres, principalmente pelas prostitutas, mulheres da noite, além de outras características que marcam a figura do malandro . Isso quer dizer que em vários lugares de culturas e características regionais completamente diferentes, sempre haverá um malandro .

O malandro de Pernambuco dança côco, xaxado, passa a noite inteira no forró - no Rio de Janeiro ele vive na Lapa, gosta de samba e passa suas noites na gafieira . Atitudes regionais bem diferentes, mas que marcam exatamente a figura do malandro .

Seu Zé

José Gomes da Silva, nascido no interior de Pernambuco, era um negro forte e ágil, grande jogador e bebedor, mulheren go e brigão . Manejava uma faca como ninguém, e enfrentá-lo numa briga era o mesmo que assinar o atestado de óbito .

Os policiais já sabiam do peri go que ele representava . Dificilmente encaravam-no sozinhos, sempre em grupo e mesmo assim não tinham a certeza de não saírem bastante prejudicados das pendengas em que se envolviam .

Não era mal de coração, muito pelo contrário, era bom, principalmente com as mulheres, as quais tratava como rainhas .

Sua vida era à noite, sua alegria as cartas, os dadinhos a bebida, a farra, as mulheres e por que não, as brigas . Jogava para ganhar, mas não gostava de enganar os incautos, estes sempre dispensava, mandava-os embora, mesmo que precisasse dar uns cascudos neles .

Mas ao contrário, aos falsos espertos, os que se achavam mais capazes no manuseio das cartas e dos dados, a estes enganava o quanto podia e os considerava os verdadeiros otários .

Incentivava-os ao jo go, perdendo de propósito quando as apostas ainda eram baixas e os limpando completamente ao final das partidas . Isso bebendo Aguardente, Cerveja, Vermouth, e outros alcoólicos que aparecessem .

Esta entidade andou pelo mundo, suas manifestações apresentam-se em todos os cantos da terra .

No Rio de Janeiro aproximou-se do arquétipo do anti go malandro da Lapa, contado em histórias, músicas e peças de teatro . Alguns quando se manifestam se vestem a caráter . Terno e gravata brancos . Mas a maioria gosta mesmo é de roupas leves, camisas de seda, e justificam o gosto lembrando que a seda, a navalha não corta .

Bebem de tudo, da Cachaça ao Whisky, fumam na maioria das vezes cigarros, mas utilizam também o charuto . São cordiais, alegres, dançam a maior parte do tempo quando se apresentam, usam chapéus ao estilo Panamá .

Podem se envolver com qualquer tipo de assunto e têm capacidade espiritual bastante elevada para resolvê-los, podem curar, desamarrar, desmanchar, como podem proteger e abrir caminhos . Têm sempre grandes ami gos entre os que os vão visitar em suas sessões ou festas .

Existem também as manifestações femininas da malandragem: Maria Navalha é um bom exemplo . Manifesta-se como características semelhantes aos malandros, dança, samba, bebe e fuma da mesma maneira . Apesar do aspecto rude, demonstram sempre muita feminilidade, são vaidosas, gostam de presentes bonitos, de flores, principalmente as rosas vermelhas e vestem-se sempre muito bem .

Ainda que tratado muitas vezes como Exu, Zé Pelintra não é Exu . Essa idéia existe porque quando não são homenageados em festas ou sessões particulares, manifestam-se tranqüilamente nas sessões de Exu e se parecem com eles . Há um ponto inclusive que lembra muito essa amizade entre Exus e Zé Pelintras .

Tranca Ruas e Zé Pelintra, são dois grandes companheiros,

Tranca Ruas na Encruza e Zé Pelintra no Terreiro .

No Nordeste do Pais, mas precisamente em Recife, ainda que nas vestes de um malandrão, a figura de Zé Pelintra, tem uma conotação completamente diferente . Lá, ele é doutor, é curador . É Mestre e é muito respeitado . Em poucas reuniões não aparece seu Zé .

Lá vem Zé, lá vem Zé, Lá vem Zé, lá da Jurema .

Lá vem Zé, Lá vem Zé, Lá vem Zé do Juremá .

A Jurema aqui cantada, é o local sagrado onde vivem os Mestres do Catimbó, religião forte do Nordeste, muito aproximada da Umbanda, mas que mantém suas características bem independentes .

