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sexta-feira, 18 de março de 2011

18/03/11 – Proposta para o início do ano novo astrológico; O poder da criatividade no descondicionamento da mente.

Quando os muros criados pelas projeções da mente condicionada caem, nós experienciamos uma indescritível onda de amor; Um amor que silencia. Por isso eu tenho dedicado bastante tempo e energia para te ajudar nesse processo de descondicionamento da mente. Durante o Maha Shivaratri eu propus um trabalho na esfera do ABC da Espiritualidade com o objetivo de te ajudar a descondicioná-la. Primeiro nós focamos nas identificações de padrões negativos e destrutivos que se repetem nas diversas áreas da vida, promovendo insatisfação e sentimentos de não pertencimento. Eu sugeri que você tivesse a coragem de olhar para as diversas áreas da sua vida e identificasse onde havia insatisfação; o que você quer que seja diferente, mas se vê incapaz de mudar. Ou seja, eu te levei para identificar o não que existe nas diversas áreas da vida. Eu te dei uma importante chave para ajudá-lo a localizar o não. Quanto mais urgente e frenética é a sua busca pelo sim, maior a presença de um não inconsciente e uma inabilidade para lidar com esse não. Nós trabalhamos para identificar, localizar e determinar esse não nas diversas áreas. Vimos também que há conexão entre as repetições negativas e a corrente vital de prazer, constatando que existe um apego a essa condição negativa. Isso fazia com que você, de alguma forma, temesse abrir mão do não porque temia perder o prazer que a situação negativa te trazia. Um prazer negativamente orientado: prazer em ser machucado e rejeitado; prazer em machucar e rejeitar. E vimos que tal condicionamento tem base num pacto de vingança e surgiu devido a um choque de abandono, rejeição, exclusão ou humilhação. E, para proteger-se da dor desse choque, você usou a energia sexual para anestesiar-se. Mas, assim você criou um condicionamento e ficou preso nessa conexão. A partir daí você vem reeditando essas situações negativas que de certa forma lhe dão algum prazer. Você repete essa condição negativa justamente porque sente prazer. Vimos também a dimensão do estrago que tais condicionamentos vem causando na sua vida e na vida dos que estão a sua volta. Vimos o alto preço que você vinha pagando para sustentar esse não; para manter esse pacto de vingança e pela esperança mágica de que algum momento você vai poder mudar o seu passado. Qual é o preço? Você paga com a própria vida; paga com alegria, com contentamento, com realização. É isso que você deixa de conquistar quando sustenta o pacto de vingança. É assim que a ignorância age no sistema. É assim que o sofrimento é gerado e mantido. Esse condicionamento faz com que você ande na contramão do fluxo da vida. A vida esta querendo te levar para um lado, mas essa obstinada vontade de se vingar do mundo faz você ir para o lado contrário. É a vingança que faz com que você se mantenha no controle da situação. Quando eu me refiro ao controle, quero dizer o controle do ego; é a criança ferida está no controle. As suas ações são reações geradas a partir do ódio, o que gera sofrimento, tristeza, angústia e frustração. Esses são sintomas que se apresentam quando você esta indo na contramão da vida. Isso significa que você não pode ser você mesmo. Talvez o preço mais alto que você paga por sustentar esse pacto de vingança é a sua espontaneidade; a liberdade de ser você mesmo. Você sustenta uma máscara, um teatro para poder se vingar e forçar os seus maus pais a se tornarem bons pais. Isso é projeção. Essa mente condicionada esta sempre vendo o passado na situação de vida atual; nas pessoas que estão ao seu redor hoje. Você atrai e escolhe as pessoas que permitem que esse passado seja reeditado, o que faz com que as relações se tornem uma tremenda batalha porque você fica forçando o outro a te amar, a te dar, a fazer do jeito que você quer. Porque a sua mente ficou presa, condicionada na sua criança ferida e carente. Você atrai pessoas que reeditam esse passado, os seus pais e as pessoas da sua constelação familiar que não te deram amor ou que você não acredita que deram. Nós vimos que o que sustenta os condicionamentos são os sentimentos negados e suprimidos. Eu propus, então, que nós fizéssemos uma faxina no coração. Primeiramente trazendo para a superfície os sentimentos que talvez estivessem reprimidos e guardados no subconsciente. Lágrimas não derramadas, protestos não enunciados, palavras não ditas. Eu sugeri que vocês escrevessem cartas para essas pessoas com o propósito de ventilar essas marcas dos seus corpos emocional e mental eliminando ressentimentos antigos e compreendendo que essas marcas são a cola que mantém o condicionamento. Foi uma faxina muito bem sucedida. Paralelamente, para ajudar nesse movimento interno, nós fizemos uma faxina externa da área ao redor do ashram e dentro dele também. Removemos muito lixo e sujeira que estava ao redor da gente.
