Por favor, preencha a atmosfera com a vibração sublime dos Santos Nomes:
Hare Krsna Hare Krsna Krsna Krsna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare

sábado, 15 de janeiro de 2011

DESCULPAS (Crônicas do Frank)

DESCULPAS

Não sei quem teve a idéia, mas reuniram num salão de festa, todos os meus desafetos; todas aquelas pessoas que passaram pelo meu caminho e que por algum motivo ou outro, faltei-lhes com a minha luz ou a luz deles me faltou; pessoas que ficaram com uma parte de mim que não era amor, nem amizade, nem qualquer outro sentimento que leva a saudade ou alegria; pessoas que tampouco deixaram em mim sementes de amizade, carinho ou harmonia. Acomodados em suas mesas, todos eles esperavam ansiosamente por minha chegada e por minhas mais sinceras desculpas; daí, fui orientado a subir num palco que havia em frente aquela gente toda e aproveitar aquela chance para pedir perdão a todas elas.

Alguém, então, ligou o microfone e me preparei para dizer a todos eles o quanto eu sentia muito por tê-los desapontado em algum canto da minha vida. Contudo, olhando para eles, duas coisas passaram pela minha cabeça:

A primeira: havia muita gente que eu tinha magoado ou que me magoara. Logo eu, que sempre me orgulhei de nunca ter tido inimigos, carregava todos aqueles desafetos comigo;

A segunda: Passei toda a minha vida pedindo desculpas. Muitas vezes, desculpas desnecessárias que só aumentaram o vale de separação que se criou entre o que eu fiz e o que isso se tornou. Eu fui aquele que corria atrás de cada uma dessas pessoas para reatar uma relação que tinha se rompido por erros de mão dupla, onde a nossa imaturidade de não saber reconhecer as diferenças um do outro foi mais forte que a amizade. Sempre fui aquele que tentou encontrá-los e nenhuma daquelas pessoas veio atrás de mim, mesmo quando havia motivos para que eu recebesse as desculpas.

Todos nós cometemos erros, e pedir desculpas é nobre desde que isso não se torne algo repetitivo, que usamos por qualquer motivo. Além disso, muitos são os casos, em que fomos nós, as vitímas de algo, e por algum motivo, nos tornamos os agressores e fomos obrigados a pedir desculpas "in private" ou em público, quando deveria ter ocorrido o contrário.

Ali, diante dos meus desafetos, percebi que estava repetindo o mesmo ciclo de novo. Então, naquele momento, olhando todas aquelas pessoas que eu magoei e que me magoaram, fiz o oposto que o Frank faria: segurei o microfone com a mão esquerda e com a direita, ergui o punho para cima e com o dedo médio levantado, eu disse a todos:

- Vão se fuder todo mundo!

Daí, acordei sorrindo, com aquele sorriso maroto nos lábios de quem teve um sonho bom e com uma leveza gigante pois deixei no sonho todo o peso que carreguei sempre comigo, ficando apenas nas costas, as asas e a satisfação de saber que nem sempre pedir desculpas nos liberta da escravidão da culpa, porém, um sincero "foda-se" sempre basta.

((()))