Por favor, preencha a atmosfera com a vibração sublime dos Santos Nomes:
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segunda-feira, 6 de agosto de 2007

PRETOS VELHOS

História

As grandes metrópoles do período colonial: Portugal,
Espanha,
Inglaterra, França, etc; subjugaram nações africanas,
fazendo dos
negros mercadorias, objetos sem direitos ou alma. Os negros
africanos foram levados a diversas colônias espalhadas
principalmente nas Américas e em plantações no Sul de
Portugal e em
serviços de casa na Inglaterra e França. Os traficantes
coloniais
utilizavam-se de diversas técnicas para poder arrematar os
negros:
Chegavam de assalto e prendiam os mais jovens e mais fortes da
tribo, que viviam principalmente no litoral Oeste, no
Centro-oeste,
Nordeste e Sul da África. Trocavam por mercadoria: espelhos,
facas,
bebidas, etc. Os cativos de uma tribo que fora vencida em
guerras
tribais ou corrompiam os chefes da tribo financiando as guerras e
fazendo dos vencidos escravos. No Brasil os escravos negros
chegavam por Recife e Salvador, nos séculos XVI e XVII, e no
Rio de
Janeiro, no século XVIII.XVIII. Os primeiros grupos que vieram
para
essas regiões foram os bantos; cabindos; sudaneses;
iorubás; geges;
hauçá; minas e malês. A valorização do tráfico
negreiro, fonte da riqueza
colonial, custou muito caro; em quatro séculos, do XV ao XIX,
a
África perdeu, entre escravizados e mortos 65 a 75 milhões
de
pessoas, e estas constituiam uma parte selecionada da
população.
Arrancados de sua terra de origem, uma vida amarga e penosa
esperava esses homens e mulheres na colônia: trabalho de sol a
sol
nas grandes fazendas de açúcar. Tanto esforço, que um
africano aqui
chegado durava, em média, de sete a dez anos! Em anos! Em
troca de
seu trabalho os negros recebiam três "pês": Pau, Pano e
Pão. E
reagiam a tantos tormentos suicidando-se, evitando a
reprodução,
assassinando feitores, capitães-do-mato e proprietários. Em
seus cultos, os escravos resistiam, simbolicamente, à
dominação. A
"macumba" era, e ainda é, um ritual de liberdade, protesto,
reação
à opressão. As rezas, batucadas, danças e cantos eram
maneiras de
aliviar a asfixia da escravidão. A resistência também
acontecia na
fuga das fazendas e na formação dos quilombos, onde os negros
tentaram reconstituir sua vida africana. Um dos maiores
quilombos
foi o Quilombo dos Palmares onde reinou Ganga Zumba ao lado de
seu
guerreiro Zumbi (protegido de Ogum). Os negros que se adaptavam
mais facilmente à nova situação recebiam tarefas mais
especializadas, reprodutores, caldeireiro, carpinteiros,
tocheiros,
trabalhador na casa grande (escravos domésticos) e outros,
ganharam
alforria pelos seus senhores ou pelas leis do Sexagenário, do
Ventre livre
e, enfim, pela Lei Áurea. A Legião de espíritos chamados
"Pretos-Velhos"
foi formada no Brasil, devido a esse torpe comércio do
tráfico de escravos
arrebanhados da África. Estes negros aos poucos conseguiram
envelhecer
e constituir mesmo de maneira precária uma união
representativa da língua,
culto aos Orixás e aos antepassados e tornaram-se um elemento
de
referência para os mais novos, refletindo os velhos costumes
da Mãe
África. Eles conseguiram preservar e até modificar, no
sincretismo,
sua cultura e sua religião. Idosos mesmo, poucos vieram, já
que os
escravagistas preferiam os jovens e fortes, tanto para resistirem
ao trabalho braçal como às exemplificações com o
látego. Porém, foi
esta minoria o compêndio no qual os incipientes puderam ler e
aprender a ciência e sabedoria milenar de seus ancestrais,
tais
como o conhecimento e emprego de ervas, plantas, raízes,
enfim,
tudo aquilo que nos dá graciosamente a mãe natureza. Mesmo
contando
com a religião, suas cerimônias, cânticos, esses
moços logicamente não
poderiam resistir à erosão que o grande mestre, o tempo,
produz sobre o
invólucro carnal, como todos os mortais. Mas a mente não
envelhece,
apenas amadurece. Não podendo mais trabalhar duro de sol a
sol,
constituíram-se a nata da sociedade negra subjugada. Contudo,
o peso
dos anos é implacavelmente destruidor, como sempre acontece. O
ato
final da peça que encarnamos no vale de lágrimas que é o
planeta Terra é
a morte. Mas eles voltaram. A sua missão não estava ainda
cumprida.
Precisavam evoluir gradualmente no plano espiritual. Muitos
ainda,
usando seu linguajar característico, praticando os sagrados
rituais
do culto, utilizados desde tempos imemoriais, manifestaram-se em
indivíduos previamente selecionados de acordo com a sua
ascendência
(linhagem), costumes, tradições e cultura. Teriam que possuir
a
essência intrínseca da civilização que se aprimorou
após
incontáveis anos de vivência.