Na Jurema, Seu Zé, não tem a menor conotação de Exu, a não ser quando a reunião é de esquerda, por que o Mestre tem essa capacidade, tanto pode vir na direita quanto na esquerda .

Quando vem na esquerda, não é que venha para praticar o mal, é justamente o contrário, vem revestido desse tipo de energia para poder cortá-la com mais propriedade e assim ajudar mais facilmente aos que dele necessitam .

No Catimbó, Seu Zé usa bengala, que pode ser qualquer cajado, fuma cachimbo e bebe cachaça . Dança Côco, Baião e Xaxado, sorri para as mulheres, abençoa a todos, que de maneira carinhosa e respeitosa o abraçam, chamando-o de "Meu Padrinho" .

AGNI, O FOGO SAGRADO

As salamandras que vivem nas chamas, são elementais superiores aos gnomos, ondinas e sílfides, porque estas últimas vivem no âmbito terrestre, enquanto que as primeiras possuem consciência superior.

Porfírio diz: "Existe na Divindade uma insondável profundeza ardente. O coração humano jamais deverá temer o contato desse Fogo adorável, porquanto não será por Ele destruído."

Ele é o doce Fogo, cujo feliz e tranqüilo calor determina o encadeamento das causas, a Harmonia e vital continuidade do mundo. Nada existe que não seja por Ele alimentado pois é Ele a própria Essência Divina. Ninguém o gerou. É sem Pai nem Mãe... nem causa alguma. Mas, tudo sabe e Nada lhe pode ser ensinado. É imutável nos seus desígnios e seu Nome é inefável. Eis aqui o que é Deus. Nós, míseros mensageiros seus, nada mais somos do que uma partícula Sua.
A antiguidade sábia, por sua vez, já nos ensinava: do mesmo modo que um fogo violento queima até as árvores verdes, o homem que estuda, compreende os livros santos, apaga em si toda mácula nascida do pecado. E aquele que conhece perfeitamente o sentido de Veda-Shastra - os ensinamentos da Lei, qualquer que seja sua condição, prepara-se, durante o seu estudo neste mundo, para a identificação com BRAHMÃ (liberação). Os que muito estudaram, valem mais do que os que pouco leram. Os que possuem tudo quanto leram, são preferíveis aos que leram e logo esqueceram. Os que compreenderam, possuem mais mérito do que aqueles que sabem simplesmente o que decoraram. Os que cumprem com o dever, uma vez este conhecido, são preferíveis aos que simplesmente o conhecem, mas não o praticam. O conhecimento da Alma Suprema e a devoção para com Ela, são os melhores métodos para se chegar à Felicidade Suprema da liberação. Com a devoção, resgata as suas faltas; com o Conhecimento de Brahmã, consegue a Imortalidade. Aquele que procura adquirir conhecimento efetivo de seus deveres, possui três categorias de provas: a evidência intuitiva, o raciocínio discursivo e a autoridade dos diferentes livros deduzidos das Santas Escrituras.
Ainda mais: o discípulo concentrando a atenção em tudo isso, alcança o "perceber" a Alma Divina em todas as coisas, visíveis e invisiveis. Pois, considerando a Alma Divina em tudo, e reciprocamente, tudo na Alma Divina, não entrega o espírito à iniquidade. A Alma Suprema, é, com efeito, a SÍNTESE de todos os deuses e aquilo que pulsa no íntimo de quantos atos realizaram todos os seres animados. Que o discípulo contemple, em suas meditações, o éter sutil que inunda todas as cavidades de seu coração; o ar que atua em seus músculos e nervos, a Suprema Luz do Sol e do Fogo, em seu calor digestivo e em seus órgãos visuais; a Água, nos fluídos de seu corpo; a Terra, em todo seu corpo. Veja, também, a Lua (Indu) em seu coração; os Gênios das 8 regiões do Espaço, no órgão de seu ouvido; Hara, em sua força muscular, Agni, em sua palavra, Mitra em sua faculdade excretória, Pradjápati, em seu poder gerador. Acima de tudo, porém, deve representar ao Grande Ser (Para-Purusha) como o Soberano Animador do Universo. Mais sutil do que o Átomo, mais brilhante que o ouro, mais puro e único capaz de ser concebido pelo Espírito, no Sono da mais abstrata contemplação. Uns adoram a Para-Purusha, no Fogo Elemental. Outros, no Manu, senhor de todas as criaturas; outros, em Indra; outros em Vayu e Tejas; outros, no eterno Brahmã. Porém, este Soberano Senhor é aquele que, ao desenvolver todos os seres com um corpo formado de cinco elementos, os faz, sucessivamente, passar do nascimento ao crescimento; do crescimento à dissolução, com movimento semelhante ao de uma Roda que gira. Por isso o homem que reconhece a sua própria Alma na Suprema Alma Universal, presente em tudo e em todos, mostra-se igual perante todos e tudo, e alcança a mais feliz das sortes: a de ser finalmente absorvido no Seio de Brahmã.
Por mais difícil que isso tudo vos pareça, o fato é que não é impossível. Como nos antigos Códigos Iniciáticos, no nosso, o método é posto em execução. Mesmo porque, sendo a sua Missão a de preparar uma Nova Civilização portadora de melhores dias para o mundo, é seu dever formar o Homem Integral, que desde já sirva de Arauto àquela Civilização.
Quanto aos ideais que vedes por toda parte, e que são causadores da luta fratricida que se desencadeia no mundo inteiro, não são mais do que demonstrações palpáveis do fim de um ciclo apodrecido e gasto, ao qual se seguirá o dealbar do glorioso dia da raça que prenunciamos. Por baixo de todas essas formas grosseiras de "salvação", se notam os anseios espirituais do verdadeiro Ideal da Fraternidade Humana.
Daí o dique tutelar, por nós e poucos mais, construído, para reter as águas invasoras do materialismo bravio, que ameaça tragar todos os seres da Terra.

