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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Matrix


Tradução Mística do filme Matrix

    Esse filme é o que se pode chamar de uma revelação, no sentido de re-velar, ou seja velar de novo, apresentando antigos ensinamentos numa linguagem nova, utilizando para isso, com uma certa mistificação, o elemento tecnológico do mundo moderno, a Internet.

    Dessa forma, através de uma nova contextualização, o filme resgata para  nossa civilização, de uma forma alegorizada, verdades universais contidas no Tao Te King; Bhagavad-Gita, em todos os Vedas, enfim, verdades que de outro modo se  perderão, se não encontrarmos uma linguagem que nos permita comunica-las às novas gerações.

    Nele fica nítido que um dos arquétipos do herói mitológico, muito utilizado na época do Jesus bíblico, geralmente associado a determinados imperadores, heróis, ou semideuses, permeia toda a trama, no caso em questão, o arquétipo utilizado é o do messias, ou ungido, que podemos resumir da seguinte forma: um redentor  esperado, de nascimento virginal, a traição por parte de um de seus companheiros, a luta contra as forças do mal, a morte e a ressurreição, e finalmente a ascensão aos céus.

    O filme, analisado hoje, começa com Trinity, a iniciadora em conexão com o mundo real através de uma linha telefônica, no Heart O' The City Hotel. Essa linha
doponto de vista simbólico, eqüivale a vibração do Anahata, ou Chacra Cardíaco,  que permite-nos, uma vez ativado, sintonizar nossa consciência com nosso  átomo primordial. No atual estado evolutivo da humanidade, esse chacra só pode ser dinamizado pelo elemento feminino.

    O número que vemos em exposição na tela do console manipulado pelo personagem Trinity, é 506, eqüivale ao Arcano 11, (5+0+6= 11), ou seja a lâmina da força. Nesta lâmina do Tarô, vemos uma mulher abrindo com as mãos nuas, a boca de um leão. No filme, Trinity representa a Shakti, a força que penetrando no Chacra Cardíaco do iniciado, promove a expansão da consciência.

     O ser que está na Senda Iniciática, representado pelo personagem principal, utiliza um pseudônimo, o equivalente ao nome secreto empregado em algumas escolas. Neo, lido anagramaticamente, eqüivale a Noé, One (um), ou Eon, que em  grego significa ciclo, era ou período, simbolizando a ligação desse personagem com um novo começo, algo novo, uma nova era.

     Ele, Neo, recebe a primeira instrução de sua iniciadora, Trinity, que lhe diz como se estalasse os dedos, "Acorde, Neo", da mesma maneira que os iniciadores repetem isso aos discípulos, durante toda a sua jornada na Senda.

     O personagem principal do filme, como todos os outros que se iluminaram antes dele, procurava a resposta para nas palavras de Trinity, "A pergunta que nos impulsiona".

    Quando finalmente trava contato, com Morfeu, seu Mestre, este diz a Neo, que "há duas formas de sair daí, uma é pelo andaime, outra é levado por eles", ou seja uma vez que o indivíduo desperta para as Leis ocultas que determinam os acontecimentos nos planos da manifestação, elevando sua consciência a um nível superior as pessoas comuns, só há duas maneiras dele continuar seu desenvolvimento, uma é subindo, outra é capturado pelas forças, que representam os processos personalísticos que nos controlam.

    Neo hesita, devido a seu medo e desconfiança, gerados pelo sentimento de auto-preservação e acaba capturado pelos elementos personalísticos.
 
    Mais tarde, vemos Neo, de volta a sua vida comum, supostamente liberto, sendo levado ao encontro de Morfeu, para sua iniciação. Porém, antes dele entrar no vestíbulo onde o Mestre o espera, Trinity, a iniciada que o guia, como uma Ariadne que guiou Teseu no labirinto de Creta, lhe dá um conselho semelhante ao que é dado a todo discípulo em prova: "Seja sincero. Ele sabe mais do que você imagina.". Só então, ela lhe abre a porta da sala onde o Mestre lhe espera.

