Por favor, preencha a atmosfera com a vibração sublime dos Santos Nomes:
Hare Krsna Hare Krsna Krsna Krsna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare

terça-feira, 24 de julho de 2007

História contada por Vovó Benta

Não dê o peixe, ensine a pescar.

- Minha mãe preta, como dirigente desta Casa de Caridade, me vejo angustiada diante da fila que se forma em cada dia de atendimento e também diante da limitação que se impõe no atendimento, devido ao limitado número de médiuns trabalhadores, bem como do espaço físico de nossa pequena tenda.

- O meu saravá pra suncê zi fia! Que o grande Zambi abençõe sua coroa!

Esta preta velha, mandingueira e mexeriqueira já andava aflita, na espera dessa conversa com a filha. Nas andanças da vida, estagiando hora na matéria, hora fora dela, nêga velha foi colocando no bornal um tanto de experiência. Entre muitos erros e poucos acertos, perambulei por este mundão de meu Deus e senti na pele como o ser humano é viciado ainda em escravizar o outro, em favorecimento de seu ego.

Longe ainda de viver e sentir as coisas do espírito, quais andarilhos, mendigam favorecimentos ou compram milagres, por vezes, endividando-se para o além túmulo.

Os filhos da terra, apesar de tantos alertas, de tantas dores, da porta que se estreita em sua caminhada, assinalando que os tempos estão chegados e por isso é preciso se desvencilhar das quinquilharias amontoadas ao longo da estrada, ainda não conseguem absorver a mensagem do Cristo Jesus. Enrolados no manto do egoísmo sentem-se, ou "supremos e merecedores" ou então "vítimas" e quando as coisas da matéria, únicos tesouros amontoados em suas vidas, sufocam-nos, correm às portas dos templos exigindo que Deus resolva num passe de mágica, suas angústias e desordens.

Acostumados que estão a tudo comprar ou trocar, tentam negociar a troco de algumas velas ou do desfilar das contas de um rosário, uma mudança que a eles pertence, mas que exigiria algum esforço próprio. Quando não, esgueirando-se na noite para não serem percebidos pela sociedade, marcam consulta com magos das sombras, disfarçados de "adivinhadores do futuro", que usando de elementos e elementares, ligando-se a energias densas que atendem momentaneamente seus desejos. No desespero, quando os sortilégios já não fazem mais efeito, ajoelham-se na frente do caboclo ou do preto velho, ignorantes que são das leis maiores, ansiando sair dali com uma solução mágica nas mãos.

Por isso filha, ensine os filhos a pescar. Evangelize esse povo, mostrando que em cada filho existe uma essência divina, que existem leis que organizam o universo e precisam ser obedecidas. Mostre-lhes filha, que o milagre, que o céu ou inferno estão inseridos na consciência de cada um e não no mundo exterior. Instigue-os a buscar alegria nas coisas simples, a viver o amor de forma incondicional, a perdoar e principalmente a livrarem-se das mágoas que é o câncer da humanidade.

- Minha mãe, na Umbanda não se costumam fazer palestras elucidativas, pois o atendimento é individual e dado pelos guias incorporados.

- Filha, a vida exige uma constante mudança de hábitos e costumes para que haja evolução. Para se fazer a caridade é preciso, além do amor, o discernimento, a sabedoria para que não se joguem pérolas aos porcos. Jesus ensinava e exemplificava e só curava àqueles que tinham fé. O que denominavam de milagre, era o amor e a vontade em movimento. Então, movimente o amor e qual Jesus, ensine. Mostre o caminho, dê-lhes o anzol e ensine-os a pescar. Não entregue nas mãos da espiritualidade, a responsabilidade que compete aos médiuns. Sejam nossos parceiros e ignorem a premissa de que, só através da incorporação se faz o trabalho da Umbanda. Estarão amparados e irradiados, desde que se doem com amor e humildade.

Daquele dia em diante, as filas aumentaram naquela tenda de Umbanda, mas de gente interessada em aprender com as palestras educativas e evangelizadoras que antecediam o atendimento dos caboclos e pretos velhos, o qual se restringia agora aos doentes e magiados. No ambiente físico, aqueles rostos tensos que entravam na casa, ai sair dali exibiam um sorriso de alívio. No lado astral, as entidades de todas as linhas da Umbanda, em intenso movimento, circulavam por entre os filhos de fé, atendendo a cada um segundo seu merecimento e condição vibratória. Falangeiros da luz deslocavam-se num constante movimento de socorro a encarnados e desencarnados.

E a cada dia de atendimento, irradiada pelo seu guia, a dirigente daquele templo, elucidava aquelas mentes sedentas de aprendizado, enquanto a Luz se fazia sobre as sombras.