Por favor, preencha a atmosfera com a vibração sublime dos Santos Nomes:
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segunda-feira, 2 de julho de 2007

Odé e Otin, os caçadores

Ode onija
Sese lehin aso
Ee ko po de
Oju t’ori egbin ko fo
Ojo po iya ma bi
A kere togbonsinon
Ode ko ti ku agbanli
O si’di bata leriebe
Ode nwo mo eru nba mi

Odé (Batuque), orixá da caça, também conhecido como Oxóssi no resto do país.

Ele parece ter escapado da atenção dos etnologistas, principalmente, porque o seu culto é muito exclusivo e se concentrou a certas áreas geográficas. A sua iconografia não está repleta de esculturas suntuosas, como Xangô e Exu.

O seu culto floresceu em Cuba e no Brasil, mas, infelizmente, está quase desaparecido na África. A razão histórica para isso é que Ketu, o Reino do Benin, onde Odé era cultuado, foi repetidamente atacado pelos daomeanos desde 1789 e a maioria dos seus sacerdotes foram escravizados e transportados para o Novo Mundo (Maceiro, 1981). A predominância da influência Ketu na tradição religiosa do Brasil ajudou o culto de Odé a florescer até a atualidade. Existem muitos sacerdotes iniciados para Odé no Brasil e, inquestionavelmente, é uma das “cabeças” mais populares entre as nações.

Odé é muito importante no Brasil. Seu nome (Odé) foi fragmentado e traduzido por alguns por “feiticeiro” (òsó-òsì). Ele possui um grande poder mágico com os seus preparados de folhas das matas, as quais ele conhece muito bem. Por possuir a natureza de um caçador, ele conhece os venenos que precisa usar para atrair sua presa. Ele é o nosso defensor físico e provedor de alimento. É o nosso método de sobrevivência.

Ele também está preocupado com o nosso bem-estar. Devido ao tempo em que passa na floresta, aprende os segredos das folhas e medicamentos de Ossayim. Na nação jeje, ele é um Olossayim (sacerdote de Ossayim), treinado na preparação de medicamentos e talismãs. É, também, um caçador que encontra um novo solo satisfatório para estabelecer tribos. Representa, assim, a transição da vida nômade para a vida de subsistência pela agricultura. É o fundador e patriarca da comunidade e da ordem social.

No Brasil, Odé é sincretizado com São Sebastião. Como já afirmei em outra ocasião, você não precisa ter nada a ver com os santos católicos para adorar os orixás. Apenas incluo essa informação para dar uma perspectiva histórica.

Cernunos é a deidade gaulesa associada com a caça. Freqüentemente é pintado com os chifres de um veado. Os seus sacerdotes até hoje se utilizam de máscaras com chifres de cervo. Aqui há uma conexão muito direta com Odé. Odé é o orixá caçador e usa um arco e flecha para caçar, porque estes eram os instrumentos de um caçador na sociedade primitiva. Naturalmente, foram caçados cervos na África, da mesma maneira que foram em todo o mundo. Um dos elementos principais que compõem o assentamento de Odé é um par de chifres de cervo. Nas sociedades primitivas, a caça era tudo. Nesta sociedade não existiam agricultores e o seu modo de vida dependia exclusivamente da caça e do sucesso de seus caçadores. E, então, eram feitas cerimônias para propiciar o Deus da Caça, para o bem de toda a comunidade.

Pashupate é o deus hindu dos animais selvagens e é mostrado como uma entidade com chifres. Ele é a versão hindu de Cernunos e Odé. Vindo da área indo-ariana do mundo, é possível que a adoração de Cernunos seja contemporânea com a adoração de Pashupate. Onde isso me possibilita a união com a adoração de Odé na África? Considerando que a África está muito longe de ser unida geograficamente a estes rito primordiais, temos que assumir que o culto de Odé floresceu na sociedade africana independente de qualquer outra influência. Isto, justamente, vem contribuir para a universalidade das religiões que estão conectadas na adoração das forças naturais.