Prof. Henrique José de Souza

http://www.cienciadavida.com/agni4.htm

LENDA DA SEPARAÇÃO DO ÒRUN (céu) E DO ÀIYÉ (terra)

No tempo em que o àiyé e o òrun era limítrofes, a esposa estéril de um casal de certa idade apresentou-se em várias ocasiões a Orixalá, divindade mestra da criação dos seres humanos, e lhe implorou que lhe desse a possibilidade de gerar um filho . Repetidamente Orixalá se tinha recusado a atendê-la . Enfim, movido pela grande insistência, aquiesce ao desejo da mulher, mas com a condição: a criança não poderia jamais ultrapassar os limites do àiyé . Por isso, desde que a criança deus seus primeiros passos, seus pais tomaram todas as precauções necessárias . Contudo, toda vez que o pai ia trabalhar no campo, o pequeno pedia para acompanhá-lo . Toda sorte de estratagemas eram feitas para evitar que a criança acompanhasse o pai . À medida que a criança ia crescendo, o desejo de acompanhar seu pai aumentava . Tendo atingido a puberdade, uma noite, ele decidiu fazer um buraquinho no saco que o pai levava todos os dias de madrugada e de pôr certa quantidade de cinza no fundo . Assim, guiado pela trilha de cinza, conseguiu localizar seu pai e o seguiu . Eles andaram muito tempo até chegar ao limite do àiyé onde o pai possuía suas terras . Neste exato momento, o pai apercebeu-se que estava sendo seguido por seu filho . Mas este não pôde mais deter-se, atravessou o campo e, apesar dos gritos do pai e dos outros lavradores, continuou a avançar . Ultrapassou os limites do àiyé sem prestar atenção às advertências do guarda e entrou no òrun . Lá, começou uma longa odisséia no decorrer da qual o rapaz gritava e desafiava o poder de Orixalá, faltando ao respeito a todos os que queriam impedi-lo de seguir seu caminho . Atravessou os vários espaços que compõem o òrun, lutando contra uns e outros, até chegar ao ante-espaço do lugar onde se encontrava o grande Orixalá a cujos ouvidos che gou seu desafio insólito . Apesar de ter sido chamado a atenção várias vezes, o rapaz insistiu até que Orixalá, irritado, lançou seu cajado ritual, o opaxoro, que atravessando todos espaços do òrun, veio cravar-se no àiyé separando-o para sempre do òrun, antes de retornar às mãos de Orixalá . Entre o àiyé e o òrun apareceu o sánmò (atmosfera)que se estendera entre os dois .

O òfurufú, ar divino, é que separa os dois níveis de existência, o òrun da vida .

