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terça-feira, 24 de julho de 2007

Deusa Ceuci e Jurupari

Deusa Ceuci e Jurupari

rosane volpato

Ceuci é a “Virgem Maria” da teo­gonia Tupi, pois também ela teve um filho de uma concepção miraculosa.

Segundo a lenda, Ceuci descan­sava à sombra da árvore do bem e do mal, quando avistou seus frutos gran­des e maduros. Não resistindo, apa­nhou e comeu uma de suas frutas e o seu caldo escorrendo pelo seu corpo nu alcançou o meio de suas coxas.

Meses após, revelou-se uma gra­videz que encheu de indignação toda a comunidade de sua aldeia. O Con­selho de Velhos, achou por bem, puni-la com o desterro.

Ceuci teve seu filho muito longe da aldeia de deu-lhe o nome de Juru­pari, futuro legislador, que veio man­da­do pelo sol para reformar os cos­tumes da terra e também encontrar nela uma mulher perfeita com quem o sol pudesse casar.

À medida que o menino cresceu foi afastando-se da mãe e muito jovem já era considerado o “Moisés” dos tupis. Para que os homens apren­dessem a viver independentes das mulheres, Jurupari instituiu grandes festas que só eles podiam tomar parte.

“Morreste mãe, porque desobe­de­ceste à lei de Tupã. É a lei que eu vivo a ensinar. Não vou te ressuscitar, mas te recomendo: sobe, bela, ra­diante e pura para um mundo melhor. Cum­priste a verdadeira missão de mãe, que sempre é cheia de amor, re­núncia, desenganos e sofrimento. Meu pai vai recebê-la de braços aber­tos lá no céu”. O corpo da deusa, então, cheio de luminosidade, come­çou a subir.

Atravessou o espaço e transfor­mou-se na estrela mais resplande­cente da constelação das Plêiades (constelação que indica a época certa da colheita das frutas maduras, da caça e da pesca). Ali está, até hoje, para lembrar aos selvagens o respeito às leis de Juru pari, o Filho do Sol.

Os mitos da procriação, do nas­ci­mento e da vida de grandes figuras da história refletem o que há de extra­ordinário nestas crianças divinas e além disso, nos falam da corres­pon­dência destas conexões que se dão tanto com a ordem cósmica como com a alma humana.

As relações “homem-Deus” e “ho­mem-mulher” são os temas do ser humano desde que ele existe, justa­men­te por que nestas ligações en­trelaçam-se decisões de vida ou mor­te. De todas as ligações a de mãe-filho é a mais estreita, é algo transcen­dente, que une duas pessoas em um segredo fascinante, que dá prazer e dor, mas que no fundo é sempre inde­cifrável. Assim, não é de se estranhar que nos primórdios dos tempos se acreditasse que a maternidade não de­pendia do homem, mas sim da in­fluência ou interferência dos astros, ani­mais e até do sumo de alguns frutos, como é o caso de nossa lenda.

No início da humanidade, tal esta­do das coisas acabou por gerar cho­ques e tensões sociais e o homem sen­tindo-se mais forte, tratou de dominar a situação e inverter os papéis. Esta mu­dança em alguns casos foi extre­mamente dramática, pois em algumas tribos, o homem figurava como uma espécie de escravo da mulher, execu­tando os serviços mais baixos e sem que os filhos o considerassem pais.

O mito do Jurupari, juntamente com a existência das Icamiabas, nos dei­xa bem claro, que as mulheres fo­ram destituídas de todo o poder, nada restando-lhes, nem mesmo era reco­nhe­cida a maternidade. Como o des­mo­ronamento do direito materno, o ho­mem apoderou-se também da dire­ção da casa, a mulher viu-se então de­gra­dada, convertida em servidora, em escrava da luxúria do homem, ou simples instrumento de reprodução.

É óbvio que as mulheres não po­deriam concordar com tal estado das coisas. E muitas são as lendas em que as mulheres matam os homens, seus maridos, os velhos e as crianças do sexo masculino, antes de abando­na­rem suas aldeias.

QUEM É JURUPARI?

Jurupari ou Izí é um Grande Espí­rito, que servia de guia e protegia os índios, particularmente aos homens. As leis do Jurupari, que significa “boca fechada” (iurú=oca e pari=pume), im­punham silêncio total sobre todos os segredos do oculto. O pai deveria matar o filho, se este descobrisse qual­quer segredo das festas sagradas an­tes de iniciado, tão rígidas eram tais regras.

Nas cerimônias de iniciação, des­ta­cam-se os seguintes versos, ilus­trando o conceito de “boca fechada”:

“Sol, faz valentes seus corações!

Lua adoça suas falas!

Ceuci ensina-os a fugir

De um dia tudo contar!”