    Durante o dialogo que se segue, Morfeu observa que ele, Neo, é: "Um homem que aceita o que vê". Entendemos melhor essa afirmação quando consideramos que o nome "real" do personagem Neo no filme, é Thomas A. Anderson, Thomas é equivalente a Tomás ou Tomé, demonstrando o relacionamento do personagem a São Tomé, o apóstolo que precisava ver para crer. Vale notar, que o sistema iniciático adotado por Morfeu, relaciona-se, na sua forma extremamente simples e objetiva, à iniciação mental, praticada nas escolas em sintonia com o atual estado de consciência da humanidade, focado no mental concreto, e que portanto não trabalha mais com o sistema de iniciação astral, ou fenômenico, utilizada em escolas mais primitivas.

    Morfeu, ensina sobre A Matrix - (Ma = m = Maya, que significa ilusão em sânscrito e Trix = Tri = Três). Matrix, tem o mesmo significado das tradicionais Três Mayas, Três Véus, ou Três Ilusões, a ilusão física, a ilusão psíquica e a ilusão espiritual, que segundo o hinduismo ocultam a realidade.

    Ele, o Mestre, apresenta seus ensinamentos na forma de questões do tipo: "Você deseja saber o que ela é?", ao receber resposta afirmativa de Neo, continua: "A Matrix, está em todo lugar. À nossa volta. Mesmo agora, nesta sala. Você pode vê-la quando olha pela janela, ou quando liga sua televisão. Você a sente quando vai para o trabalho, quando vai a igreja, quando paga seus impostos. É o mundo colocado diante dos seus olhos para que não veja a verdade".

    Ao questionamento seguinte do discípulo (Neo), sobre o que é a verdade, ele continua implacavelmente dizendo que a verdade é: "Você é um escravo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro, nasceu numa prisão que não consegue sentir ou tocar. Uma prisão para sua mente. Infelizmente é impossível dizer o que é a Matrix (ou a Maya). Você tem de ver por si mesmo". Nesse momento então ele oferece a Neo, uma pílula azul, para conservar o sonho, a Maya, e outra  vermelha para mudar sua percepção da realidade. A cor da primeira pílula, o azul, é associada ao conservadorismo, no mesmo sentido do sangue real, (ou azul) das antigas monarquias européias. A cor da segunda é vermelha, relacionado as transformação revolucionárias violentas, associado a mudanças radicais. Morfeu, o Mestre, tem a chave que abre as portas para o real, mas Neo, o discípulo, tem que fazer a escolha.

    Durante a iniciação ele morrerá para um mundo de sonhos e nascerá para o mundo real, despertando plenamente para a verdadeira natureza do mundo físico, do mundo psíquico e do mundo espiritual, compreendendo dessa forma a tríplice natureza unitária da realidade. Para entendermos melhor o que ocorre com Neo a partir daí, é importante considerarmos o que é dito no Bhagvad-Gita, por Sri Krisna, quando se dirige ao seu discípulo Arjuna e lhe diz "Ó Arjuna, o Senhor Supremo está situado no coração de todo mundo, e dirige as divagações (os sonhos) de todas as entidades vivas, que estão sentadas como numa máquina, feita de energia material". (Bhagvad-Gita - Como Ele É, texto 61, capítulo 18, pág. 706. - A.C. B. Swami Prabhupada).

    No filme, já no mundo real, a bordo do Nabucondonosor, observamos a analogia da lei que afirma que são necessários sete discípulos para formar um Mestre; temos então os personagens: Trinity, Apoc, Switch, Dozer, Tank, Mouse e Cypher, como os sete discípulos, tendo como representante da consciência do Mestre, a figura do líder Morfeu, ou Morpheus (Personagem mitológico, deus do sono grego).

    Na nave, ou arca, chamada no filme de Nabucondonosor, percebemos referencia o ano 2069 (2+0+6+9 = 17), correspondente ao Arcano 17, a Estrela, símbolo relacionado à egrégora da Obra, em que estão empenhados esses divinos rebeldes. Avançando um pouco mais, vemos que na segunda parte da iniciação de Neo, Morfeu lhe informa que no começo do século 21, número que no Taro iniciático de JHS, corresponde à lâmina do Louco, os homens criaram a I.A. (Inteligência Artificial), um tipo de consciência singular, que gerou uma raça inteira de máquinas, ou de seres mecanizados. Bem semelhante ao que acontece em nossos dias, onde os seres humanos vão sendo "robotizados", num processo de massificação que antigamente era chamado costume, mas que na atualidade tem o nome de moda. Tornando-se cada vez mais inconscientes, num mundo dominado por padrões de comportamento.