Formação da Falange dos Pretos-Velhos na Umbanda

Depois de mortos, passaram a surgir em lugares adequados,
principalmente para se manifestarem. Ao se incorporarem, trazem
os
Pretos-Velhos os sinais característicos das tribos a que
pertenciam. Os Pretos-velhos são nossos Guias ou Protetores,
mas no
Candomblé, são considerados Eguns (almas desencarnadas), e
decorrente disso, só têm fio de conta (Guia) na Umbanda.
Usam
branco ou preto e branco. Essas cores são usadas porque, sendo
os
Pretos-Velhos almas de escravos, lembram que eles só podiam
andar
de branco ou xadrez preto e branco, em sua maioria. Temos
também a
Guia de lágrima de Nossa Senhora, semente cinza com uma palha
dentro. Essa Guia vem dos tempos dos cativeiros, porque era o
material mais fácil de se encontrar na época dos escravos,
cuja
planta era encontrada em quase todos os lugares. O dia em que a
Umbanda homenageia os Pretos-Velhos é 13 de maio, que é a
data em
que foi assinada a Lei Áurea (libertação dos escravos).

O NOMES DOS PRETOS-VELHOS

Há muita controvérsia sobre o fato de o nome do Preto-Velho
ser uma
miscelânea de palavras portuguesas e africanas. Voltemos ao
passado, na época que cognominamos "A Idade das Trevas" no
Brasil,
dos feitores e senhores, senzalas e quilombos, sendo os senhores
feudais brasileiros católicos ferrenhos (devido à
influência
portuguesa) não permitiam a seus escravos a liberdade de
culto.
Eram obrigados a aprender e praticar os dogmas religiosos dos
amos.
Porém eles seguiram a velha norma: contra a força não

resistência, só a inteligência vence. Faziam seus
rituais às
ocultas, deixando que os déspotas em miniatura acreditassem
estar
eles doutrinados para o catolicismo, cujas cerimônias
assistiam
forçados. As crianças escravas recém-nascidas, na
época, eram
batizadas duas vezes. A primeira, ocultamente, na nação a que
pertenciam seus pais, recebendo o nome de acordo com a
seita. A segunda vez, na pia batismal católica, sendo esta
obrigatória e nela a criança recebia o primeiro nome dado
pelo seu
senhor, sendo o sobrenome composto de cognome ganho pela Fazenda
onde nascera (Ex.: Antônio da Coroa Grande), ou então da
região
africana de onde vieram (Ex.: Joaquim D'Angola). O termo
"Velho",
"Vovô" e "Vovó" é para sinalizar sua experiência,
pois quando
pensamos em alguém mais velho, como um um vovô ou uma
vovó
subentendemos que essa pessoa já tenha vivido mais tempo,
adquirindo assim sabedoria, paciência, compreensão. É
baseado
nesses fatores que as pessoas mais velhas aconselham. No mundo
espiritual é bastante semelhante, a grande característica
dessa
linha é o conselho. É devido a esse fator que
carinhosamente
dizemos que são os "Psicólogos da Umbanda".


