Por favor, preencha a atmosfera com a vibração sublime dos Santos Nomes:
Hare Krsna Hare Krsna Krsna Krsna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare

quinta-feira, 28 de junho de 2007

LENDA DA SEPARAÇÃO DO ÒRUN (céu) E DO ÀIYÉ (terra)

No tempo em que o àiyé e o òrun era limítrofes, a esposa estéril de um casal de certa idade apresentou-se em várias ocasiões a Orixalá, divindade mestra da criação dos seres humanos, e lhe implorou que lhe desse a possibilidade de gerar um filho . Repetidamente Orixalá se tinha recusado a atendê-la . Enfim, movido pela grande insistência, aquiesce ao desejo da mulher, mas com a condição: a criança não poderia jamais ultrapassar os limites do àiyé . Por isso, desde que a criança deus seus primeiros passos, seus pais tomaram todas as precauções necessárias . Contudo, toda vez que o pai ia trabalhar no campo, o pequeno pedia para acompanhá-lo . Toda sorte de estratagemas eram feitas para evitar que a criança acompanhasse o pai . À medida que a criança ia crescendo, o desejo de acompanhar seu pai aumentava . Tendo atingido a puberdade, uma noite, ele decidiu fazer um buraquinho no saco que o pai levava todos os dias de madrugada e de pôr certa quantidade de cinza no fundo . Assim, guiado pela trilha de cinza, conseguiu localizar seu pai e o seguiu . Eles andaram muito tempo até chegar ao limite do àiyé onde o pai possuía suas terras . Neste exato momento, o pai apercebeu-se que estava sendo seguido por seu filho . Mas este não pôde mais deter-se, atravessou o campo e, apesar dos gritos do pai e dos outros lavradores, continuou a avançar . Ultrapassou os limites do àiyé sem prestar atenção às advertências do guarda e entrou no òrun . Lá, começou uma longa odisséia no decorrer da qual o rapaz gritava e desafiava o poder de Orixalá, faltando ao respeito a todos os que queriam impedi-lo de seguir seu caminho . Atravessou os vários espaços que compõem o òrun, lutando contra uns e outros, até chegar ao ante-espaço do lugar onde se encontrava o grande Orixalá a cujos ouvidos che gou seu desafio insólito . Apesar de ter sido chamado a atenção várias vezes, o rapaz insistiu até que Orixalá, irritado, lançou seu cajado ritual, o opaxoro, que atravessando todos espaços do òrun, veio cravar-se no àiyé separando-o para sempre do òrun, antes de retornar às mãos de Orixalá . Entre o àiyé e o òrun apareceu o sánmò (atmosfera)que se estendera entre os dois .

O òfurufú, ar divino, é que separa os dois níveis de existência, o òrun da vida .