    Segundo Morfeu, encantados com sua própria grandeza, os homens celebravam sua realização, porém na guerra que adveio após tal sucesso, eles queimaram o céu, ou seja, fecharam as portas para as energias solares, positivas, transformando o mundo num deserto tecnológico de trevas, sem Deus, onde os seres mecânicos se tornaram os senhores. Da era de ouro porém, só restou Sião, "a última cidade humana"; Sião ou Sinai, é na tradição israelita o Monte sagrado onde Moisés teria recebido as Tábuas da Lei do próprio Deus.

Segundo o personagem Tank, Sião fica localizada nas entranhas da Terra, próximo ao seu núcleo incandescente, o Sol Central do planeta. Relacionando-se claramente assim aos mistérios dos Mundos Subterrâneos, especificamente à cidade subterrânea de Shamballa (Sião = S = Shangrilla, Shamballa das tradições transhimalaianas). Shamballa, é um núcleo de integração de consciências espirituais elevadíssimas, que vibra no interior da terra, representada alegoricamente como uma cidade. Dessa forma, Sião representaria o lugar onde realmente somos o que somos e do qual fomos enviados à face da terra, onde conforme diz o personagem Tank, será festejado o fim da guerra maniqueista entre os filhos da Luz e os filhos das trevas, representados pelos homens e pelas máquinas.
 
     Só o líder, ou o Mestre, de cada nave, ou Arca, recebe as senhas, ou as chaves, para penetrar em Sião; assim Morfeu é também um pontífice (Pontifex = construtor de ponte), construindo a ponte entre o mundo ilusório e o mundo real, entre Matrix e Sião.

    Já na terceira fase do processo iniciático (treinamento) a que Morfeu submete seu discípulo, ele declara a Neo: "Quero libertar sua mente, Neo. Mas só posso te mostrar a porta. Você tem de atravessa-la".

    Apesar do personagem de Morfeu declarar no filme que os seres humanos não estão prontos para "acordar", isso não faz das pessoas adormecidas suas inimigas. Suas palavras contundentes, expõem o que é dito nos Vedas, quando os sábios afirmam que todos: pais, mães, irmãos, avôs, avós, amigos, namorados, cônjuges, etc. são "soldados ilusórios", que promovem nosso apego à Maya, pois enquanto adormecidos, os seres humanos fazem parte do "sistema ilusório", portanto possuem em sua estrutura processos personalísticos que eles mesmos desconhecem, mas que tomam conta de sua consciência em algumas ocasiões, para defender seus preconceitos e manter sua existência ilusória. Esses processos personalísticos que nos prendem à ilusão, são representados no filme pelos agentes da Matrix, programas sencientes que entram e saem em qualquer software conectado ao sistema deles. Fazendo eco as palavras dos sábios nos Vedas, Morfeu diz que: "Qualquer um ainda não libertado, é um agente em potencial da Matrix. Eles são todos e não são ninguém". Os processos personalísticos, relacionam-se aos sete pecados capitais"... eles são os porteiros, protegem todas as portas e tem todas as chaves". Às vezes, os seres humanos são vencidos por esses agentes da Matrix, alguns até pactuam com eles, como é o caso de Cypher. Ele é aquele que viu a verdade, despertou para a realidade mais prefere a ilusão e a mentira. Ele, Cypher, diz ter percebido após nove anos (número equivalente aos degraus da escada de Jacó, que simbolicamente leva o homem do mundo terreno ao mundo espiritual), que "A ignorância é maravilhosa". Dessa forma pensam os magos negros, aqueles que fazem opção por Avidya, pela ignorância, que voltam as costas à Luz e mergulham voluntariamente na escuridão.

    Os que assim procedem, sempre acusam aos que lhes mostraram o caminho, de fraquezas e incapacidade, que eles mesmos possuem. Corroídos pelo ódio, pela luxuria e pela inveja, afirmam terem sido enganados por seus Mestres, que quando fazem realmente jus a esse nome, tentaram sempre, guia-los na Boa Senda. Cypher representa o traidor, que trai a sua própria natureza humana, ao submeter-se ao domínio das máquinas. Se oferece como pasto para as forças negativas que ele passa a servir, em troca de prazeres ilusórios. Age assim no intuito de satisfazer seus impulsos baixos, suas Nidhanas.