A cantiga pede pois, que man­tenham suas bocas fechadas, de acor­do com as leis e não esquece de invo­car a proteção das Sete Estrelas ou Ceuci, a mãe do Jurupari, que corres­pondem ao aglomerado estelar aberto das Plêiades, na constelação do Tou­ro, próximo às “Três Marias”, o cintu­rão da constelação do Órion. Este gru­po é visível alto no céu pela madrugada no inverno e primavera e verão no meio da noite. É também pedido a pro­te­ção da Lua para “adoçar suas falas”, isto é, impedi-los de contar os segre­dos às mulheres.

O Jurupari foi portanto, o respon­sável pela instituição da “Casa dos Homens” e também pelo invento dos instrumentos sagrados, máscaras e das festividades exclusivamente mas­cu­linas, o que servia para manter o ca­ráter de dominação patriarcal no seio das tribos.

Mensagem deixada

A Deusa Ceuci e Jurupari chegam até nós para curar os conflitos entre ho­mens e mulheres. Ceuci é a Deusa-Mãe Divina e Jurupari a Criança Solar que recebeu sua energia amorosa. Sem a mãe, não existiria o filho, sem o filho não existiria a mãe e, sem os dois, não poderíamos viver a dimensão da vida.

Nossas vidas sempre continuarão sendo um grande mistério, onde a ra­zão só quer saber das causas e conse­qüências e, com certeza, jamais admi­tirá ou acreditará no nascimento pro­ve­niente de uma mulher virgem. Entre­tanto, toda a mulher que encontra-se conectada com a Grande Mãe, sabe que não depende nem do pai, nem da mãe quando se forma a vida, mas isso cabe a um poder superior, ao poder da própria vida.

Ceuci vem dizer ainda, que é ur­gente o aprofundamento das mulhe­res dentro de si mesmas, para que se realizem os valores básicos femininos que o mundo patriarcal negou e que a mulher também alienou de si mesma, perdendo a sua linguagem própria de signos e símbolos em busca do reco­nhe­cimento.

O mundo hoje já não impede o de­sen­volvimento da mulher, mas ela ainda se encontra muito confusa em relação a própria identidade e do seu verdadeiro papel na vida. Se sente pre­sa e vacilante aos preconceitos que a marcaram como sexo frágil, incapaz e inferior. Sua liberdade dependerá de um grande esforço, pois lhe exigirá uma fidelidade consigo mesma e o aban­dono de desculpas que ocasio­nem entraves para o seu crescimento. Não podemos nos esquecer, que es­tes antigos valores ainda estão no in­consciente dos homens, entretanto, o terreno é fértil para o despertar de uma nova consciência!

É resgatando Ceuci, a Deusa-Mãe das Estrelas, que nós mulheres deixa­remos de lado os vícios e comporta­mentos que a sociedade patriarcal nos impingiu e entraremos em contato direto com o divino feminino.

Se você puder realizar este ritual ao ar livre, tanto melhor. Caso more em um apartamento, posicione sua me­sa perto de uma janela onde possa ver a Lua e as estrelas.

Primeiro você deve estender uma toalha azul no chão e desenhar ou colar 7 estrelas nela. Acenda três ve­las cor de prata em triângulo, um in­cen­so de eucalipto e encha uma taça com vinho tinto.

Passe a fumaça do incenso de eucalipto em torno de você, mentali­zan­do a energia da cura. Depois respingue um pouco do vinho sobre seu rosto e entre em estado de recep­tividade com as energias de Ceuci, dizendo:

Deusa das Sete Estrelas,

Encontro-me aqui para te encontrar,

E para pedir para tudo mudar,

Seja minha companheira,

Guia-me nos caminhos da

vida e da luz,

Pois és Mãe Cósmica que reluz!

Atenda meus pedidos e

se faça presente.

Feche os olhos e respire e inspire profundamente por três vezes. Depois visualize a luz brilhante das estrelas e tente localizar as Plêiades e chame por Ceuci. Uma luz tomará aos poucos a forma de uma mulher, que muito deva­gar descerá até seu jardim iluminando-o com uma forte luz prateada. Em uma de suas mãos terá um fruto vermelho que oferecerá a você. Tome-o e agra­deça! Neste mesmo instante pegue sua taça de vinho, beba você o pri­meiro gole e depois levante a taça em direção à ela, brindando este encontro mágico.

Sinta então as estrelas que der­ramam sobre você raios de luz e deixe que esta energia percorra todos os seus corpos: físico, mental e espiritual. Aqueça-se nesta luz, preenchendo to­dos os espaços vazios de seu ser.

Sinta-se então repleta, livre e feliz! Peça a Deusa das Plêiades que abençoe a nossa Terra e nos faça todos irmãos.

Agradeça os momentos maravi­lhosos que lhe foram permitidos estar com ela.

Apague as velas e encerre o ritual.

Bibliografia:

Lendas Brasilei­ras - Afonso Schmidt; Livraria Pluma;

Porto Alegre; RS

As Amazonas -

Fernando G. Sampaio; Editora e Distribuidora de Livros Ltda; SP