Eis aqui, como exemplo, o nome de alguns Pretos-Velhos:
Pai Cambinda (ou Cambina), Pai Roberto, Pai Cipriano, Pai João
,Pai
Congo, Pai José D'Angola, Pai Benguela, Pai Jerônimo, Pai
Francisco, Pai Guiné, Pai Joaquim, Pai Antônio, Pai
Serafim, Pai
Firmino D'Angola, Pai Serapião, Pai Fabrício das Almas,
Pai
Benedito, Pai Julião, Pai Jobim, Pai Jobá, Pai Jacó, Pai
Caetano,
Pai Tomaz, Pai Tomé, Pai Malaquias, Pai Dindó, Vovó
Maria Conga,
Vovó Manuela, Vovó Chica, Vovó Cambinda (ou Cambina),
Vovó Ana,
Vovó Maria, Vovó Maria Redonda, Vovó Catarina, Vovó
Luiza, Vovó
Rita, Vovó Gabriela, Vovó Quitéria, Vovó Mariana,
Vovó Maria da
Serra, Vovó Maria de Minas, Vovó Rosa da Bahia, Vovó
Maria do
Rosário, Vovó Benedita. Obs: Normalmente os Pretos-Velhos
tratados
por Vovô ou Vovó são mais velhos do que aqueles tratados
por Pai,
Mãe, Tio ou Tia).

Atribuições

Eles representam a humildade, força de vontade, a
resignação, a
sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referência
para
todos aqueles que necessitam: curam, ensinam, educam pessoas e
espíritos sem luz. Não têm raiva ou ódio pelas
humilhações,
atrocidades e torturas a que foram submetidos no passado. Com
seus
cachimbos, fala pausada, tranqüilidade nos gestos, eles
escutam e
ajudam àqueles que necessitam, independentes de sua cor,
idade,
sexo e de religião. São extremamente pacientes com os seus
filhos
e, como poucos, sabem incutir-lhes os conceitos de karma e
ensinar-lhes resignação Não se pode dizer que em sua
totalidade
esses espíritos são diretamente os mesmos Pretos-Velhos da
escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação
passaram por
muitas vidas anteriores foram: negros escravos, filósofos,
médicos,
ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar aqueles que
necessitam escolheram ou foram escolhidos para voltar a terra em
forma incorporada de Preto-Velho.
Outros, nem negros foram, mas escolheram como missão voltar
nessa
pseudo-forma. Outros foram até mesmo Exus, que evoluíram e
tomaram
as formas de um Pretos-Velhos. Este comentário pode deixar
algumas
pessoas, do culto e fora dele, meio confusas: "então o
Preto-Velho
não é um Preto-Velho, ou é, ou o que acontece???". Esses
espíritos
assumem esta forma com o objetivo de manter uma perfeita
comunicação com aqueles que os vão procurar em busca de
ajuda. O
espírito que evoluiu tem a capacidade de assumir qualquer
forma,
pois ele é energia viva e conduzente de luz, a forma é
apenas uma
conseqüência do que eles tenham que fazer na terra. Esses
espíritos
podem se apresentar, por exemplo, em lugares como um médico e
em
outros como um Preto-Velho ou até mesmo um caboclo ou exu.
Tudo
isso vai de acordo com o seu trabalho, sua missão. Não
é uma forma
de enganar ou má fé com relação àqueles que
acreditam, muito pelo
contrário, quando se conversa sinceramente, eles mesmos nos
dizem
quem são, caso tenham autorização. Por isso, se você for
falar com um
Preto-Velho, tenha humildade e saiba escutar, não queira
milagres ou
que ele resolva seus problemas, como em um passe de mágica,
entenda
que qualquer solução tem o princípio dentro de você
mesmo, tenha fé,
acredite em você, tenha amor a Deus e a você mesmo. Para
muitos os
Pretos-Velhos são conselheiros mostrando a vida e seus
caminhos;
para outros, são pisicólogos, amigos, confidentes, mentores
espirituais; para outros, são os exorcistas que lutam com suas
mirongas, banhos de ervas, pontos de fogo, pontos riscados e
outros, apoiados pelos exus desfazendo trabalhos. Também
combatem
as forças negativas (o mal), espíritos obssessores e
kiumbas.