   O iniciado, seguidor dos Mestres da Grande Fraternidade Branca, até que se torne verdadeiramente um Adepto, enquanto estiver encarnado, sentirá os apelos de seus veículos inferiores. Isso ocorre porque nesse estado, ainda possui elementos básicos em sua composição ainda por equilibrar e que por isso mesmo exigem satisfação. Apesar disso ele não os nega, mas os transmuta, canalizando-os para realizações reais que o libertem cada vez mais da ilusão da Maya, tornando-os elementos impulsionadores de sua evolução. Num determinado ponto do filme, inclusive, um dos membros da tripulação, Mouse, fala com Neo sobre isso, dizendo-lhe que: "Negar os nossos impulsos é negar aquilo que faz de nós humanos". Ao par disso, o verdadeiro iniciado é extremamente consciente de seus impulsos, não os recalcando hipocritamente para as regiões do subconsciente, onde irão se acumulando, como esqueletos no armário, de onde continuarão a atuar sem nenhum controle, disciplina ou educação, até invadirem como uma enchente de um rio bravio a consciência, dominando-a e arrastando-a às maiores perversões. Por isso o verdadeiro iniciado sabe que deve vigiar seus sentidos, para através de um sistema iniciático sério, de uma disciplina superior, não recalcar, mas trabalhar, transformar suas Nidhanas, ou tendências negativas, em Skandhas, ou características positivas.

    Num determindado nível dessa etapa da iniciação de Neo, Morfeu o conduz até o Oráculo. Vemos que a entrada do elevador é guardada por um cego que vê. Ele, o cego, que responde ao sinal que Morfeu lhe faz com a cabeça, representa os iniciados, guardiões da Luz, cegos para o mundo ilusório, mas iluminados para a realidade. Já dentro do elevador o Mestre diz então a Neo para: "Não pensar em termos de certo e errado", pois para os que chegam ao Oráculo, certo e errado, bem e mal, feio e bonito, todos os pares de opostos se anulam. Às portas do Oráculo, Morfeu, o Mestre, diz ao seu discípulo: "Só posso te mostrar a porta, você tem de atravessá-la", indicando assim que cada passo do discípulo em prova é dado por sua própria conta, pois na Senda da Iluminação ninguém caminhará, ou tomará as decisões por ele.

    Porém, quando Neo coloca a mão na maçaneta da porta, esta lhe é aberta, mais uma vez por uma sacerdotisa. Essa atuação constante do elemento feminino, demonstra a necessidade da interação dinâmica de ambas as polaridades humanas, de acordo com certas regras esotéricas...

    Assim, macho e fêmea interagem ciclicamente no processo iniciático de crescimento espiritual, através do entrelaçamento das forças de Fohat e Kundalini. Ao integrarem-se dessa forma, ambas as energias dão origem ao Andrógino Divino, um ser verdadeiramente equilibrado, mas que conserva as características do corpo que ocupa. Se masculino, vive e relaciona-se como homem; se feminino, vive e relaciona-se como mulher, podendo em alguns casos fazer opção pelo Brahmacharya, ou voto de castidade. O resultado da integração dinâmica das polaridades cósmicas, é totalmente diferente das expressões caóticas homossexuais ou bissexuais, dois tipos que representam seres decaídos, em oposição ao Andrógino Divino, que é a perfeição evolutiva humana. Já dentro da sala do Oráculo, Neo encontra várias crianças, especialmente um menino, uma espécie de pequeno monge, do qual aprende alguns mistérios sobre esse mundo ilusório, num episódio que lembra bem aquela passagem bíblica, onde o Cristo bíblico ensina que aquele que não se tornar como estas crianças, não entrará no reino dos céus. Dentro do Oráculo, (uma cozinha), a Pitonisa, ou profetisa (novamente uma mulher), manipulando um forno moderno, quebra as expectativas do discípulo. A cozinha nos faz lembrar o laboratório dos alquimistas e o forno o Athanor, ou forno utilizado pelos alquimistas, Adeptos da Arte Real.

    Num determinado ponto de sua conversa ela, a Pitonisa, cita-lhe o celebre axioma socrático, "Conhece-te a ti mesmo", que via-se às portas do oráculo de Delfos, o qual essa etapa do filme representa. Só que nas portas do Oráculo de Delfos, as palavras citadas no filme estavam escritas em grego e de forma mais integral exortavam: "Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses".