Então eu disse: Muito bem, depois de uma faxina boa dessas, nós temos que dar mais um passo que é colocar algo novo no lugar para evitar que os anatas, os hábitos, novamente nos levassem para aquele mesmo lugar.
Eu sou muito atento aos sinais e achei interessante que uma área que foi bastante trabalhada foi essa que fica abaixo das escadas ao lado do salão. Desde que eu venho para esse ashram vejo essa área suja e nesse dia de faxina tudo mudou. Limparam absolutamente tudo. Tudo estava brilhando. Então eu fui observando que ao longo dos dias o lixo vai aparecendo novamente. Alguém vai lá e joga um lixinho, um papelzinho, uma latinha de tinta… E o lugar esta novamente se tornando uma lixeira. Eu fiquei refletindo sobre essa tendência da entidade humana em evolução e percebi que o condicionamento é autoperpetuador e a única forma de interromper esse movimento de autoperpetuação é colocando algo novo no lugar. Quando você pode progredir de alguma maneira nessa purificação, você precisa usar a sua criatividade de forma positiva para interromper esse fluxo de repetição continua através de uma atitude criativa que faça com que a sua energia se mova no sentido contrário. Mesmo que você tenha que utilizar austeridade para fazer isso acontecer. Eu chamo esse tipo de atitude de austeridade inteligente porque ela não nasce de uma repressão, mas da compreensão de que realmente algo novo precisa substituir o velho padrão. Porque são justamente esses anatas ou hábitos condicionados (que podemos chamar de vícios) que fazem que você volte para aquele mesmo lugar onde você estava.
Por exemplo, você vem aqui para ficar comigo e receber o darshan. Muitos fizeram esforços para isso. Muitos tiveram que romper com apegos e movimentar muita energia para chegar. E você chegou. E aqui você está recebendo essa graça de poder realmente experimentar dimensões do seu Ser que, até então, você não havia experimentado. Muitos estão se permitindo realmente superar esse passado de alguma maneira e se abrindo para uma coisa nova. Eu tenho recebido muitas cartas de experiências maravilhosas de realizações espirituais. Muitos momentos de arrebatamento, de amor, de insights, de clareza. Muitos satoris. Mas, é possível que, ao voltar para a sua casa, você comece a repetir os velhos hábitos e a trazer os apegos, acordando assim os antigos condicionamentos. Isso acontece porque existe uma parte inclusive física que sustenta esse condicionamento. Existem redes neurais determinando que você haja de uma determinada maneira. Quando você cria algo novo e pode utilizar a criatividade para colocar algo novo em movimento, você cria uma nova rede neural. Mas, a antiga não desaparece, ela continua lá. E você retorna para os mesmos hábitos.
Certa vez eu contei para vocês a historia da visão de um lama tibetano sobre o processo de desenvolvimento da consciência. Ele disse assim: O ser humano anda por uma calçada e cai num buraco. Então ele fica um tempão no buraco até que consegue sair. Noutro dia ele anda pela mesma calçada e cai no mesmo buraco. Novamente ele consegue sair do buraco. No outro dia ele anda pela mesma calçada e cai no mesmo buraco e fica cada vez menos tempo. Ele somente começa a crescer e expandir a consciência quando se lembra de andar na outra calçada. Mas, eu prefiro que você até evite até mesmo aquela rua e, quando estiver realmente bem acordado, numa outra oitava, você pode experimentar passar por aquela rua novamente para ver se consegue manter a consciência acordada.