A MENSAGEM DOS PRETOS-VELHOS

A figura do Preto-Velho é um símbolo magnífico. Ela
representa o
espírito de humildade, de serenidade e de de paciência que
devemos
ter sempre em mente para que possamos evoluir espiritualmente.
Certa vez, em um centro do interior de Minas, uma senhora
consultando-se com um Preto-Velho comentou que ficava muito
triste
ao ver no terreiro pessoas unicamente interessadas em resolver
seus
problemas particulares de cunho material, usando os trabalhos de
Umbanda sem pensar no próximo e, só retornavam ao terreiro,
quando
estavam com outros problemas. O Preto-Velho deu uma baforada com
seu cachimbo e respondeu tranquilamente: "Sabe filha, essas
pessoas
preocupadas consigo próprias, são escravas do egoísmo.
Procuramos
ajudá-las, resolvendo seus problemas; mas, aquelas que podem
ser
aproveitadas, depois de algum tempo, sem que percebam, estarão
vestidas de roupa branca, descalças, fazendo parte do
terreiro. Muitas
pessoas vem aqui buscar lã e saem tosqueadas; acabam nos
ajudando
nos trabalhos de caridade". Essa é a sabedoria dos
Pretos-Velhos...
Os Pretos-Velhos levam a força de Deus (Zambi) a todos que
queiram
aprender e encontrar uma fé. Sem ver a quem, sem julgar, ou
colocando
pecados. Mostrando que o amor a Deus, o respeito ao próximo e
a si
mesmo, o amor próprio, a força de vontade e encarar o
ciclo da
reencarnação podem aliviar os sofrimentos do karma e elevar o
espírito
para a luz divina. Fazendo com que as pessoas entendam e encarem
seus problemas e procurem suas soluções da melhor maneira
possível
dentro da lei do dharma e da causa e efeito. Eles aliviam o
fardo
espiritual de cada pessoa fazendo com que ela se fortaleça
espiritualmente. Se a pessoa se fortalece e cresce consegue
carregar mais comodamente o peso de seus sofrimentos.
Ao passo que se ela se entrega ao sofrimento e ao desespero
enfraquece e sucumbe por terra pelo peso que carrega. Então
cada um
pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente de acordo
como
encare seu destino e os acontecimentos de sua vida: "Cada um
colherá aquilo que plantou. Se tu plantaste vento colherás
tempestade. Mas, se tu entenderes que com luta o sofrimento pode
tornar-se alegria vereis que deveis tomar consciência do que
foste
teu passado aprendendo com teus erros e visando o crescimento e a
felicidade do futuro. Não sejais egoísta, aquilo que te
fores
ensinado passai aos outros e aquilo que recebeste de graça,
de
graça tu darás. Porque só no amor, na caridade e na
fé é que tu
podeis encontrar o teu caminho interior, a luz e DEUS" (Pai
Cipriano).



CARACTERISTICAS:



Irradiação
Todos os Pretos-Velhos vem na linha das Almas, mas cada um vem na
irradiação de um Orixá diferente.

Fios de Contas (Guias)
Muitos dos Pretos-Velhos Gostam de Guias com Contas de Rosário
de
Nossa Senhora, alguns misturam favas e colocam Cruzes ou Figas
feitas de Guiné ou Arruda.


Roupas
Preta e branca; carijó (xadrez preto e branco). As
Pretas-Velhas às
vezes usam lenços na cabeça e/ou batas; e os Pretos-Velhos
às vezes
usam chapéude palha.


Bebida
Café preto, vinho tinto, vinho moscatel, cachaça com mel
(às vezes
misturam ervas, sal, alho e outros elementos na bebida).


Dia da semana:Segunda-feira


Chakra atuante:básico ou sacro


Cor representativa:preto e branco;


Fumo:cachimbos ou cigarros de palha.

Obs:Os Pretos-Velhos às vezes usam bengalas ou cajados.


Cozinha Ritualística


Tutu de feijão preto


Mingau das almas
É um mingau feito de maizena e leite de vaca (às vezes com
leite de
coco), sem açúcar ou sal, colocado em tigela de louça
branca. É
comum colocar-se uma cruz feita de fitas pretas sobre esse
mingau,
antes de entregá-lo na natureza.


Bolinhos de tapioca
Os bolinhos de tapioca são feitos colocando-se a tapioca de
molho
em água quente (ou leite de coco, se preferir), de modo a
inchar.
Quando inchado, enrole os bolinhos em forma de croquete e
passe-os
em farinha de mesa crua. Asse na grelha. Colocar os bolinhos em
prato de louça branca podendo acrescentar arruda, rapadura,
fumo de
rolo, etc.


Obs: Nas sessões festivas de Pretos-Velhos, é usual servir
a
tradicional feijoada completa, feita de feijao preto, miúdos e
carne salgada de boi, acompanhada de couve à mineira e farofa