Por favor, preencha a atmosfera com a vibração sublime dos Santos Nomes:
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segunda-feira, 2 de julho de 2007

Yansã - A Deusa Guerreira

Yansã pode ser simplesmente descrita como a “essência da Mudança Brusca”. Sempre que examinamos as lendas construídas para explicar essa energia, podemos ver essa essência de forma bastante clara. No entanto, se olharmos as lendas de uma forma literal, nos perdemos numa grande confusão antropomórfica. Os seres humanos sempre tentaram explicar a energia divina com exemplos tirados da sua vida diária. Apesar de facilitar o seu entendimento, essa tentativa de entender essas energias em condições humanas, banaliza a energia. Dessa maneira, diminuímos o seu poder, e nossa habilidade para utilizá-la com eficiência.
Assim, quando nós afirmamos que Oyá é a “dona” da feira (uma visão Yorubá), estamos tentando mostrar o mercado (negócio), com suas mudanças bruscas, onde diversas pessoas ficam ricas, ou pobres, da noite para o dia e toda a movimentação que ocorre nestes meios. Este é apenas um exemplo da energia deste Orixá. Quando a descrevemos como um vendaval ou tornado, estamos dando outro exemplo das inúmeras mudanças que esta energia pode provocar. O vendaval, ou tornado, acontece repentinamente e remove seletivamente as coisas do seu caminho. É esta mudança brusca que as lendas pretendem mostrar. Mas nada deve ser lido de forma literal. É apenas o enfoque da energia. Da mesma maneira, quando vemos Yansã como uma figura solitária, é para mostrar a impermanência desta energia. Nenhuma pessoa pode sustentar nenhuma relação quando está em processo de mudança e se este processo é a razão da sua existência. Os filhos de Yansã precisam trabalhar muito bem suas relações e o problema da solidão que tantos possuem é a expressão lógica da eterna mutação sem o equilíbrio humano necessário.

Também, quando descrevemos Oyá como a “porteira” do cemitério, estamos, simplesmente, mostrando outras formas de mudança brusca que são manifestadas pela energia deste Orixá. Afinal, que mudança pode ser mais brusca que a morte?

E, finalmente, quando descrevemos Oyá como uma guerreira, que luta ao lado de Orixás guerreiros masculinos, estamos apenas repetindo a visão chauvinista de muitos babalorixás e sacerdotes, que pensam que se ela é tão forte, deve ter algo de masculino.

Tudo está enfocado na energia do Orixá. Trabalhar com a energia da mudança de Yansã pode trazer significado, amor, profundidade, sabedoria e realização para sua vida.

Olhando um quadro de Santa Tereza, procuro saber por que os antepassados de Cuba escolheram uma imagem tão doce e inocente de um santo católico para representar um Orixá de tempestades e tornados. No Brasil, ela é representada como Santa Bárbara. Mesmo associada a uma santa católica, continuou sendo o orixá dos ventos e do raio. Representa uma das forças mais poderosas da natureza. Afinal, quem pode resistir a um tornado? Ou a um raio? Ninguém. Ela representa o controle destes elementos. Ela retira sua força espiritual destes elementos e é uma guerreira poderosa que luta ao lado de seu principal amante, Xangô.

No Haiti, ela é conhecida como a Grande Brigitte, esposa do Barão de Samedi, o dono do cemitério. Como ela vive no cemitério, também é associada com os mortos, o que, em parte contribui para que muitos temam seu poder. Mas, na verdade, ela é muito poderosa. Suas cerimônias são complicadas e delicadas. Devem ser executados corretamente, sem omissão de qualquer detalhe. Devido a este fato, o assentamento deste orixá é muito caro e demorado. É um orixá muito misterioso, mas também de muita beleza e muito leal. Da mesma forma, ela espera a mesma lealdade dos seus devotos.

Oyá e Yansã são dois nomes para o mesmo Orixá. Oyá é mais comum em Cuba, enquanto Yansã prevalece no Brasil. Embora seja forte e uma guerreira brilhante, nunca perde a feminilidade e a elegância. Ela gosta do calor da batalha. É o raio iluminado e Xangô é o trovão que o segue. Ela se movimenta tão rapidamente quanto o raio.

Eu tenho falado em outros artigos sobre as correspondências entre os orixás e as outras personagens de outras mitologias, como a Grega, Hindu, Egípcia, etc. Não existe nenhuma evidência histórica para isso, mas, eu, acredito nesta conexão.

Por exemplo, acredita-se que os primeiros humanos da África tenham viajado, de alguma maneira, para a Austrália, como foi comprovado pela cor da pele. Quem pode dizer que eles não chegaram também até a Índia e se misturaram com as raças nativas? Comparativamente, os semideuses hindus podem, facilmente, serem associados aos orixás e as suas funções são as mesmas. Oyá corresponde a Kali, enquanto Laksmi corresponde a Oxum, Brahma a Oxalá, Vishnu a Olodumaré. Claro, isso é apenas uma especulação da minha parte e não faço nenhuma reivindicação de possuir alguma prova científica. Mas, provas espirituais nem sempre são científica. A cor negra de Kali e o fato de que ela é uma deusa guerreira, com um colar de crânios me leva a identificá-la como Oyá. O que você pensa? Agradeceria seus comentários!

Na Nigéria, Yansã é muito conectada aos mortos. A reverência aos ancestrais é muito importante na adoração dos Orixás. Por isso, é necessário ter uma boa situação com os antepassados antes de ser iniciado na adoração dos orixás. Uma das maneiras de fazer isso é ter um altar para seus antepassados. Não precisa ser muito elaborado, mas dentro dos meios que você dispõe. Na tradição africana, colocamos bebidas, bebidas alcoólicas e comidas para eles. São, também, sacrificados animais, o que lhes dá energia e acesas velas, que lhes dão luz, de forma que eles possam progredir nos reinos espirituais. Alguns adeptos dos Orixás poderiam se ofender com o uso da palavra “bruxo” para descrever um Orixá. No entanto, alguns orixás poderiam muito bem ser descritos desta maneira. No idioma português, a palavra “bruxo” tem uma conotação ruim. Para nós significa uma pessoa ou entidade com poderes mágicos. Realmente, os poderes dos Orixás poderiam ser chamados de mágicos, por causa dos efeitos maravilhosos que podem realizar. Da mesma forma, alguns orixás, mais que outros, se prestam a fazer “bruxaria” e eles gostam de fazer trabalhos de magia para seus “filhos” ou a quem pede a ajuda de seus “filhos”. Oxossi (Odé) é outro orixá considerado bruxo, pois está conectado a todos os espíritos da floresta, da mesma maneira que Yansã está conectada aos espíritos que vivem no cemitério. Estes dois orixás têm o poder para trazer a ajuda de espíritos que os ajudam no seu trabalho, solucionando problemas corretamente. Lembre-no, no entanto, que esses orixás são muito elevados, não espíritos que você pode forçar a cumprir suas ordens. Aproxime-se sempre deles com respeito se você deseja sua ajuda para resolver problemas ou situações.