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quinta-feira, 28 de junho de 2007

Zé Pelintra - Rei da noite e da malandragem

Autor desconhecido

Falemos dessa entidade que tem um dos comportamentos mais interessantes que já conheci .

Antes de começar a discorrer sobre esse malandro incorrigível, mulheren go, birrento, arruaceiro, mas de um coração enorme, é preciso entender, toda entidade, tem uma história, uma cultura, pois foi tão humano quanto nos quando encarnada, após o desencarne e a conseqüente espiritualização, poderá ocorrer que sua manifestação venha a se dar em outros centros regionais, diferentes do que consta em sua biografia humana e assim quando manifestada, poderá ressaltar outras culturas, não as de sua procedência humana .

Isso quer dizer que a mesma entidade poderá manifestar-se em lugares diferentes, sem que isso implique em mistificação . Tal fato acontece porque, pela necessidade do ingresso nas falanges espirituais, a fim de prestar seu trabalho nesta nova roupagem, os espíritos, a gora desencarnados, aproximam-se desta ou daquela falange, por simpatia ou determinação superior, mas guardam características bastante marcantes de suas existências materiais .

Zé Pelintra, tem como característica principal, a malandragem, o amor pela noite . Tem uma grande atração pelas mulheres, principalmente pelas prostitutas, mulheres da noite, além de outras características que marcam a figura do malandro . Isso quer dizer que em vários lugares de culturas e características regionais completamente diferentes, sempre haverá um malandro .

O malandro de Pernambuco dança côco, xaxado, passa a noite inteira no forró - no Rio de Janeiro ele vive na Lapa, gosta de samba e passa suas noites na gafieira . Atitudes regionais bem diferentes, mas que marcam exatamente a figura do malandro .

Seu Zé

José Gomes da Silva, nascido no interior de Pernambuco, era um negro forte e ágil, grande jogador e bebedor, mulheren go e brigão . Manejava uma faca como ninguém, e enfrentá-lo numa briga era o mesmo que assinar o atestado de óbito .

Os policiais já sabiam do peri go que ele representava . Dificilmente encaravam-no sozinhos, sempre em grupo e mesmo assim não tinham a certeza de não saírem bastante prejudicados das pendengas em que se envolviam .

Não era mal de coração, muito pelo contrário, era bom, principalmente com as mulheres, as quais tratava como rainhas .

Sua vida era à noite, sua alegria as cartas, os dadinhos a bebida, a farra, as mulheres e por que não, as brigas . Jogava para ganhar, mas não gostava de enganar os incautos, estes sempre dispensava, mandava-os embora, mesmo que precisasse dar uns cascudos neles .

Mas ao contrário, aos falsos espertos, os que se achavam mais capazes no manuseio das cartas e dos dados, a estes enganava o quanto podia e os considerava os verdadeiros otários .

Incentivava-os ao jo go, perdendo de propósito quando as apostas ainda eram baixas e os limpando completamente ao final das partidas . Isso bebendo Aguardente, Cerveja, Vermouth, e outros alcoólicos que aparecessem .

Esta entidade andou pelo mundo, suas manifestações apresentam-se em todos os cantos da terra .

No Rio de Janeiro aproximou-se do arquétipo do anti go malandro da Lapa, contado em histórias, músicas e peças de teatro . Alguns quando se manifestam se vestem a caráter . Terno e gravata brancos . Mas a maioria gosta mesmo é de roupas leves, camisas de seda, e justificam o gosto lembrando que a seda, a navalha não corta .

Bebem de tudo, da Cachaça ao Whisky, fumam na maioria das vezes cigarros, mas utilizam também o charuto . São cordiais, alegres, dançam a maior parte do tempo quando se apresentam, usam chapéus ao estilo Panamá .

Podem se envolver com qualquer tipo de assunto e têm capacidade espiritual bastante elevada para resolvê-los, podem curar, desamarrar, desmanchar, como podem proteger e abrir caminhos . Têm sempre grandes ami gos entre os que os vão visitar em suas sessões ou festas .

Existem também as manifestações femininas da malandragem: Maria Navalha é um bom exemplo . Manifesta-se como características semelhantes aos malandros, dança, samba, bebe e fuma da mesma maneira . Apesar do aspecto rude, demonstram sempre muita feminilidade, são vaidosas, gostam de presentes bonitos, de flores, principalmente as rosas vermelhas e vestem-se sempre muito bem .

Ainda que tratado muitas vezes como Exu, Zé Pelintra não é Exu . Essa idéia existe porque quando não são homenageados em festas ou sessões particulares, manifestam-se tranqüilamente nas sessões de Exu e se parecem com eles . Há um ponto inclusive que lembra muito essa amizade entre Exus e Zé Pelintras .

Tranca Ruas e Zé Pelintra, são dois grandes companheiros,

Tranca Ruas na Encruza e Zé Pelintra no Terreiro .

No Nordeste do Pais, mas precisamente em Recife, ainda que nas vestes de um malandrão, a figura de Zé Pelintra, tem uma conotação completamente diferente . Lá, ele é doutor, é curador . É Mestre e é muito respeitado . Em poucas reuniões não aparece seu Zé .

Lá vem Zé, lá vem Zé, Lá vem Zé, lá da Jurema .

Lá vem Zé, Lá vem Zé, Lá vem Zé do Juremá .

A Jurema aqui cantada, é o local sagrado onde vivem os Mestres do Catimbó, religião forte do Nordeste, muito aproximada da Umbanda, mas que mantém suas características bem independentes .

Na Jurema, Seu Zé, não tem a menor conotação de Exu, a não ser quando a reunião é de esquerda, por que o Mestre tem essa capacidade, tanto pode vir na direita quanto na esquerda .

Quando vem na esquerda, não é que venha para praticar o mal, é justamente o contrário, vem revestido desse tipo de energia para poder cortá-la com mais propriedade e assim ajudar mais facilmente aos que dele necessitam .

No Catimbó, Seu Zé usa bengala, que pode ser qualquer cajado, fuma cachimbo e bebe cachaça . Dança Côco, Baião e Xaxado, sorri para as mulheres, abençoa a todos, que de maneira carinhosa e respeitosa o abraçam, chamando-o de "Meu Padrinho" .