Herne é a versão céltica do deus caçador na Inglaterra. Ele é, particularmente, associado com a Floresta de Windsor. É o deus da caça selvagem e é sempre visto com os seus cachorros participando de uma caçada. Os cachorros estão associados com Odé e muitos dizem que ele é o dono dos cachorros e não Ogum. Por andar sempre à noite, Herne foi associado com os espíritos da noite e isso passou a causar muito medo nas pessoas. Por isso, é associado com magia e bruxaria. Isto acontece com Odé, também, pois ele é considerado um orixá que está associado com as entidades que abundam na floresta africana e que possuem grande poder mágico. Odé, também, é um orixá de inteligência. Quando alguém está fazendo algum ritual para Odé, implorando a sua ajuda, deveria pedir a ele que lhe desse inteligência para resolver seus problemas. Os orixás ajudam os que se ajudam e você não pode sentar-se na sombra e esperar que eles resolvam todos os seus problemas sem investir nenhum esforço no problema. Candomblé ou Batuque é um caminho que requer muito trabalho. Os rituais envolvidos, às vezes, são longos e complicados. Precisamos aprender de que forma podemos ser efetivos, como, também, fazer muitas tarefas de maneira correta. É uma religião primitiva e, definitivamente, não é feita para o ocultista de escrivaninha, que não é simpático ao trabalho físico ou não gosta de “sujar” suas mãos em qualquer forma de trabalho físico.

Aqui no Brasil, Odé é relacionado aos espíritos indígenas. Isso é muito natural, pois temos a maior floresta tropical do mundo. Considerando que os conquistadores trouxeram as doenças e o extermínio, e conseguiram reduzir drasticamente a população indígena, Odé, sendo o caçador da floresta, logicamente, seria conectado a todos os espíritos que vivem em seu domínio. Isto, talvez, seja responsável pelo grande poder que Odé tem no Brasil e é muito venerado na Umbanda, onde é cultuado na forma de diversos “Caboclos”. Freqüentemente, vemos médiuns trabalhando com Odé, vestindo roupas que lembram a cultura indígena brasileira. Você já deve ter entrado em alguma floresta tropical, ou sub-tropical, e, certamente, deve ter ficado impressionado com a variedade de vegetais existentes nestas florestas do que os que existem nas florestas do hemisfério norte. Isso faz com que se note um grande poder nestes locais. A presença de espiritual é constante. Logicamente, não devemos nos esquecer da presença de Ossayim nas florestas. Se você entra em um bosque para fazer algum trabalho mágico ou para recolher folhas e plantas para fazer magia, deve-se sempre deixar uma oferenda para Ossayim, pedindo permissão para levar o que precisa. Na nossa tradição, plantas e árvores também possuem espírito, e são iguais aos animais e seres humanos. Se levarmos uma planta a ser usada em um ritual de cura e não executamos os procedimentos corretos, é mais provável que seus efeitos serão nulos.

Além do papel de Odé como caçador e bruxo, também é considerado um grande vidente. Seus filhos, normalmente, possuem habilidades psíquicas.

Otin é muito conhecida em Cuba. É um orixá feminino, ligado aos caçadores, especialmente Odé, sendo sua esposa. É também relacionada a Yemanjá (é conhecida como a âncora de Yemanjá). No Candomblé, em várias nações, Otin é vista como um orixá masculino, parte de um panteão de orixás caçadores, sendo uma qualidade de Odé. Só no Batuque, no Rio Grande do Sul, Otin é adorada como um orixá feminino, conhecida como a esposa de Odé. Na Nigéria, Otin é venerada como uma deusa fluvial. Seu culto teve origem em Inisa. É dever da família real de Okuku adorá-la como fundadora da cidade. Em uma lenda, Otin apareceu ao Príncipe Aramoko e lhe mostrou a região, próxima a seu rio, onde eles deveriam se estabelecer. Em Okuku, Otin é muito unida a Odé e a Oxum.