Deus da liberdade


Exu, o mais humano dos orixás, tem pouca semelhança com o anjo rebelde da história da criação


Adriana Jacob

Intermediário entre os deuses do candomblé e os pobres mortais, Exu é senhor dos destinos, guardião dos caminhos e das encruzilhadas. Só ele pode facilitar a comunicação com os orixás e a ele são prestadas as homenagens iniciais em todas as festas de terreiro. Mas a fama que carrega é injusta - Exu nada tem a ver com o demônio da cultura ocidental. Dono de mistérios insondáveis, este mensageiro dos deuses concilia força, criatividade, poder e astúcia, mas pode se revelar também prestativo e protetor. Na África e entre os estudiosos do candomblé, Exu será sempre sinônimo de vida, liberdade e axé.

Senhor dos caminhos

Reverência a Exu mostra por que o deus da liberdade africano foi sincretizado como demônio no Brasil

É antes da noite cair sobre as águas da Baía de Todos os Santos que começa um dos mais misteriosos rituais dos terreiros de candomblé: o padê de Exu. A cerimônia é feita com toda a pompa nos terreiros tradicionais. De tardinha, os filhos-de-santo ficam em círculo no barracão e curvam os corpos sobre as esteiras, com a cabeça elevada ao encontro dos punhos. No chão, no meio do barracão, um pote de barro com água, uma pequena garrafa de cachaça, uma cuia com farinha de mandioca, sangue e uma garrafa pequena de azeite-de-dendê.

Os atabaques começam a tocar e, de longe, pode-se ouvir as vozes dos filhos e filhas-de-santo cantando para Exu. É hora de despachar o senhor dos caminhos, o orixá mensageiro. O despacho é uma reverência, já que só Exu pode abrir os caminhos para que homens e orixás possam se comunicar. Por isso, é ele que deve ser homenageado primeiro, em todas as festas, antes de qualquer outra divindade. Para a saudação aos outros orixás começar, é preciso contar com a proteção de Exu.

Foi graças a essa proteção que Pedro Archanjo, um dos mais irresistíveis personagens de Jorge Amado, conseguiu escapar de uma grande armadilha. Uma iabá - espécie de filha do diabo - se transformou em uma negra formosa e traçou um plano para acabar com o jeito namorador de Archanjo: iria deixá-lo impotente. O que a iabá não sabia é que Pedro Archanjo era afilhado de Exu.

Foi o orixá que lhe avisou dos planos da inimiga e preparou um encantamento, com direito a banho de folhas e a ebó. Com a ajuda de Exu, o resultado é que o feitiço da iabá não pegou e ela acabou se apaixonando por Archanjo. Deixou de ser diaba e se transformou na bela negra Dorotéia. Tornou-se filha de Iansã e "terminou dagã a dançar o padê de Exu no início das obrigações".

Mas não é só isso. Como Pierre Verger conta em seu livro Orixás, Exu pode fazer coisas extraordinárias, como carregar numa peneira o óleo que comprou no mercado, sem que esse óleo derrame. Pode ter matado um pássaro ontem, com uma pedra que jogou hoje. Faz o erro virar acerto e o acerto virar erro.

Adorado por uns, temido por outros, Exu é um dos mais misteriosos nomes do panteão das divindades africanas. Suas cores são o vermelho e o preto. Seu dia, a segunda-feira. Muitas histórias se contam sobre ele, e quase todo mundo tem algo a dizer quando o assunto é o orixá, sincretizado pela igreja católica como o diabo. A cerimônia do padê é um indício de que sua importância vai muito além do que se imagina quando se fala no "homem das encruzilhadas".

Alguns estudiosos, como o doutor em antropologia pela Universidade Nacional do Zaire, professor aposentado de antropologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e professor adjunto da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Júlio Braga, definem Exu como o mais dinâmico dos orixás. "É ele que impulsiona a vida e cria as condições dialéticas necessárias para a existência", diz. Exu seria o responsável por promover a percepção do contrário e mostrar o outro lado de uma questão.

Além disso, está ligado à noção de sexualidade, com a função de promover a continuidade da existência. Por isso, na África, é representado, em alguns locais, por um montículo de terra na forma de um homem abaixado, com um falo de tamanho respeitável. Esse falo seria o símbolo de sua função reprodutiva.

Uma função nada compatível com a que a igreja católica lhe denominou no sincretismo religioso. Segundo Verger, "esse detalhe (o pênis ereto) deu motivo a observações escandalizadas, ou divertidas de numerosos viajantes antigos e fizeram-no passar, erradamente, pelo deus da fornicação". Se o preconceito com todo o candomblé já é grande, quando o assunto é Exu, as proporções aumentam. Basta pensar que nem todo o mundo sabe qual santo corresponde à versão sincrética de Iansã ou a de Omolu, mas quando se fala de Exu, é raro alguém não associá-lo ao diabo.