    A mulher que representa a Pitonisa do Oráculo, lhe afirma de forma metafórica que: "Ser o escolhido é como estar apaixonado. Ninguém pode te dizer se você está. Você simplesmente sabe. Não tem dúvida, nenhuma". Assim ao lhe falar sobre o escolhido, ela descreve o processo de iluminação avatárica, pois este não é uma coisa que se busca e que se consegue, ou que fica-se esperando, ele simplesmente é, como algo que simplesmente acontece, e nesse ponto do filme Neo, não é o escolhido. A Pitonisa, afirma que ele tem o dom, que na verdade todos nós todos temos, mas ele parece que "está esperando por algo". Quando Neo lhe indaga a respeito do que poderia estar esperando, ela lhe responde: " Sua próxima vida talvez". Dessa forma, Neo age como a maioria das pessoas, que iniciam-se na Senda, mas que protelam para a próxima vida a iluminação, esperando e pensando que: "Afinal ela não é para agora, quem sabe mais tarde"...
 
     Ao sair do Oráculo, Neo, encontra-se com Morfeu e este lhe adverte: "O que foi dito era para você e apenas para você", assim é com tudo que é comunicado nas verdadeiras iniciações Assúricas, com aquilo que é falado do iniciador para o iniciando, de boca-para-ouvido, de maneira sutil e discreta, quase que imperceptivelmente.

    Quando, porém, os agentes de Matrix capturam Morfeu, um representante dos processos internos personalísticos, intelectualiza a existência humana e de forma convincente, compara o seu desenvolvimento humano sobre a terra, que na maioria das vezes, foi totalmente controlado pela personalidade caótica, ou seja por esses mesmos processos internos, ao de um vírus. Dessa maneira, o agente se coloca como a cura para o mal que, segundo ele, é representado pela maior de todas as criações de Deus na Terra: o Ser Humano. Ignorando porém em seu discurso, o desenvolvimento do Espirito Humano, capaz dos maiores gestos de sacrifício, altruísmo e fraternidade, a única esperança para o planeta. Esse Espirito Humano, quando plenamente desenvolvido, subjuga a natureza animal e mecânica e converte o Homem na expressão de Deus na face da Terra. Esse Espirito Humano, quer o chamemos de Deus, Bramam, Alá, Jeová, Tao, opõe-se aos processos mecânicos, instintivos e animalescos, que controlam os seres ainda inconscientes, atuando de forma a libertar a Centelha Divina, promovendo o nascimento do Avatar, (ou o Escolhido como é expresso no filme). Vemos isso, quando Neo toma a decisão de sacrificar-se, dando-se em holocausto pelo seu amigo e Mestre Morfeu.

    Apesar de conhecermos intelectualmente o exposto acima, as esclarecedoras palavras de Morfeu, após ser resgatado, devem ser consideradas: "Cedo ou tarde, você vai perceber, como eu, que há uma diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho".

    Num determinado ponto no fim do filme a personagem Trinity reproduz um dos mais antigos mitos da humanidade, ao trazer Neo de volta à vida, fazendo com que ele obtenha sucesso na última e derradeira iniciação, conhecida por nós como Morte.

    Quase no final do filme, vemos através das palavras do personagem principal, que o Avatar não significa um fim, mas um começo de algo novo, ilimitado, sem fronteiras, um novo ciclo, livre de Maya, sem ilusão, onde tudo é possível para o ser desperto. Ele dirige-se à Matrix, a estrutura geradora da ilusão, declarando-se decidido a: "...mostrar a essas pessoas o que [Matrix] não quer que elas vejam. Vou mostrar a elas um mundo sem você. Um mundo sem regras, sem controles. Um mundo onde tudo é possível.".

    Sua última frase, dirigida à Matrix, (Maya ou Ilusão) àquilo que torna possível esse processo de auto-hipnose, (Nossa personalidade), pode ser considerada também como dirigida a cada um de nós. Ele fala calmamente sobre a decisão que deixa a cada um dos espectadores: "Para onde vamos daqui, é uma escolha que deixo para você".

    O filme termina com Neo saindo do chão e voando, reproduzindo o arquétipo da ascensão, ou da subida aos céus, que simboliza a realização plena do iniciado, já tornado um verdadeiro Adepto, fazendo parte agora de outro processo evolutivo, relativo ao desenvolvimento dos deuses.

    "Lembre-se: Tudo que ofereço é a verdade. Nada Mais."
     Morfeu
 
OBS: Não sei de quem é a autoria deste texto.

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