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segunda-feira, 2 de julho de 2007

Encruzilhadas

Este mistério que envolve as encruzilhadas é tradição brasileira ou tem importância também em outros lugares?

Sempre foi assim no mundo todo. Quando se compreende a visão dos magos sobre os cruzamentos dos caminhos, fica até fácil de entender a importância da encruzilhada como lugar de PODER em todas as culturas tradicionais.

Os pontos cardeais: NORTE, SUL, LESTE E OESTE nos dão a dimensão do espaço. O espaço das possibilidades a seguir. Parado no cruzamento entre dois caminhos, o homem está como se estivesse no centro do mundo, diante de um universo de alternativas. Ele tem quatro caminhos, quatro destinos, e um deles é o seu.

Mas por que a estrada, a rua? Se para os magos qualquer ponto é o centro do mundo, então, mesmo no meio de um campo virgem ou no deserto, ainda existe a possibilidade de seguir qualquer direção…

Aí vem a explicação do mito sobre as encruzilhadas: porque as ruas, as estradas, os caminhos e as cidades são a expressão física, material dos desejos das pessoas. Imagine como nasceu um caminho: havia o campo, a natureza, e os homens passavam por ali, iam e voltavam, cada vez mais e em maior número. Em outras palavras, uma simples rua qualquer é a expressão das necessidades de todos nós, humanos. É preciso que a gente se desloque o tempo todo pelo mundo afora, sempre em busca de alguma coisa ou de alguém. A Vida é um caminho, e encarando por esse ponto de vista até faz mais sentido. Então os magos acreditam que as pessoas deixam sempre algum tipo de energia emocional nas ruas e essa energia circula pelos caminhos e fica ainda mais forte quando se cruzam…. Essa força inconsciente e inesgotável facilita o contato entre os mundos e por isso sempre foi usada, desde a Antigüidade.

Quais povos consideravam as encruzilhadas lugares mágicos?

Quase todos, principalmente os gregos. Eles colocavam em todas as encruzilhadas pilares de pedra com o rosto do deus Hermes. Senhor dos caminhos, da Medicina, do Comércio e da Inteligência, Hermes era tão importante que destruir uma destas Hermas era um crime gravíssimo. Foi apenas por destruir uma dessas HERMAS que o General Alcebíades, um dos maiores heróis da Grécia Antiga, foi misteriosamente assassinado. Simplesmente amanheceu apunhalado em uma encruzilhada, vestido de mulher.

Mas quem matou? E por que vestido de mulher?

Não se sabe. Mas Hermes era o deus da inteligência e da astúcia e seus devotos eram e são famosos pelo dom da ironia e pelo senso de humor. Não só a Hermes eram dedicados os cruzamentos dos caminhos.

Havia uma deusa noturna, sinistra, chamada Hécate, que presidia as artes da Magia e as forças das Trevas. A ela eram dedicadas as encruzilhadas que abriam-se em 3 braços. Quando uma feiticeira chegava a uma dessas, ajoelhava-se e uivava 3 vezes para a Lua, saudando os Poderes da Noite. Apesar dos devotos de Hermes terem assassinado Alcebíades, não seria errado dizer que Hermes representava a Magia Benéfica e Hécate a Magia Maléfica das encruzilhadas.

Aqui no Brasil é como na tradição africana: o Senhor dos caminhos é o Bará, é o senhor da Magia, tanto para o Bem quanto para o Mal.

No Brasil essa entidade se chama Bará, no Caribe se chama Legba e na África, de onde veio, se chama Elegbará. É uma divindade muito importante na religião Afro. É o senhor dos caminhos. Ele é mensageiro dos deuses, como Hermes. São sempre saudados antes de iniciar qualquer trabalho mágico. O deus Bará é chamado de o HOMEM DA RUA e as entidades que ele comanda são o POVO DA RUA, uma falange espiritual muito numerosa e poderosa.

Muita gente faz pedidos para o povo da rua nas encruzilhadas e pensam que são demônios…

Não exatamente, são criaturas não humanas, que não seguem nenhum padrão de moralidade como os nossos, por isso trabalham para qualquer objetivo sem perguntas, desde que sejam pagos, das formas mais variadas.

E uma coisa muito interessante: no sertão brasileiro e no interior do Sul dos Estados Unidos existe a mesma lenda. Quando alguém quer aprender a tocar um instrumento, principalmente violão ou harmônica, vai a uma encruzilhada numa sexta-feira à meia-noite, e faz um pacto com o Diabo. Por que será que dois povos tão distantes têm a mesma lenda?

Decerto por tudo isso que a gente falou. Tudo é uma questão de escolher o seu caminho.