De fato, Exu é irritável e pode ser astucioso, grosseiro, vaidoso e indecente, mas se tratado com consideração, ele mostra seu lado bom, serviçal e prestativo. Se, ao contrário, esquecerem de lhe oferecer sacrifícios e oferendas, pode-se esperar até por catástrofes. "Exu revela-se, talvez, desta maneira o mais humano dos orixás, nem completamente mau, nem completamente bom", diz Verger. Por conhecerem o lado protetor de Exu, há pessoas na África que usam orgulhosamente nomes como Ésubíyìí - concebido por Exu - ou Èsùtósin - Exu merece ser adorado.

É possível que, justamente por sua força, tenha sido o mais atacado dos orixás, associado ao mal absoluto. Se aqui ele é temido e indesejado por muitos, na origem africana era diferente, já que não havia o conceito de maldade absoluta. Exu é a figura que traz a noção de contraste. "Ele promove a transparência do mal que está contida na noção do bem", diz Braga. Além disso, Exu é a força da comunicação. Ele é o mediador dos orixás entre si, dos orixás com os seres humanos - e vice-versa - e mesmo o mediador entre os próprios seres humanos.

O sistema religioso está baseado na comunicação, através da troca do axé, que possibilita a harmonia da existência. A oferenda é o fator de equilíbrio, e todo desequilíbrio é recomposto por uma oferta. Como Exu é o mediador, é através dele que a oferta é levada ao orixá. Nesse sistema, Exu é a figura chave, já que somente através dele pode acontecer a troca de axé.

Logo, todo ato religioso precisa de sua presença e, por isso mesmo, todo ato religioso no candomblé é iniciado com uma oferenda a ele. Como explica Volney J. Berkenbrock em seu livro A experiência dos orixás, "Exu é a faísca que inicia o processo. É o princípio de tudo, a força da criação, o nascimento, o equilíbrio negativo do universo, o que não quer dizer coisa ruim. Exu é a célula mater de geração da vida, o que gera o infinito, infinitas vezes".

Por conta de tudo o que se disse e ainda se diz sobre ele, a imagem de Exu por vezes parece bem próxima e clara. Outras horas, parece estar envolta em névoa. Talvez, todo esse mistério e toda a confusão que fazem com seu nome tenham sido a causa de sua figura haver inspirado inúmeros acadêmicos e artistas a se debruçarem sobre sua personalidade.

Amante dos mistérios da Bahia e do candomblé, com Jorge Amado não foi diferente. Segundo o escritor, "Exu come tudo que a boca come, bebe cachaça, é um cavalheiro andante e um menino reinador. Gosta de balbúrdia, senhor dos caminhos, mensageiro dos deuses, correio dos orixás, um capeta. Por tudo isso sincretizaram-no com o diabo: em verdade ele é apenas um orixá do movimento, amigo de um bafafá, de uma confusão, mas, no fundo, uma excelente pessoa. De certa maneira, é o não onde só existe o sim; o contra em meio do a favor; o intrépido e o invencível".

Pretos Velhos



HISTÓRICO

As grandes metrópoles do período colonial: Portugal, Espanha, Inglaterra, França, etc; subjugaram nações africanas, fazendo dos negros mercadorias, objetos sem direitos ou alma.

Os negros africanos foram levados a diversas colônias espalhadas principalmente nas Américas e em plantações no Sul de Portugal e em serviços de casa na Inglaterra e França.

Os traficantes coloniais utilizavam-se de diversas técnicas para poder arrematar os negros:

Chegavam de assalto e prendiam os mais jovens e mais fortes da tribo, que viviam principalmente no litoral Oeste, no Centro-oeste, Nordeste e Sul da África.
Trocavam por mercadoria: espelhos, facas, bebidas, etc. Os cativos de uma tribo que fora vencida em guerras tribais ou corrompiam os chefes da tribo e financiavam as guerras e fazia dos vencidos escravos.
No Brasil os escravos negros chegavam por Recife e Salvador, nos séculos XVI e XVII, e no Rio de Janeiro, no século XVIII.