No seu caso, o que é andar na outra calçada ou na outra rua? Levando em consideração aquele mesmo padrão destrutivo que você identificou e trabalhou tão firmemente para poder compreendê-lo e desativá-lo. O que é que você pode fazer para ajudar essa renúncia? Por exemplo, eu acho que aqui em baixo a solução seria colocar uma porta e fazer daquele espaço um depósito. Talvez isso resolva o problema. Quando estamos tratando de uma mudança externa é mais fácil utilizarmos a criatividade. Mas, quando diz respeito as suas repetições internas, pode ser um pouco mais desafiador e você precisará utilizar a vontade disponível para poder assumir esse compromisso com a luz.
Por exemplo, você está trabalhando um condicionamento que é se fechar para o outro e acionar uma arrogância para se defender quando se sente ameaçado e atacado. Você já pode mapear esse eu psicológico e já viu que se trata de um não na área dos relacionamentos. Você já identificou que existe esse comportamento destrutivo sempre que se sente ameaçado ou as vezes até mesmo quando o outro se abre para você. As vezes na eminência de amar e ser feliz você se fecha. Ou quando se sente inseguro ou sente ciúme, você aciona esse comportamento destrutivo que é se fechar e usar a arrogância para se defender. Você já mapeou e já viu o quanto de prazer existe nesse condicionamento. É claro que é um prazer negativamente orientado. Estamos falando do ciclo vicioso do sadomasoquismo. Você já viu o tamanho do estrago que está causando na sua vida e na vida do outro. Você já viu o preço que está pagando: até agora nada de alegria nas relações. Você já identificou que existem sentimentos negados sustentando esse condicionamento e já pode até limpar um pouco o coração liberando esses sentimentos a respeito dos seus pais e que faz você atrair situações que repitam ameaças do passado. Mas, você se vê tomado por esse condicionamento que mantém a repetição negativa. Você consegue parar ao chegar perto do buraco e até fala que não vai cair, mas quando vê você é tragado por ele. Ai você fica encima do tamanco dizendo que você é melhor que ele. “Eu não estou nem ai para você. Eu vou me fechar. Eu não sinto nada”.
Se você já está consciente desse movimento é preciso colocar algo novo no lugar. Você somente interrompe essa força de autoperpetuação quando coloca algo novo no lugar. Comece a brincar com a sua capacidade criativa para criar novas possibilidades. Compreenda que você tem uma capacidade infinita. Imagine que você é um computador de ultima geração, mas você usa aquela mesma teclinha para abrir o Word. (risos) Quando uma pessoa mexe com o seu passado pressionando uma tecla do seu computador, você tem mil possibilidades de reação, mas age do mesmo jeito. É sempre a mesma cara feia, o mesmo fechamento, você não é nenhum pouco criativo. Veja como você se limita. Você esta sempre agindo do mesmo jeito. Experimente ir além. Experimente utilizar a sua capacidade para visualizar novas maneiras de reagir a esses impulsos que a vida lhe trás. Experimente usar frases criativas a respeito daquilo que você deseja mudar em si mesmo. Isso somente vai funcionar se você já evoluiu em algum grau na sua purificação.
Eu estou querendo aproveitar essa energia do ano novo astrológico; essas vibrações de início de um novo ciclo, para propor que você possa se dedicar a acordar essa sua capacidade criativa para poder visualizar quais novas atitudes pode colocar no lugar das velhas atitudes que estavam te levando para o mesmo buraco. Qual é a austeridade inteligente que vai te ajudar a não repetir o mesmo padrão negativo?
