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sábado, 15 de janeiro de 2011

As Três Religiões


AS TRÊS RELIGIÕES
- Por J. J. Benitez -
(Ao padre Eutimio, uma exceção).

Em busca da RELIGIÃO PERFEITA, capaz de aplacar minha constante insatisfação, olhei para trás.

Então vi uma humanidade primitiva, que adorava o raio e se prostrava temerosa diante do Sol e da Lua. E uns homens pintados, cobertos por máscaras e plumas dançavam ao redor do fogo, invocando o deus da chuva, clamando pela indulgência do deus dos ventos e pedindo a proteção do deus dos mortos. E aqueles feiticeiros eram temidos e servidos pelos homens, seus escravos.

Era a religião do medo.

Procurei então no presente. A humanidade não temia mais as forças da Natureza. O progresso havia dado um passo para uma nova religião: a da mente. Um sem-fim de igrejas lutava pela posse exclusiva da VERDADE. Todas dispondo de sua própria teologia e todas elas fazendo do princípio dogmático e da autoridade - que não deixa margem a discussões - as bases de sua existência.

Milhões e milhões de seres humanos aceitam sem discussão o agasalho que lhes dão tais religiões, que, em troca, entretanto, pedem-lhes uma submissão cega e total. Estabelecidas e cristalizadas, essas igrejas são o refúgio mais cômodo para aquelas almas que se vêem assaltadas por dúvidas e incertezas. O preço a pagar é o da submissão e concordância intelectual a uns princípios, ritos e dogmas que, apesar de seu infantilismo e fossilização, são tidos e considerados como revelações divinas, manifestações sagradas e caminho de perfeição.

Diante dessas igrejas, vi centenas de milhares de novos feiticeiros, empenhados sobretudo na vigilância e manutenção desse princípio de autoridade. Com certeza não dançam ao redor do fogo nem fustigam seus fiéis com o látego, mas sua tirania acaba sendo mais cruel e desgastante: utilizam a obscura magia de palavras como Fé ou Salvação para destruir qualquer tentativa de liberdade e de busca espiritual.

É a religião do dogma.

Dirigi então meu olhar para o futuro. Por instantes senti-me perplexo: não vi nem igrejas nem religiões. Que teria acontecido?

A humanidade, em seu incessante avanço, havia terminado por compreender que o aprofundamento e o sempre parcial conhecimento das realidades eternas, da bondade do Pai Criador e do seu infinito poder e misericórdia nascem unicamente pelo espírito e por meio da vivência pessoal.

As cerimônias supersticiosas, as feitiçarias e as rígidas estruturas eclesiásticas haviam desaparecido, deixando lugar para a apaixonante aventura da busca pessoal. Os homens tímidos, vacilantes e temerosos de antanho eram já ousados e incansáveis "viajantes" de si mesmos, em constante e vivificante evolução. Da estagnação das religiões se havia passado à mais promissora das experiências, ou seja, encontrar Deus por nós mesmos e dentro de nós.

Será a RELIGIÃO do ESPÍRITO.

(Texto extraído do excelente livro “A Outra Margem”, de J. J. Benitez, escritor e pesquisador espanhol – Editora Mercúryo).