Os primeiros grupos que vieram para essas regiões foram os bantos; cabindos; sudaneses; iorubas; geges; hauçá; minas e malês.

A valorização do tráfico negreiro, fonte da riqueza colonial, custou muito caro:

"Em quatro séculos, XV ao XIX, a África perdeu, entre escravizados e mortos 65 a 75 milhões de pessoas, e estas constituiam uma parte selecionada da população.

Arrancados de sua terra de origem, uma vida amarga e penosa esperava esses homens e mulheres na colônia: trabalho de sol a sol nas grandes fazendas de açúcar. Tanto esforço, que um africano aqui chegado durava, em média, de sete a dez anos!

Em troca de seu trabalho os negros recebiam três "pês": pau, pano e pão. E reagiam a tantos tormentos suicidando-se, evitando a reprodução, assassinando feitores, capitães–do-mato e proprietários. Em seus cultos, os escravos resistiam, simbolicamente, à dominação. A "macumba" era, e ainda é, um ritual de liberdade, protesto, reação à opressão. As rezas, batucadas, danças e cantos eram maneiras de aliviar a asfixia da escravidão. A resistência também acontecia na fuga das fazendas e na formação dos quilombos, onde os negros tentaram reconstituir sua vida africana. Um dos maiores quilombos foi o Quilombo dos Palmares onde reinou Ganga Zumba ao lado de seu guerreiro Zumbi, protegido de Ogum.

"Zumbi, comandante guerreiro...

Guerreiro mor, capitão.

Da capitania da minha cabeça...

Levai alforria ao meu coração..."

(Gilberto Gil)

Os negros que se adaptavam mais facilmente à nova situação recebiam tarefas mais especializadas, reprodutores, caldeireiro, carpinteiros, tocheiros, trabalhador na casa grande (escravos domésticos) e outros, ganharam alforria pelos seus senhores ou pelas leis do Sexagenário, Ventre livre e enfim a Lei Áurea.

Estes negros aos poucos conseguiram envelhecer e constituir mesmo de maneira precária uma união representativa da língua, culto aos Orixás e aos antepassados e tornaram-se um elemento de referência para os mais novos, refletindo os velhos costumes da Mãe África.

Eles conseguiram preservar e até modificar, no sincretismo, sua cultura e sua religião.



ATUAÇÃO

E assim são os Pretos-Velhos da Umbanda. Eles representam a força, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referência para todos aqueles que necessitam: curam, ensinam, educam pessoas e espíritos sem luz.

Eles representam a humildade, não têm raiva ou ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram submetidos no passado.

Com seus cachimbos, fala pousada, tranqüilidade nos gestos, eles escutam e ajudam àqueles que necessitam, independentes de sua cor, idade, sexo e de religião.

Não se pode dizer que em sua totalidade que esses espíritos são diretamente os mesmos pretos-velhos da escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas anteriores foram: negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar aqueles que necessitam escolheram ou foram escolhidos para voltar a terra em forma incorporada de preto-velho. Outros, nem pretos-velhos foram, mas escolheram como missão voltar nessa pseudo forma.

Este comentário pode deixar algumas pessoas, do culto e fora dele, meio confusas: "então o preto-velho não é preto-velho, ou é, ou o que acontece???".

O espírito que evoluiu tem a capacidade de se por como qualquer forma passada, pois ele é energia viva e conduzente de luz, a forma é apenas uma conseqüência do que eles tenham que fazer na terra. Esses espíritos podem se apresentar, por exemplo, em lugares como um médico e em outros como um preto-velho ou até mesmo um caboclo ou exu. Tudo isso vai de acordo com o seu trabalho, sua missão. Não é uma forma de enganar ou má fé com relação àqueles que acreditam, muito pelo contrário, quando se conversa sinceramente, eles mesmos nos dizem quem são, caso tenham autorização.

Por isso, se você for falar com um preto-velho, tenha humildade e saiba escutar, não queira milagres ou que ele resolva seus problemas, como em um passe de mágica, entenda que qualquer solução tem o princípio dentro de você mesmo, tenha fé, acredite em você, tenha amor a Deus e a você mesmo.

Para muitos os pretos-velhos são conselheiros mostrando a vida e seus caminhos; para outros, são pisicólogos, amigos, confidentes, mentores espirituais; para outros, são os exorcistas que lutam com suas mirongas, banhos de ervas, pontos de fogo, pontos riscados e outros, apoiados pelos exus de lei (exus de luz) desfazendo trabalhos e contra as forças negativas (o mal), espíritos obscessores e contra os exus pagãos (sem luz que trabalham na corrente negativa que levam os homens ao lado negativo e a destruição).



