Por favor, preencha a atmosfera com a vibração sublime dos Santos Nomes:
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quarta-feira, 6 de julho de 2011

NETI-NETI: DO SAMADHI AO NADA

(Quanto mais desconstruo... mais vejo Deus em tudo)

Lázaro Freire – www.voadores.com.br

Quanto mais desconstruo...

... mais vejo Deus em tudo.

Isso não, isso não. Neti neti.

Além de toda ilusão.

Impossível explicar. Não é mais Shiva, não é mais Jesus. Não é Maria, não é
Saint-Germain. É o vazio onde reside Todo o infinito.

Em várias noites me encontro com Ele. Se é que se pode chamar de "encontro"
ver e ser a infinitude do vazio. A tal estrada que, ao final, vai dar em
nada, nada, nada do que eu pensava encontrar. E ainda assim saber - ou
melhor, viver - que algo estou lá.

Gostaria de ter palavras, mas seriam vazias diante do Todo, e também
desconstrutíveis. Gostaria de ter um nome, mas isso também seria "isso não".
Então grito, ainda que em silêncio, apenas "Deus".

Tantas vezes o busquei em lugares, e só encontrei igrejas fechadas. Homens e
cães guardando seus segredos, controlando o acesso dos buscadores, enquanto
mantinham-se eles também do lado de fora, organizando seus novos ritos e
denominações.

E sem casa, sem porta aberta, sobram as formas. Que não formam, pois também
não são. Néti neti, isso não. E vão se as formas, os nomes, os mitos... E
Ele ainda está lá.

Queria ter um nome, queria ter palavras, queria poder transmitir a sensação
de tudo e de vazio, mas se eu o fizesse bem, isso seria apenas o início de
mais uma nova denominação religiosa. Prefeiro lembrar que milhões que
realmente o viram, simplesmente se calaram. Eu o vejo em muitas noites, mas
Ele não tem nome. E na falta de um, vou chamá-lo apenas de "Deus".

"Buscai a Deus enquanto se pode achar", dizia a capa de uma Bíblia que
ganhei há muito tempo atrás. Eu o busquei, até a fusão no Todo, por vários
caminhos. Mas mesmo o Todo do samadhi ainda era Pleno, não sei como
explicar. Ele era "cheio" de Deus. Ele era um fim de uma estrada que não
pode terminar. Mas além dessa camada há outra camada, que reside no Vazio. E
desconstruindo tudo, Deus ainda está lá.

Buscai a Deus enquanto se pode achar, me disseram. Mas é justamente onde não
mais se encontra que Ele nos achará. Gostaria de poder explicar.

Gostaria de podê-lo chamar de Amor, mas este é sua busca, o que nos conduz a
Ele, não o que ele É. Amor é a incompletude que nos faz buscar. Deus não
aspira, Deus não ama, Ele É.

Mesmo que eu tenha todas explicações, retire todos os deuses, desconstrua
todos os credos, algo ainda estará lá, onde tudo começou. Embora "começar"
também não seja a palavra. Gostaria de poder explicar, de haver alguma
maneira de transmitir essas experiências. Mas a lágrima impotente e feliz me
diz que quem o vê, onde for, como for, o revela apenas pelo brilho do olhar.

Enquanto isso, amo, pois não o busco. Busquei enquanto era possível
encontrar. Mas é na não busca do impossível que Ele sempre me encontrará.

Ah, como eu gostaria de poder explicar. Mas como tantos antes de mim, há
tempos preferi me calar.

Busquei as respostas, aqui e lá, viajei, projetei, aprendi, ensinei, soube
que não sei, e era apenas conhecimento.

Acreditei profundamente, segui os caminhos dos homens, entoei mantras, me
fundi no samadhi, e ainda era apenas fé.

Agi, dei exemplos, vivi, ajudei, ouvi, falei, demonstrei, e ainda era apenas
ação.

Então rompi as cordas, neguei tudo, vi além de jñana, bhakti e karma, sem
deixar de tê-los na referência viva do agora-e-aqui. E ri internamente a
cada vez que crentes me chamaram de cético; e os céticos, de crente. Isso
não, isso não. Mas todo o conhecimento visa saber que não se sabe; e a fusão
pela fé implica perceber a natureza da ilusão.

Queria deixar uma bela mensagem de amor e fé, como tantos que o viram.
Falar, como eles, dos deuses do caminho, das consciências de amor dos planos
celestiais, da Mãe divina que se revela em todas as mulheres, dos espíritos
de luz no caminho da fusão. Mas ainda são formas, ainda são o outro, faróis
no caminho de volta. Não é isSo o isTo que falo.

Queria confirmar os mitos que me convidaram a vir. Mas cada um deus que me
chamou para seus braços, durante essas viagens, dissolveu-se logo após eu
passar, não sem antes dar um sorriso cúmplice de quem só revela o que é
quando Não É. São o Amor, e nos conduzem. Mas não são o abismo de Ser com
Ele, e n'Ele estar.

Gostaria de poder explicar. Mas cada parágrafo em que tento agora termina em
uma lágrima, eu encheria livros em metáforas, e ainda não seria o que eu
queria falar.

"Se ver o Buda, mate-o"

"O Tao que pode ser expressado não é o Tao absoluto"

"O homem é o fio sobre o abismo entre o devir e o vir a ser"

Neti neti. Isso não, isso não. Deus não é o que está vendo. Não é este
ídolo, não é essa parede, não é essa crença, não é essa Terra, não é o
astral, não é a deusa que me apareceu em samadhi. Isso não, isso não.

Desconstruí tudo o que me era possível...

... e diante da última camada se abriu o abismo, do nada se fez universo, e
Deus estava lá.

Ah, como eu gostaria de poder explicar!!!

Lázaro Freire – www.voadores.com.br

Madrugada de 8 de Fevereiro de 2009

(acordado por "Deus" para compartilhar)