Eu vou pedir para você trabalhar nisso de hoje até amanhã. Que você possa escrever esse compromisso com a luz. Assim como você me entregou as cartas de limpeza do corpo emocional, eu estou propondo que você possa me entregar esse seu acordo com o seu eu divino. Algo bem simples. Quanto mais simples, mais fácil. Que seja algo que você realmente sinta que poderá fazer. Pelo menos para ajudá-lo a ativar essa nova rede neural. Uma nova possibilidade na sua vida.
Eu tenho dito que as vezes a austeridade inteligente é necessária para movimentar a energia que esta há muito tempo parada. Depois não precisa mais de nenhum tipo de esforço. Quando a energia esta circulando, isso se torna um estilo de vida. Você já modificou, já redirecionou os vetores da sua energia. A energia que direcionada para o não foi redirecionada para o sim.
Eu tenho visto que algumas pessoas precisam de uma austeridade inteligente para deixar de fazer coisas. Algumas pessoas estão tão viciadas no fazer, tão comprometidas em querer se melhorar e fazer tudo absolutamente perfeito e certo, que não conseguem parar para relaxar e perceber que já são perfeitas e que está tudo certo. Uma pessoa assim não se permite um tempo para ampliar a percepção e perceber a dimensão do Ser. As vezes é necessária uma austeridade inteligente até para interromper essa compulsão de fazer.
No seu caso, qual é a atitude, qual é o compromisso que você pode fazer para ajudar no descondicionamento da sua mente? Nós temos que trabalhar com aspectos específicos. Você trabalha para interromper o movimento de um condicionamento específico. Por isso eu sugeri que começássemos identificando as áreas da vida que você sente que ainda há apego. Qual é o buraco que você cai? Você tem que ser criativo em relação a esse buraco. Não é tão simples. Tem um barulho de fundo (uma construção está acontecendo no ashram) porque existe uma resistência de sair desse buraco. Você precisa compreender como você gosta de estar no buraco. Esse é um estágio muito importante da evolução, perceber que você gosta dessa situação. Nesse momento isso parece uma loucura. É realmente difícil para o ser humano perceber que sente prazer no sofrimento e é justamente o prazer que faz com que ele repita. Mas, se você percebe o preço alto que está pagando por manter esse condicionamento negativo, você se anima para sair dele e começa a se comprometer com o prazer positivamente orientado. Se comprometer com o sim e com a vida.
Então, eu quero propor um recolhimento de hoje até amanhã para que você possa ficar o máximo de tempo possível consigo mesmo evitando qualquer tipo de distração ou qualquer tipo de conversa desnecessária para poder mergulhar nessa proposta de trabalho e para que possa acordar a sua criatividade positiva e identificar qual é a atitude que você vai colocar no lugar daquele velho comportamento. Qual é a estratégia que você pode utilizar para não cair naquele mesmo buraco?
Simples, fácil, basta um pouquinho de dedicação. Se você pega o jeito, isso vai ser tremendamente útil na sua vida. Se você pega o jeito de como descondicionar a sua mente, você está pronto para subir.
Vamos trabalhar?
Constantemente eu vou fazer isso. Eu alterno a freqüência da transmissão. As vezes eu só te dou, mas as vezes eu peço de você. As vezes eu faço tudo sozinho, mas as vezes eu peço que você também faça alguma coisa. Porque tem uma parte que cabe a você fazer. Quando você faz a sua parte fica muito fácil para eu fazer a minha. Eu estou aqui completamente disposto a dar tudo para você, mas até que ponto você está realmente disposto a receber? Uma parte eu sei que quer, tanto que veio até aqui. Mas, nós estamos lidando com aquelas partes que não querem e que estão escondidas dentro de você.
Amanhã nós voltaremos nesse assunto e daremos mais um passo.
Abençoado seja cada um de vocês. Receba a benção que ajuda a acordar o seu potencial criativo a favor do descondicionamento da mente.
Até o nosso próximo encontro.

NAMASTE

Sri Prem Baba