MENSAGEM

Os pretos-velhos levam a força de Deus (Zambi) a todos que queiram apender e encontrar uma fé. Sem ver a quem, sem julgar, ou colocando pecados. Mostrando que o amor a Deus, o respeito ao próximo e a si mesmo, o amor próprio, a força de vontade e o encarar o ciclo da reencarnação podem aliviar os sofrimentos do karma e elevar o espírito para a luz divina. Fazendo com que as pessoas entendam e encarem seus problemas e procurem suas soluções da melhor maneira possível dentro da lei do dharma e da causa e efeito.

Eles aliviam o fardo espiritual de cada pessoa fazendo com que ela se fortaleça espiritualmente. Se a pessoa se fortalece e cresce consegue carregar mais comodamente o peso de seus sofrimentos. Ao passo que se ela se entrega ao sofrimento e ao desespero enfraquece e sucumbe por terra pelo peso que carrega. Então cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente de acordo com encare seu distino e os acontecimentos de sua vida: "Cada um colherá aquilo que plantou. Se tu plantaste vento colherás tempestade. Mas, se tu entenderes que com luta o sofrimento podeis tornar-se alegria vereis que deveis tomar consciencia do que foste teu passado aprendendo com teus erros e visando o cescimento e a felicidade do futuro. Não sejais egoista, aquilo que te fores ensinado passai aos outros e aquilo que recebeste de graça, de graça tu darás. Porque só no amor, na caridade e na fé é que tu podeis encontrar o teu caminho interior, a luz e DEUS" (Pai Cipriano, incorporado no médium Etiene Sales, em setembro de 1997).

Salve todos os PRETOS-VELHOS, que DEUS os iluminem e os abençoem. A todos os PRETOS-VELHOS que trabalham nesse mundo e no outro com muito amor.

OBRIGADO!


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Vovô
Vim lhe pedir um favor, oh oh
Vovô
Vim lhe pedir um favor
Olhe por seus filhos,
Dê saude e amor
Olhe por seus filhos,
Dê saude e amor


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Quando o galo canta
Raiou um dia
As Almas pedem uma Ave Maria
Quando o galo canta
Raiou um dia
As Almas pedem uma Ave Maria
Ave Maria cheia de graça
O Senhor está convosco
Bendita sois vós
Entre as mulheres
bendito e seus fruto
Do vosso ventre nasceu JESUS


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Maria Conga
É quem vence demanda
Maria Conga
É quem vence demanda
Ô na sua terreira ela diz que tem mironga
Ô na sua terreira ela diz que tem mironga
Maria Congâ é lavadeira de sinha
Maria Congâ é lavadeira de sinha
Lava roupa de chita do terreiro de iaia
Lava roupa de chita do terreiro de iaia


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Velho passou na ponte
A ponte tremeu
E debaixo da ponte
As Almas gemeu
Velho passou na ponte
A ponte tremeu
E debaixo da ponte
As Almas gemeu
Ô me valhei me as Almas
As Almas de São Cipriano
Ô me valhei me as Almas
As Almas de São Cipriano
Ô me valhei me as Almas
As Almas de São Cipriano
Ô me valhei me as Almas
As Almas de São Cipriano


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Adeus, Adeus Vovó
A Vovó vai embora pra sua banda, adeus
Adeus, Adeus Vovó
A Vovó vai embora pra sua banda
Vai pedir a DEUS Vovó das Almas
Proteção pros seus filhos que choram lágrima
Vai pedir a DEUS Vovó das Almas
Proteção pros seus filhos que choram lágrima


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O mar é lindo
Mas o céu também é
O mar é lindo
Mas o céu também é
Preto-Velho vai embora
Vai beira mar
Vai levando as mirongas
Lá pro fundo do mar
Preto-Velho vai embora
Vai beira mar
Vai levando as mirongas
Lá pro fundo do mar

Autor: Etiene Sales
site: http://www.umbanda.etc.br
e-mail: ghost_master@uol.com.br
Obs.: Etiene é Umbandista, formado em Administração de Negócios e
pesquisador sobre Umbanda e outras tradições religiosas.

Outro texto: Os negros e o sincretismo